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terça-feira, 13 de novembro de 2012

Fatores sociais e culturais interferem no gosto musical ?


Por Daniel Faria

Vivemos em um país com grandes diferenças sociais e culturais, e isso independe se estamos nos grandes centros ou no interior. 

A cultura do nosso país é uma das mais ricas do mundo, e isso fica evidente quando falamos da cultura regional. Em cada região presenciamos diversas manifestações culturais, como festas, comidas tipicas, danças e claro a música. Por exemplo a cultura preservada pelo povo sulista é bem diferente da do povo nordestino. São tradições mantidas durante gerações e que já fazem parte da vida do povo. Musicalmente falando, também existe grande diferenças, já que em cada região do nosso país predomina um gênero diferente.

O social em nosso país também é bem diversificado, tanto para o lado bom, como para o lado ruim. Assim como em outras partes do mundo, somos divididos por classes sociais, aonde encontramos de ricos  à miseráveis. De uns anos para cá, esse cenário começou a mudar, já que milhões de brasileiros saíram a linha de pobreza extrema. Apesar disso é comum ver nas grandes cidades situações que acabam nos surpreendendo.

Ligado a essas questões, também podemos citar o abismo que existe entre as classes sociais, quando o assunto é acesso a cultura e ao ensino. Se por um lado os ricos e a classe média tem um acesso livre a cultura e ao estudo de qualidade, não podemos dizer o mesmo dos pobres, que infelizmente sofrem para ter um ensino digno e um acesso a cultura, como livros, internet ou outros meios.

O caro leitor deve estar se perguntando: Isso aqui é um blog de música ou de estudo ? (risos).

Eu não sou estudioso no assunto e muito menos sei fazer bons artigos (embora pretendo exercitar isso), e o pouco que eu sei é por que procuro ler sobre estas questões. A questão que eu quero levantar é justamente a que deu titulo ao texto. Fatores sociais e culturais interferem no gosto musical ?

Por isso em meio aos meus devaneios, outro dia me peguei pensando nessa questão, e achei que poderia render um texto meia boca e um questionamento para um possível debate. 

Quando eu pergunto se o fator sócio cultural interfere no gosto musical de uma pessoa, é baseado em questões simples e observações. Já que na nossa sociedade as pessoas são pré-definidas pelo tipo de música que ela curte.

O jazz pode ser usado como um exemplo clássico. Nos EUA é um gênero que surgiu entre os negros, em sua maioria pobres, eles eram os grandes músicos em meados da década de 20 e 30. Depois os brancos acabaram aderindo a causa também. Não vou me aprofundar nessa questão pois é um tema imenso. Mas o que eu noto, é que mesmo com a sofisticação do jazz, por lá ele é considerado um gênero popular. Já no Brasil é considerado um gênero elitizado, logo se você curte jazz, as pessoas imaginam que você é intelectual ou tem muito dinheiro.

O rock/metal também tem seu diferencial nas letras, que muitas vezes falam sobre questões históricas, são composições bem trabalhadas e que exige muito dos músicos. 

Já estilos como pagode, funk e sertanejo, estão longe de ter letras consideradas inteligentes. São letras populares, simples de ser decoras e que tratam de assuntos comuns ao publico. E se um individuo diz que curte funk, a imagem que lhe vem na cabeça é de que ele mora na periferia. 

Então independente de gênero, cada tribo é rotulada de uma forma, e isso virou uma regra.

A questão principal que eu quero levantar com esse texto é: O nível de estudo e social, ligado ao nível de acesso a cultura de um individuo serve como fator decisivo para definir quais estilos musicais ele vai ouvir ?? E o gosto musical, define a personalidade de um individuo ??

Use os comentários (facebook ou do blogger) para expor a sua opinião.

[Comentário do autor: Espero que tenham gostado do artigo. E peço desculpas por possíveis tropeços ao tentar passar a minha ideia no texto, já que sou inexperiente nisso, por enquanto. ]

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Jimi Hendrix: Uma pequena biografia sobre um gênio


Esta postagem foi publicada pelo meu amigo e guitarrista Thiago Teberga, no meu - quase extinto - blog Musicólatras. O texto foi escrito pelo jornalista  Ernesto Wenth Filho. Nele o jornalista faz uma biografia de um dos maiores nomes da guitarra de todos os tempos Jimi Hendrix.  O texto foi publicado em 2006 na coluna do jornalista. É um texto carregado de informações preciosas e que vale a pena ser lido. 

