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domingo, 26 de maio de 2013

"O Redentor" (Jo Nesbo)

Ficha Técnica:

Título: O Redentor
Escritor: Jo Nesbo
Gênero: Policial
Lançamento: 2012
Páginas: 420 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Record


Como disse na postagem anterior, estou colocando o Jazz & Rock na ativa novamente. E para a primeira postagem, escolhi escrever sobre o livro "O Redentor" do escritor norueguês Jo Nesbo, que terminei de ler recentemente.

Comprei o livro totalmente por acaso, aconteceu depois de ficar alguns longos minutos dentro de uma livraria procurando algo para comprar, e por algum motivo achei a capa interessante e li rapidamente a sinopse na contracapa. Nunca tinha ouvido falar no Jo Nesbo, mas decidi levar o livro mesmo assim.

“O Redentor” é um livro de suspense policial de qualidade rara, um thriller que choca o leitor desde o começo e consequente segurar ele em uma trama cheia de reviravoltas.

A história começa a ser contada a partir do ano de 1991, em um acampamento do exercício da salvação. John e Robert Karlsen são dois jovens, que assim como outros, convivem e fazem parte do mesmo circulo.  É nesse cenário que naquele ano acontece um crime, uma garota de 14 anos é estuprada dentro do acampamento. Apesar da gravidade, o caso é abafado dentro do exercito e ninguém fica sabendo.

Doze anos depois, ás vésperas do natal, o inverno rigoroso transforma Oslo em uma cidade desoladora e inóspita. Pessoas percorrem as ruas atrás de presentes de natal, e disputam lugar com pedintes e viciados sem destino que vagam em busca de dinheiro e drogas. Apesar do frio, o tradicional show de fim de ano do Exercito da Salvação é realizado, com a missão de fazer caridade em meio a um local degradado.

O evento transcorria normalmente, até que um tiro é disparado em meio à multidão, e um dos membros do exercito da salvação é assassinado. É nesse momento que entra em ação o inspetor chefe da policia Harry Hole, que encontra uma cena do crime com poucos indícios e nenhum suspeito.

Correndo contra o tempo, o inspetor chefe e sua equipe começam uma caçada alucinante em busca de pistas. Depois de algumas investigações, Hole chega a um assassino profissional croata, conhecido como “pequeno redentor”.

O fato surpreendente é que o assassino descobre horas depois, que matou o alvo errado.  Com poucos dias para solucionar o caso, Hole se encontra em um quebra cabeça interminável, que ele e sua equipe precisam solucionar rapidamente, antes que o assassino encontre o seu verdadeiro alvo.

É com essa trama bem montada e com muita habilidade, que Jo Nesbo consegue literalmente segurar o leitor, que assim como Hole, também deseja juntar as partes e solucionar o caso. Tudo no livro, as histórias secundárias, se encaixam perfeita a principal. Isso é sem duvida uma das características mais sensacionais do livro. 

Outro destaque é sem dúvida o personagem Harry Hole, que se pudesse ser comparado seria tipo um policial de seriado, um cara durão, que enfrenta seu superior para solucionar um caso, e em contrapartida quando está sozinho se lamenta por erros na sua vida pessoal e luta contra o vicio da bebida. É um personagem carismático, e que apesar de enfrentar muitas adversidades, Harry é a peça chave na investigação do caso. 

Sobre o escritor Jo Nesbo, não sei se vocês já o conheciam, mas recomendo os outros livros dele, que apesar de eu não ter lido ainda, parecem excelentes. 


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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Jazz por Luis Fernando Veríssimo


Por Daniel Faria

Com a sensação de que 24 horas não está sendo suficiente para conciliar emprego, faculdade e outros afazeres, consegui arrumar minutos preciosos para trazer até vocês uma publicação recente (acredito eu) do excelente Luis Fernando Verissimo. Trata-se do ebook Jazz, publicado pela editora Objetiva e que faz parte da coleção Foglio.

O livro só está disponível para o Kindle, no valor de R$ 4,75. Mas como tudo nessa vida tem um jeito, consegui a versão epub,  que pode ser lida no computador. 

Como todos sabem, os textos o Veríssimo são de extrema qualidade e sendo assim dispensam apresentação. "Jazz" é uma coletânea de textos curtos, que já foram publicados em jornais e outros inéditos. Ao todo são 15 textos, que falam do jazz de uma maneira abrangente, desde o primeiro encontro de músicos brancos e negros, passando por textos sobre Miles Davis, Chet Baker, entre outros, e também curiosidades.

Peço desculpa por não esmiuçar o livro com maiores detalhes. Por outro lado a novidade é que eu consegui o livro no blog Exilado, ou seja, você poderá baixar e ler o livro na integra.

Jazz ( Luis Fernando Verissimo ) -  Clique Aqui p/ o Download 

Para os navegantes de primeira viagem (que foi o meu caso), o livro está no formato epub. Por isso é necessário um software para abrir esse tipo de arquivo. Eu recomendo o FB Reader.

Espero que gostem da dica. E boa leitura a todos.

sábado, 19 de maio de 2012

"Marina" (Carlos Ruiz Zafón)

Ficha Técnica:

Título: Marina
Escritor: Carlos Ruiz Zafón
Gênero: Romance
Lançamento: 2011
Páginas: 262 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Suma





Caros leitores

Apesar de ficar um bom tempo sem postar dicas de leitura, continuo lendo meus livros. E um dos últimos livros que eu tive o prazer de ler foi “Marina”, do escritor espanhol Carlos Ruiz Zafón. Lançado originalmente em 1999, o livro só foi chegar em terras tupiniquins ano passado, tudo isso por uma questão judicial que impedia que esse e outros livros fossem lançados pelo mundo. E eu que já tinha lido “A Sombra do Vento” e “O Jogo do Anjo”, dois dos melhores livros que li na vida, não iria perder a chance de ler “Marina”. O livro é voltado para um publico mais jovem, tem uma abordagem mais simples, porém com a mesma magia que Zafón apresentou nos outros dois livros. Em uma nota no inicio do livro, o escritor explica isso.

“Em maio de 1980, desapareci no mundo por uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro. (...) Uma semana depois, um policial à paisana teve a impressão de conhecer aquele garoto; a descrição batia. O suspeito vagava pela estação de Francia como uma alma penada numa catedral de ferro e névoas. O policial me abordou com um ar de romance de terror. Perguntou se meu nome era Óscar Drai e se era o rapaz que havia sumido sem deixar rastros do internato onde estudava. (...) Na época, não sabia que, cedo ou tarde, o oceano do tempo nos devolve as lembranças que enterramos nele. Quinze anos depois, a memória daquele dia voltou para mim. Vi aquele menino vagando entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina se acendeu de novo como uma ferida aberta.”

E assim começa o livro. O pano de fundo escolhido por Zafón não poderia ser diferente. A cidade de Barcelona, na década de 70. Época em que Barcelona era uma miragem de avenidas e becos, onde, só de cruzar a soleira de uma portaria ou de um café, uma pessoa poderia viajar para trinta ou quarenta anos antes. Um dos personagens principais é o menino Óscar Drai, que tem apenas 15 anos e mora em um internato. Naquele tempo o bairro de Sarriá conservava um aspecto de um pequeno povoado encalhado à margem de uma metrópole modernista. O internato vivia em meio a uma cidadela de jardins, fontes, tanques lodosos, pátios e pinheirais encantados. Ao seu redor, edifícios sombrios hospedavam piscinas cobertas por um véu fantasmagórico de vapor, ginásios enfeitiçados de silencio e capelas tenebrosas onde as imagens dos santos sorriam sob o reflexo do círios. Era nas suas horas vagas, entre uma aula e outra, que Óscar costuma desbravar as ruas da cidade. É foi durante um desses passeios ocasionais, que o jovem acabou indo parar em uma rua deserta, com grandes casarões aparentemente abandonados. Encorajado pela curiosidade, Óscar decide ir mais a fundo e passa pelo portão de um dos casarões. Hipnotizado por um som celestial, uma melodia que ele não conseguia identificar, mas que o que prendia e o fazia seguir a frente. Óscar resolve entrar no casarão, vê uma silhueta aprisionada ao gramofone em frente à lareira. Em sua primeira investida, o jovem acaba se assustando e sai em disparada do casarão, levando um relógio. Nos dias que se seguiram, os dois acabam virando companheiros inseparáveis e em meios a pensamentos, se sente encorajado a voltar ao casarão, dessa vez com seu amigo JF. Sem coragem suficiente, eles recuam e Óscar se vê novamente com o relógio em seu bolso e prepara uma nova investida em busca de uma resposta talvez, só que dessa vez sozinho. Porém o que estava preparado para Óscar era muito mais do que ele poderia imaginar, na sua volta ao casarão, ainda na rua ele encontra uma menina encantadora: Marina.

