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segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As músicas de jazz mais gravadas de todos os tempos - 1ª parte

Por Edison Junior

O Daniel e eu estávamos conversando outro dia sobre uma coisa muito legal que tem no jazz que são as inúmeras gravações que são feitas de um mesmo tema. A música de jazz tem como uma de suas características principais a improvisação. Dado um tema, os músicos começam a compor em torno dele, transformando-o, embutindo a sua própria visão e sentimento.

Mas, afinal, quais são as músicas preferidas dos músicos? Quais são as mais gravadas? Baseados no livro Glossário do Jazz, de Mario Jorge Jacques (recomendo), listamos a seguir as 10 músicas de jazz mais gravadas até 2010:


10ª) MY FUNNY VALENTINE (1.230 gravações)

Composta por Richard Rodgers e Lorenz Hart para o musical Babes in Arms, de 1937, as gravações mais notáveis de My Funny Valentine são as de Chet Baker, Frank Sinatra e Miles Davis.

 

 

9ª) STARDUST (1.266 gravações)

Essa canção foi composta por Hoagy Carmichael em 1927 e ganhou letra de Mitchell Parish dois anos depois. Foi gravada por quase todas as orquestras americanas, além de Louis Armstrong, Nat King Cole, Dizzy Gillespie e Dave Brubeck. A primeira gravação abaixo foi amadoristicamente digitalizada de um LP por mim, e é uma das melhores versões que já ouvi. Foi gravada pela banda de Lionel Hampton, na década de 30 ou 40 e eu nunca encontrei o CD. Ouça a poeira das estrelas no vibrafone de Hampton. 



8ª) ALL THE THING YOU ARE (1.267 gravações)

Composta em 1939 por Jerome Kern e Oscar Hamerstein II, foi escrita para o musical Very Warm for May. Alguns dos que a gravaram foram Tommy Dorsey, Artie Shaw, Dizzy Gillespie, Django Reinhardt e Keith Jarrett.




Continua…

sábado, 21 de maio de 2011

Coluna de Nelson Motta sobre Miles Davis.

Ontem (20) no Jornal da Globo, Nelson Motta comentou em sua coluna sobre o mito chamado Miles Davis. Quem assistiu, poderá assistir novamente, quem não viu, aproveite. O fato é que nunca é demais falar sobre Miles Davis. Se Miles Davis estivesse vivo estaria completando 85 anos, no próximo dia 25. Sem mais delongas, segue abaixo o texto e o video da coluna do Nelson Motta.

Trompetista Miles Davis reinventou o jazz misturando diferentes estilos.

Marrento, doidão e imprevisível, seu trompete genial foi um sopro de renovação permanente do jazz.

Os 85 anos de Miles Davis é uma ótima oportunidade para os fãs, celebrarem a glória de Miles sua glória. Marrento, doidão e imprevisível, seu trompete genial foi um sopro de renovação permanente do jazz, com as suas fusões com o Funk, o Rock, a Bossa Nova, a música clássica e o Hip Hop. Veja o vídeo.



Créditos por upar o video: kikoandrade01
Fonte: Globo.com

terça-feira, 10 de maio de 2011

Miles Davis

1986 - Tutu
Gênero: Jazz / Funk



É inevitável falar de Miles Davis e não rasgar elogios a ele. Sempre disse que o trompetista era um músico a frente do seu tempo, a impressão que dava, era que enquanto os outros músicos estavam planejando algo novo, Miles já estava tocando. Ele tinha o dom de fazer com que a música se sujeitasse a sua vontade de criar e inovar, foi assim em todos os momentos da sua carreira, na criação do cool jazz, do fusion e quando introduziu novos elementos como o rock e hap, tudo mesclado ao jazz.

O álbum “Tutu” (1986) é mais uma obra prima na carreira do Miles Davis e como sempre, traz um som inovador. Produzido por Miles Davis e pelo baixista Marcus Miller, o álbum causou um impacto no meio jazzístico, já que Miles optou pelo uso de elementos e instrumentos eletrônicos, como a bateria e sintetizadores. O trompetista também contou com músicos experientes, como o já citado Marcus Miller (baixo, clarinete, sintetizadores, sax soprano, entre outros), John Miles (sintetizador), Paulinho da Costa (percussão nas faixas: 1,3,4 e 5), Adam Holzman (sintetizador na faixa 5), Steve Reid ( percussão na faixa 5), George Duke ( trompete na faixa 5, entre outros), Omar Hakin (bateria e percussão na faixa 2), Bernard Wright (sintetizadores adicionais nas faixas 2 e 7), Michal Urbaniak (violino elétrico na faixa 7) e Jabali Billy Hart (tambores e bongos).