Por Ernesto Wenth Filho

Nascido como Johnny Allen Hendrix, depois passando a se chamar James Marshall Hendrix e finalmente conhecido por todo o mundo como Jimi Hendrix, podemos dizer que este homem é uma das maiores, senão a maior lenda da guitarra e do rock mundial.

Filho de James Allen Hendrix, um jardineiro negro, e de Lucille Jeter, filha de uma índia Cherokke, Jimi nasceu nos Estados Unidos, em Seattle, Washington, em novembro de 1942.

Cresceu numa família com problemas, seus pais brigavam muito e acabaram se divorciando em 1951, quando então Jimi foi praticamente criado por sua avó Cherokke.

Em 1958, quando Jimi tinha 16 anos, sua mãe morreu e foi neste ano que seu pai lhe deu o primeiro instrumento musical, um violão de segunda mão, comprado por cinco dólares. Iniciava-se ali a brilhante carreira musical de Jimi Hendrix, que formou sua primeira banda chamada The Velvetones, que durou apenas três meses.
Depois de ver que o filho tinha habilidade com o violão, no verão de 1959, Al Hendrix comprou uma guitarra elétrica para Jimi, que foi tocar com o grupo The Rocking Kings.

Em 1961 Jimi se alistou no exército indo para a divisão de pára-quedistas de Fort Campbell, onde conheceu Billy Cox, que era baixista, e formou a banda The King Casuals. Ficou no exército por aproximadamente um ano, quando foi dispensado após fraturar o tornozelo depois de um salto de pára-quedas. Começou então a trabalhar como guitarrista de estúdio, com o nome de Jimi James. Neste período, que durou até 1965, Jimi trabalhou com diversos artistas do soul e do blues, como Little Richard, Isley brothers, B.B. King, Ike e Tina Turner, Sam Cooke e Curtis Knight.

Jimmy James and The Blue Flames
Em 1966, Jimi resolve montar sua própria banda, a Jimmy James and The Blue Flames, que tinha na guitarra base Randy California e Jimi fazendo os solos. Em Nova Iorque consegue um contrato para ficar tocando numa casa chamada Cafe Wha?. Lá conheceu e trabalhou com Jeff Baxter (que mais tarde tocou nos grupos Steely Dan e Dobbie Brothers) e também conheceu Frank Zappa que tocava em outra casa, no mesmo bairro do Cafe Wha? Aliás, foi Frank Zappa que apresentou a Jimi o recém criado pedal wah-wah, que Hendrix soube usar com maestria e criatividade em suas músicas que estavam por vir.

Também foi no Cafe Wah? que Jimi foi descoberto por Chas Chandler, baixista do grupo britânico The Animals, durante uma de suas apresentações. Naquela noite Chandler ficou impressionado com Jimi e o levou para a Inglaterra ajudando-o a formar uma nova banda, a The Jimi Hendrix Experience, com Mitch Mitchell na bateria e Noel Redding no baixo. Após algumas apresentações em Londres o nome de Jimi Hendrix era falado por todos os cantos do cenário musical, atraindo fãs como Eric Clapton, Jeff Beck, Beatles e The Who.
Através da Track Records, selo do The Who, foi gravado e lançado o primeiro single da banda de Jimi, Hey Joe, que ficou dez semanas na parada inglesa, atingindo a sexta posição nas dez mais!

Jimi Hendrix Experience
Logo em seguida, em 1967, Jimi gravou seu primeiro disco intitulado Are you experienced?, considerado um dos mais populares discos de rock de todos os tempos, com músicas que hoje são clássicas como Purple haze, Fire, Foxey lady, Wind cries Mary e a faixa título Are you experienced?.

Com o sucesso, em junho de 1967, Hendrix foi convidado a participar do Monterey Pop Festival, nos Estados Unidos, e lá a The Jimi Hendrix Experience incendiou o público e Jimi literalmente incendiou e quebrou a sua guitarra, sendo que essas imagens foram imortalizadas no filme Monterey Pop, do cineasta D.A. Pennebaker.

