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quinta-feira, 6 de setembro de 2012

RockHard: Entrevista com Steve Harris


Por: Jan Jaedike / RockHard - Alemanha
Tradução: Igor Soares / Blog Flight 666


Um projeto paralelo de Steve Harris era a última coisa que os fãs do Iron Maiden poderiam esperar. Mas do que se trata "British Lion"?

Seria muito fácil para o fundador do Iron Maiden compor e gravar músicas no estilo de sua banda, porém, sem o seu parceiro Bruce Dickinson. Ou então canções inspiradas pelas influências musicais que ele tinha quando deu seus primeiros passos, especialmente do mundo do rock progressivo, como Jethro Tull e Genesis. Mas a verdade é que "British Lion" soa bem diferente. Imagine uma banda de hard rock pouco antes do início da década de 90, tentando se adaptar em meio a onda mais alternativa do grunge, mas sem se afastar de suas raízes musicais.

Algumas músicas até poderiam estar em um show do Iron Maiden. Os fãs da banda vão achar interessante, mas vão encontrar algo diferente. O músico que compôs algumas das melhores músicas do Heavy Metal, está determinado a explorar algo realmente diferente.

Estamos em Bristow, Virgínia, perto da capital dos EUA, Washington. A turnê do Iron Maiden intitulada "Maiden England", está passando por diversas arenas americanas. No local do show, nos bastidores, em meio a passagem de som de Alice Cooper e entrada dos espectadores da primeira fila, eis que aparece Steve Harris. Desde 1975, hoje com 56 anos de idade, uma presença constante por trás da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Nossa conversa começa assim:

Steve Harris: Alguém da RockHard! Recentemente eu vi sua revista no Brasil. Quantas vezes você já ouviu o "British Lion"? Umas cinco vezes?

RockHard: Você nunca havia gravado um álbum solo.

Steve Harris: Exatamente. Até agora, havia gravado apenas algumas músicas do “Calm Before The Storm” (2008), álbum da minha filha, Lauren.

RockHard: Como você decidiu após 36 anos, fazer algo diferente, fora do Iron Maiden?

Steve Harris: O disco deveria ter saído bem antes, mas levamos um longo tempo para concluir o "British Lion". Meu tempo era bastante limitado por causa dos muitos compromissos com o Iron Maiden. Era quase impossível fazer algo paralelo. Por exemplo, estamos de volta em turnê e ela vai continuar por algum tempo. Mas mesmo quando não estou em turnê, há sempre muita coisa a ser feita da minha parte em nome do Maiden. Meus colegas do "British Lion" são muito pacientes.

RockHard: O álbum se chama "British Lion" e será lançado com o seu nome. Mas, enquanto isso, você sempre chama todo o projeto de British Lion. É uma banda ou o projeto solo de Steve Harris?

Steve Harris: Começou como um trabalho solo, mas agora somos uma banda, e isso me deixa mais confortável. Eu não acho que a música deva se resumir apenas ao baixo e a mim. Teríamos um resultado muito estranho (risos). É uma banda normal, embora eu esteja compondo as músicas. Atualmente todo o projeto funciona com o meu nome, mas com o passar do tempo teremos British Lion como um nome definitivo.



RockHard: Para este projeto você trabalhou com músicos desconhecidos, mas a maioria são da sua idade, da sua mesma geração.

Steve Harris: Eles se dão muito bem juntos e nos conhecemos a muito tempo. O Grahame Leslie (guitarra) tem a minha idade, o David Hawkins (guitarra /teclados), mais ou menos 40, nosso baterista Simon Dawson, em algum lugar entre... bom, eu não quero revelar sua verdadeira idade (risos) e o vocalista Ritchie Taylor tem 50, mas todos os dias ele corre 8 milhas, então parece que tem 40, mas canta como se tivesse 30. Ele está em excelente condição.

RockHard: Havia muitas informações sobre as gravações de "British Lion". E algumas músicas vazaram na internet com a informação de que eram da primeira demo, gravada em 1992. Também nessa época você produziu uma banda chamada British Lion.

Steve Harris: Já se passou tanto tempo? Não pode ser verdade (risos). Mas nunca esqueça da internet. Na verdade, agora eu fico apavorado (risos). Eu achava antes que eram 10, 15 anos, mas 20? Nossa! Naquela época, eu era o produtor, e algumas músicas foram registradas. Mas quase ninguém sabia. Tocaram apenas em alguns pequenos shows, particularmente em Portugal. Depois de algum tempo, a banda se separou, algo que não devia ter acontecido, porque muitas músicas eram ótimas. Seria uma vergonha permanecer na obscuridade.

RockHard: Então, há alguns anos, a banda foi reformulada com você permanentemente na posição do baixo, e isso foi mantido em segredo. Algumas das músicas de 20 anos atrás, lá do começo, continuam no repertório, como "Eyes of the Young". O disco dá a impressão de que há músicas de diferentes períodos. Isso significa que elas foram todas compostas em anos diferentes, de forma ascendente?

Steve Harris: Sempre trabalhamos as músicas separadamente, mas nós não estávamos no estúdio. Você está absolutamente certo sobre o fato de que algumas canções foram escritas há muitos anos. Algumas músicas são resultado da atual formação e não das antigas. Com outros caras fazendo toda a relação destes anos. Eu queria dar fôlego para a banda outra vez, então eu peguei o baixo como um membro permanente e assumi total responsabilidade pelo projeto. Embora tenha levado muito tempo para obter tudo em uma linha.



RockHard: Qual a importância do nome "British Lion"? Pergunto por que sua música poderia ser facilmente descrita como global.

Steve Harris: O nome é bem dinâmico. Eu lembro que desde a primeira vez que trabalhei com eles, já queria manter no nome. Pensamos que você deve ter orgulho de sua herança. Mas deve fazer isso de forma positiva e não errar, como muitos fazem, usando a herança para reduzir aos outros. Eu vejo isso como no futebol, através de uma concorrência saudável e não como uma declaração política. A arte do disco é uma criação minha (Steve trabalhou como ilustrador na década de 70, o logotipo do Iron Maiden foi criado por ele). Eu tinha tantas ideias para este projeto e eu não conseguia colocar em prática, agora finalmente eu posso (risos)!

RockHard: Você realmente gostou do baixo em todas as músicas?

Steve Harris: Sim, por que?

RockHard: Você é autodidata no baixo. Então, sempre irão creditar as características do Iron Maiden ao seu estilo, é uma marca registrada, como se não pudesse fazer mais nada.

Steve Harris: Eu tentei algumas coisas novas neste álbum. Acima de tudo, o som é muito diferente do Maiden e da abordagem que eu tenho com a banda, não irá corresponder a qualquer coisa. Mas eu acho que as pessoas vão me reconhecer tocando, embora em um estilo diferente.

RockHard: A música "Us Against The World", é, na minha opinião a que possui maiores semelhanças com as suas gravações com o Iron Maiden.

Steve Harris: Então, exatamente. E "A World Without Heaven" tem alguns elementos do Maiden também.

RockHard: Todo mundo automaticamente lembra da sua banda principal quando ouve guitarras duplas, apesar de você gostar muito dessa sonoridade bem antes da fundação do Iron Maiden.

Steve Harris: Exatamente. Acho que o "British Lion" tem suas raízes no rock mainstream dos anos 70. Em "The Chosen Ones", dizem, que lembra muitos elementos do UFO e que se assemelha também ao The Who.

RockHard: Estas canções serão tocadas ao vivo?

Steve Harris: Com certeza. Mas ainda estamos planejando como serão os shows. Até agora, poucas pessoas ouviram falar da nossa música. Devemos esperar a reação das pessoas. Ninguém nos conhece ainda, os promotores não sabem o que dizer para as pessoas. Eu aconselharia a fechar clubes para 200 pessoas? Para 500? Eu devo ser realista...

RockHard: Então, você está pronto, depois de todos esses anos com Iron Maiden, para começar do zero outra vez?

Steve Harris: No começo, pode ser que apenas 20 pessoas paguem pelos ingressos (risos). Eu ficaria muito satisfeito se 200 fãs fossem a um show do "British Lion". Francamente, seria fantástico. As pessoas a mais seriam um bônus.

RockHard: Sobre tocar ao vivo, você não tem feito isso com outro vocalista que não seja Bruce Dickinson já faz um longo tempo;

Steve Harris: O Ritchie é fantástico. Eu vi a banda ao vivo, e entre outras coisas temos tocado muitas vezes as músicas juntos, então eu não tenho preocupações. Ritchie tem muita confiança em si mesmo.

RockHard: Você parece estar muito impressionado com Ritchie, ele poderia ser uma boa opção se Bruce Dickinson decidir sair outra vez?

Steve Harris: Hahaha! Não, a voz de Ritchie não combina com o Iron Maiden. Devemos separar as coisas, apesar dele ser um excelente vocalista.

RockHard: E Blaze Bayley do Wolfsbane? Pareceu genial em sua época.

Steve Harris: Sim, você está certo (Risos - de uma forma que mostra que ele quer terminar este assunto rapidamente).

RockHard: Você disse que algumas músicas de "British Lion" são bastante longas.

Steve Harris: Basicamente, "The Chosen Ones" e "A World Without Heaven" são bem longas. "Eyes Of The Young" também não é pequena, embora seja provavelmente a música mais comercial. Mas tem algumas coisas que a tornam muito diferente dos temas clássicos do Iron Maiden. Eu não dou qualquer importância ou assumo quaisquer compromissos para ter um formato diferente.

RockHard: Mesmo que alguns títulos de músicas possam ter uma direção diferente do Maiden. Você escreve as letras? No Maiden você é responsável pela maioria das letras...