Bom não vou entrar em grandes detalhes, até porque é bem capaz de eu acabar contando o livro inteiro, principalmente por ser uma história fascinante e que prende o leitor do inicio ao fim. Em “Marina”, o leitor que já conhece os outros livros do Zafón, vão se deparar com uma história empolgante, com toques de suspense e aventura. Zafón leva o leitor a um labirinto que parece infinito, onde a cada novo personagem que surge, a história parece ganhar um novo desenrolar. Óscar e Marina criam um laço afetuoso, para o jovem Óscar foi um sonho, sim, daqueles que não temos vontade sair ou simplesmente coragem para abrir os olhos. Um livro fascinante, com uma dose melancolia inexplicável e ao mesmo tempo cativante. Boa leitura.

sábado, 21 de janeiro de 2012

"As Esganadas" (Jô Soares)

Ficha Técnica

Título: As Esganadas
Escritor: Jô Soares
Gênero: Romance Policial
Lançamento: 2011
Páginas: 262 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Companhia das Letras

Se hoje sou um leitor assíduo, devo isso aos livros do Jô Soares, em especial ao seu best-seller “O Xangô de Baker Street”, que despertou em mim o gosto pela leitura. Em todos os seus romances, Jô Soares se mostrou um escritor hábil com palavras e acima de tudo um grande fazedor de tipos. O mesmo posso dizer sobre a trama de seus livros, quem já os leu, sabe disso, Jô Soares tem todo um cuidado na hora de escolher o pano de fundo para suas histórias, porém segue uma fórmula muito conhecida, a de misturar fatos reais e fictícios.

Em As Esganadas, o seu novo romance, Jô Soares leva o leitor de volta ao Estado Novo e traz para a trama fatos e personagens históricos, que se misturam com seus novos personagens. Diferentemente dos outros romances, onde o assassino é revelado nas últimas páginas, no seu novo romance, onde também há um serial killer, ele é desmascarado com todos os detalhes sórdidos logo nas primeiras páginas. Seu nome é Caronte, um homem mais do que magro e que serviria de modelo para uma caricatura da morte. Herdou do pai a funerária Estige, a mais conhecida e requintada da cidade. Caronte não é um serial killer qualquer, pois não mata deliberadamente, pelo contrário, tem como alvo principal as gordas. As motivações que o leva a mata-las e a forma como as atraí para a morte também são citadas nas primeiras páginas. Além do já conhecido serial killer, no decorrer da trama encontramos outros personagens marcantes e que juntos serão os responsáveis para desvendar a onda de crimes que assola a cidade e que passa a ser chamada pela imprensa como o “Caso das Esganadas”. São eles, o delegado Mello Noronha, um sujeito mal humorado e desleixado, o policial Valdir Calixto, subordinado de Noronha e sempre atrapalhado com as palavras, o ex-detetive português especialista em dedução e em doces portugueses Tobias Esteves e a bela e destemida jornalista e fotógrafa Diana Talles.

Como em uma jogada de mestre Jô Soares consegue prender a atenção do leitor, que mesmo sabendo quem é o assassino e o motivo que o leva a matar sem piedade as gordas, sempre com requintes inimagináveis de crueldade, também se vê abismado e muitas vezes rindo por causa das peripécias da policia na tentativa quase desesperada de capturar o assassino. Ao final das 258 páginas, como bem diz Luis Fernando Verissimo, na contracapa do livro, a trama o deixará horrorizado e ao mesmo tempo com fome e depois da leitura os pastéis de Santa Clara jamais significarão o mesmo.

Jô Soares lê um trecho do livro "As Esganadas".

sábado, 16 de julho de 2011

Dica de Leitura: A Estrada da Noite (Joe Hill)

Ficha Técnica

Título: A Estrada da Noite
Escritor: Joe Hill
Gênero: Suspense / Terror
Lançamento: 2007
Páginas: 320 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Sextante

Diferentemente das postagens anteriores sobre as resenhas de livros, hoje a postagem será apenas uma dica. A diferença é que, nesse caso eu acabei de adquirir o livro e ainda não li, mas, mesmo assim gostaria de compartilhar com vocês, por se tratar de uma história fascinante e que tem como protagonista principal uma lenda do rock, o cinquentão Judas Coyne.

É difícil demais resistir uma boa leitura e conheci o livro "A Estrada da Noite" do escritor Joe Hill, por acaso, ao entrar em uma livraria hoje pela manhã. A principio estava procurando outra coisa para ler, até que me deparei com um outro livro do escritor (que será minha próxima aquisição) e depois acabei chegando a este livro, que no caso é primeiro romance do Joe Hill. E não teve como resistir e acabei comprando.

Joe Hill (Joseph Hillstrom King) é filho do renomado escritor Stephen King com a romancista Tabitha King, e irmão de outro escritor, Owen King. Ao contrário do seu irmão, Joe sempre tentou esconder a sua filiação e por isso fez questão de usar um pseudônimo, para se firmar sem na literatura sem precisar da influência de seu pai, que é considerado um dos maiores escritores da história.Porém não demorou muito até ser descoberto. Tudo que eu sei sobre Joe Hill, é que ele é autor da coletânea de contos "20th Century Ghosts" (Os Fantasmas do Século XX), e dos livros "A Estrada da Noite" e "O Pacto".

Suspense e terror surpreendem o leitor numa narrativa ágil e atual, com o humor de quem pega emprestado o título da música da banda Nirvana. Uma lenda do rock pesado, o cinqüentão Judas Coyne coleciona objetos macabros: um livro de receitas para canibais, uma confissão de uma bruxa de 300 anos atrás, um laço usado num enforcamento, uma fita com cenas reais de assassinato. Por isso, quando fica sabendo de um estranho leilão na internet, ele não pensa duas vezes antes de fazer uma oferta.

"Vou ´vender´ o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto..."

Por 1.000 dólares, o roqueiro se torna o feliz proprietário do paletó de um morto, supostamente assombrado pelo espírito do antigo dono. Sempre às voltas com seus próprios fantasmas - o pai violento, as mulheres que usou e descartou, os colegas de banda que traiu -, Jude não tem medo de encarar mais um.

Mas tudo muda quando o paletó finalmente é entregue na sua casa, numa caixa preta em forma de coração. Desta vez, não se trata de uma curiosidade inofensiva nem de um fantasma imaginário. Sua presença é real e ameaçadora.
O espírito parece estar em todos os lugares, à espreita, balançando na mão cadavérica uma lâmina reluzente - verdadeira sentença de morte. O roqueiro logo descobre que o fantasma não entrou na sua vida por acaso e só sairá dela depois de se vingar. O morto é Craddock McDermott, o padrasto de uma fã que cometeu suicídio depois de ser abandonada por Jude.

Numa corrida desesperada para salvar sua vida, Jude faz as malas e cai na estrada com sua jovem namorada gótica. Durante a perseguição implacável do fantasma, o astro do rock é obrigado a enfrentar seu passado em busca de uma saída para o futuro. As verdadeiras motivações de vivos e mortos vão se revelando pouco a pouco em A Estrada da Noite - e nada é exatamente o que parece.

Ancorando o sobrenatural na realidade psicológica de personagens complexos e verossímeis, Joe Hill consegue um feito raro: em seu romance de estréia, já é considerado um novo mestre do suspense e do terror.

Fica a dica para quem quiser adquirir o livro, no meu caso vou começar a devora-lo hoje mesmo. Boa Leitura.

domingo, 10 de julho de 2011

Gângster Americano e outras histórias de NY (Mark Jacobson)

Ficha Técnica

Título: Gângster Americano e outras Histórias de Nova York
Escritor: Mark Jacobson
Gênero: Literatura Estrangeira
Lançamento: 2008
Páginas: 446 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Martins Fontes

Faz um certo tempo que não posto uma dica de leitura, e a dica de hoje na verdade foi o penúltimo livro que eu li.

“Gângster Americano e outras histórias de Nova York” do escritor e jornalista Mark Jacobson, é um livro contagiante e de fácil entendimento, pois nos proporciona uma leitura fácil e prazerosa. Como o titulo anuncia, o livro não traz apenas uma história, mas várias, algumas curtas e outras um pouco mais longas e detalhadas. Porém existe uma história que pode ser considerada como a principal e que serviu de inspiração para o diretor Ridley Scott, para levar para a telona a história do gângster Frank Lucas.

O livro começa justamente com a história de Frank Lucas, através de várias paginas Mark Jacobson nos leva ao lado mais intimo e até então desconhecido, desse gângster do Harlem. Se não tivesse nascido negro e pobre, Frank Lucas poderia ter sido um politico corrupto e rico. Como esse Sonho Americano não estava disponível, ele se tornou um rico narcotraficante. Uma história de sucesso, do outro lado da lei. Mas Frank Lucas não é o mafioso dos filmes de Coppola e Scorsese. Sua ascensão e reinado foram tão improváveis que até a policia demorou a reconhecer que esse homem elegante, carismático e implacável não só era o dono do Harlem, como também o mentor de um plano ousado. Um homem acima de qualquer suspeita, que desafiou a lógica de que um negro jamais estaria acima da máfia.

Frank Lucas foi considerado o rei do narcotráfico a partir da década de 70, levava uma vida glamorosa, era amigo intimo de atletas e músicos famosos, mas também era um gângster implacável. Sua ousadia não tinha limites, prova disso é que usava os caixões dos soldados americanos mortos no Vietnã para contrabandear heroína. A “Blue Magic” – como era conhecida a sua marca – chegava nas ruas de Nova York para desbancar todas as concorrentes, Frank colocou nas ruas a droga mais pura já vista e usada pelos dependentes e por cima, era vendida abaixo do preço dos outros traficantes.