Jimi Hendrix no Monterey Pop Festival nos EUA, queimando a sua guitarra.
Ainda em 1967, foi lançado o segundo álbum da banda chamado Axis: bold as love, com faixas como Little Wing e If 6 was 9, que mostravam a sensibilidade e a maestria de Jimi com a guitarra. Já neste disco Jimi demonstrava seu interesse, preocupação e perfeccionismo nas gravações em estúdio e aonde estivesse levava equipamentos de gravação registrando suas idéias e jams com os amigos em fitas. A busca pela perfeição nas gravações, a liberdade para criar e o retorno para os Estados Unidos fizeram com que Jimi iniciasse a construção de seu próprio estúdio, o Eletric Lady Studios, em 1968, em Nova Iorque. O estúdio só foi concluído em 1970, mas a idéia foi o embrião do próximo disco chamado Eletric ladyland, o mais experimental e eclético de todos os seus discos com uma jam-session espetacular na música Voodoo chile, que tinha Jack Casady no baixo e Steve Winwood nos teclados. O disco trazia ainda a regravação de All along the watchtower, de Bob Dylan, na versão mais conhecida de todos os tempos desta música.

Nesta época o envolvimento de Jimi com as drogas não era pequeno e as conseqüências também não, ele já havia sido preso na Suécia por destruir um quarto de hotel e as gravações do álbum Eletric ladyland foram muito conturbadas fazendo com que o produtor Chas Chandler deixasse a equipe. Na seqüência, já no ano de 1969, o relacionamento com a banda também ficou difícil e a Jimi Hendrix Experience acabou.

No verão deste mesmo ano (1969) Jimi montou outra banda, a Gypsy Suns and Rainbows, que trazia o amigo Billy Cox no baixo, Mitch Mitchell na bateria, Larry Lee na guitarra base e Jerry Velez e Juma Sultan na percussão. Foi este grupo que se apresentou no Festival de Woodstock, em agosto de 1969, onde Hendrix fez a famosa e polêmica interpretação do hino nacional americano, a Star spangled banner. A banda acabou logo e em 1970 Jimi formou o grupo Band of Gypsys, ainda com Billy Cox no baixo e agora com Buddy Miles na bateria, fazendo shows memoráveis que foram gravados ao vivo e posteriormente foi feita uma seleção das músicas destas apresentações que originaram o álbum Band of gypsys, lançado ainda em 1970.

Band of Gypsys 
Jimi não gostou muito da performance de Buddy Miles e durante uma apresentação no Madison Square Garden tocou duas músicas e antes de ir embora disse ao público: “desculpem por não conseguirmos nos entender”.
Novamente Mitch Mitchell voltou para a bateria e junto com Billy Cox no baixo, Jimi gravou novas músicas para o seu próximo disco chamado de First rays of the new rising sun.

Em agosto de 1970 Jimi ainda participou do Festival da Ilha de Wight, na Inglaterra e depois no Festival de Fehmarn, na Alemanha, voltando em seguida para a Inglaterra.

No dia 18 de setembro de 1970, em Londres Jimi toma nove pílulas para dormir e é encontrado desacordado e asfixiado pelo próprio vômito, no quarto de um hotel, pela namorada alemã Monika Danneman. Ela chama uma ambulância que leva Jimi para o hospital, onde ele acaba morrendo mais tarde. Seu corpo foi levado para os Estados Unidos e enterrado em Renton, no Estado de Washington.

Foram cinco anos como músico, vividos com muita intensidade, com muita criatividade, com muita dedicação e com muito amor à música.

Jimi nos deixou um legado incomparável como músico, compositor, cantor, produtor e arranjador. E suas apresentações ao vivo foram explosivas e inesquecíveis, um verdadeiro showman, uma aula para qualquer um que goste de música.