Steve Harris: Sim, naturalmente. O Ritchie escreve algumas letras e escreve bastante. Eu e ele nos completamos muito bem. Então, surgem alguns temas que você não esperaria. Quando, por exemplo, eu escrevo para o Maiden, e eu não escrevo muitas vezes sobre o amor (risos). Mas há canções em "British Lion" assim, canções sobre religião e envelhecimento também.

RockHard: Algumas canções ganham uma melancolia aparente e parecem ter sido escritas a partir da perspectiva de alguém que reconhece, em retrospecto, que teve muitas oportunidades em sua vida, e as jogou no lixo.

Steve Harris: Trata-se de ver as coisas de maneira diferente agora, do que quando você era jovem. "Phantom Of The Opera" do Maiden, eu escrevi quando tinha 19 anos e eu acho que eu não poderia escrever novamente nos dias de hoje, da mesma forma que eu não poderia escrever uma música como "When The Wild Wind Blows", quando eu tinha 19 anos de idade. Isto pode ser transferido para aspectos da vida inteira. Quando eu olho para algumas coisas que fiz no passado, eu percebo que tenho melhorado muito. Me reconheço, mas eu sou uma pessoa diferente agora. Eu acho que sou muito maior do que você, mas certamente teria feito coisas que, em retrospecto, você olharia com estranheza. Isso é perfeitamente normal.


RockHard: A faixa "Judas", tem uma letra um pouco óbvia.

Steve Harris: Muitas pessoas pensam que é uma canção de amor.

RockHard: O que passou pela minha mente foi algo sobre divórcio.

Steve Harris: Fala um pouco sobre religião, especialmente alguém que confia e, em seguida, deixar de acreditar.

RockHard: Assim, o título não é tão metafórico. De fato, as letras são mais diretas do que as dos Maiden.

Steve Harris: Com "British Lion" existem diferentes abordagens. O Ritchie escreve abertamente e de maneira menos confusa do que eu. Eu expresso tais sentimentos de maneira intensa nas minhas músicas, as vezes tentando domá-los.

RockHard: Como tinha feito em "The X Factor", escreveu sobre a separação de sua esposa então....

Steve Harris: Sim, você pensa em temas e os transforma em um roteiro. Neste caso, no entanto, devemos olhar mais profundamente para entender o conteúdo real. Geralmente eu acho que é importante que cada ouvinte tenha a sua própria interpretação de uma peça, mesmo que seja diferente do que a pessoa que escreveu quer dizer, como fez, por exemplo, no caso de "Judas".

RockHard: "The Chosen Ones", musicalmente, soa mais otimista e positiva. Sobre o que fala a letra?

Steve Harris: Você pode vê-la assim. Ela tem uma vibração "Quadrophenia" (The Who). Falando sobre as crianças brincando na rua e coisas assim. Comparado com a maioria das outras músicas, você está certo. Muitos delas são apenas "tristes". Eu não diria que eu sou o homem mais feliz do mundo (risos).

RockHard: Você já escreveu uma canção feliz?

Steve Harris: Sim, alguns lados B do Iron Maiden, já fizemos algumas coisas realmente divertidas, como o nosso manager (risos).

RockHard: Havia um boato de que alguém queria o Iron Maiden fazendo um remix de "I'm Forever Blowing Bubbles", o hino do seu time de futebol favorito, o West Ham United. Foi uma ideia um pouco boba para você?

Steve Harris: Alguém teve essa idéia, mas seria inútil para o Iron Maiden fazer algo parecido com isso, então eu deixei para o Cockney Rejects.

RockHard: No entanto, vocês foram convencidos a fazer uma versão de "Women in uniform" do Skyhooks, que não era tão legal.

Steve Harris: A versão foi um sucesso, mas eu não estava feliz com a produção.

RockHard: Me lembro de comprar o single, apenas pela capa meio punk rock com Margaret Thatcher, mas eu achei a música boa (risos de ambos). Falando sobre o passado: Você ainda acompanha alguma banda que você gostava quando era adolescente?

Steve Harris: Continuo ouvindo minhas bandas favoritas. Eu sempre fui assim, embora seja mais difícil agora, na sua velhice (risos). Eu comecei a escrever música nos anos 70, e sou muito sortudo, pois cresci nesse período. A música era diversa e complicada e havia muitas coisas legais.

RockHard: Se você dissesse 10 ou 20 anos atrás que gostava de Genesis e Jethro Tull, isto causaria grande surpresa para os fãs do Iron Maiden. Atualmente, contudo, há uma grande atenção voltada para a música retrô.

Steve Harris: A verdade é que eu nunca me importei com o que as pessoas pensavam sobre o meu gosto musical, e com o passar dos anos, eu realmente não dei qualquer importância para isso. Eu não tenho de provar nada. Eu não estou interessado em estar na moda. Eu tentei fazer o "British Lion" para contribuir com algo que está no estilo dos anos 70, e não só musicalmente, mas também com um pouco da ética e integridade desse período. Talvez a minha ideia seja simples, mas pelo menos eu queria fazer acontecer (risos). E com o Iron Maiden, as coisas não são diferentes.

RockHard: Muitas das bandas que começaram com o Iron Maiden, continuaram suas carreiras. Você, por exemplo, ouviu o novo álbum do Angel Witch?

Steve Harris: Eles ainda existem? Não, eu não sei nada sobre este álbum! (Risos) Ok, estou brincando! É claro que eu ouvi, já que muitas vezes tocamos no mesmo clube. Enfim, eu certamente vou comprar o seu novo álbum. Mas eu gosto de bandas mais novas. Eu amo o último álbum do Nightwish. Os fãs antigos podem não concordar comigo, mas eu acho que a nova vocalista é melhor que a anterior! É impressionante como a banda se transformou em algo completamente diferente. O Nightwish é muito maior agora, já era bom antes. Esse cara (Tuomas Holopainen) é um compositor extremamente talentoso. Está fenomenal agora!

RockHard: Você deve gostar dos elementos mais progressivos dos discos com Anette Olzon.

Steve Harris: Sim, sinfônico e progressivo. Mas, acima de tudo, eu amo a voz dela. Acho que já deveria ter começado a conversa entre os fãs (risos)!

RockHard: O Nightwish com este line-up e este estilo agora é maior do que nunca. Isso significa que eles irão continuar a seguir este direcionamento musical.

Steve Harris: Exatamente. E a outra menina era boa, mas ópera é demais para o meu gosto. O romance é mais humano, mais real.

RockHard: Você escreve músicas desde os anos 70. Você deve possuir um arquivo enorme...

Steve Harris: Tenho toneladas de material em casa. Mas não são músicas completas. Somente peças separadas, mas é um volume incrível... Eu poderia gravar uns 10 álbuns. Pelo menos! Eu não estou preocupado se minha criatividade vai acabar com o tempo. Tudo o que você precisa é de tempo para trabalhar e ter as condições para que isso aconteça. E eu não tenho muito tempo.

RockHard: Você disse que há músicas antigas inacabadas em seu arquivo, há rumores de que você tem algumas demos misteriosas com Paul Di'Anno que não foram aproveitadas.

Steve Harris: Exatamente. E é por isso que não deu certo. Não era bom, não foi terminado. Então acabou, e ele saiu.

RockHard: Você pensa em fazer algo com o material do Gypsy's Kiss e do Smiler? Suas bandas antes do Iron Maiden despertam o interesse de muitos fãs.

Steve Harris: Eu tenho várias gravações ao vivo de ambas as formações, mas eu não acho que seja necessário que elas vejam a luz do dia.

RockHard: É tão ruim assim?

Steve Harris: Não, não (risos). Se você for pensar sobre isso, as músicas eram bem legais, mas a qualidade do som era muito pobre. E pensar no que nós usamos para as gravações. Do ponto de vista sintético, por outro lado, há alguns momentos muito importantes, como a versão original de “Innocent Exile” do Iron Maiden.

RockHard: Que era do Gypsy's Kiss, certo?

Steve Harris: Exatamente. Não a canção inteira, mas o riff principal é o mesmo.

RockHard: Gypsy's Kiss é uma expressão do dialeto Cockney e significa "Xixi", certo?

Steve Harris: Sim, é uma gíria Cockney (Habitante do East End de Londres). "To take the Gypsy's", significa que você vem dali, mas que vai mijar! Hahaha!

RockHard: Por ocasião de sua atual turnê "Maiden England", o Iron Maiden reeditará o lendário vídeo ao vivo de 1989 em DVD, como você fez com o "Live After Death"?

Steve Harris: Sim, vamos fazer. O DVD será lançado no primeiro semestre de 2013. Se tivermos tempo, poderá até mesmo ser lançado ainda este ano. No VHS, tínhamos apenas 90 minutos de tempo, por isso tivemos de deixar de fora o material extra. Como você sabe, eu tenho um monte de trabalho pela frente!

RockHard: Não parece estar pensando em "aposentadoria". Mas o que passou pela sua mente quando o Judas Priest anunciou que está se aposentando?

Steve Harris: É triste. Eles são um pouco mais velhos que o Iron Maiden, mas é sempre difícil ouvir que uma banda que é tão grande, está parando. Espero que eles mudem de opinião, porque isso seria o final de uma era. Você sabe, Richie Faulkner está tocando com eles, ele tocava na banda da minha filha. Espero que dê um impulso para continuar. É um compositor muito bom. Talvez consiga trazer mais união pra banda.

RockHard: Espero que o Maiden tenha pelo menos mais um álbum para todos nós!

Steve Harris: De qualquer maneira. Eu não sei quanto tempo vai demorar, mas vamos lançar mais discos.

RockHard: Estou muito feliz em ouvir isso.

Steve Harris: Minha esposa tem uma opinião diferente (risos). Estima-se que tenhamos mais dez anos, mas eu vou tão longe quanto forpossível.