No repertório apenas oito canções, nas quais Miles esbanja todo seu talento criativo, com uma variedade impressionante de sons, e que apesar da aparente confusão, não demora muito para perceber que tudo foi colocado com a precisão que só o trompetista possui. Destaque para “Tutu”, que começa com umas batidas eletrônicas, em seguida o trompete entra acompanhado pelo groove do baixo, a música parece ter sido criada naquele momento, com Miles fazendo solos curtos e precisos, enquanto Marcus Miller o acompanha de perto e ao mesmo tempo com uma linha de baixo sensacional e com muito groove, no decorrer da música, aparece alguns elementos de percussão e a batida eletrônica ao fundo. “Tomass” já é bem diferente, aqui os elementos eletrônicos aparecem claramente, com Miles Davis solando em meio as batidas, até que a música desenrola para um ritmo funkeado, mais sem deixar as batidas eletrônicas de lado. “Portia” começa com o som do sintetizadores e a batida eletrônica, no decorrer da música novos elementos são adicionados, sempre acompanhados do trompete preciso de Miles e o baixo marcante de Marcus Miller. “Backyard Ritual”, escrita pelo tecladista George Duke), tem uma sonoridade que reflete o espirito do álbum, com batidas eletrônicas ritmadas e o uso de sintetizadores, enquanto Miles cria melodias com seu trompete, muitas delas com uso de notas curtas. “Perfect Way”, uma música do grupo pop Scritti Politti, que também traz o uso das batidas eletrônicas e dos sintetizadores, com um toque de pop anos 80, muito interessante. “Don’t Lose Your Mind” começa com uma batida eletrônica diferente, que lembra bem os efeitos sonoros dos anos 80, na sequencia o que presenciamos é um groove com forte influencia do reggae, com Miles solando muito bem e Michael Urbaniak solando no violino eletrônico. O álbum encerra com a funkeada “Full Nelson”, uma música que mescla o funk com batidas eletrônicas. Essa canção foi feita em homenagem ao Nelson Mandela.

Não é difícil de imaginar o impacto que esse álbum do Miles Davis causou no cenário jazzístico e principalmente entre os fãs do gênero, basta ouvi-lo para tentar entender. Por ser um músico a frente do seu tempo, Miles realmente não poderia se prender ao que estava sendo feito na época, e por isso a cada álbum que ele lançava, era sinal de novidade a caminho. Além disso, o álbum Tutu (1986) é um tributo ao ganhador do prêmio nobel da paz, o bispo sul-africano, Desmond Tutu.

Tutu é um álbum para aqueles que apreciam as experiências do Miles Davis, se você faz parte desse grupo, Tutu é uma excelente pedida. Boa Audição.

Track

01. Tutu
02. Tomaas
03. Portia
04. Splatch
05. Backyard Ritual
06. Perfect Way
07. Don´t Lose Your Mind
08. Full Nelson

Miles Davis - "Tutu" (Live)


Site Oficial: Miles Davis

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Miles Davis

1992 - Doo-bop
Gênero: Jazz / Funk / Hip Hop


Falar sobre Miles Davis tem sido um prazer muito grande, principalmente por que através da sua música consegui entender melhor o jazz e principalmente no que diz respeito a suas vertentes. Por isso não poderia deixar de falar do álbum “Doo-Bop” (1992), o último lançando por Miles Davis.

Como sempre digo nas postagens do Miles Davis, ele foi um inovador, criou vários estilos de jazz, como por exemplo, o fusion, cool jazz, o jazz-rock, entre outros. Durante toda sua carreira, Miles Davis sempre buscou algo novo, levou muita critica por isso, mais em nenhum momento pensou em desistir, pelo contrário, a cada novo álbum, o trompetista surgia com algo novo. Para o seu último álbum, estava claro que não seria diferente, “Doo-Bop” foi lançado em 1992, um ano após a morte do trompetista. Nesse álbum Miles Davis fez algo praticamente improvável, ele criou a fusão entre o jazz, funk e o hip hop, o resultado foi uma sonoridade que ninguém conhecia e que sequer pensavam em tentar criar. “Doo-Bop” traz nove músicas, sendo as “Fantasy” e “High Speed Chase” póstumas, ambas foram criadas a partir de pré-gravações feitas por Miles Davis. O álbum foi produzido pelo rapper Easy Mo Bee, que também fez participação nas músicas, juntamente com AB. More Jr. No repertório a excelente “Chocolate Chip”, onde a bateria dita o ritmo, acompanhado pelo som inconfundível do trompete de Miles Davis, “Mystery” é mesmo misteriosa, uma música que começa com uma pegada funkeada, enquanto Miles executa pequenos solos no trompete, “High Speed Chase” é um pouco mais agitada que as outras, possui uma batida contagiante e rápida, novamente Miles Davis esbanja habilidade no trompete, “The Doo Bop Song” segue a mesma linha das demais, com uma batida ritmada e com a pegada bem funk/hip hop, enquanto Miles manda ver no trompete.