Viva Jimi!!


segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ingressos: Preços Abusivos x Fiascos nas vendas


Por Daniel Faria

Um dos assuntos mais comentados recentemente na internet é em relação a The Born This Way Tour da cantora pop Lady Gaga. A extravagante cantora, chega para sua primeira visita ao Brasil, com shows que começam no Rio de Janeiro (9), em São Paulo (11) e encerra em Porto Alegre (13). Apesar de ser a primeira turnê em terras tupiniquins e levando em conta a quantidade imensa de fãs espalhados pelo país, a expectativa em torno das vendas dos ingressos era a melhor possível, mas não foi isso que aconteceu.

Em seu blog Popload, o jornalista Lucio Ribeiro comenta o que ele chama de "Lady Gaga fiasco", e expõe números alarmantes sobre a venda de ingressos no Brasil e na América Latina. E pasmem, em alguns casos existe até uma espécie de liquidação, na melhor maneira "compre um e leve outro". Segundo o jornalista a produtora de shows Time4Fun estava vendendo ingressos em até 10 vezes sem juros no cartão de crédito. O parcelamento era estendido a outros concertos trazidos pela empresa, como Linkin Park (outubro) e Joss Stone (novembro). No site Peixe Urbano, estão vendendo ingressos de inteira (R$ 350) pelo preço de meia (R$ 175).

Segue abaixo alguns dados que comprovam o fiasco.
• Até sexta-feira passada, para o show de São Paulo, a maior cidade do país e a que mais compra ingressos, tinham sido vendidos apenas pouco mais de 33.000 ingressos dos 65.552 disponíveis. Praticamente a metade da carga apenas. E dizem que em Porto Alegre a porcentagem é menor.
 •  Em Lima, Peru, a performance de vendas é ainda pior. Tudo bem que o show é “só” no dia 23, mas até neste sábado, para um local onde cabem 52 mil pessoas (Estádio San Marcos), apenas 13 mil entradas foram adquiridas. 
 •  Para o show de São Paulo, compre um e leve outro grátis. A campanha está nos jornais. Leve um ingresso e as lojas Riachuelo, patrocinadora do show, te dá outro.
Em tempo caro leitor, não é novidade do público brasileiro que os preços dos ingressos são abusivos. Mas de quem é a culpa ? É da pirataria (usada muitas vezes como bode expiatório) ? É da cota de meia entrada ? Ou dos produtores que buscam atingir lucros altíssimos ?

Também não é novidade que o Brasil virou definitivamente rota obrigatória para os grandes cantores e bandas internacionais, isso sem falar dos festivais. O Rock in Rio 2013 já foi confirmado e a venda do RiR Card esgotou em tempo recorde, também estamos a duas semanas do show do KISS em São Paulo, eu mesmo paguei 300 reais para ir ao show, isso sem contar os outros que já passaram e que vão passar até o fim do ano.

Então diante desse cenário que está sendo o fiasco da venda de ingressos da Lady Gaga o jornalista Lucio Ribeiro fez algumas perguntas pertinentes, mas que a meu ver servem também como questionamento para todos os shows que estão passando pelo país atualmente. 

- É uma reação do público ao valor do ingresso?

- Há uma excessiva demanda de shows por aqui, grandes concertos já não são tão novidades na área e de alguma forma estamos cansados (e sem dinheiro) para acompanhar tudo o que aparece?

- É um problema econômico geral (dizem que a Madonna também está vendendo bem abaixo do esperado)?

- Tudo isso junto e misturado?

Apesar do texto original do jornalista ter sido feito em torno da turnê da Lady Gaga, vi nesse excelente texto uma abertura para debater esse preço excessivo dos ingressos. É claro que como fanático por música, a vontade é ir no maior numero de shows possíveis  mais diante dos altos preços, somos obrigados a selecionar nossas escolhas e muitas vezes fazer dividas para conseguir realizar tal desejo. 

E aí caro leitor, qual a sua opinião sobre esse assunto ?? Você acha que os preços abusivos e grande demanda de shows, pode aumentar o fiasco nas vendas dos ingressos ?  

Particie, deixe seu comentário. 

Fonte Original: Popload (Lucio Ribeiro)

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Cantoras de Jazz: Jovens e Talentosas

O universo jazzístico é um dos mais diversificados do meio musical e para conhecê-lo completamente seria necessária uma vida inteira e de pura dedicação. Sem a internet esse processo em busca do conhecimento ficaria bem mais complicado, porém hoje o que você precisa ter além da internet é apenas o interesse por novidades. Eu não sou um conhecedor profundo do assunto, mais nesses 5 anos em que me dedico ao jazz, conheci algumas preciosidades e gostaria de compartilhar. Nesta lista o foco principal será as novas cantoras de jazz.