RockHard - Alemanha (Setembro/2012)

Fonte da Entrevista: Blog Flight 666

Fonte (Imagens): Collectors Room

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Entrevista Exclusiva: Celso Salim

É com grande prazer que o blog Jazz e Rock trás mais uma entrevista exclusiva. Nessa entrevista o guitarrista Celso Salim fala sobre sua carreira, técnica e o quanto gosta do blues! Celso Salim, grande guitarrista e grande sujeito!


Por Thiago Teberga e Daniel Faria

Celso conte-nos como foi o seu inicio na musica?

CS
: Comecei a ter aulas de violão aos 6, com 12 comecei a tocar guitarra.

E o blues quando entrou na sua vida?

CS
: Com 12 anos quando comecei a ter aulas com o guitarrista brasiliense Eduardo Brito. Ele gravava muita coisa em cassete para mim: Muddy Waters, BB King, Robert Johnson, Arbert King, Johnny Winter entre outros. Fiquei viciado e as aulas passaram a ser voltadas para o estilo. Mas o principal foi o desenvolvimento do ouvido, em casa passava horas tirando solos nota por nota.

Quais foram as suas primeiras influencias?

CS
: Antes de conhecer o blues não tinha nada que eu realmente gostasse, os primeiros que ouvi foram Muddy Waters, Freedy King, BB King, Albert Collins, Robert Johnson, Albert King, Johnny Winter e muitas coletâneas de Blues. Depois Hendrix, Clapton, SRV, Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers, ZZ Top.

Os seus discos solo “Lucky Boy” e “Going Out Tonight” tem uma sonoridade com influencias da musica country. Quem são seus “heróis” da guitarra country?

CS
: Albert Lee, Danny Gatton, Jerry Reed, Chet Atkins, Merle Travis, Tony Rice, Brent Mason, Jerry Douglas, e também bandas como Asleep at the Wheel, The hellecasters,Quando fui para o GIT, em Los Angeles, comecei a ouvir muito country, bluegrass e southern rock. Ví o show do Albert Lee 11 vezes num bar próximo a minha casa.

Já o seu álbum “Big City Blues” apresenta uma sonoridade mais blueseira, esse caminho para o blues mais tradicional foi natural ou você quis fazer um registro de um álbum de blues mesmo?

CS
: Foi bem natural e esse é o caminho que tenho seguido, estou preparando um novo cd elétrico de blues para 2012. Mas as influências do rock, country e de outros estilos sempre aparecem.

Já que estamos falando em álbuns fale um pouco sobre o seu novo trabalho “Salim & Mantovani – Diggin’the Blues” (o qual eu já tive a oportunidade de escutar e posso dizer sem medo de errar que é um dos melhores álbuns do estilo já lançado no Brasil)

CS
: Eu e o Rodrigo tocamos semanalmente com essa formação há 3 anos. Ai tivemos a idéia de gravar um cd só nós dois, com um repertório de Blues dos anos 30 – 60. Fiquei bem satisfeito com o resultado.

Fale um pouco sobre o seu trabalho com o pianista e organista Ari Borger, como surgiu essa parceria tão produtiva?

CS
: Quando estava produzindo o cd Big City Blues convidei o Ari para gravar, foi assim que nos conhecemos. Algum tempo depois ele me chamou para integrar seu quarteto. É um grande prazer tocar com um músico do nível dele.


Você é um musico muito versátil, uma vez que além do seu trabalho com o blues você tem fluência em outros estilos tais como o country, o jazz e o soul. Você é um estudioso da guitarra ou um musico mais intuitivo?

CS
: Um pouco dos dois, sempre aprendi muito de ouvido mas estudei também. Tive aulas particulares dos 6 aos 16, depois estudei 3 anos no GIT. Até hoje estudo, mas geralmente tirando novos sons de ouvido mesmo.

O seu trabalho de slide guitar é um dos melhores do Brasil, quais afinações você costuma utilizar para tocar slide?

-D aberto(variando tons com o capo)
-G aberto(variando tons com o capo)
-G menor aberto(variando tons com o capo)
-Afinação normal
- Drop D (só muda a 6ª corda para D)

Qual seu equipamento de estúdio e de palco?

CS
: No momento estou trocando de amplificador , devo comprar um vibrolux. Mas usei por algum tempo Fender deville ao vivo, em gravações geralmente alugo uns melhores como Princeton reverb, Vibrolux. Instrumentos: Dobro 1974, Fenders Telecaster e Stratocaster, Ibanez GB(com Ari Borger Quartet). Pedais: Tube screamer, Cry Baby 535Q, Rotovibe, phase90, fuzz hendrix, Afinador BOSS. O preço dos equipamentos no Brasil não ajudam vc ter um equipamento top. Assim nós ficamos sem acesso as coisas boas.

Como você vê o atual cenário da musica no Brasil?

CS
: Acredito que assim como todo o pais, cresceu muito os espaços e têm mais grana rolando para todos, no caso do cenário de Blues acho que cresceu Tb. Muitos festivais rolando, SESCs Tb dão muita oportunidade. Mas como é um estilo importado sempre teremos limitações.

Música vs Internet: Com base na sua experiencia musical, como você vê o impacto da internet no cenário musical ? De que forma - positivamente/negativamente - isso afetou a sua carreira no decorrer dos anos?

CS
: Minha carreira fonográfica já começou com a internet na ativa. Através da internet vc consegue divulgar o trabalho em lugares eram difíceis de alcançar, faz contatos importantes com facilidade, principalmente para artistas independentes, como eu, que fazem a própria produção. Temos que nos adaptar né. A venda de CDs caiu para todos, mas vender muitos CDs em lojas nunca foi minha realidade, vendo cd mesmo em shows!!!


Nas ultimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no BLOG. É uma cópia descarada (risos) de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

Pra você qual é o melhor álbum da história?

CS
: Difícil heim? Juro que não sei responder....

Qual disco você tem ouvido bastante na última semana?

CS
: Têm tempo que não ouço discos inteiros mas tenho ouvido muito Country Blues como: Blind Willie Mc Tell, Josh White, Big Bill Broonzy, e muitos outros desta época.

Qual disco você curte, mas tem vergonha de admitir?

CS
: Vergonha.....acho que nenhum...rsrs

Celso quero agradecer a oportunidade da entrevista , sem dúvida uma oportunidade de conhecer o seu trabalho e um pouco da sua história e trajetória musical. Desejo muito sucesso para você ! Grande Abraço !

domingo, 30 de janeiro de 2011

Entrevista Exclusiva: Flávio Guimarães

Olá...

O Blog Jazz e Rock traz mais uma entrevista exclusiva, dessa vez com um dos melhores gaitistas do Brasil e do mundo! Flávio Guimarães prova que é um amante do blues e um estudioso do estilo. Além de ser um grande sujeito!


Por Thiago Teberga

Flavio, conte-nos como foi o seu inicio na música? Como teve o seu primeiro contato com a gaita?

FG
: O pai de um amigo da escola tinha umas gaitas engavetadas e me emprestou. Depois, assisti shows de Maurício Einhorn e Rildo Hora e decidi aprender , por volta de 1984. Tive aulas de gaita cromática com Einhorn, mas ao ouvir a gaita diatônica, mudei de instrumento e de rumo, indo para o blues e rock.

Quais foram os seus primeiros “heróis” na musica?

FG: Little Walter, Sonnyboy Williamson II, Walter Horton.

E hoje quais são as suas principais influências musicais?

FG: Sugar Blue, Paul Butterfield, Charlie Musselwhite quando comecei.
Hoje: Rick Estrin, Kim Wilson, Steve Guyger, Mitch Kashmar, Gary Smith, Joe Filisko, Andy Just, R. J. Mischo e tantos outros que admiro que não caberia aqui.

Você costuma ouvir blues no seu dia-a-dia ou você é um ouvinte eclético?

FG: Eclético , mas sempre escuto 70% de blues com o intuito de perceber melhor os detalhes e seguir me aprimorando.

Você é um musico muito requisitado, como faz pra levar tantos compromissos e manter sua carreira solo e o trabalho com o Blues Etilicos?

FG: Acho que os 25 anos de estrada ensinaram como administrar essa parte.

Agora uma curiosidade de fã(rs) Como é tocar com um time tão competente como o Blues Etilicos, existem muitas discussões na escolha de repertorio e arranjos, ou sempre rolam unanimidades?

FG: Hoje já nos conhecemos e nos respeitamos tanto que tudo flui fácil. Mas no início, pra qualquer banda, pode ser bem difícil.

Como foi o processo de gravação do seu novo álbum? Qual foi seu critério para fazer o repertorio desse álbum?

FG: The Blues Follows Me é um tributo a Little Walter e tive a sorte de ser acompanhado pela Igor Prado Blues Band, que conhece essa linguagem como poucos no mundo.

Você já tocou com varias “feras” do blues, teve alguma dessas parcerias que te marcou mais que as outras?

FG: Com Charlie Musselwhite.

Na sua opinião, quem são novos talentos do blues nacional?

FG: Thiago Cerveira, Igor Prado Blues Band, Ivan Márcio, Marcelo Naves, Sérgio Duarte, Marcio abdo, Marcio Maresia, Blues The Ville, Big Chico e muita gente bacana em são Paulo, Gustavo Cocentino (de Natal), Ablusados (de Goiania) , Tiffany Helga , The Headcutters e Carlos May (de SC), Blues Groovers, Álamo Leal, Rodica, Maurício Sahady, Ricardo Werther (do Rio)

Qual seu equipamento de estúdio e de palco? Você é patrocinado por alguma marca?