Miles Davis não poderia ter encerrado sua carreira de outra forma, o trompetista buscou inovar a cada momento. Não só conseguiu isso, como mudou completamente a história do jazz, Miles Davis mostrou ao mundo que o jazz poderia buscar outros horizontes e se aliar a outros estilos, prova disso foram as várias fusões criadas pelo trompetista. Boa Audição!

Track List

01. Mystery
02. The Doo Bop Song
03. Chocolate Chip
04. High Speed Chase
05. Blow
06. Sonya
07. Fantasy
08. Duke Booty
09. Mystery (Reprise)

Miles Davis - "The Doo Bop Song" (Original Video)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Miles Davis

1970 - Bitches Brew
Gênero: Jazz / Fusion



Miles Davis foi um dos mais completos músicos de todos os tempos, sua colaboração na história da música pode-se dizer que é incalculável. O trompetista conseguiu criar um capitulo à parte dentro do jazz, reinventou o jazz, aperfeiçoando, adicionando novos elementos, resumindo, Miles Davis era um músico a frente do seu tempo, um camaleão musical.

Miles Davis iniciou sua carreira dentro do bebop e ao longo dos anos, usando toda sua genialidade e habilidade, o trompetista revolucionou ao criar o cool jazz, jazz modal, jazz-rock e o fusion. Pode-se dizer que a carreira do trompetista foi dividida por fases. Porém vamos nos limitar aos anos 60 e começo dos anos 70, na época, no final da década de 60 as influências do Miles Davis incluíam músicos da cena acid rock - rock psicodélico que se caracteriza por longos solos instrumentais – como, por exemplo, Jimi Hendrix e também músicos do funk, como James Brown e Sly and the Family Stone. Em 1969 o trompetista gravou o excelente álbum “In a Silent Way” e que já mostrava certa revolução, uma delas foi à questão dos músicos, Miles que já dispunha de um quinteto, resolveu aumentar o numero de músicos e para isso trouxe os pianistas/tecladistas Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul, o guitarrista John McLughlin e o saxofonista Wayne Shorter. Ainda 1969, logo depois da gravação do álbum, o baterista Tony Willians deixa o grupo e entra em seu lugar o baterista Jack Dejohnette, porém essa não foi apenas a única mudança, na verdade Miles continuou chamando outros músicos.

Em 1970 Miles Davis lança o revolucionário “Bitches Brew” e que marca uma nova fase na sua carreira e na história da música. Esse álbum é uma especie de produto final, já que nos álbuns anteriores o trompetista já estava realizando algumas experiências. Em se tratando de Miles Davis, o resultado não poderia ser melhor, o jazz-rock criado pelo trompetista era algo inovador para a época, Miles teve a chance de tocar ao lado do Jimi Hendrix, infelizmente esse encontro nunca aconteceu, devido à morte do guitarrista. Com esse álbum Miles foi o unico jazzista a tocar em um festival de rock. Porém Miles Davis não apenas reforçou ainda mais o seu nome no cenário, como abriu as portas para novos músicos, como por exemplo, Jaco Pastorius (baixista), Pat Metheny (guitarrista), Chick Corea (tecladista/pianista) e tantos outros. Com a mistura do jazz com o rock, o gênero logo ganhou novos adpetos, principalmente entre os jovens. Mas nem tudo foi fácil para Miles Davis, muitos músicos da época, que não tinham uma visão do futuro, passaram a criticar o trompetista.

O álbum foi lançado na versão dupla e teve a capa desenhada pelo artista alemão Abdul Mati Kalrwein, que depois disso passou a ser requisitado por vários artistas, entre eles, Santana e Hermeto Pascoal. São 93 minutos de um jazz-rock frenético e inspirador, Miles Davis mais uma vez mostra sua habilidade em moldar a música conforme a sua vontade e claro tudo isso com o apoio dos músicos excelentes que o trompetista chamou. No repertório “Pharaoh’s Dance”, “Bitches Brew”, “Miles Runs The Voodoo Down”, entre outras.