Na história do jazz existiram excelentes cantoras e das que eu conheço posso citar: Billie Holiday, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Sarah Vaughan, Etta James, Diane Schuur, Rosemary Clooney e Cassandra Wilson.

Porém de uns tempos para cá, passei a não só ouvir cantoras clássicas, mais também a procurar por novos talentos. E o resultado tem sido surpreendente. Para não ficar uma postagem muito extensa, vou dividi-la em partes e postar durante as próximas semanas. Com isso vocês ganharam tempo para procurar os cds e com isso conhecer melhor o trabalho delas. Vale lembrar, que o que pode ser conhecido para uns (que certamente vão reconhecer), para outros esses posts tende a ser novidade e essa é a intenção, provocar a curiosidade em cada um e claro, dar novas opções para quem procura por boa música.

SARA GAZAREK

Jovem e talentosa. Ela vem arrancando elogios da crítica especializada por onde passa. Com apenas dois álbuns de estúdio gravados, “Yours” (2005) e “Return To You” (2008) e um ao vivo, Sara teve seu primeiro reconhecimento logo no primeiro álbum, onde foi parar no Top 10 na Billboard Traditional Jazz e bateu todos os recordes de músicas compradas via download no iTunes. É considerada uma das melhores cantoras da nova safra do jazz. O que chama atenção é a sua voz, pois nada adiantaria somente o talento. Uma voz cativante, carregada de emoção e afinadíssima. Sara têm como influências, cantoras consagradas como, Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Billie Holiday, Abbey Lincoln, entre outras. O seu conhecimento musical também impressiona, prova disso é as músicas que estão presentes em seu trabalho. Na época em que lançou o álbum “Yours”, Sara tinha apenas 25 anos e isso não a intimidou, foi buscar seu repertório em clássicos que ficaram conhecidos décadas antes dela nascer. Como por exemplo: “Cheek to Cheek”, “Ev’ry Time We Say Goodbye” e foi além, fez um medley com as músicas dos Beatles. É por isso que considero Sara Gazarek uma talentosa nata, com muito potencial a ser explorado e que ao longo dos anos vamos nos acostumar em ouvir esse nome.

Sara Gazarek - "Let's Try This Again" (Return To You)



MELODY GARDOT

A história dessa jovem foi modificada por causa de tragédia que aconteceu na sua vida. Aos 19 anos Melody teve um grave acidente, foi atropelada por um automóvel quando retornava de bicicleta a sua casa. Resultado: múltiplas-fraturas na região pélvica, cervical e da cabeça. Para recuperar alguma de suas antigas habilidades cognitivas, o seu médico recomendou que fizesse o uso da música como terapia. Foi presa a um leito que ela compôs e gravou as canções do EP intitulado “Some Lessons:The Bedroom Sessions”, foi vendido via internet e também chamou a atenção da rádio local. Isso não a impediu de continuar seu belíssimo trabalho e já tem três álbuns de estúdio e um ao vivo. O melhor na minha opinião é “Worrisome Heart” (2008). A música dessa jovem cantora tem como base o jazz, folk e o blues. Melody canta com uma voz suave e emocionante. Apesar do momento especial em sua vida e na sua carreira, aonde consegue mostrar ao mundo o seu valor e talento, a jovem ainda sofre com as conseqüências daquela tragédia. Melody é mais uma grata surpresa aos amantes do jazz e da boa música.