A história de Frank é conhecida graças ao filme “American Gangster”, mas se você já assistiu o filme, recomendo que leia o livro, pois Mark Jacobson, que inclusive conviveu ao lado do Frank, para relatar essa história, e mostra ela sob uma ótica diferente e muito mais detalhada.

Porém o livro traz outras histórias maravilhosas, recolhidas por Mark nos últimos trinta anos, ele que foi editor convidado das publicações Rolling Stone, The Village Voice, Esquire e New York e outros de romances e outros artigos.

Entre as histórias contadas no livro destaco o relato do sofá mais confortável de NY, a publicação sobre o padre Zlatko Sudac que veio da Croácia para NY e que ficou conhecido por carregar as chagas de Cristo, a deliciosa história sobre o filme de Zumbis gravado nos guetos da cidade, os relatos sobre a criminalidade nas ruas de Chinatown entre outros pontos da cidade, a história sobre o último caubói irlandês, a da mulher de 2 mil dólares por hora, a divertida história sobre o filho dele (Mark) que segundo ele comprou o boné do time errado da cidade, e a intrigante e reveladora história sobre os acontecimentos de 11 Setembro. Nessa história em especial, Mark procura contar os dois lados da moeda, o que aconteceu e que todo mundo viu e o que provavelmente aconteceu nos bastidores do governo, além de contar com detalhes sobre o movimento 9/11 Truth, que prega que todos devem saber a real história por trás dos ataques terroristas. É impossível ler os relatos e não ficar com uma “pulga” atrás da orelha e começar a repensar sobre tudo que já ouvimos e lemos nesses últimos anos.

Enfim, “Gangster Americano e outras histórias de Nova York” é um livro que vale a pena ser adquirido, como disse no inicio, é um livro que nos presenteia com boas histórias, algumas tristes, outras intrigantes e reveladoras, e outras engraçadas, além de ser de fácil leitura.

Não importa se você assistiu ou não o filme “Gangster Americano”, aqui nesse livro você poderá não só conhecer Frank Lucas por um ângulo diferente, como conhecer um pouco mais sobre as histórias e as curiosidades sobre Nova York. Recomendo. Boa Leitura.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Jazz - A History of America's Music



Jazz, de Ken Burns, é parte de uma trilogia abordando, segundo o autor, as três bases da sociedade americana, a Guerra Civil, o Baseball e o Jazz. Não posso opinar sobre os dois primeiros, mas posso garantir que o último é imperdível.

O livro (490 páginas) e o documentário (10 DVDs) foram produzidos quase simultaneamente e lançados em 2001 (o documentário saiu primeiro). Baseados em entrevistas com jornalistas e músicos, é uma bela história do jazz e, sem grandes tecnicismos, é bastante acessível para o leitor que não é músico (como esse que vos tecla).

O livro tem co-autoria de Geoffrey C. Ward e tem mais de 500 ilustrações. Além da história do jazz propriamente dita, há também vários ensaios que valem a pena. O texto traz bastante da história dos primórdios do jazz, desde New Orleans até o período bop e cool, porém carece de maiores informações da fase mais moderna (fusion e free), bem como sobre o jazz latino e europeu, o que de certa forma é desculpável, pois a proposta do livro é justamente a contribuição do jazz para a formação da sociedade americana. De qualquer forma, poderia haver pelo menos menção a eles.

Feita essa pequena ressalva fica a recomendação: veja o filme e leia o livro.

sábado, 19 de março de 2011

Pops – A Vida de Louis Armstrong


Ficha Técnica

Título Origial: Pops – A Vida de Louis Armstrong
Escritor: Terry Techout
Gênero: Literatura Estrangeira / Biografia
Lançamento: 2010
Páginas: 510 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Larousse do Brasil


Um grande artista e um grande homem. Um gênio nascido na sarjeta que se tornou uma celebridade nos quatro cantos do mundo. Um astro tão irresistível que desbancou os Beatles nas paradas de sucesso quatro décadas depois de sua primeira gravação. Louis Armstrong – “Pops” para os amigos – escreveu a melhor de todas as histórias pessoais do jazz. Fora do palco era sagaz, introspectivo e surpreendentemente complexo, um colega muito amado, de temperamento explosivo, cuja personalidade era mais forte e cortante do que seus fãs mais aficionados jamais seriam capazes de imaginar.

Terry Teachout recorreu a importantes fontes que até há pouco tempo não estavam disponíveis para os biógrafos, entre as quais centenas de honestas gravações feitas madrugada adentro pelo próprio Louis Armstrong, a fim de produzir uma narrativa arrebatadora do músico de jazz mais influente do século XX. Aqui se encontram, pela primeira vez, as histórias completas por trás de sua prisão por porte de maconha em 1930, do arriscado conflito com gângsteres de Chicago, das estréias da Broadway e em Hollywood, da complicada vida amorosa, da polêmica com o presidente Eisenhower e muito mais.

Certamente a biografia definitiva de Armstrong, Pops revela um retrato emocionante do homem, de seu mundo e de sua música.

(O texto acima foi copiado da orelha do livro)

Louis Armstrong teve uma vida controversa da metade da sua longa careira para frente. Após sua morte virou quase uma unanimidade, inclusive por aqueles que o atacavam. Figuraça desde os primórdios do jazz, ele não foi o seu inventor, mas foi sem dúvida um de seus primeiros heróis, valorizando a posição do solista no grupo. Tido por alguns como submisso aos brancos e por outros como puramente comercial, a leitura desse livro ajudará a conhecê-lo melhor e a entender por que e como ele fez o que fez.

Repetindo algumas palavras de Terry Teachout:

“O sorriso incansável, o lenço para enxugar o suor, a reverência automática, a humildade e a graça exageradas – tudo isso significava que ele não seria capaz de superar os modos da segregação, qualidade que exigia que fosse tanto alegre quanto menos que inteiramente humano” (...) Mas aquele sorriso alegre não era uma mera máscara usada para agradar a plateia, mas dizia quem era o homem por trás dele.”

Para não ficar só na resenha, segue uma lista de trinta músicas essenciais de Armstrong, segundo recomendação do autor do livro.

Track list:

01. Chimes Blues (1923, com a Creole Jazz Band de King Oliver)
02. Texas Moaner Blues (1924, com Sidney Bechet e Clarence William’s Blue Five)
03. St. Louis Blues (1925, com Bessie Smith)
04. Heebie Jeebies (1926, com os Hot Five)
05. Cornet Chop Suey (1926, com os Hot Five)
06. Potato Head Blues (1927, com os Hot Seven)
07. Hotter than That (1927, com Lonnie Johnson e os Hot Five)
08. West End Blues (1928, com Earl Hines e os Hot Five)
09. Weather Bird (1928, com Earl Hines)
10. I Can’t Give You Anything But Love (1929)
11. Ain’t Misbehavin’ (1929)
12. Sweethearts on Parade (1930)
13. Star Dust (1931)
14. I Gotta Right to Sing the Blues (1933)
15. Darling Nelly Gray (1937, com os Mill Brothers)
16. Jubilee (1938)
17. Struttin’ with Some Barbecue (1938)
18. Jeepers Creepers (1939, com Sid Catlett)
19. Sleepy Time Down South (1941)
20. Snafu (1946, com os ganhadores da Esquire All-American de 1946)
21. Back o’ Town Blues (1947, com Jack Teagarden, Bobby Hacket e Sid Catlett)
22. Blueberry Hill (1949)
23. New Orleans Function (1950, com Earl Hines, Jack Teagarden e os All Stars)
24. You Rascal You (1950, com o Luis Jordan and His Tympany Five)
25. Mack the Knife (1955, com os All Stars)
26. King of the Zulus (1957, com os All Stars)
27. How Long Has This Been Going On? (1957, com o Oscar Peterson Trio)
28. Black and Tan Fantasy (1961, com Duke Ellington o os All Stars)
29. Summer Song (1961, com Dave Brubeck)
30. Hello, Dolly! (1963)








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Site "Oficial": Louis Armstrong

sábado, 19 de fevereiro de 2011

"O Aliciador" (D. Carrisi)

Ficha Técnica

Título Origial: Il Suggeritore
Escritor: Donato Carrisi
Gênero: Literatura Estrangeira / Romance / Policial
Lançamento: 2010
Páginas: 433 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Record


Se você está à procura de um livro com uma boa história policial e uma dose de suspense, “O Aliciador” do escritor italiano Donato Carrisi é a pedida ideal. Acabei de ler o livro recentemente e posso dizer que é surpreendente. Ao melhor estilo do seriado Law & Ordem, Donato Carrisi cria uma trama que irá fazer o leitor perder sono e junto com a equipe de homicídios e o criminologista Goran Gavila, ficará atento ao sinal de uma única pista, que o leve ao Aliciador.