Nos anos seguintes, Miles gravou alguns álbuns, porém essa fase foi encerrada em 1972,mas em se tratando do Miles Davis, logo deu inicio a outra fase, ainda mais controversa e revolucionária. Gostaria de falar muito mais, mais nas postagens do Miles, tento encaixar o álbum em um contexto (época), mais você pode ler a Biografia do trompetista e conhecer os álbuns da próxima fase, inclusive aqui mesmo no Jazz e Rock, você irá encontrar alguns. Boa Audição !

Disco 1

1.Pharaoh’s Dance
2.Bitches Brew

Disco 2

1.Spanish Key
2.John McLaughlin
3.Miles Runs The Voodoo Down
4.Sanctuary
5.Feio

Site Oficial: Miles Davis

sábado, 3 de julho de 2010

Perfil - Podcast: o trompetista Miles Davis, o músico de jazz mais pop da história...


Bom, pessoal, este mais um programa do nosso Podcast Farofa Moderna no Portal MTV. Neste programa me deparei com a árdua tarefa de mostrar, em uma única vez, todas as fases de um músico que iniciou sua carreira no bebop dos anos 40, foi um grande melodista em sua fase "cool", passou pelo hard bop, lançou discos com big band no estilo "third stream", iniciou o jazz modal, criou o "jazz fusion" e flertou com o rock, com o pop e até com o hip hop em sua fase final nos anos 80. Esse músico, gostemos ou não, foi e é um mito. E o nome dele é Miles Davis. Ouçam!

Charlie Parker & Miles Davis (1945-1946)
Birth of the Cool (1949)
Workin’ (1956)
Milestones (1958)
Kind of Blue (1959)
Miles Ahead (1957)
E.S.P (1965)
Nefertiti (1967)
Bitches Brew (1969)
Live-Evil (1971)
On The Corner (1972)
You're Under Arrest (1985)
Doo-Bop (1991)

Ouça aqui no Podcast MTV

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Miles Davis

1992 - Miles! Miles! Miles! (Live in Japan'81)
Gênero: Jazz Fusion



“Miles! Miles! Miles! Live in Japan´81” foi lançado em 1992, um ano após a morte do trompetista Miles Davis, e traz uma apresentação antológica desse gênio do jazz. O show em questão foi realizado em Tóquio. No repertório músicas como “Back Seat Betty”, “Fat Time”, “My Man's Gone Now” e “Jean-Pierre”. Inclusive parte da música “Jean-Pierre” que está no álbum “We Want Miles” foi retirada desse show. Miles Davis se apresentou de forma impecável, e mesmo debilitado fez de tudo em busca do seu melhor desempenho no palco, ao lado a sua banda de jazz/fusion, com Mike Stern (guittarra), Marcus Miller (baixo), Bill Evans (Sax), Cinelu Mino (percussão) e Al Foster (bateria). Um álbum memorável. Boa Audição.

Track List

CD 1

01. Back Seat Betty
02. Ursula
03. My Man's Gone Now
04. Ainda

CD 2

01. Fat Time
02. Jean-Pierre

Miles Davis "Fat Time" (Live in London'82)


Site Oficial: Miles Davis

domingo, 18 de abril de 2010

Miles Davis

1982 - We Want Miles
Gênero: Jazz Fusion/Funk


Conhecer toda carreira músical desse gênio é uma tarefa bem complicada, o motivo é a quantidade de álbuns que ele gravou e participou. Miles Davis é uma fonte de virtuosismo e mesmo não estando mais entre nós, sua música continua presente e de forma marcante.

Esse álbum é tão importante quanto o “The Man With The Horn” (1981), porque marca o retorno do trompetista aos palcos, como já disse na última postagem foi um afastamento doloroso e seu retorno foi triunfal. “We Want Miles” foi gravado em 1981 e lançado em 1982, na ocasião em um LP Duplo. O seu retorno aos palcos está retrato nesse álbum e foi gravado em três locais: Clube Boston “KIX”, Avery Fisher Hall (Nova York) e em Tóquio. Miles Davis é acompanhado por uma banda descomunal, Marcus Miller (baixo) , Mike Stern (guitarra), Al Foster (bateria), Bill Evans (Saxofone) e Mino Cinelu (percussão). O que esses caras fazem ao vivo é coisa de outro mundo, o som é intenso.