Melody Gardot - "Worrisome Heart" (Worrisome Heart)


Melody Gardot - "Baby I'm A Fool" (My One And Only Thrill)



MADELEINE PEYROUX

Madeleine já tem uma carreira musical consolidada. Nasceu em Athens, na Geórgia, mais passou a sua adolescência e parte da juventude na França. Começou cedo na carreira, pois aos 15 anos já cantava em bandas de jazz e blues de Paris. É cantora, compositora e violonista. É considerada como uma das maiores vozes do jazz moderno e no meio jazzístico seu jeito de cantar é comparada ao da Billie Holiday. Medaleine vem evoluindo e muito na sua carreira, nos primeiros álbuns seu repertório era baseado muitas vezes em stantards do jazz e blues, era considerada como uma excelente interprete. Isso mudou radicalmente no último álbum “Bare Bones” (2009), onde ela arriscou e passou a compor, mesmo que em parceria ainda. O resultado é um álbum recheado de novidades. Desde o instrumental, de extrema qualidade, porém não muito inovador, mais é possível notar um leve flerte com o rock e rhythm & blues, e também canções não tão carregas de melancolia (como era comum nos outros álbuns). Destaque para as músicas “River of Tears”, música que ela fez ao se despedir do pai que faleceu há alguns anos e “Instead” uma canção cativante e que é calcada no blues. Madeleine é o tipo de cantora que faz um excelente trabalho e no entanto não está na direção dos holofotes do jazz como por exemplo Norah Jones. Mais a qualidade dessa jovem e experiente cantora é reconhecida mundialmente e continua surpreendendo os amantes do jazz a cada lançamento. Vale a pena conferir.

Madeleine Peyroux - "Instead" (Bare Bones)


Madeleine Peyoroux - "Don't Wait Too Long" (Careless Love)


Até a próxima. Abraços

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Iron Maiden no Rock in Rio 1 (1985): o histórico e atrapalhado show.

Trago até vocês uma postagem (antiga) do site Minuto HM , publicada pelo autor Eduardo Bianchi Rolim e que na época autorizou gentilmente que eu postasse o conteúdo no meu blog Musicólatras. Para ilustrar melhor a postagem, eu utilizei duas fotos que foram postadas no Blog Fligth 666 .

Esta postagem é sobre o show do Iron Maiden na primeira edição do festival em 1985, que alias foi um dos melhores na minha opinião em questão dos shows. Bom sem mais delongas, aproveite e leia com atenção esse post repleto de informação sobre esse lendário show da Donzela em terras tupiniquins.

Por Eduardo Bianchi Rolim

Galera,

faz tempo que estou para falar desta histórica apresentação da banda aqui no blog, dívida esta que tenho comigo e falei no post que fiz especificamente sobre o Rock In Rio 1 (que recomendo a leitura antes mesmo da deste post, caso ainda o caro leitor ainda não a tenha feito). Sei também que devo muitas coisas por aqui, mas vamos pagando com calma


Portanto, o foco aqui será falar um pouco do que temos disponível no segundo DVD oficial do Live After Death (oficial = oficial mesmo, não aquele que foi lançado aqui no Brasil e ficou por um tempo nas bancas de jornais, fato este que chegou ao conhecimento da banda que, por sua vez, acionou os responsáveis aqui no Brasil para interromperem imediatamente as vendas – e pedindo aos que compraram para efetuar a devolução do item não-autorizado. Aliás, tem até legenda das letras das músicas naquele DVD, hoje item de colecionador).

Com base nas imagens feitas na época pela Rede Globo, o show disponibilizado neste DVD não traz o setlist completo da noite executado pela banda que pela primeira vez aterrissava em nosso país (na verdade, na América do Sul). A qualidade da imagem é também compatível com o quem viveu a era dos VHS – e, para tentar me fazer bastante claro, a gravação em “EP”. A qualidade do som segue a mesma linha, é irregular em termos de volume. Em resumo, o material é bastante precário mas obviamente é um registro de suma importância para a banda, fãs e até mesmo para o nosso país em termos musicais.

De qualquer forma, temos sempre o YouTube, não? E, assim, vou também trazer um pouco das outras músicas do show, para felicidade geral da nação que curte um “rock pauleira do satânico Iron Maiden”. Calma, leia o texto para entender este comentário…

O Iron Maiden, que foi a única banda internacional que se apresentou apenas uma vez no evento, teve a honra de abrir para um dos shows mais marcantes da história de todas as edições do Rock in Rio e, por que não dizer, do Brasil: o Queen. Mas isso é papo para uma outra oportunidade (nem podemos considerar como uma pendência minha, hein? Hehehe).