Tudo começa quando dois meninos e um cão da raça labrador decidem fazer trilhas em um bosque denso e escuro, em meio à mata eles sobem a colina e desembocam em uma clareira. Com um faro aguçado, o cão fica louco ao farejar algo e logo começa a cavar, a descoberta inesperada deixa os meninos apavorados, que imediatamente avisam a policia local. Diante do caso, a policia não vê alternativa a não ser chamar o criminologista Goran Gavilla, e que ao chegar ao local acompanhado do agente Stern, vê uma cena assustadora e intrigante: Seis braços direitos foram desenterrados, todos de meninas entre 9 e 13 anos. À medida que os cadáveres são desenterrados, a equipe percebe a presença de apenas cinco meninas, que haviam sido identificadas anteriormente como desaparecidas. Com isso a esperança de encontrar a sexta menina com vida é grande, fazendo com que a equipe liderada pelo capitão Roche e o criminologista Goran Gavilla iniciem uma corrida contra o tempo, para resgatar a menina com vida e solucionar o caso.

Mas conforme a investigação avança e as pistas começam a surgir, a equipe e o criminologista passam a enfrentar um quebra-cabeça gigantesco. Para cada crime, uma situação diferente, e a equipe se vê diante de grande desafio que parece ser intransponível. Apesar de civil, Goran Gavilla exerce grande influência sobre a equipe de policiais, formada por Stern, Boris e Sarah Rosa, todos velhos conhecidos e que já trabalham em outros casos, inclusive com Gavilla. Sem encontrar uma solução imediata, a agente Mila Vasquez é chamada para integrar e ajudar a equipe, ela que é conhecida por sua habilidade em encontrar crianças desaparecidas. Mila por sua vez, é muito bem recebida por todos, com exceção de Sarah Rosa, que a trata com desprezo e uma certa ponta de ciúmes.

A trama de “O Aliciador” segue em um ritmo alucinante, a cada pista a equipe é obrigada a voltar ao passado e fazer uma investigação cada vez mais detalhadas. Com o tempo Goran e a equipe começam a perceber que o assassino está sempre um passo a frente das ações da policia e que ele é capaz de assumir aparências variadas, colocando a equipe sempre a prova. A corrida contra o tempo, a habilidade e o perfil do assassino é o maior desafio a ser enfrentado e vencido por Goran e sua equipe.

A medida que a história é contada e revelada, as pistas indicam que não se trata apenas de um assassino, mas de vários, como se um estivesse relacionado a outro, em meio a tudo isso, Goran e a Equipe entram em um mundo obscuro e desconhecido.

Não parece, mas “O Aliciador” é o primeiro romance do escritor e roteirista Donato Carrisi, ele que é formado em direito e com especialização em criminologia e ciências comportamentais. O livro vendeu mais de 180 mil exemplares na Itália, onde alcançou a lista de best sellers dos principais jornais e teve os direitos de publicação vendidos para vários países, inclusive o Brasil. O livro também foi vencedor do prêmio Bancarella em 2009. Sem falar que Carrisi teve audacia ao tratar de um assunto, que muitas vezes era atribuido apenas aos escritores americanos.

“O Aliciador” é sem dúvidas um dos melhores livros que li recentemente e pensar que foi comprado por acaso (risos). Como disse lá no inicio, o escritor cria uma trama surpreendente e que prende o leitor, como todo bom livro é repleto de reviravoltas, a experiência de Carrisi no assunto torna o livro ainda mais especial, já que todas as técnicas de investigação são reais, isso com certeza passa uma credibilidade muito maior à história. Um fato interessante é a nota do autor, logo no inicio do livro, onde ele faz uma breve explicação sobre a definição do termo Aliciador.

Em “O Aliciador” o leitor irá fazer algumas perguntas, o que significa que terá que encontrar as respostas junto com Goran e sua equipe. O fato é que por mais perto que você possa estar de solucionar o caso, o Aliciador estará sempre um passo a frente.

Mas afinal, quem é o aliciador? Como ele age e qual o real motivo? Bom isso você só ira saber se ler o livro ! Boa Leitura.


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

"2666" (Roberto Bolaño)

Ficha Técnica

Escritor: Roberto Bolaño
Gênero: Literatura Estrangeira / Romance
Lançamento: 2010
Páginas: 852 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Companhia das Letras

2666, de Roberto Bolaño, é uma história de fôlego. De fato, são 852 páginas que de início parecem difíceis de serem vencidas, mas o resultado é uma leitura muito prazerosa.

A estrutura da história é dividida em 5 livros e gira direta ou indiretamente em torno da vida e obra de um famoso escritor alemão, Benno von Archimboldi, cuja característica, além de sua obra propriamente dita, é o estranho fato de pouca gente conhecê-lo pessoalmente. No primeiro livro, quatro críticos literários, fãs declarados do recluso Archimboldi, tentam a todo custo encontrar o escritor que está prestes a ser indicado para ganhar o Nobel de Literatura. Eles desistem de sua busca na cidade de Santa Tereza, ao norte do México, onde começa o segundo livro. Em Santa Tereza estão ocorrendo vários crimes contra mulheres cuja quantidade e violência, minuciosamente descritas por Bolaño, ultrapassam a média usual do local e começam a chamar a atenção da imprensa e do governo. Personagens diferentes são apresentados em cada livro e demora um pouco até estabelecermos a relação entre eles. Até que, no último livro, o personagem principal volta a ser o escritor alemão, onde conhecemos sua história desde o nascimento até os dias de hoje. No final, dá vontade de voltar ao primeiro livro e ler tudo novamente, pois a história se fecha como num círculo.

Este livro foi o último trabalho do escritor Roberto Bolaño, publicado um ano após sua morte, em 2003. Bolaño nasceu no Chile, em 1953 e é considerado um dos grandes nomes da literatura latino-americana contemporânea. É autor também de Amuleto (que traz uma pista de onde vem o título de 2666), Os detetives selvagens, Estrela distante, Noturno do Chile, A pista de gelo e Putas assassinas, todos publicados no Brasil pela Companhia das Letras.

Site oficial: 2666
Leia um trecho em PDF clicando aqui.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

"O Jogo do Anjo" (Carlos Ruiz Zafón)

Ficha Técnica

Escritor: Carlos Ruiz Zafón
Gênero: Literatura Estrangeira / Romance
Lançamento: 2008
Páginas: 416 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Objetiva / Selo: Suma das Letras

A primeira postagem do Blog Jazz e Rock em 2011 será sobre um livro muito especial. Depois de ler “A Sombra do Vento” do escritor catalão Carlos Ruiz Zafón, não pensei duas vezes antes de comprar o romance “O Jogo do Anjo”.

O escritor Carlos Ruiz Zafón vem destacando no cenário literário, “A Sombra do Vento” foi um sucesso, ultrapassou a marca de 10 milhões de exemplares vendidos no mundo, desde o seu lançamento em 2001. Um livro excelente em todos os sentidos, ambientado no período da primeira metade dó século XX, em Barcelona, o escritor nos leva por caminhos inimagináveis, entre personagens cativantes e misteriosos, a história é narrada com detalhes e faz com que o leitor se sinta parte dela. A obra de Zafón toca no fundo da alma e mexe com o nosso sentimento diversas vezes.

Lançado em 2008, “O Jogo do Anjo” já é um sucesso literário. Apesar de não ser uma continuação do antecessor, Zafón brinda seus leitores com cenários e personagens bem familiares. A começar pela cidade de Barcelona. O escritor volta à cidade, mas em um período anterior daquele vivido em “A Sombra do Vento”, mais precisamente década de 20. Em relação aos lugares, o leitor terá novamente o prazer de passear pela pequena e acolhedora livraria Sempere & Filhos e o misterioso e mágico Cemitério dos Livros Esquecidos. É nesse ambiente que Zafón constrói com maestria a história do seu novo romance. Segundo o próprio Zafón, O Jogo do Anjo, é uma história de mistério e romance, e assim como A Sombra do Vento, explora e combina numerosos gêneros, técnicas e registros. Além disso, é novamente uma história de livros, de quem os faz, de quem os lê e de quem vive com eles, através deles e até contra eles.

“Um escritor nunca esquece a primeira vez em que aceita algumas moedas ou um elogio em troca de uma história. Nunca esquece a primeira vez em que sente o doce veneno da vaidade no sangue e começa a acreditar que, se conseguir disfarçar sua falta de talento, o sonho da literatura será capaz de garantir um teto sobre sua cabeça, um prato quente no final do dia e aquilo que mais deseja: seu nome impresso num miserável pedaço de papel que certamente vai viver mais do que ele. Um escritor está condenado a recordar esse momento porque, a partir daí, ele está perdido e sua alma já tem um preço.”