O álbum rendeu um Grammy ao trompetista, como melhor performance solo no jazz instrumental. Como disse no inicio do texto, conhecer a carreira dele por completo é muito difícil, porém a cada álbum que você descobre e ouve a sensação é de ser surpreendido, de renovação, Miles Davis proporciona isso na sua música, é como se ela tivesse vida. Abaixo publiquei dois videos da época, não é o mesmo show do álbum, mais é a mesma formação. Serve para ter uma noção de como era a apresentção do Miles Davis ao vivo. Boa Audição.

Track List

01. Jean-Pierre
02. Back Seat Betty
03. Fast Track
04. Jean-Pierre
05. My Man's Gone Now
06. Kix

Miles Davis - "Jean-Pierre" (Live at the Hammersmith Odeon, London 1982)


Miles Davis - "Back Seat Betty" (Live at the Hammersmith Odeon, London 1982)


Site Oficial: Miles Davis

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Miles Davis

1981 - The Man With The Horn
Gênero: Jazz Fusion/Funk



Considero o álbum “The Man With The Horn” como um dos melhores da carreira do trompetista Miles Davis. Como já disse em outros posts, Miles Davis é um capitulo na história do jazz, é impossível citar um e não citar o outro.

Miles Davis estava afastado dos palcos e dos estúdios por um tempo, o motivo era a sua saúde que estava debilitada por causa da bebida e da cocaína e por isso necessitava de uma recuperação. A situação em 1979 era a seguinte: Davis viu a acessão e a evolução do fusion no cenário musical, porém quando voltou a ativa seus antigos parceiros, entre eles Chick Corea, não estavam tão engajados naquela vertente e buscavam novos caminhos. Miles com toda percepção e talento percebeu uma nova safra de bons músicos e buscou um meio de trazê-los e formar novo grupo, para mais uma vez revolucionar e moldar o jazz a sua maneira.

Como nas outras vezes, Miles acertou e não decepcionou, “The Man With The Horn” foi lançado em 1981 e o resultado é um álbum de extrema qualidade e moderno. O som é impecável como sempre, com muito groove, funk e rock. O álbum começa com a explosiva “Fat Time”, o que marca nessa música é o peso e a groove feito pelo genial Marcus Miller e o trompete refinado de Miles. Já “Back Seat Beety” começa com a guitarra destorcida do excelente Mike Stern e depois alterna entre o baixo, o trompete e o teclado marcante de Robert Irving III. “Shout” é a música mais dançante do álbum e com uma performance incrível de Miles Davis e mostra que seu retorno é mesmo triunfal. O cenário musical nos anos 80 foi marcado pelo uso de teclados e sintetizadores, muitas bandas de rock usaram isso nesse período. Miles Davis também abusou desse artifício, a prova são as músicas “Ainda” e “Man With The Horn”, destaque para Marcus Miller, que apresenta uma linha de baixo bem interessante e claro Miles por encaixar o som do trompete de maneira tão precisa. Por fim “Ursula” que começa com uma pequena intro de baixo e depois o trompete de Miles se sobrepõe, são mais de 10 minutos de pura viagem musical.

É por tudo isso que considero esse álbum como um dos melhores da carreira de Miles Davis. Apesar de ter ficado afastado e nas dificuldades que encontrou no seu retorno, o trompetista se mostra como sempre inovador, Miles tem o controle total sobre a música, ao ponto de moldá-la conforme o sua vontade e como num passe de mágica ela se mostra submissa. Depois desse álbum o trompetista continuou trilhando esse caminho e lançando excelentes trabalhos, que mais para frente vou postar aqui. Por enquanto é isso. Boa Audição ! E não esqueça de deixar um comentário.

Track List

01. Fat Time
02. Back Seat Betty
03. Shout
04. Aida
05. The Man With The Horn
06. Ursula

Miles Davis - (Trompete)
Marcus Miller - (Baixo)
Bill Evans - (Saxofone Soprano)
Mike Stern - (Guitarra)
Robert Irving III - (Sintetizadores)
Al Foster - (Bateria)
Sammy Figueroa - (Percussão)

Site Oficial: Miles Davis

segunda-feira, 1 de março de 2010

Miles Davis

1950 - Birth Of The Cool
Gênero: Jazz/Cool Jazz



É impossível falar de jazz sem ao menos tocar no nome do trompetista Miles Davis. Existe uma ligação que está muito além do nosso entendimento, um completa o outro, é algo raro no meio musical, sendo que isso está reservado apenas a um grupo seleto, aonde Miles Davis ocupa um lugar de honra. “Birth of The Cool” é mais uma prova disso. Aproveito para agradecer mais uma vez o Edison Junior por outra contribuição fantástica.