A Wikipedia gringa informa que o show do Maiden começou exatamente “2 Minutes To Midnight”, ou, como me refiro sempre carinhosamente à música, “23:58 PM”. A banda estava simplesmente na World Slavery Tour 84/85, do disco Powerslave (1984), em uma tour que foi gigantesca em todos os sentidos ajudou a banda a se consolidar (ainda mais) não só na cena heavy metal, mas na música como um todo.

Os fatos que apresentarei abaixo (não posso aqui falar de algo que ocorreu quando eu tinha 3 anos de idade, então o que será apresentado são apenas fatos que podem ser vistos no vídeo em questão – claro que quem viveu esta época e quiser contribuir comentando neste post, é sempre muito bem-vind0) estarão mais focados em um dos membros da banda: o Bruce.

Explico: os pontos que falarei abaixo envolvem diretamente o Air Raid Siren e podem, talvez, serem “justificados”, “explicados” de várias maneiras, que tentarei fazer mais ao final do post. Antes que voem tomates e afins em mim, para quem não me conhece, saiba que o texto não tem qualquer objetivo de CRITICAR o homem que admiro e considero até mesmo uma grande inspiração de vida para mim. Mas os fatos estão lá e hoje chegam a ser engraçados…

Foto: Blog Flight 666

Sem mais delongas, vamos lá: o Iron Maiden ganha o palco com a primeira faixa do seu lançamento da época, Aces High. A banda estava vestida como se vestiu durante toda esta tour (as clássicas roupas dos anos 80, que praticamente todas as bandas usavam): Bruce com sua calça amarela, com meias por cima, correntes em um cinto de caveira, aparentando ansiedade. Seu vocal está ainda contido (em relação ao que se ouve na sequência do show) e até mesmo um pouco tímido nestes primeiros minutos no palco (comparando-se com o Bruce que conhecemos), coisa que praticamente some durante esta própria primeira música da noite.

Depois do segundo solo da música, Bruce não está tão perto assim do microfone, pois foi interagir com o enorme público que recebia muito bem a banda… ele calcula o tempo e corre para buscá-lo e continuar, claro, cantando. Ele volta, fica perto do Nicko e, quando vai pegar seu microfone, apesar de não ter chegado tão em cima da hora, ele vê Adrian bem colado ao pedestal, atrapalhando-o. Bruce dá um cutucão no guitarrista, que trocam olhares do tipo “que foi?” (Adrian) e “sai daí” (Bruce). Era um sinal da noite atrapalhada que ainda viria…



Minuto Hora de 2 Minutes To Midnight. Bruce bate palmas e suas palmas são respondidas por um empolgado público. Ele parece estar bem mais solto e aquela ansiedade inicial parece ter ficado para trás. “Cantem comigo”, grita Bruce para abrir o refrão…

No solo de Murray, Bruce aproveita para soar o nariz… estaria Bruce resfriado / gripado na noite? A verdade é que Bruce parece estar um pouco fanho neste show – em alguns momentos dá para notar isso – o que não compromete seu alcance vocal. O solo de Adrian chega e Nicko toca a música em um estilo bem diferente do de hoje, levantando a mão esquerda para marcar na caixa. Muito interessante.

As guitarras, que estão excelentes como no disco de estúdio, começam a se destacar, algo que se notou por todo o show.



Bruce diz “boa noite” e mexe com o público, sua marca característica. Anuncia a próxima música, desta vez do “Piece of Mind album for ya”…

A música é The Trooper: Bruce diz algo talvez em Português (“louco todo”?) e a banda incendeia o público e entrega uma linda versão da música, com a banda dando uma verdadeira aula em suas atribuições. Mas é no meio do solo de Adrian que vem a curiosidade: Bruce começa a chamar alguém (JT?), no microfone aberto mesmo, em tom de reclamação. A reclamação continua e invade o solo de Murray. “Turn up my mic, I’m talking to you, you stupid (?)…”.