Assim começa “O Jogo do Anjo”. O protagonista e narrador é David Martin, um jovem escritor que vive em Barcelona, na década de 20. David começou a sentir a dureza da vida ainda criança, com o assassinato do seu pai. O seu talento para a escrita logo se manifestou, mas as oportunidades nunca tiveram à altura do seu potencial. Jovem, desiludido profissionalmente e no amor, depois de ver Cristina – o seu grande amor – ir parar nos braços de seu amigo e protetor, Pedro Vidal, herdeiro do jornal e o homem a quem era destinado o tiro que matou o pai de David. Aos 28 anos, David Martin estava habituado a vender barato o seu talento, em troca escrevia histórias em um jornal, sempre escondido atrás de um pseudônimo. Vivendo sozinho em um casarão em ruínas, o jovem escritor se vê com um problema: está gravemente doente e com poucos meses pela frente. É quando surge em sua vida Andreas Corelli, um estrangeiro que se diz editor de livros. Sua origem é um mistério, mas sua fala é mansa e sedutora. Corelli procura David, por acreditar que ele é o único escritor que pode realizar o seu pedido. O editor oferece a David muito dinheiro e promete devolver e restaurar a sua saúde. Em troca Corelli não pede pouco: sua encomenda é um livro com potencial de influenciar milhões de vidas. O pedido coloca David em um dilema, que o leva a questionar as reais intenções do editor misterioso e a pensar o peso dessa decisão que poderá mudar sua vida para sempre.

O Jogo do Anjo é uma história de suspense, amor e fé. Zafón explora com maestria a cidade de Barcelona, mas de um ângulo diferente. No livro, David conhece e freqüenta a livraria Sempere & Filhos e também é levado ao Cemitério dos Livros Esquecidos.

Carlos Ruiz Zafón diz que “O Jogo do Anjo” tem uma visão diferente do “A Sombra do Vento”, um dos motivos é que no anterior, a história era contada a partir da visão de um menino que estava amadurecendo, descobrindo a vida e seus mistérios e assim ganhou um ar mais amável, agora o escritor vai além e diz que seu livro atual é mais completo. Ainda segundo o escritor, ele pretende criar uma tetralogia e que as histórias de todos os volumes se situarão em algum período entre a Revolução Industrial e o final da Segunda Guerra. O Jogo do Anjo por exemplo faz referencia a acontecimentos que vão de 1904 a 1945. O escritor diz que todos os livros poderão ser lidos de forma independente.

Como leitor, já me considero um fã da obra do Zafón. Os dois livros são excelentes, mas ao ler percebi que “O Jogo do Anjo” é mais complexo, ele aguça a nossa imaginação e assim como David fica preso em um dilema, nós também ficamos a cada descoberta. É sem dúvida uma obra completa. Boa Leitura.

Leia o primeiro capítulo do "O Jogo do Anjo": Clique Aqui

Site Oficial: Carlos Ruiz Zafón

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"A Carne" (Júlio Ribeiro)

Ficha Técnica

Escritor: Júlio Ribeiro
Gênero: Literatura Brasileira / Romance / Naturalismo
Edição: 1999
Páginas: 94
Acabamento: Versão eletrônica
Editora: Martin Claret

Helena, ou Lenita como era mais conhecida, perdeu a mãe durante seu parto. Filha única, inteligentíssima, teve a sorte de ter um pai amoroso que se preocupou em proporcionar-lhe a melhor educação. Aos 18 anos, perde Lenita também seu pai. Herdou um belo dinheiro, pretendendes não lhe faltavam, mas nunca se interessou por nenhum deles. Decidiu mudar-se para o interior e morar na fazenda de um velho amigo de seu pai, o coronel Barbosa, que vivia com a esposa muito doente e mal saia do quarto.

Lenita, só, sonhava:

Sonhou ou antes viu que o gladiador avolumava-se na sua peanha, tomava estatura de homem, abaixava os braços, endireitava-se, descia, caminhava para o seu leito, parava à beira, contemplando-a detidamente, amorosamente.
E Lenita rolava com delícias no eflúvio magnético do seu olhar, como na água deliciosa de um banho tépido.
Tremores súbitos percorriam os membros da moça; seus pêlos todos hispidavam-se em uma irritação mordente e lasciva, dolorosa e cheia de gozo.
O gladiador estendeu o braço esquerdo, apoiou-se na cama, sentou-se a meio, ergueu as cobertas, e sempre a fitá-la, risonho, fascinador, foi-se recostando suave até que se deitou de todo, tocando-lhe o corpo com a nudez provocadora de suas formas viris.
O contato não era o contato frio e duro de uma estátua de bronze; era o contato quente e macio de um homem vivo.
E a esse contato apoderou-se de Lenita um sentimento indefinível; era receio e desejo, temor e volúpia a um tempo. Queria, mas tinha medo.
Colaram-se-lhe nos lábios os lábios do gladiador, seus braços fortes enlaçaram-na, seu amplo peito cobriu-lhe o seio delicado.
Lenita ofegava em estremeções de prazer, mas de prazer incompleto, falho, torturante. Abraçando o fantasma de sua alucinação, ela revolvia-se como uma besta-fera no ardor do cio. A tonicidade nervosa o erotismo, o orgasmo, manifestava-se em tudo, no palpitar dos lábios túmidos, nos bicos dos seios cupidamente retesados. Em uma convulsão desmaiou.

Alguns meses depois, chegou à fazenda o filho do coronel, Manduca, 40 anos, separado da esposa francesa a quem deixou na Europa. Muito inteligente também, interessado em ciências como Lenita, depois de muitas idas e vindas, o inevitável romance se concretizou.

E um beijo vitorioso recalcou para a garganta o grito dorido da virgem que deixara de o ser...
Depois foi um tempestuar infrene, temulento, de carícias ferozes, em que os corpos se conchegavam, se fundiam, se unificavam; em que a carne entrava pela carne; em que frêmito respondia a frêmito, beijo a beijo, dentada a dentada.
Desse marulhar orgânico escapavam-se pequenos gritos sufocados, ganidos de gozo, por entre os estos curtos das respirações cansadas, ofegantes.
Depois um longo suspiro seguido de um longo silêncio.
Depois a renovação, a recrudescência da luta, ardente, fogosa, bestial, insaciável.
Pela frincha da janela esboçou-se um rastilho de luz tênue.
Era o dia que vinha chegando.

Continuaram se encontrando furtivamente, ora no quarto de um ora no do outro. Um dia ele viaja a negócios e fica várias semanas fora. Na volta, sem querer, ela descobre uma traição por parte dele. Abandona-o e volta para a capital. Descobre-se grávida. Graças à fortuna que herdara, não lhe é difícil arranjar rapidamente um casamento e um pai para seu filho. O verdadeiro pai, informado por carta, se mata com uma dose de veneno, após tentar sem sucesso o consolo na morfina. Fim.

Acredite se quiser, o livro cujos trechos foram reproduzidos acima, foi escrito por Júlio Ribeiro, em 1888. A Carne é uma das obras mais importantes do naturalismo brasileiro.

A descoberta da sexualidade. O gozo. Sexo. Divórcio. Drogas.

Em 1888, repito e ressalto.

Fosse o gramático abolicionista e anticlerical Júlio Ribeiro inglês ou francês e a obra O Amante de Lady Chatterley , escrito por D. H. Lawrence em 1926, provavelmente nem seria muito conhecida hoje. Talvez ele nem mesmo a houvesse escrito. Afinal, seria só mais um orgasmo feminino.

P.S. Esse livro pode ser baixado de graça no site Domínio Público, basta clicar aqui.


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

"A Sombra do Vento" (Carlos Ruiz Zafón)

Ficha Técnica

Escritor: Carlos Ruiz Zafón
Gênero: Literatura Estrangeira / Romance
Lançamento: 2007
Páginas: 464
Acabamento: Brochura
Editora: Objetiva

Dias atrás terminei de ler o livro “A Sombra do Vento” e não via a hora de poder falar um pouco sobre ele aqui no blog.

Assim como meu xará Daniel Sempere, descobri o livro “A Sombra do Vento” por acaso, a diferença é que eu não precisei ir ao Cemitério dos Livros Esquecidos. Na ocasião eu havia acabado de ler o “Símbolo Perdido” (Dan Brown) e estava à procura de outro livro para ler.

Como todo livro, o começo é sempre complicado, a história vai surgindo meio sem pé nem cabeça, os personagens são desconhecidos e às vezes o tema parece cansativo. Mais conforme ia me aventurando pagina após página “A Sombra do Vento” foi se tornando um livro fantástico, a maneira como o escritor Carlos Ruiz Zafón conta a histórica contagia o leitor quase que de imediato, ele sabe como mesclar um bom romance, com toques de humor e sem falar no aspecto misterioso que toma conta da história ao longo do livro, tudo isso faz com que o leitor fique preso e não pare de ler até encontrar um desfecho.

A história é ambientada na cidade de Barcelona, na primeira metade do século XX, entre os últimos raios do modernismo e as trevas do pós-guerra. Um menino chamado Daniel acorda no meio da noite de seu aniversário de 11 anos e descobre que não consegue mais se lembrar do rosto da sua mãe já morta. E ao vê-lo assim, seu pai decide dar-lhe um presente inesquecível. Durante uma madrugada leva o filho a uma biblioteca secreta que funciona como um depósito para obras abandonadas pelo mundo à espera de alguém que as descubra: O Cemitério dos Livros Esquecidos. É uma biblioteca gigantesca, com labirintos intermináveis. Em meio a vários livros e prateleiras, o jovem Daniel encontra um único exemplar do livro “A Sombra do Vento” do escritor barcelonês Julían Carax.