Que Miles Davis revolucionou o jazz, isso não é novidade. Se o cool jazz existe hoje foi por causa do trompetista. Essa vertente do jazz é caracterizada por ser associada a músicas mais cadenciadas e curtas com notas melódicas e um tom de melancolia. Mais como toda regra tem a sua exceção, com o tempo o próprio Davis se encarregou de fazer adaptações ao gênero.

“Birth of the Cool” (Nascimento do Cool) é a primeira obra-prima e foi lançado quando Davis tinha apenas 24 anos, não precisa dizer que o álbum entrou para a história do jazz né. Anos antes Miles estava no quinteto do saxofonista Charlie Paker, porém como todo gênio, o trompetista buscava novos desafios, foi então que em meados de 1947, ele montou o seu próprio grupo e assim pode trabalhar em novos experimentos. O álbum foi gravado em três sessões durante janeiro de 1949 e março de 1950. Na ocasião apenas Miles Davis e os saxofonistas Gerry Mulligan e Lee Konitz participaram das três sessões. A formação do noneto contava com o excelente baterista Max Roach, além do também baterista Kenny Clark, o trombonista J.J Johnson, o pianista John Lewis, entre outros. O pianista Gil Evans tem uma grande parcela nessa obra-prima, principalmente na produção e juntamente com Mulligan e John Lewis nos arranjos.

Miles Davis é um revolucionário nato, provou que poderia ir além e inovou, seu trompete soava diferente e com isso encontrou uma nova maneira de expressar seus sentimentos, agora cada nota era breve e não mais em um ritimo frenético, elas eram melódicas, suaves e continuam sofisticadas. Apesar de trazer um pouco do bebop, Miles utilizou como quis e deu a forma que achou necessário para que seu novo experimento ficasse ao seu gosto. Outro ponto que vale ressaltar é em relação ao tempo das músicas, no cool jazz a redução é significativa, porém a genialidade de Davis permite a sua adaptação e o controle do tempo.

“Birth of The Cool” é um álbum obrigatório para todos os amantes do jazz e admiradores do trompetista Miles Davis. Boa Audição !

Track List

01. Move
02. Jeru
03. Moon Dreams
04. Venus de Milo
05. Budo
06. Deception
07. Godchild
08. Boplicity
09. Rocker
10. Israel
11. Rouge
12. Darn That Dream (voc, Kenny Hagood)

Site Oficial: Miles Davis

sábado, 9 de janeiro de 2010

Miles Davis

1959 - Kind of Blue
Gênero: Jazz



Como descrever um gênio? Como falar da sua maior obra prima? Difícil é encontrar as palavras certas para comentar um álbum dessa magnitude. Miles Davis foi um gênio, um músico que sempre esteve à frente do seu tempo, ele visualizava o futuro, foi considerado uns dos músicos mais polêmicos do jazz, mais isso só serviu para abrilhantar ainda mais sua carreira. O trompetista ditou a regra de uma geração e foi ousado em tudo que se propôs a fazer. Do bebop ao hip hop, flertando com rock e o funk, Davis usou e abusou de tudo para compor suas canções.

Nascido no dia 26 de maio de 1926 em Alton, seu contato com o trompete e a música começaram muito cedo, aos 13 anos. Seu currículo é invejável, além de influenciar músicos de todas vertentes do jazz e de outros estilos, Davis foi um dos maiores representantes do cool jazz, jazz modal e jazz fusion. Davis não só representou, mais foi além, ele moldava estilos inteiros.

Em 1959 Miles surge com a sua maior obra-prima, o álbum “Kind of Blue”. Começando pelo sexteto genial, um verdadeiro grupo dos sonhos, formado por, John Coltrane (saxofone ternor), Julian “Cannonball” Adderley (saxophone alto), Bill Evans (piano), Paul Chambers (contrabaixo) e Jimmy Cobb (bateria). Miles simplesmente reuniu o que havia de melhor na época, era uma espécie de galácticos do jazz, imbatíveis.

O álbum é puro improviso, complexo e divino, não existem palavras para descrever, o sentimento flui à flor da pele, a impressão que passa é que cada nota foi colocava com a precisão de um cirurgião. “Kind of Blue” soa maravilhosamente bem na primeira audição, depois com o tempo, você começa a prestar atenção na complexidade de cada canção, desde a faixa "So What" até a genial “All Blues”, o sexteto parece brincar com as notas, como um time de craques, é consistente e matador.