FG: Sou o primeiro endorser das harmônicas Hohner em toda América do Sul e de fato elas são as melhores gaitas do mundo. uso amplificadores valvulados SERRANO AMPS (melhor que os importados) e microfones Astatic JT 30.


Como você vê o cenário da música no Brasil atualmente?

FG: Vejo muita coisa positiva e muitos talentos na nossa música, uma das maiores riquesas desse país. Vejo isso na música brasileira em geral, vocal e instrumental.

Vejo por outro lado, no chamado blues nacional, uma classe desunida que se desvaloriza. Vejo músicos e bandas que dizem tocar blues se oferecendo pra tocar praticamente de graça em festivais patrocinados por leis de incentivo, numa nítida competição desleal , um verdadeiro "dumping". Vejo"artistas de blues" nacionais que não se esforçaram o suficiente para aprender os rudimentos básicos de acompanhamento e ritmo nem respeitam o idioma original desse estilo, cantando com pronúncias e sotaques sofríveis. Vejo muito amadorismo, só que o público está começando a ver também , percebendo a diferença entre quem toca de verdade e quem finge que toca. Novos músicos de blues estão vindo com tudo, talento e profissionalismo e nós que somos de gerações anteriores jamais podemos nos acomodar. O aprendizado e aprimoramento de um músico nunca pode cessar.

Você acha que o blues feito no Brasil hoje é um blues que se difere do feito no resto do mundo?

FG: O blues é uma forma de arte tradicional. É como o nosso Choro. Pra se saber tocar choro, tem de estudar muito Jacob do Bandolim, Waldir Azevede, Pixinguinha e tantos outros.

Acho que muita gente no Brasil acha que o blues é uma forma livre feita em cima de 3 acordes e 12 compassos, que qualquer coisa é blues desde que siga esses parâmetros. É um equívoco.

O blues é um idioma musical que já foi estabelecido há muitos anos. Para se aprender blues além das obviedades de sua harmonia tem de estudar a fundo sua história e seus grandes mestres, que criaram e estabeleceram essa linguagem musical há muito tempo atrás. No caso do blues elétrico , uma boa pesquisa em todo acervo da Chess Records (entre fins dos anos 40 e meados dos anos 60) é mais que obrigatório para se entender essa linguagem.

Nas ultimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no BLOG. É uma cópia descarada (risos) de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

Pra você qual é o melhor álbum da história?

FG: A coleção completa da Chess com 5 CDs - Little Walter.

Qual disco você tem ouvido bastante na última semana?

FG: Ricardo Werther - The Turning Point.

Qual disco você curte, mas tem vergonha de admitir?

FG: Eu admito todos que gosto, de Luis Gonzaga a Paulinho da Viola ,de Lenine a Cartola.
Tom Jobim, Paulo Moura , João Donato, Leo Gandelman ... muito blues e jazz ... só coisa boa !

De engraçado, eu admito que gosto do desenho animado Back Yardigans e adoro a música tema desse programa infantil.

Abraço,
Flávio

Flavio quero agradecer a oportunidade da entrevista , sem dúvida uma oportunidade de conhecer o seu trabalho e um pouco da sua história e trajetória musical. Desejo muito sucesso para você ! Grande Abraço !

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Entrevista Exclusiva: Nuno Mindelis

Olá a todos...
Recentemente tive o imenso prazer e alegria de entrevistar o grande guitarrista/cantor Nuno Mindelis. Nessa entrevista exclusiva que o musico concedeu ao Blog Jazz e Rock ele conta desde os primeiros contatos com a musica até a consagração como um ícone do Blues no Brasil e no mundo. Sem mais demoras deixo vocês com as palavras de Nuno Mindelis que prova que além de excelente guitarrista é também uma excelente pessoa!.



Nuno, conte-nos como foi o seu inicio na música? Como teve o seu primeiro contato com a guitarra?

Desde que me lembro de mim queria tocar qualquer instrumento, ficava tocando com latas , panelas etc. Durante as aulas, no primário, tocando na carteira e nos estojos de lata dos lápis, usando canetas como baquetas etc. . Construía violões com caixinhas de bombons e fio de pesca (como cordas), tocava raquetes de tenis como se fossem guitarras etc. Não consigo saber porque isso aconteceu, a sensação que tenho é a de que já nasci assim, músico. Da mesma forma que desenho desde que me lembro de mim, uma coisa nata.

Quais foram os seus primeiros heróis da guitarra?

Ouvi o guitarrista dos Shadows quando tinha uns 7 anos, estava acostumado a ouvir instrumentos sinfônicos, (meus pais ouviam bastante música clássica) e de repente ouvi aquela guitarra tipo surf, com tremolo e vibrato tocando "Apache" . Caí de costas. Aos nove ouvi Otis Redding obsessivamente, por indicação de um cara mais velho que percebeu e se interessou pela minha clara obsessão pela música. O guitarrista de Otis era Steve Cropper. (Tive a honra de ser anunciado com ele na Inglaterra, em 2008, no mesmo evento e na imprensa) . Depois ouvi Big Bill Broonzy por volta dos 12 anos. (música "Hush", violão acústico ) . Entretanto já tinha ouvido "Revolution" dos Beatles com aquela guitarra ultra saturada, (até para os dias de hoje) e depois , entre os 12 e os 17 eu ouvi tudo o que tocava no planeta, literalmente. Destaque para influências irremediáveis de Hendrix, Santana, John Fogerty, B.B King, Canned Heat (cujos guitarristas eram Henry Vestine e Harvey Mandel), Mick Grabham (Procol Harum) Rory Gallagher etc.

E hoje quais são as suas principais influências musicais?

Não me sinto influenciado por nada novo, no plano da guitarra. As minhas inflências na guitarra são as que ouvi até uns 20 anos de idade, no máximo. (os últimos foram George Benson e Helio Delmiro, por volta de 1976 ou 1977) . As minhas influências agora são as sonoridades das novas gerações, alguma eletrônica, alguma rítimica rap (diferente de gostar de rap) e melodias . Não curto complicações ou complexidades, neste momento. Gosto de cancões com melodias lindas e simples, coisas improváveis como Put your records on the Corinne Bailey Rae ou Yellow , de Coldplay. Gosto bastante de Foo Fighters, e de bandas novas de rock inglês . Também de cantoras / instrumentistas / compositoras boas, como KT Tunstall, Nora Jones , Joss Stone etc.


Você costuma ouvir blues no seu dia-a-dia ou você é um ouvinte eclético?

Não ouço blues há muito tempo. Ouço muito mais outras coisas . Ouço blues por acaso, se estiver tocando no rádio. E só compro discos de um ou outro artista, quando saem, como Dylan , Booker T. , Dave Mason. Às vezes Van Morrison, Stephen Stills...

Qual foi a sua primeira guitarra ?

Uma Gibson Lespaul Custom, comprei aos 17 anos no Canadá. É de 70 ou de 71. Trabalhei dois ou três meses de faz-tudo , no Canadá, (incluia varrer o chão de uma fábrica gigante) para comprá-la.



Como foi gravar com a Double Trouble?

Foi uma experiência interessante, gravamos o disco Texas Bound em menos de três dias, (1 dia e meio de gravação e outro tanto de mixagem). Depois gravamos outro álbum, Blues on the Outside , um pouquinho mais de tempo, uma semana.(dois dias de banda e restante para mix e overdubs, backing vocals, metais etc.) . Durante esses períodos sempre demos bastante risada, almoçamos e jantamos junto, ouvi grandes histórias. Eu já era fan de Tommy Shannon de muito antes de SRV e de Double Trouble, da época que ele tocou com Johnny Winter e com Uncle John Turner. (inclusive em Woodstock) . Eu tinha uns 14 anos, 1971 a 73 por aí. Aliás, o Uncle John que eu idolatrava de pequenininho virou um enorme amigo, fiquei muito mal com a sua morte há uns dois ou três anos atrás. Com todos eles fiz turnês, com Double Trouble aqui no Brasil inclusive, extensa, que incluiu encerramento no Credicard Hall. Com Uncle John na Europa , EUA e Brasil. Aprendi mais com ele em alguns anos durante essas turnês do que em 30 anos com outras pessoas. O Chris e o Tommy quiseram produzir um disco meu , insistiram várias vezes. E eu acabei deixando passar. Não me arrependo de nada, mas essa está começando a chegar perto...os convidados poderiam ser do quilate de Dr.John, Doyle Bramhall Jr , e coisas do tipo.

Como foi o processo de gravação do seu novo álbum? Como surgiu a idéia do Free Blues? Qual foi seu critério para fazer o repertorio desse álbum?

Eu andava irrequieto, digamos, há muito tempo. Meio cansado do blues que não muda há mais de quarenta anos. O que Clapton, Jimmy Page, Jeff Beck e enfim , todo o mundo fez nos anos 60/70 já era uma atualização do gênero, pela injeção de rock and Roll, psicodelia e eletricidade em altas doses. E até hoje ficou naquilo, se repararmos. Não mudou. A sonoridade do blues continua a ser sessentista / setentista. Isso me cansou não só do blues como paralelamente de mim mesmo. (eu toco desde aquela época, são quarenta anos!) Tudo isso levou à idéia de Free Blues. Um amigo me perguntou "porquê você não grava um disco com clássicos do Blues com sonoridade contemporânea, para que as gerações de hoje saibam o que é blues com roupa atual" ? Aí eu peguei em temas que fizeram a minha cabeça quando era menino, nos anos 60/70 e usei a mesma fórmula, só que em vez de adicionar somente eletricidade, psicodelia e rock and roll, usei também eletrônica, rap, lounge, house , disco , etc. No álbum "Outros Nunos",de 2005 (que você menciona na próxima pergunta) , eu já tinha começado isso, de certa forma, mas fui pelo lado mais literário, convidados MPB / Rap, Zélia Duncan, Rappin Hood .