No livro o pai do Daniel explica de maneira sublime a magia do lugar, diz que cada livro que está lá possui uma alma. A alma de quem o escreveu e a alma dos que o leram e viveram e sonharam com ele. Cada vez que um livro muda de mãos, cada vez que alguém desliza o olhar pelas suas páginas, o seu espirito cresce e se fortalece. E ninguém sabe exatamente desde quando e quem criou o Cemitério dos Livros.

A descoberta do exemplar despertou no jovem Daniel um fascínio enorme pelo escritor desconhecido e por sua vasta obra. A partir daí, Daniel começa uma busca pelos outros livros de Julian Carax e para sua surpresa descobre que alguém vem queimando um por um dos exemplares existentes. Em uma busca aparentemente inocente, Daniel acaba descobrindo os mistérios e segredos mais obscuros de Barcelona e conhece várias pessoas que vão ajuda-lo a resolver o mistério de Carax. Alguns personagens merecem destaque, como por exemplo o livreiro Dom Gustavo Barceló, o primeiro a se interessar pelo exemplar do livro e por várias vezes faz ofertas para comprar o livro, sua sobrinha Clara Baceló é a primeira a revelar alguns mistérios sobre Carax e sua obra, Fermín Romero de Torres sem dúvida é uma das figuras mais sensacionais da história, um mendigo de passado glorioso e misterioso, com um senso de humor extraordinário e que com o tempo passa a ser um dos melhores amigos e aliados do jovem Daniel em busca da verdade, Nuria Monfort é uma mulher triste que guarda um grande e doloroso segredo e Javier Fumero, um cruel policial que dedica-se a perseguir o fantasma de Carax. Daniel Sempere se mostra determinado em todos os sentidos para descobrir a vida do escritor e para isso passa a maior parte do tempo da sua vida atrás de pistas, muitas vezes desencontradas e que não leva a lugar algum. A cada capitulo, o que parecia ser um quebra-cabeça gigante, começa a tomar forma. É com esse universo de mistério e aventura, que nós, juntamente com Daniel, passamos a percorrer as ruas e as casas de Barcelona atrás de indícios da vida e obra de Carax.

O livro “A Sombra do Vento” é uma obra prima da literatura, com uma narrativa eletrizante, que mistura vários gêneros, como o romance de aventuras de Alexandre Dumas, a novela gótica de Edgar Allan Poe e os folhetins amorosos de Victor Hugo, com esses ingredientes, o escritor Carlos Ruiz Zafón mantém o leitor em estado continuo de suspense. A lição que fica para o leitor, é a importância da leitura nas nossas vidas, de como o poder do livro pode exercer tanto sobre uma pessoa e com isso muitas vezes torna-se um amigo inseparável. Boa Leitura!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"O Jardim do Diabo" (Luis Fernando Verissimo)

Ficha Técnica

Escritor: Luis Fernando Veríssimo
Gênero: Literatura Nacional / Romance
Lançamento: 2005
Páginas: 184
Acabamento: Brochura
Editora: Objetiva


O primeiro livro do Luis Fernando Verissimo que eu tive a oportunidade de ler foi o “O Jardim do Diabo”. Um livro agradável, com uma narrativa cativante, uma história surpreendente e muito bem contada. O livro é o primeiro romance do escritor, foi lançando em 1988 e relançado pela editora Objetiva em 2005.

Mesmo escrevendo e lançando seus livros de história policial com certa frequência, Estevão está longe de ser um escritor renomado. Em seus romances o escritor segue uma fórmula que considera infalível: Por volta da página 40 tem a grande trepada e o encontro final com o vilão e o desfecho, a partir da 90. Numa referência ao escritor Joseph Conrad, seus personagens de uma forma ou outra, sempre se chamam Conrad. Outra caracterista do escritor é de assinar cada um dos livros com um pseudônimo americano e diferente.

Estevão é o personagem principal e narrador da história. O seu mundo se resume a seu apartamento, onde passa a maior parte do tempo sentado na sua cadeira de rodas, ao lado da sua velha maquina de escrever e na companhia da Dona Maria, sua empregada doméstica, que tem o costume de ouvir as trágicas notícias do rádio no último volume todo dia. Há ainda Lília, uma moça que vem duas vezes por semana para a faxina, mas sempre acaba em sua cama.

A vida monótona de Estevão começa a mudar a partir do momento em que ele recebe a visita inesperada do inspetor Macieira. O motivo é devido a um assassinato que ocorreu antes do livro “Ritual Macabro” - escrito por Estevão – ser lançado. Porém o que intriga o inspetor é o fato de que a cena do crime é idêntica à cena descrita no livro.

A partir desse momento a ficção e a realidade se misturam de tal maneira, que fica difícil identificar onde começa uma e termina a outra. Com isso Estevão se vê como um personagem dentro da sua própria história, a partir daí o escritor tenta dar continuidade ao “Ritual Macabro” e as aventuras de Conrad, mas agora atento aos acontecimentos publicados nos jornais, no rádio da dona Maria e tentando de alguma forma ligar os pontos citados pelo inspetor Macieira durante suas conversas.

Verissimo cria um ambiente surpreendente, usando sua habilidade com as palavras para lidar com três situações distintas na mesma história. O resultado é uma narrativa alucinante, que prende a atenção do leitor do inicio ao fim. Com um vocabulário fácil e sem complicações, Verissimo põe o leitor na posição de testemunha, onde ele, juntamente com Estevão e o inspetor Macieira, tentam desvendar esse caso macabro.

Livro: "O Jardim do Diabo" (Luis Fernando Verissimo): Arquivo Word - Clique Aqui

quarta-feira, 28 de julho de 2010

"O Guardião de Memórias" (Kim Edwards)

Ficha Técnica

Escritor: Kim Edwards
Gênero: Ficção
Lançamento: 2007
Páginas: 368
Acabamento: Brochura
Editora: Sextante


Por Gislaine dos Santos

Foram mais de três milhões de exemplares vendidos somente nos Estados Unidos, “O Guardião de Memórias”, conta a história intrigante de vidas separadas por uma escolha, e que refletirá até o final da história.

O livro conta a história do Dr. David Henry um médico ortopedista, casado com Norah. Norah esta grávida, ambos muito felizes com a chegada de seu primeiro filho. Por conta de uma nevasca repentina, o obstetra de Norah não consegue chegar ao consultório, David se vê obrigado a realizar o parto de sua esposa, com a ajuda de sua enfermeira assistente Caroline Gill.

No decorrer do parto, David então descobre que não era apenas um filho, e sim uma gestação de gemelares, o primeiro a nascer é Paul um bebê lindo e saudável. O segundo bebê é uma menininha, David logo percebe características de Síndrome de Down. David se lembra de sua infância dura ao lado da irmã que tanto amava portadora da mesma síndrome, lembra-se do sofrimento que foi perdê-la. Em um momento de total desespero decide dar a própria filha para adoção, sem o consentimento da esposa Norah, pensando em poupar sua esposa. David contou a Norah que o segundo bebê era uma menina e que havia morrido na hora do parto.

Caroline Gill fica encarregada de levar a linda bebezinha para adoção, porém tocada por um sentimento materno a mesma não consegue deixar a menina para adoção e decide se mudar de cidade e criar Phoebe mesmo com algumas dificuldades pela frente.

Norah não consegue se perdoar, e sente-se vazia depois do que houve com sua bebezinha.

A partir daí acontecem diversas mentiras, traições, magoas que o tempo nunca será capaz de apagar. Dr. David Henry convive com esse segredo, que o assombra pelo resto de sua vida. O preço pago foi alto demais, ele vê sua família corroída, vê cada um se acabando com suas angústias. Arrependido e talvez tentando compensar o erro cometido. Doutor David tem uma obsessão por fotografar imagens de crianças. Norah se desequilibra entregando-se ao álcool e infidelidades.

E Paul - a criança saudável e perfeita - sente na pele a ‘rejeição’ dos pais, que mesmo depois de anos ainda se vêem tão envolvidos na morte de sua irmã gêmea.

O livro nos mostra o Poder que uma escolha pode ter em nossas vidas. Em 2008 o livro foi adaptado para filme, lembro que assisti o filme logo após ler o livro, e esse é como todos os outros, o livro sempre muito melhor que o filme, mas vale a pena assistir também.

domingo, 25 de julho de 2010

"Assassinatos na Academia Brasileira de Letras" (Jô Soares)

Escritor: Jô Soares
Gênero: Romance Policial
Lançamento: 2005
Páginas: 252
Acabamento: Brochura
Editora: Companhia das Letras

Como leitor assíduo dos livros do Jô, não poderia deixar de falar do terceiro e até então o último romance escrito por ele, “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”. Tive a honra de ler este livro alguns dias depois do seu lançamento, em 2005 e como já tinha lido o “O Xangô de Baker Street” e “O Homem Que Matou Getúlio Vargas”, a expectativa em torno deste livro era enorme.

O livro segue a mesma linha dos anteriores, Jô Soares continua dando uma aula de história e bom humor, misturando ficção e realidade, sempre na dose certa. Se em “O Xangô de Baker Street” o surgimento do primeiro serial killer no Brasil causava espanto, em “Assassinatos na ABL”, Jô volta a abordar o assunto, porém de outra maneira.