“Kind Of Blue” completou recentemente 50 anos e para comemorar o aniversário a Columbia/Legacy, uma divisão da Sony, lançou uma edição para colecionadores, que inclui dois Cds do álbum original, mais versões alternativas que não saíram neste álbum (clássico).

Miles Davis morreu há exatos 19 anos, porém sua obra permanece viva, está presente em vários lugares do mundo e continuará realizando seu maior propósito, saciar a sede dos amantes do jazz e influenciar novas gerações. Boa Audição !

Track List

01. So What
02. Freddie Freeloader
03. Blue In Green
04. All Blues
05. Flamenco Sketches (Bônus)

Miles Davis and John Coltrane "So What" (Live)


Site Oficial: Miles Davis

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Um gênio chamado Miles Davis

Não é exagero dizer que no jazz nenhum outro músico foi tão intimista e tão perfeito quanto Miles Davis. Seu toque era puro e influenciou várias gerações. Ele não parava de se reinventar. Um divisor de águas na música.




Confira o programa "Arquivo N" da Globo News, que foi ao ar dia 02/12/2009. Uma edição especial sobre um dos maiores músicos da história, o trompetista Miles Davis. O programa traz relatos de músicos consagrados, como Ed Motta e Herbie Hancock e também relembra a trajetória do trompetista.

E um obrigado especial para minha noiva, pois foi quem me enviou a matéria.

Abraço.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Miles Davis

1960 - Walkin': A Jazz Hour with the Miles Davis Quintet
Gênero: Jazz



Após o sucesso do álbum "Kind of Blue", que trazia um seleto grupo, Miles teve dificuldades para definir um saxofonista para seus shows. Entre os músicos que tocaram com Miles naquela época estava o saxofonista Sonny Stitt. Stitt não chegou a gravar com Miles, apenas participando brevemente do grupo em apresentações ao vivo em 1960. Essa participação pode ser conferida no álbum "Walkin': A Jazz Hour with the Miles Davis Quintet". Infelizmente neste cd não há informações sobre a locação do show ou mesmo se as músicas foram executadas numa única apresentação.

Track List

1. Walkin'
2. Autumn Leaves
3. So What
4. 'Round Midnight
5. All of You

Pessoal

Miles Davis - trumpet
Sonny Stitt - alto and tenor sax
Wynton Kelly - piano
Paul Chambers - bass
Jimmy Cobb - drums

Site Oficial: Miles Davis

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Miles Davis

1956 Prestige Recordings
Gênero: Jazz



O histórico primeiro grande quinteto de Miles Davis, com John Coltrane, Red Garland, Paul Chambers e Philly Joe Jones, durou do final de 1955 a meados de 1957, e deixou um material memorável gravado. Em 1956 o quinteto fez algumas sessões na Prestige Records, as quais deram origem a quatro LPs divinamente executados. "Relaxin", "Cookin", "Workin" e "Steamin with the Miles Davis Quintet" tornaram o grupo famoso e estão entre os álbuns essenciais para os fãs de Miles e do jazz em geral.

Cookin' with the Miles Davis Quintet

1. My Funny Valentine
2. Blues By Five
3. Airegin
4. Tune Up/When Lights Are Low



Relaxin' with the Miles Davis Quintet

1. If I Were A Bell
2. You're My Everything
3. I Could Write A Book
4. Oleo
5. It Could Happen To You
6. Woody'N You



Workin' with the Miles Davis Quintet

1. It Never Entered My Mind
2. Four
3. In Your Own Sweet Way
4. The Theme (Take 1)
5. Trane's Blues
6. Ahmad's Blues
7. Half Nelson
8. The Theme (Take 2)



Steamin' with the Miles Davis Quintet

1. Surrey with the Fringe on Top
2. Salt Peanuts
3. Something I Dreamed Last Night
4. Diane
5. Well, You Needn't
6. When I Fall in Love

Site Oficial: Miles Davis

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Miles Davis & John Coltrane

2001 - The Best of Miles Davis & John Coltrane: 1955-1961
Gênero: Jazz



Os produtores Bob Belden e Michael Cuscuna são os responsáveis por essa magnífica compilação, que reúne os melhores momentos de John Coltrane no Miles Davis Quintet. De 1955 a 1960 Coltrane participou dos histórico quinteto de Miles, gravando obras memoráveis como Cookin', Relaxin', Steamin', 'Round About Midnight e Workin'. Mesmo com toda fluidez, talento e sintonia com Miles, Coltrane teve alguns momentos conturbados.