Você é um musico que tem o blues como base, mas já “visitou” outros estilos, como no álbum Mindelis apresenta: outros Nunos. Qual é a reação do publico de blues ao receber esse tipo de novidade?

Algum pessoal estranha , mas outros que não te conheciam passam a conhecer e eventualmente gostar bastante dessa nova fase. E recebo muitos inputs de tradicionalistas que confessam ter prestado mais atenção e acabam por compreender e gostar bastante dessas experiências. Agora mesmo um purista elogiou Free Blues e disse algo interessante: "minhas últimas gotas de preconceito foram para esse CD" . Porque , no fundo, é como você disse, o blues é a base de tudo o que eu fizer, e isso não se confunde com o formato final. É o DNA , mesmo que eu faça Samba, é o blues que está fazendo.

Você que já gravou vários álbuns de estúdio não pretende gravar um ao vivo? Um dvd?

Estaria mais interessado num álbum ao vivo, até, do que num DVD. Não sou grande fan de DVDs, gosto de ouvir música e não de dividir o sentido da audição com o da visão. Ouvir música e assistir a um DVD são atividades bem diferentes para mim. É claro que o público não tem nada a ver com isso, mas o fato é que essa percepção provavelmente freia a minha determinação de gravar um DVD. Não é o grande objetivo tecnológico e fonográfico , como para a maioria dos músicos atualmente. Depois tem a grana, isso requer verba e o blues é um gênero pobre. Se alguém , algum selo, enfim, quiser fazer eu não me oponho, faça e venda, ótimo. Mas não corro atrás.



Qual seu equipamento de estúdio e de palco?

No palco geralmente uma Gibson SG 1972 (Kalamazoo) , um pedal Wah Wah antigo e um amp Fender Twin Reverb (Blackface). Às vezes uso um 'Greene" pedal (distorção) que me foi oferecido pelo fabricante, num show na Holanda. Mas só uso esse tipo de pedal quando não encontro um valvulado em condições. De forma geral, a distorção da válvula é suficiente. Mais raramente ainda uso um pre amp valvulado, Pre Sonos , muito bom, especialmente quando te entregam um amp em desacordo, em algum show longínquo onde você não conseguiu levar o seu. Em estúdio, além disto , uso a Lespaul Custom , uma Fender Stratocaster 1958, uma Shecter dos 80s que ganhei da Guitar Player Magazine/EUA (como prêmio em concurso de guitarra) e no Free Blues mais especificamente usei outros efeitos, Delay DL4 da Line Six, Guitar Rig (plugins) .

Como você vê o cenário da música no Brasil atualmente?

Há vários angulos. Um deles, de cunho pessoal , artístico e cultural, é que aparentemente as pessoas começam a tocar para ser famosas e não para aprender. Isto é um fato . Parece que se passou por cima da fase de aprendizado, que geralmente requeria um mínimo de oito horas por dia estudando um instrumento ou estudando canto. É espantoso ver como são lançadas (e aduladas pela crítica??!!) cantoras que não sabem cantar e músicos que não sabem tocar. Já do ponto de vista de produção e/ou mercado , o cenário da música atualmente está muito mais difícil porque a queda das gravadoras (e consequentemente do mercado do disco, lojas e do próprio suporte físico ) representa a paralisação de projetos musicais por falta de verba. Das duas vezes em que gravei com a Double Trouble tive apoio financeiro de gravadoras que por sua vez sabiam que poderiam investir pois recuperariam o investimento em vendas de discos. (viagens, estúdio nos EUA, acomodações , alimentação , enfim, tudo) . Agora ninguém aposta nisso, até porque as novas gerações nem têm mais apego ao disco, já nem sequer baixam discos piratas, na verdade consomem música como se fosse mais uma commoditie, como gás, água encanada, Last FM, Pandora, playlists nos navegadores , etc. e tal.


Você acha que o blues feito no Brasil hoje é um blues que se difere do feito no resto do mundo?

Só existe um tipo de blues: o blues bem feito. Esse não difere em lugar nenhum do mundo.



Nas ultimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no BLOG. É uma cópia descarada (risos) de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

Pra você qual é o melhor álbum da história?

Não sei porquê sempre me vem Dark Side of The Moon à cabeça...

Qual disco você tem ouvido bastante na última semana?

Cosmic Wheels , de Donovan ( o Donovan Leitch, agora há vários Donovans).

Qual disco você curte, mas tem vergonha de admitir?

Não tenho vergonha de admitir nada do que gosto, mas compreendo o sentido da pergunta e posso dizer que gosto muito de algumas (poucas) músicas do Biafra. À exceção do texto (que é claramente pseudo-poético, piegas enfim) algumas melodias e o timbre de voz são muito bonitos, uma combinação feliz de timbre e melodia, como em Elton John, por exemplo.

Nuno quero agradecer a oportunidade da entrevista , sem dúvida uma oportunidade de conhecer o seu trabalho e um pouco da sua história e trajetória musical. Desejo muito sucesso para você ! Grande Abraço !

Oi Thiago, eu agradeço igualmente pela oportunidade e também desejo o máximo sucesso ! Abraço

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Entrevista Exclusiva: Eduardo Machado

Por Daniel Faria

Conheci o som do contrabaixista Eduardo Machado através da internet. Na época ouvi algumas músicas do seu primeiro e recém-lançado álbum solo, e não demorou muito para ficar impressionado pela qualidade da produção, das composições, dos arranjos e do Eduardo como contrabaixista. Um trabalho primoroso, com participações de peso e que resultou em um dos melhores álbuns de música instrumental lançados em 2009.

E no mês passado entrei em contato com o Eduardo e falei da ideia de fazer uma entrevista com ele. E aqui está o resultado final, uma entrevista que traz muita informação sobre a carreira, projetos e muito mais. Aproveito para deixar mais uma vez o meu agradecimento ao Eduardo, por conceder essa entrevista. Segue abaixo a entrevista na integra. Boa Leitura !


Eduardo, conte-nos como foi o seu inicio na música? Como teve o seu primeiro contato com o contrabaixo?

Eduardo Machado: Bom, na verdade desde criança sempre gostei de música, e tive o incentivo do meu pai pra tocar contrabaixo, eu não conhecia o instrumento, ele me deu um baixo e me matriculou em uma escola de música daí que comecei a estudar, isso eu tinha 12 anos.

Quais são as suas influências musicais?

Eduardo Machado: Sempre escutei muita música, MPB, Rock, Reggae, Jazz, etc.... tenho muita influência dos principais mestres desses estilos como Tom Jobim, Gilberto Gil, Djavan, Hermeto Pascoal, Deep Purple, Rush, Led, Jimi Hendrix, Bob Marley, Charlie Parker, Herbie Hancock, Miles Davis e claro dos baixista como Jaco Pastorius, Marcus Miller, Gary Willis, Arthur Maia, Luizão Maia, Sizão Machado, Adriano Giffoni.

Você é professor no IGB (Instituto de Guitarra e Baixo), como surgiu essa oportunidade?

Eduardo Machado: Comecei a lecionar aulas de música com 17 anos na minha casa, depois de um tempo senti a necessidade de fazer algo mais profissional, e junto com um amigo meu (Fabiano “Coelho”) decidimos criar uma escola de música com um diferencial “Qualidade no Ensino Musical” com professores capacitados especializados em cada instrumento, que até então não existia na cidade (Franca SP) www.escolaigb.com .

O que você costuma ouvir no seu dia-a-dia?

Eduardo Machado: Além do que já citei, escuto muito Hamilton de Holanda, Curupira, Gabriel Grossi, Elis Regina, Ed Motta, Steve Wonder, Head Hunters, Weather Report, RATM, Glenn Hughes, Primus, Raul Seixas, dentre outros.

Como foi o processo de gravação do seu álbum? Como surgiu a ideia de grava-lo?

Eduardo Machado: Achei que já estava na hora, com 23 anos de carreira sempre tive esse sonho de gravar um CD solo onde todas as composições e arranjos fossem de minha autoria, e isso consegui realizar nesse primeiro trabalho. Foram 10 meses o processo de gravação, produção e mixagem. Demorou um pouco porque algumas vezes eu dependia da agenda de alguns músicos como o Arthur Maia, Chico Oliveira e o Gabriel Grossi, eles viajam muito e não é fácil encontrar uma brecha em suas agendas.


Você teve algum tipo de apoio para a gravação e distribuição do seu trabalho?

Eduardo Machado: Na gravação tive um apoio importantíssimo que foi do estúdio Inside Áudio & Mídia e claro de todos os músicos que participaram do CD. Sobre a distribuição esse CD foi lançado independente e como hoje em dia estão acabando as lojas de CD, vendo mais pela internet e shows.

Você é endorser de alguma marca?

Eduardo Machado: Uso cordas Groove.

Qual foi o seu primeiro contrabaixo ?

Eduardo Machado: (Risos)..foi um baixo bem tosco.... Insbruck (já ouviu falar nessa marca?).

E como tem sido a aceitação do publico e da mídia especializada?

Eduardo Machado: Graças Deus tem sido muito boa, veja essa resenha que sintetiza o feedback que recebi sobre o CD. Clique Aqui

Você também gravou um DVD recentemente, no Teatro Municipal de Franca e teve a participação do baixista Arthur Maia, conte um pouco dessa sua amizade? Como você o conheceu?

Eduardo Machado: Conheço o Arthur desde 94, sempre tive ele como um referência pra mim, além de ser um dos maiores baixistas do mundo, ele é muito gente boa, ele fez uma participação especial no CD na faixa “Partindo pro Alto” tocando e cantando onde fez um solo maravilhoso, então o convidei para fazermos esse show e claro que eu não poderia deixar de registrar isso em um DVD, apesar de ter sido meio “caseiro” ficou com uma qualidade boa de video e som. Clique Aqui p/ ler a resenha do DVD.