O cenário escolhido por Jô Soares é novamente o Rio de Janeiro, desta vez no ano de 1924. Na ocasião o jornal “O Paiz” estampa na primeira página que a cidade do Rio de Janeiro iria ganhar um Cristo Redentor, que seria colocado no alto do Corcovado. E na Urca, um cassino recém-construido promete se tornar um grande centro de agitação social. O Copacabana Palace, também recém-inaugurado, já recebia em seus salões as mais altas (e patéticas) figuras da república. Com todas essas atrações, o momento não poderia ser melhor, menos para os imortais da Academia Brasileira de Letras. A trama começa em clima de mistério, durante o seu discurso de posse, o senador Belizário Bezerra, o mais novo imortal da Academia, no salão do Petit Trianon – uma réplica que o governo francês por meio do embaixador Alexandre Conty, doou à Academia – é acometido por um mau súbito e conseqüentemente uma morte fulminante. A morte de outro confrade, em circunstâncias semelhantes – súbita, sem sangue e sem violência aparente – traz um clima de tensão e uma situação até certo ponto inusitada para a tradicional Casa de Machado de Assis: um serial killer literário parecia solto e com uma missão: Queria ver mortos todos os imortais.

O senador Bezerra, que também era um escritor, conseguiu seu ingresso na Academia depois de alcançar um sucesso extraordinário com seu último livro “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”, o livro conta a história de um poeta que foi negado duas vezes pelos imortais e por isso jurou vingança. Por coincidência ou não, a história escrita por Bezerra, aos poucos ganhava vida. O crime logo ganhou as páginas do jornal “O Paiz”, a imprensa apelidou o caso de “Crimes do Penacho” e logo despertou a curiosidade do comissário Machado Machado, um devorador de livros, que desde pequeno teve seu pai como um incentivador, ele que era um admirador de Machado de Assis, deu o mesmo nome ao filho, como uma forma de homenagem . Machado estava na polícia há dez anos e a noticia no jornal da morte dos dois acadêmicos por ataque cardíaco, fez seu instinto de investigador entrar em alerta. Machado era um tipo comum na paisagem carioca, não fosse seu chapéu-palheta, a pinta de sedutor irresistível a obstinação em provar que aquelas mortes jamais poderiam ser meras coincidências. Em sua investigação, o comissário Machado procura indícios em vários pontos da cidade e encontra uma lista de suspeitos, que vão desde políticos, jornalistas, religiosos, nobres falidos, embaixadores, crupiês, poetas maiores e menores, homens de letras, magnatas da imprensa, alfaiates e atrizes francesas.

Como disse anteriormente, Jô Soares cria um ambiente que mistura de realidade e ficção, baseada em uma pesquisa histórica muito interessante, que revela ao leitor um Rio de Janeiro até certo ponto desconhecido. Uma característica bem explorada pelo escritor, são as notícias do jornal “O Paiz”, que foram escritas com a regra de gramática da época. Em meio a tudo isso, uma dose de romance, investigação policial e bom humor.

Livro: "Assassinatos na ABL" (Jô Soares): PDF - Clique Aqui

segunda-feira, 17 de maio de 2010

"O Caçador de Pipas" (Khaled Hosseini)

Ficha Técnica

Escritor: Khaled Hosseini
Gênero: Romance
Lançamento: 2005
Páginas: 368
Acabamento: Brochura
Editora: Nova Fronteira

Com mais de oito milhões de exemplares vendidos no mundo inteiro, “O Caçador de Pipas” pode ser considerado um Best-seller. Apesar de ter sido lançado há algum tempo e com isso passei a ouvir comentários excelentes a respeito, nunca tive interesse em ler o livro. Fui comprar o meu exemplar no ano passado em uma liquidação de livros aqui na cidade. Desde então achei a necessidade de incluir o livro nesse projeto e fazer a resenha. No entanto fica difícil falar de um livro tão comentado. Espero que a resenha desperte o interesse nas pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de ler esse romance.

“O Caçador de Pipas” é o livro de estréia do médico e escritor Khaled Hosseini. A trama se desenvolve em uma narrativa emocionante e prazerosa, com uma riqueza de detalhes impressionante. Amir e Hassan são os dois personagens principais, duas crianças que cresceram juntos, assim como seus pais, apesar da diferença entre as etnias, crenças e nível social; os dois têm um laço que os une: foram amamentados pela mesma mulher. Amir é filho de um respeitado comerciante de Cabul e vive em uma casa cercada de riqueza e luxo. Hassan é pobre, seu pai é empregado (do pai de Amir), vivem em um casebre no quintal, é um hazara (uma etnia discriminada no Afeganistão) e foi abandonado pela mãe. Apesar dos contrastes, é Amir quem parece indefeso, ao contrário de Hassan, que mesmo não sabendo ler e escrever, é esperto, corajoso e demonstra uma aguda percepção dos acontecimentos e dos sentimentos das pessoas a sua volta, e como se todas essas qualidades não fossem o bastante, Hassan ainda era um amigo fiel. E foi esse Hassan, que decidiu quem Amir seria no futuro, durante uma batalha de pipas.

O livro começa com uma frase impactante e desafiadora. A história começa no ano de 2001 e tem Amir como narrador principal. Na ocasião, ele está adulto e morando nos EUA. Sua narração começa em um tom de desabafo e relata o que aconteceu para que sua vida fosse mudada de maneira tão drástica, fazendo com que ele (Amir) vivesse todos esses anos fugindo do seu passado.

“Eu me tornei o que sou hoje aos doze anos, em um dia nublado e gélido do inverno de 1975”.

Apesar de soar meio sem nexo no inicio, o livro tem uma cronologia perfeita, nos primeiros capítulos o narrador regressa quase 30 anos da sua vida e começa a contar como era sua infância no Afeganistão. Conta como era sua relação com o pai, suas dúvidas, seus medos, a amizade com Hassan, enfim, o narrador traz a tona alguns momentos marcantes e com isso uma infinidade de sentimentos que nos envolve no decorrer da história. É como se um imenso quebra cabeça estivesse sendo montado. Amir também relata o que viveu no Afeganistão, até a invasão dos russos, ele e o pai fugindo do país e anos depois chegando aos EUA. Nesse ponto somos levados de volta ao ano de 2001, com Amir morando nos EUA, casado, com sucesso na carreira literária e com um sentimento que o acompanha desde o inverno de 1975.

A partir daí a narrativa ganha outra intensidade. Amir recebe o telefonema de um velho amigo da família, Rahim Khan, que faz uma proposta que pode mudar para sempre o rumo da sua vida. Para isso, Amir precisa enfrentar os fantasmas do seu passado, voltando a um Afeganistão destruído pela guerra e oprimido pelo regime Talibã. Com isso Amir tem uma nova oportunidade de se redimir daquele que foi o maior engano da sua vida.

No decorrer do livro, somos impactados por vários sentimentos; revolta, tristeza, esperança, alegria e muitas vezes chegamos às lágrimas. A verdade é que o escritor trata tudo isso de maneira natural e acima de tudo humana. É um livro triste, com uma história triste. Confesso que não é uma leitura que me atraí (talvez por isso demorei tanto tempo para me interessar e comprar o livro), mais logo nos primeiros capítulos é impossível não perceber a maneira cativamente de como a história é contada e apresentada.

Devido ao sucesso, o livro foi adaptado para o cinema. Mais fica a dica: Leia o livro primeiro. Tive a oportunidade de assistir o filme e achei muito superficial, alguns pontos importantes são deixados de lado e com isso perde muito em qualidade. Nesses casos o filme serve apenas como base, pois tudo que você imaginou durante a leitura acaba ganhando forma. Recomendo "O Caçador de Pipas" sem medo de errar.

Leia um trecho do livro: Clique Aqui

Onde Comprar ? Livraria Cultura ou Livraria Saraiva

sexta-feira, 30 de abril de 2010

"O Segredo do Salão Verde" (Marcos Losekann)

Ficha Técnica

Escritor: Marcos Losekann
Gênero: Literatura Nacional (Romance/Policial/Ficção)
Lançamento: 2007
Páginas: 312
Acabamento: Brochura
Editora: Planeta

“O Segredo do Salão Verde” é o segundo livro da trilogia “Entrevista com Deus” do jornalista e escritor Marcos Losekann. A trama do livro segue a mesma linha do anterior, a mistura entre fatos históricos do Brasil e a ficção. O personagem também é o mesmo, o jornalista Anderlon Gonçalves Valderês, ou simplesmente AGV.

Em “O Dossiê Iscariotes” o pano de fundo foi o acontecimento em torno da morte do seringueiro Chico Mendes e na época AGV era correspondente do jornal brasiliense O Capital em Manaus. Na ocasião o jornalista se envolveu na coberta de uma rebelião na Penitenciaria de Manaus e ao mesmo tempo na cidade de Xapuri, Chico Mendes era assassinado. Nisso AVG passa a investigar e descobrir que havia uma ligação entre os fatos.