No final de 1956, Miles Davis demitiu John Coltrane do seu grupo. Eu nunca entendi essa passagem, há muitos relatos que alegam que Coltrane foi demitido por causa do seu vício de heroína, mas essas informações carecem de fontes. Cada um seguiu o seu caminho e Coltrane foi contratado pelo grande Thelonious Monk, gravando o cultuado Thelonious Monk with John Coltrane. Em 1958, Coltrane foi recontratado por Miles, iniciando um grande momento na sua carreira, exercendo a função de sideman. Coltrane permaneceu com Miles até 1960, gravando mais dois álbuns que entrariam para históra do Jazz: Milestones(1958) e Kind of Blue(1959). Coltrane deixou o grupo de Miles para formar o John Coltrane's Quartet com McCoy Tyner ao piano, Jimmy Garrison ao contrabaixo e Elvin Jones à bateria. Bons tempos!

Track List

1.Two Bass Hit
2.Dear Old Stockholm
3.Bye Bye Blackbird
4.'Round Midnight
5.Straight, No Chaser (Alternate Take)
6.Milestones
7.So What
8.Blue In Green
9.Some Day My Prince Will Come

Site Oficial: John Coltrane
Site Oficial: Miles Davis

Créditos: Blog JazzMan!

Miles Davis and Gil Evans

1962 - Quiet Nights
Gênero: Jazz



Desenhando caminhos pelo Cool e influenciado pelo grande momento da bossa-nova de Tom Jobim, Miles traça uma verdadeira obra-prima junto aos arranjos de Gil Evans. Belezas como "Corcovado" e "Summer Night" impressionam por tamanha sofisticação e beleza, com estruturas elaboradas e a bela fusão de Jazz com a batida da bossa-nova.

Track List

1. Song #2
2. Once Upon A Summertime
3. Aos Pes Da Cruz
4. Song #1
5. Wait Til You See Her
6. Corcovado
7. Summer Night
8. Time Of The Barracudas

Site Oficial: Miles Davis
Site Oficial: Gil Evans

Créditos: Blog JazzMan!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Miles Davis

Coleção Folha: Clássicos do Jazz VOL 11 - (02/12/2007)


Miles foi um dos maiores e mais polêmicos gênios do jazz. Do bebop ao hip hop, passando pelo rock e o funk, ele ousou de tudo. Suas atitudes pessoais eram igualmente provocativas: ostentava riqueza, desafiava o público e se indispunha com a polícia.

Miles Dewey Davis Jr. nasceu no dia 25 (ou 26, os pesquisadores divergem) de maio de 1926 em Alton, Illinois. Começou a tocar trompete aos 13 anos. Com 19, em Nova York, participou da revolução do bebop no grupo de Charlie Parker. Tirando partido de seu estilo mais lírico, que contrastava com a velocidade do bop, produziu a primeira ruptura em 50, com o LP "Birth of the Cool", considerado o marco inicial do cool jazz.

Depois de uma histórica sessão com Thelonious Monk em 54, ele formou com John Coltrane, em 55, um quinteto que foi comparado em importância ao Hot Five de Louis Armstrong. Em 59 veio "Kind of Blue", com outra guinada: o jazz modal, que baseava os improvisos em escalas, em vez de acordes. No mesmo ano, Miles foi espancado por um policial e acusado de tê-lo agredido, sendo absolvido em julgamento.

Em "Sketches of Spain", de 60, ele enveredou pela música espanhola. O eletrificado "Bitches Brew", de 69, foi a pedra fundamental do jazz fusion. A partir daí, Miles tornou-se um astro pop, afastando-se do jazz ortodoxo.

Após um acidente automobilístico que esmagou suas pernas em 72, e corroído pela heroína, ele se retirou de cena até 81. Voltou explorando ritmos mais modernos: funk, dance music, eletrônica e hip hop. Em 28 de setembro de 91 ele morreu em Santa Monica, Califórnia, de ataque cardíaco provocado por pneumonia e problemas respiratórios.

Track List

1. Move
2. Godchild
3. Budo
4. Dear Old Stockholm
5. Donna
6. Yesterdays
7. Tempus Fugit
8. Enigma
9. C.T.A.
10. Well You Needn't
11. It Never Entered My Mind(Higher & Higher)
12. Weirdo
13. Somethin'Else
14. Autumn Leaves

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