Todas as músicas do seu álbum são composições próprias. Na hora de compor a inspiração surge naturalmente ou existe algum ritual, como por exemplo, compor só de madrugada?

Eduardo Machado: Quando comecei a gravar o CD eu só tinha 4 músicas prontas, e fui compondo o resto durante as gravações, as vezes uso o violão pra compor mais na maioria foi no baixo mesmo, e muita coisa vai saindo naturalmente durante os estudos, o que acho legal já escrevo pra não esquecer, fiz uma pré produção de algumas músicas antes de gravar definitivamente e outras músicas eu já estava tocando com minha banda e tive a chance de fazer algumas experiências com elas ao vivo.

Qual seu equipamento de estúdio e de palco?

Eduardo Machado: Como gravei com calma tive tempo de fazer alguns testes durante as gravações, usei um amplificador e uma caixa Ampeg de 8X10 mais um pré Avalon, em shows uso um amplificador e uma caixa Ampeg de 4X10, sem efeitos. Os baixos que uso são um Fender Jazz Bass 71, um Sadowski (4 cordas), um fretless Ibanez (modelo Gary Willis 5 cordas) e um Alembic (Epic de 5 cordas).


Como você vê o cenário da música instrumental e do jazz no Brasil atualmente?

Eduardo Machado: Fervendo!!! Embora seja um tipo de música que tem pouco espaço na grande mídia, tem vários festivais de jazz acontecendo por todo Brasil, existem rádios com programas de música instrumental brasileira e tem muita gente boa fazendo música de ótima qualidade. O que não dá é ficar de braços cruzados esperando e reclamando, tem que correr atrás, se não tem espaço , faça acontecer porque público tem.

Qual a importância da internet e principalmente da blogosfera para o seu trabalho?

Eduardo Machado: Isso é grande ferramenta para ser usada. Devo muito da divulgação do meu trabalho a alguns blogs. Logo que lancei o CD já disponibilizei pra download em alguns blogs e isso ajudou e muito esparramar minha música pelo mundo. Ano passado no final de um show em São Paulo veio uma pessoa comprar o CD e ela me disse que morava em Garanhuns já conhecia e tinha baixado, mais como assistiu o show quis comprar o original.

E quais são os seus projetos para o futuro? Já pensa em gravar outro álbum?

Eduardo Machado: Já estava pensando no próximo antes de acabar o primeiro (risos).Estou selecionando o repertório e quero fazer algo diferente inclusive colocar músicas de outros compositores. Falei com o Arthur esses dias e ele prometeu me ajudar na produção do próximo, e devo gravar algumas coisas no seu estúdio em Niterói.

Nas últimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no BLOG. É uma cópia descarada de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

Pra você qual é o melhor álbum da história?

Eduardo Machado: Primeiro álbum do Jaco Pastorius, aquilo é a maior aula de contrabaixo que existe!

Qual disco você tem ouvido bastante na última semana?

Eduardo Machado: O último CD do grande baixista Brian Bromberg - Plays Jimi Hendrix (2010). É muito legal!

Qual disco você curte, mas tem vergonha de admitir?

Eduardo Machado: (Risos)... putz... agora você pegou pesado....(Risos).
Na verdade não tenho vergonha, mais às vezes dependendo da situação gosto de escutar Milionário e José Rico... tenho todos..rsrsrs... eles tiveram uma fase do “sertão progressivo” que é bem legal.... vc já assistiu o filme deles? Lembra Hermes e Renato.... é demais.

Eduardo quero agradecer a oportunidade da entrevista , sem dúvida uma chance de conhecer o seu trabalho e um pouco da sua história e trajetória musical. Desejo muito sucesso para você ! Grande Abraço !

Site Oficial: Eduardo Machado

terça-feira, 6 de abril de 2010

Entrevista Exclusiva: Numismata


Por Daniel Argentino e Marcello Lopes

Como é bom ouvir um som inovador e de qualidade. Às vezes passamos muito tempo a procura disso e quando encontramos a sensação é uma só: Divulgar isso para o maior número de pessoas. E aconteceu comigo quando descobri o som da banda Numismata. Na época que divulguei aqui no Blog Jazz e Rock o CD “Chorume”, eu disse que a banda era uma das grandes surpresas da nova geração da música brasileira, o que me chamou atenção foi o som, era inovador, diferente de tudo que eu conhecia no cenário nacional, tinha samba e MPB, com uma pegada de rock e efeitos psicodélicos, depois prestei atenção nas letras, todas bem elaboradas e inteligentes. Enfim, desde então passei a divulgá-los da melhor maneira possível, não poderia ouvir sozinho, pois seria egoísmo da minha parte. Depois de um tempo pensei em tentar uma possível entrevista, seria outra maneira de divulgar e conhecer melhor a história deles. Logo no primeiro contato fui muito bem atendido pela Pamela Leme (Assessora de Imprensa) e ela contribuiu de forma positiva para que a entrevista fosse realizada.

Quero deixar meus agradecimentos a todos os músicos da banda Numismata, em especial aos guitarristas Adalberto Rabelo Filho e André Vilela, que separaram um tempo para atender o Blog Jazz e Rock, a Pamela Leme que me atendeu muito bem e contribuiu para que tudo isso fosse feito e claro ao Marcello Lopes, parceiro que ajudou e muito na entrevista.

E aos leitores, espero que gostem da entrevista está imperdível e claro não deixem de conhecer o som do Numismata.

JR - O Numismata apareceu no cenário musical como uma banda diferenciada, com característica própria e som ousado. Fale um pouco sobre a história banda, como vocês se conheceram e como surgiu a idéia de formar o Numismata. Antes da banda, o que vocês faziam?

André Vilela – A banda original tinha o Carlos H., o Adalberto e o Russo, que saiu e voltou depois. Eu já conhecia o Adal, que me chamou em 2002 e eu trouxe o Piero comigo.

Adalberto – Bom, a gente se conhece de diferentes épocas da vida, mas se uniu pelo propósito comum de tocar música que a gente ache boa e se divertir com isso. O André e o Piero se conhecem faz um tempão e tiveram uma banda juntos, o “Amarelo Piscante”. Eu, o Carlão e o Russo também tivemos uma banda juntos, chamada “Mal Secreto”. O primeiro batera, o Falcão, era o batera da minha banda de rock, o “aardvark”, e o Felipe tocou com o Piero no “Piap”, que eu me lembre.

Acho que a diversidade é a marca registrada da música de qualidade, por isso é uma formação que demanda muito trabalho, mas é ao mesmo tempo muito prazerosa, porque não há como a gente seguir a convenção de um gênero específico, já que cada um é um “especialista” num tipo de linguagem e seria, eu creio, uma burrice tremenda ao invés de exacerbar o potencial dessas pessoas, tolher o seu talento criando limitações de gênero.

Essa questão de ser uma banda diferenciada é bastante subjetiva – eu realmente acho que a gente é, com todas as nossas peculiaridades, mas muitas vezes fomos jogados à revelia no balaio do “indie-samba”. Se a gente conquistou, espera-se, com nosso som, a nossa independência de rótulos, é porque a gente deve estar fazendo algo certo, não?

Essa coisa de se colocar sob a sombra de um grande nome todo um leque de artistas de diferentes gêneros é uma coisa recorrente e muito prejudicial aqui no Brasil. Inclusive pra banda merecedora da consagração, que acaba tendo que atender a expectativas irreais.

JR - Quais são as influências musicais dos membros da banda?

Adalberto – Olha, é a coisa mais difícil de definir. Pra falar a verdade, somando os gostos específicos de cada membro da banda, não há um gênero musical que não influencie a gente.

André – Não saberia dizer o quanto essas influências ajudam a entender o som da gente. Eu tenho ouvido muito jazz.

JR - E como foi reunir todas essas influencias e chegar a um consenso em relação ao som do Numismata?

André – De uma maneira positiva, nosso som não busca consenso, busca diversidade, mesmo. Por isso o “Chorume” é como é.

Adalberto – A gente tem, sim, um consenso dentro da banda: de que só existem dois tipos de música, como diria o Tião Carreiro, a boa e a ruim. E a gente respeita a liberdade de cada um interferir no processo, porque sabe do potencial de transformação daquela parada. Isso porque a gente acredita naquele velho exemplo do iPod: se no meu iPod tem Slayer, Paralamas, Beck, Yma Sumac, sei lá mais o que, isso tem de transparecer na arte que eu produzo. Qualquer outra maneira seria censura, e a pior de todas: a auto-imposta.

JR - O primeiro álbum, "Brazilians on the Moon", foi lançado em 2003 e por um selo independente. Quais foram as principais adversidades que vocês encontraram para que esse projeto fosse realizado?

Adalberto – Milhões. Gravar, mixar, lançar, chegar ao público consumidor, ao chamado público-alvo, resistência da mídia, falta de canais de divulgação, de casas de show pelo Brasil, de infra-estrutura. A gente só conseguiu um bando de coisa “with a little help from our friends”, como o Bussab, que sempre curtiu nosso som e apostou na gente, depois a galera da Agência Alavanca e o pessoal da Pimba!.

JR - Ainda sobre o primeiro álbum, vocês contaram com participações especiais de músicos e compositores, entre eles Skowa, Jards Macalé e da cantora da banda de rock alternativo Ludov, Vanessa Krongold. Sem dúvida, foi um grande troca de informações, afinal são músicos de outros estilos. De que forma isso foi aproveitado por vocês?

Adalberto – A gente sempre aproveita essas chances pra aprender com quem a gente acredita que tem o que ensinar.