Já no livro “O Segredo do Salão Verde” o pano de fundo é outro fato histórico brasileiro. A trama se passa no ano de 1992, na época dos caras pintadas. O alvo era o então presidente Fernando Collor de Mello – o primeiro presidente eleito depois de anos de ditadura. Na ocasião tanto ele quanto o Congresso Nacional estavam na mira da opinião pública e prestes a uma cassação de mandato. A imprensa denunciava, por outro lado políticos e lobistas disputavam holofotes e eram alvos das manchetes. O jornalista AGV passava por um momento de escolha na sua vida pessoal e profissional. Queria escrever um livro sobre sua suposta Entrevista com Deus, porém para isso necessitava renunciar seu prestigiado cargo de articulista do jornal O Capital e com isso deixar passar a oportunidade de cobrir um dos principais fatos da história recente do Brasil.

O jornal que até então relutava para cobrir o escândalo do Fernando Collor, muda radicalmente de uma hora para outra e com isso passa a dar ênfase ao fato. Em meio a tudo isso ocorre à morte de um engenheiro civil responsável pela construção do prédio anexo ao Superior Tributal de Justiça em Brasília. Aparentemente não passa de um caso isolado, porém a experiência de AGV diz que isso deve ser investigado a fundo e a partir disso o caso passa a se mostrar como um enorme quebra cabeças e que envolve muita gente do alto escalão.

Marcos Losekann envolve o leitor em uma trama surpreendente e que meche com nossa cabeça ao ponto de não saber qual o fator que separa a realidade da ficção. Tudo isso em um mundo cheio de intrigas, traições, violência, assassinatos, corrupção e um bom romance.

E só para ressaltas (as palavras do próprio Losekann), a triologia “Entrevista com Deus” foi escrita ao mesmo tempo, mas cada livro possui começo, meio e fim. Sendo assim pode ser lida em qualquer ordem, mas como em toda trilogia existe uma sequência lógica que une os livros.

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segunda-feira, 26 de abril de 2010

"Os Espiões" (Luis Fernando Verissimo)

Ficha Técnica:

Título: "Os Espiões
Escritor: Luis Fernando Verissimo
Gênero: Romance
Lançamento: 2009
Páginas: 142
Acabamento: Brochura
Editora: Objetiva / Alfaguara



“Os Espiões” é o mais novo romance do Luis Fernando Verissimo e traz uma trama eletrizante do inicio ao fim. A leitura é descomplicada e agradável. Apesar de não ser um livro longo, o escritor consegue prender nossa atenção logo nas primeiras páginas e nos apresenta no decorrer da história uma dose de espionagem, desilusões amorosas, disfarces engraçados, conversas descontraídas em uma mesa de bar e uma jovem mulher misteriosa.

O personagem principal é um editor frustrado na vida profissional, desiludido com as mulheres e que busca afogar suas mágoas na bebida. Trabalha em uma pequena editora de Porto Alegre, sua função é examinar os originais de vários livros que chegam todo dia pelo correio, uma verdadeira enxurrada de novos escritores com a esperança de ter sua obra publicada. Não é uma tarefa muito agradável, ainda mais as segundas quando o editor está no auge da sua ressaca pós-fim de semana e por isso os originais tem o lixo como destino, porém quando resolve escrever uma carta de rejeição é ainda mais implacável e áspero nas suas respostas. A Editora só passou a ser procurada dessa forma depois de publicar o livro “Astrologia e Amor – Um Guia Sideral Para Namorados”, um guia duvidoso, mas que tem lá seus leitores e com isso um certo sucesso, porém o autor Fulvio Edmar nunca recebeu um centavo de direitos autorais do Marcito (dono da Editora).

É nesse ambiente que tudo começa a mudar na manhã de uma terça feira quando a editora recebe um envelope em branco, com uma letra trêmula e uma florzinha no lugar do pingo do i. O editor fica fascinado pelo texto, que é assinado por uma certa Ariadne e que ameaça contar sua história com um amante secreto e depois disso se suicidar. O livro chega por partes, porém sem maiores informações da autora. Nessa altura o editor começa a ser atormentado por sonhos românticos e que depois resulta em uma atitude: descobrir quem é Ariadne e, se possível, salvá-la da morte anunciada.

O editor que é um frequentador assíduo do bar do Espanhol, começa a contar a história de Ariadne aos colegas que aos poucos se envolvem com o caso, porém sempre com a mesma dúvida: Seria o texto verdadeiro ou apenas uma obra fictícia?. A essa altura o editor consegue convencer os colegas de que precisa ir até a jovem para descobrir tudo e salvá-la. Então o grupo passa a estudar algumas maneiras para chegar até a cidade sem levantar suspeitas e para isso criam disfarces engraçados e por fim batizam a operação de “Teseu”.

Na mitologia grega Ariadne é filha de Minos, rei de Creta, e ajuda Teseu a sair do labirinto depois que ele mata o Minotauro. Já em “Os Espiões” Luis Fernando Verissimo cria o mesmo universo, só que ao contrário. No livro é Ariadne quem vai enfeitiçando o protagonista e seus amigos de bar. Em uma história onde a comédia e o drama caminham lado a lado, os espiões convidam o leitor para que juntos possam ingressar na “Operação Teseu” com apenas uma única missão: Salvar a jovem Ariadne.

Leia um trecho do livro em PDF: Clique Aqui

sábado, 27 de março de 2010

"O Símbolo Perdido" (Dan Brown)

Ficha Técnica:

Titúlo: "O Símbolo Perdido" (The Lost Symbol)
Escritor: Dan Brown
Gênero: Romance
Lançamento: 2009
Páginas: 512
Acabamento: Brochura
Selo: Sextante

Continuando o projeto "Resenha de Livros", hoje a resenha é o sobre um dos livros mais aguardados de 2009. "O Símbolo Perdido" (Dan Brown). Eu não li ainda, mais quem enviou a resenha foi minha noiva Gislaine, que leu e depois de muita insistência da minha parte, escreveu sobre.

Por Gislaine dos Santos

Pra mim Dan Brown é o melhor escritor, e o Robert Langdon o melhor personagem fictício. Um escritor polêmico por citar em suas obras Ciência e Religião. Uma das 100 pessoas mais influentes no Mundo.

Acho que isso a maioria já deve saber, "O Símbolo Perdido", não é uma continuação de "Anjos e Demônios", nem do "Código da Vinci", porém todos têm o mesmo personagem incomum, Robert Langdon.

Langdon é um simbologista, professor da Universidade de Havard, ele ensina Iconografia Religiosa e Simbologia. Em “O Símbolo Perdido” Langdon é convidado por seu amigo Peter Solomon a dar uma palestra em um instituto de Washington.Chegando no capitólio, Robert vem contando os minutos pois não pode se atrasar, afinal veio a pedido de seu grande amigo maçom.

Porém ao chegar percebe algo de errado, foi enganado, não havia palestra, não havia nada, ao procurar respostas para o que houve, descobre que seu amigo na verdade está desaparecido. Peter Solomon é um maçom de um alto grau, o que poderia ter acontecido!? Robert ouve gritos no meio da rotunda, ao se aproximar percebe uma mão ensaguentanda no meio, é a mão direita de Peter, e apontando para um quadro de 1865, Robert entende no exato momento o significado disso.

Nesse momento Robert Langdon está encrencado, pois o homem que seqüestro seu amigo, acha que somente ele pode desvendar os mistérios maçons e mais que isso acha que ele poderá ajudá-lo a desvendar o segredo maçom capaz de dar poderes sobrenaturais a ele. Robert é ajudado por Katherine, irmã de Peter, uma pesquisadora da ciência noética, a partir daí, precisam decifrar símbolos, mistérios ocultos e achar pistas onde para qualquer outro seria invisíveis, até mesmo para a CIA. Passando pelos principais pontos da capital norte americana, Robert e Katherine recebem ajuda, o professor precisa utilizar todo o seu conhecimento sobre os maçons.

Esse livro é um dos poucos, onde o começo é bom, o meio é bom, e o final melhor ainda, não encontrei nenhuma parte dele que eu pudesse pensar, poxa que parte chata, é eletrizante do inicio ao fim, Robert sem duvida nenhuma é um herói, inteligente como é, e totalmente calmo, tem uma habilidade fora do normal para solucionar problemas. Dan Brown nos mostra rituais, histórias e símbolos ligados a maçonaria, na trama é contado algumas partes da bíblia ao qual estamos acostumados a ler ou ouvir, mas como o livro nos ‘diz’ existem mistérios ainda a revelar... apocalipse não é o fim, e sim apenas uma revelação. Por Dan Brown Washington parece ser tão fascinante e misteriosa quanto o Vaticano.

Segundo andei pesquisando, como "O Código Da Vinci" e "Anjos e Demônios", "O Símbolo Perdido" também ganhara uma adaptação, a Columbia Pictures está começando a mecher os pauzinhos, e já está confirmado Tom Hanks novamente como o Langdon.

Agora é torcer e aguardar, e fica uma dica, leiam o livro, como eu disse inicialmente na verdade não é uma continuação, então se alguém não leu o "Anjos e Demônios" ou o "Código da Vinci", não tem problema pode ler "O Símbolo Perdido", e conheça as aventuras e encrencas que o Professor e Mergulhador de Havard apronta.

Entrevista: Dan Brown fala sobre o "O Símbolo Perdido".