JR - "Chorume" é trabalho mais recente da banda. Como ele surgiu? E por que este nome? Tem algum significado?

Adalberto – Ele surgiu há dez mil anos atrás, quando a gente ainda estava lançando o Brazilians. Prejuízo, a música que o melodia gravou, a gente já tocou no MAM na nossa estreia. Chorume é uma palavra legal, porque é uma palavra comum da língua portuguesa, mas de pouco uso corrente. Então, muita gente pode ouvir e achar que se trata de choro, mesmo, de tristeza. Também tem esse significado da opulência, que é meio a cara do disco, recheado de arranjos e detalhes. Tem essa história de ser também o suprassumo do lixo, o "melhor" do lixo, a parte que se aproveita de alguma forma como combustível. Acho saudável essa conotação irônica, acho que se levar muito a sério toda hora é uma coisa nada a ver.

JR - No "Chorume" vocês também tiveram participações de vários músicos, mas fale sobre a importância de ter Luiz Melodia envolvido nesse trabalho. Como surgiu o convite?

Adalberto – Importância total, né? O cara é um professor de música. Não é pagação de pau, no sentido de babar ovo, não. É aquela coisa: se o cara fosse um advogado bom pra caralho e você estudasse Direito, você não ia querer ter aula com ele na São Francisco? Acho que conhecimento nunca é demais, a gente tem sempre o que melhorar, o que acrescentar. Não pode ficar com pudores, não, nem achar que existe algum problema em se aproximar desses caras, com medo de ser desmerecido porque está dando uma de fã e não de músico. Aprender com o Melodia é coisa de músico.

O convite foi um barato: eu estava conversando com Jards Macalé depois de um show que ele fez com o Melodia. Então o Melodia entra no camarim e eles começam a bater papo, dar risada. No meio da conversa, o Macalé falou para Melodia, daquele jeito dele: "Esse aqui (apontando pra mim) é roqueiro. Tudo maluco, saca? Gravou 'Mal Secreto' no disco do Numismata, eu cantei com eles, uma versão moderníssíma, precisa ouvir!'. Nessas, o Melodia virou e disse: "Me convida também!", e eu: "Sério?", e ele, batendo no pescoço: "Claro, cara! Negão aqui tem gogó!" Caímos na risada e eu falei: "Olha, cara, eu vou ser chato, hein, é sério mesmo essa história, podemos combinar?", e ele, com cara de sério: "Mas é claro, tá me tirando?". Praticamente uma intimação. E ele nem tinha ouvido Numismata ainda, eu acho.

JR - “A Vida Como Ela é” é, na minha opinião, uma das músicas mais irreverentes e divertidas. Como surgiu essa ideia de incluir uma marchinha de carnaval álbum?

Adalberto – Não foi caso pensado, não. A gente compôs a música, adorou e falou: vamos gravar essa com a Alcina (com quem a gente já tinha tocado no projeto Circuito Original e no disco dela, o Maria Alcina Confete e Serpentina)? E rolou!

JR - Qual a opinião de vocês em relação ao download de músicas? Isso ajuda ou atrapalha o músico?

André – Bom, o mercado de música mudou mesmo. Os downloads seguem o esquema de divulgação boca-a-boca e fita K7 que sempre existiu. Acho que as redes só potencializaram isso em larga escala e as iniciativas individuais invaidaram o mercado. Se fosse fácil gravar uma fita K7 e dividir com todos os amigos pelo correio, isso já teria acontecido há muito tempo. No nosso caso, sem isso, com certeza seríamos muito menos conhecidos.

Adalberto – Não sei se eu tenho uma opinião formado a respeito disso. Do meu ponto de vista, parece que ajuda, mas não sei mensurar, eu não sei quanto tem de dispersão, o quanto isso, por outro lado, no sentido de dar a mesma relevância a propostas com qualidades diferentes, não acaba por nivelar um pouco por baixo.

Eu sei que é um processo democrático e tal, e que, nesse ponto, a coisa é bacana, porque eu ainda não conheço sistema mais justo que a democracia, mas justamente por eu achar que essa coisa da distribuição gratuita desse conteúdo ainda é um processo em formação, e não um sistema já fechado, é que eu não consigo definir qual é que é o papel exato do download. Por isso, peço perdão e sigo o caminho do meio, que parece ser sempre o mais adequado: nem tanto ao céu nem tanto à terra.

Dito isso, eu acho do caralho saber que tem alguém na Nova Zelândia ou em Burkina Faso que pode, nesse exato momento, estar ouvindo Chorume no laptop, mesmo sem entender patavina do que a gente tá cantando, bastando apenas alguns minutos para ter acesso ao nosso disco.

JR - Como vocês vêem o cenário musical brasileiro atual?

Adalberto – Com bons olhos. Tem muita gente bacana aí aparecendo, mas ainda penso que dá pra ser melhor, ainda mais forte, ainda mais intenso, ainda mais ousado.

André – Só acho uma pena que seja tão difícil a convivência entre produções novas e maravilhosas e os artistas consagrados. Mídia brasileira tem uma mania provinciana de insistir em medalhões. Tem que redimensionar o espaço.

JR - Quais os planos do Numismata para o futuro?

Adalberto – Gravar, compor, tocar, se divertir, não necessariamente nessa ordem.

Nas últimas entrevistas, inauguramos uma nova coluna no blog. É uma cópia descarada de uma coluna da Cover Guitarra. Indo direto ao ponto:

JR - Pra vocês, qual é o melhor álbum da história?


André – Ih. Não dá pra escolher, desculpa. Mas o Latin America Suite, do Duke Elington, me veio à cabeça. Eu poderia apontar mais 100, no mínimo.

Adalberto – Putz, impossível responder. Numa outra entrevista citei o Odelay, do Beck, como representativo da nossa visão. Dylan, Chico, Caetano, Tom Zé, Miles Davis, Beatles, isso é hours concours, não tem graça falar, é patrimônio da humanidade, já. Então, hoje tô afim de citar o primeiro do Stone Roses. Puta discaço! “Elephant Stone”, com a produção do Peter Hook, é foda demais.

JR - Qual disco vocês ouviram bastante na última semana?

André – Nesta semana, ouvi Wes Montgomery e Brian Setzer Orchestra incansavelmente.

Adalberto – Eu ouvi pra caramba Johnny Cash: American VI, Free Ride, de Dizzy Gillespie e Lalo Schifrin, Clube da Esquina, Heavy Ghost, de DM Stith, Them Crooked Vultures, Among My Swan, de Mazzy Star, Caipira, de Rolando Boldrin, Dois Cordões, de Alessandra Leão, e Severino, dos Paralamas do Sucesso.

JR - Qual disco vocês curtem, mas tem vergonha de admitir?

Adalberto – Bom, eu não tenho vergonha de admitir nada, não.

André – Não também não tenho vergonha de admitir nada em matéria de musica. Mas talvez atenda à sua pergunta eu dizer que adoro o primeiro do Rigth Said Fred. Acho genial.


Site Oficial: Numismata
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quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Entrevista: João Alexandre

Por Daniel Argentino e Igor Almeida

João Alexandre é violinista, cantor, compositor, arranjador e produtor musical. É um dos grandes nomes da música cristã no Brasil, sua música é rica em todos os sentidos, explora o samba, jazz e a bossa nova,e nas letras aborda diversos temas em relação ao mundo, à fé e ao cotidiano das pessoas, sempre trazendo uma mensagem positiva e de conforto. Muitas vezes contestado, por falar a verdade e expor o que pensa através da música. Para nós do Blog Jazz e Rock, foi uma honra poder entrevista-lo, confira abaixo e conheça um pouco mais sobre a vida, a carreira e os projetos desse grande músico brasileiro.

JR - João, conte-nos como foi a sua trajetória na música?

João A. - Primeiramente, obrigado por este espaço tão precioso e distinto também.Comecei a ter contato com a música muito cedo, aos 9 anos de idade, cantando e meu primeiro contato com um instrumento, pra valer, foi na fanfarra da minha escola, tocando corneta e depois trompete, dá pra acreditar?

Praticamente nasci dentro da igreja e acho que só não nasci lá, literalmente falando, porque no dia não tinha nenhuma reunião. Sempre ia com minha mãe e lá passei a tocar bateria, com 12 anos, quando ganhei meu primeiro violão e um método do Paulinho Nogueira.Método na mão e violão me levou a seguir estudando, sempre sozinho, lendo os acordes e encadeamentos e me aventurando em busca de onde deveria utilizar aquilo tudo!. Daí, como já tinha "jeito pra coisa", meu ouvido foi sendo treinado por tabela, ouvindo músicas de cantores e bandas de todo tipo e procurando no braço do violão como tocá-las.Com o passar do tempo, comecei a ouvir e identificar os timbres dos outros instrumentos todos, o que me levou a entender as sonoridades das canções!

Isso me ajudou no meu trabalho como arranjador e me fascina até hoje, motivo pelo qual sou vidrado em trilhas sonoras, Ênio Morricone, John Williams, Dave Grusin, etc.

JR - Quais são suas influências musicais? E o que você costuma ouvir no dia-a-dia?

João A. - Tem muita coisa que forma o "ouvido" da gente, não dá pra fugir nem das coisas ruins, justamente pra não fazer igual, certo? .Não sou muito de ouvir Música sem parar, gosto do silêncio pra reciclar meu ouvido!

Se tiver que ouvir música, destaco Dori Caymi, Take 6, Cézar Camargo Mariano, Steve Wonder, Tony Benet, Martinho da Vila, Ivan Lins, Claúdio Nucci, Dianna Krall, The Singers Unlimited, Joshua Redman, Brian Blade, James Taylor, Yelow Jakets, Oscar Peterson, Almir Sater, etc. Dá pra perceber que gosto de tudo um pouco!!

JR - “É Proibido Pensar” caiu feito uma bomba no meio gospel, afinal você teve coragem de falar a verdade e de forma inteligente, como você lidou com a repercussão?

João A. - Ainda lido, embora faça mais de um ano e meio que foi gravada!
A ironia é sempre uma boa fórmula pra dizer certas verdades, sem ser arrogante, certo?

O problema da superficialidade é que, quem se torna "epidérmico", acaba nunca mais mergulhado em nada, enxergando só o que todo mundo enxerga e levado pela correnteza da mediocridade e do pensamento de alguém mais esperto que o escraviza quase para sempre, infelizmente! Parece difícil de entender, mas não é!

Mas, o site Crer e Pensar tem uma boa entrevista sobre essa música que vale a pena ser lida!

JR - Você escreveu há poucos anos atrás um livreto, que você fez em parceria do Luciano Garruti, chamado “Músico, profissão ou ministério”. Conte-nos o porquê da motivação de criar o livro. E pra você, músico é PROFISSÃO OU MINISTÉRIO?

João A. - Qualquer profissão pode se tornar um ministério, mas essa iniciativa tem que partir da vontade do profissional, nunca deve ser imposta pela Igreja, já que Deus só ama a quem dá com alegria!!!.

JR - A partir do álbum “Voz e Violão”, você decidiu bancar seus CDs por conta própria, quais foram às vantagens e desvantagens após esta decisão?

João A. - Deixei de ser o passarinho da gaiola, pra ser o passarinho da floresta! O primeiro recebe comida do dono, mas vive preso numa gaiola, coitado! O segundo tem correr atrás da comida, mas voa livre, tem todo o Céu pra se aventurar e voa pra onde quer!

JR - Você é produtor musical e tem o seu próprio estúdio de gravação, na sua opinião ainda é possível o músico sobreviver apenas com venda de CDs ?

João A. - Creio na provisão divina, no sustento que vem de Deus, que abençoa as nossas vidas com o suficiente pra cada um!. Me preocupo em sustentar minha casa de forma digna e séria, sem levar o dinheiro para o lado só do objetivo, mas tratando-o como consequência de meu trabalho! Os CDs podem estar com os dias contados, assim como nossas vidas, tão passageiras, mas a música sempre renasce do coração de Deus para o coração do homem, que, se honrá-la com carinho, há de ser abençoado e sustentado por Deus!. Dito isso, agradeço a Ele pelas pessoas que acreditam em meu trabalho e potencial e entregam suas canções pra que eu as arranje e grave em meu humilde home estúdio!.

Respeito e trato com carinho, todos aqueles que me procuram, pois o nome deles, o meu e o nome de Jesus estão em jogo na hora de produzir uma canção, seja ela singela ou complicada.

JR - Você faz workshops e seminários nas igrejas, correto? Conte-nos um pouco sobre como funciona esses workshops e como tem sido o aceitamento desse tipo de trabalho? A igreja tem aceitado o fato de ser importante investir nos músicos?

João A. - A Igreja ainda não sabe lidar com o fato de a Música, assim como qualquer outra forma de Arte, ser também serviço e, portanto, digna de sustento e valorização em todos os aspectos. Esses seminários abrem caminho para que as lideranças e os músicos e artistas profissionais e leigos também, possam abrir uma possibilidade de diálogo mais consistente em termos de como honrar os que trabalham nesta área tão mal resolvida em nossos dias.


JR - O disco “Família” conta com uma mistura enorme de ritmos e sabores. No entanto o tempero que sobressai é o JAZZ, bem mais que em qualquer outro cd seu. Conte-nos como foi o processo de gravação do disco – como foi gravar com a família e como foi lançar um disco bem mais “elétrico” que seus anteriores?

João A. - Um prazer muito grande, principalmente por contar com o talento de tantos músicos competentes nesse CD, que aborda temas familiares! Minha família sempre fez parte de meu trabalho e é uma das marcas de minha identidade musical também! Uma honra ininarrável!!

JR - Como foi à gravação do novo DVD? Existiu algum apoio, patrocino, ou saiu alguma grana pro DVD fora à grana do seu bolso?

João A. - Ainda estamos em fase de conclusão, com as gravações finais envolvendo a banda toda, marcadas para Julho.

Deve sair até o final do ano, com apoio total e incondicional da UNIVESIDADE METODISTA DE SÃO PAULO, a quem serei eternamente grato. Uma pequena parte está saindo do meu bolso, mas nada perto de tudo o que eles estão me dando, graças a Deus!

Site Oficial: João Alexandre

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Entrevista: Ana Cañas


A cantora Ana Cañas bateu um papo com o pessoal da revista TPM e falou em entrevista sobre o novo álbum "Hein?" (postado recentemente no Blog Jazz e Rock). Confira abaixo o artigo da revista na integra.
Com um pé no tropicalismo, muita guitarra e o apoio da experiência de Liminha, Arnaldo Antunes e Dadi a cantora Ana Cañas acaba de lançar seu segundo disco: “Hein?”. Batemos um papo com a cantora para saber mais sobre como está sendo essa nova fase, além de outras curiosidades.

Revista TPM: Este cd é bem diferente do anterior, o que mudou?

Ana Cañas: Na verdade, não houve uma “mudança”. Esse disco novo traz uma descoberta nos palcos da estrada do show Amor e Caos. Interpretando músicas de Cazuza, Raul Seixas, Itamar Assumpção e o próprio Gilberto Gil (Chuck Berry Fields Forever é uma música que entrou nesse show) senti que tinha um lado meu que não estava exposto no primeiro disco. Depois de ouvir muitos: “O seu show é melhor que o seu disco” saquei que tinha esse lado que eu precisava registrar num segundo momento, num próximo disco.

Revista TPM: Você tem alguma preocupação em se diferenciar das “novas cantoras” que se destacaram nos últimos anos?

Ana Cañas: Não. Tenho apenas uma preocupação: ser honesta, verdadeira. Acho que isso é o que nos torna únicos. Assim como tenho a certeza de que elas também têm essa busca.

Revista TPM: Uma música no seu cd novo fala de não fazer nada. Você consegue ficar um dia “sem fazer nada”?

Ana Cañas: Consigo ficar vários! Tem coisa melhor ou coisa mais necessária do que não fazer nada?!!

Revista TPM: Você se preocupa com a imagem que transmite para as pessoas? Como imagina que as pessoas te interpretam? Que rótulos elas usam?

Ana Cañas: Tenho a preocupação de ser real. De levar às pessoas o que estou pensando e sentindo de verdade. Se você bebeu um pouco isso pode aparecer também! Não gosto de pensar em “como as pessoas me imaginam”, mas posso ver através do olhar o que elas estão sentindo também. As pessoas não usam rótulos, não sinto isso. Pelo contrário, sinto um interesse, uma curiosidade sobre o trabalho, o que é muito bom. Todos nós podemos ter preconceitos. Estou trabalhando intensamente para transformá-los em pós-conceitos!

Revista TPM: Como surgiram as parcerias deste novo cd?

Ana Cañas: Surgiram de uma forma muito natural. Dadi, Arnaldo Antunes e Liminha são pessoas abertas, receptivas e generosas. É um privilégio contar com a “ajuda” deles! Foi muito enriquecedor sem dúvida.

Revista TPM: Você aparece como autora de muitas faixas. É dolorido o processo criativo? Como a inspiração vem pra você?

Ana Cañas: Nada dolorido! É prazeroso! Quando eu estou num boteco pé sujo na madruga, com amigos tocando, às vezes, até dormindo. Já acordei no meio da noite para escrever letra. Um bom filme, uma boa música também são muito inspiradores! Lembro que escrevi a letra de “O Amor é Mesmo Estranho” depois de assistir ao filme “Gran Torino”. O que tem a ver o cú com as calças, não sei, mais com certeza, me inspirou!

Revista TPM: Sente que composições próprias te expõe muito?

Ana Cañas: Sim. Mas esse é o lance. Temos que expor o que sentimos, muitas vezes coisas que aconteceram na nossa vida, mas de uma forma que outras pessoas também possam se identificar. É sempre um desafio delicioso fazer uma música.

Revista TPM: Já se sente famosa?

Ana Cañas: Não. Mas sinto que existem pessoas legais acompanhando o trabalho com muita atenção, e de forma carinhosa.

Revista TPM: O que você escutava quando era mais nova que não consegue mais ouvir?

Ana Cañas: Roxette. (Ah! Adolescência.)

Revista TPM: Que sons do dia-a-dia são inspiradores pra você?

Ana Cañas: Passarinho assoviando, Nina Simone, Neil Young, Iggy Pop, e uma pessoa cantando baixinho uma melodia. Isso sempre me inspira.

Revista TPM: Que disco você escutou até “furar”?

Ana Cañas: Odelay (Beck).

Revista TPM: Qual seu sonho mais recorrente?

Ana Cañas: Uma borboleta que sai da garganta das pessoas enquanto elas conversam. E sonho muito com o meu pai também (que já é falecido).

Revista TPM: Você canta pra você ou para os outros?

Ana Cañas: Para mim e para ou outros. Aprendi que não dá para amar os outros e ser amado se você não fizer isso com você e por você em primeiro lugar.

Revista TPM: O que te dá prazer ultimamente?

Ana Cañas: Vinho, cachaça, pão com manteiga. Amigos que só falam de música, Fellini.

Revista TPM: Complete a frase. Um dia feliz é um dia que....

Ana Cañas: a gente sente o amor.

Revista TPM: Que instrumento melhor complementa a sua voz?

Ana Cañas: No momento, guitarra. Estou apaixonada por elas.

Site Oficial: Revista TPM