Bruce pede que algo seja ligado, mexido, em seu microfone, aparentemente, culminando em um xingamento final de Bruce. Alguém se candidata a comentar o acontecimento e as falas de Bruce por ali? Algum problema mesmo em seu microfone, visto que Bruce praticamente engole o “cabeção” nos gritos finais…

Ele brinca rapidamente com uma pequenina bandeirinha do Reino Unido (fãs atuais nem imaginam esta cena, talvez) e nitidamente se “embanana” com seu pedestal na hora de pegá-lo para o movimento final da música. Mas cabe ressaltar como Bruce cantou esta música, em uma palavra: espetacular!



Já na (outra) obra-prima da noite, Revelations, que já falamos tanto por aqui no blog, Bruce chega pulando o retorno com uma guitarra em mãos. Sim, uma guitarra. Na época da clássica formação da banda, com “apenas” 2 guitarristas, ele fazia uma simples base da música enquanto os guitarristas dobram o maravilhoso início desta maravilhosa música deste maravilhoso disco.

Foto: Blog Flight 666

Mas convenhamos: Bruce mostra que como guitarrista é mesmo uma das maiores vozes do heavy metal (entre inúmeros outros talentos) . Até ajeitar a palheta ele ajeita, de maneira meio desengonçada, o que é muito engraçado. Ao término desta introdução, Bruce agita o público para gritar nas pausas da música… aquela parte do “tan, tan, tan… YEAH… tan, tan, tan, YEAH”. Ele faz isso levantando sua guitarra para indicar ao público o momento exato para participação. Bruce sempre foi brilhante nesta conexão com o público. Mas nesta noite, em uma dessas levantadas, Bruce bate a cabeça da guitarra em seu rosto, fazendo sangrar imediatamente. Ele sai correndo e volta ainda meio tonto, com sangue escorrendo, para continuar cantando a música. Engraçado e METAL ao mesmo tempo, hehehe.

Ele bota primeiro a mão direita perto do olho e nota que está sangrando… ele grita seu “Hey” e olha para a outra mão, com sangue, e neste momento é possível ver o corte entre o olho esquerdo e o nariz, enquanto o sangue continua escorrendo até quase a boca e ele cantando a sua música de maneira espetacular… um grande momento do show, sem dúvida. O cinegrafista global deve ter percebido isso, pois a câmera fica em close nele por bastante tempo. Em tempo: coitado do Bruce!

As duas fotos abaixo foram tiradas da minha TV mesmo, para tentar mostrar o resultado da “guitarrada”. Graças ao bom Deus Metal que não foi no olho dele.


O público parece ter aprendido o momento de gritar e responde muito bem a Bruce, desta vez sem guitarra… a imagem da Globo filma Murray ao invés de Adrian, durante o solo deste último.



Com a maravilha do YouTube, hoje temos acesso inclusive ao material que não foi colocado no DVD, como Flight Of Icarus. Esta música eu particularmente já tive a chance de ouvir Bruce cantando na última tour solo dele no nosso país (com Adrian Smith na banda), tour esta do disco Chemical Wedding, no Via Funchal, em São Paulo, em 1999).

Ainda, eu adoraria ver o Maiden voltar a incluir em um setlist atual – que tal no lugar de Fear Of The Dark, principalmente em cidades onde a banda se apresenta com mais frequência? Enfim, muito bom ter acesso a este material, já que a música foi outro ponto alto do show. E lá está Bruce de novo, de frente para a bateria, olhando para sua direita e falando “Hello?” no microfone, enquanto os maravilhosos solos de guitarra se iniciam. Nitidamente, ele não está feliz o técnico de som e seu microfone...



… coisa que se confirma na épica e mais longa música da banda (até hoje): Rime Of The Ancient Mariner. Bruce continua inconformado com o volume de seu microfone e, logo no início da música, ele pede por 3 vezes um “up” em seu mic.

Pouco se ouve o baixo de Harris na parte que temos a narração. Ouve-se alguns sons metálicos meio estranhos. A lembrança, de qualquer forma, é de emocionar, bem como a boa resposta do público. As explosões nitidamente surpreendem o público brasileiro e a performance geral da banda é magnífica. Grande momento. Bruce dá um show a parte com seu vocal em excelente forma, mas as guitarras gêmeas e a cozinha mostram a coesão desta fantástica banda.



Bruce já se posiciona estrategicamente para descer a escadinha para a abertura de outra obra-prima, a faixa-título do então álbum de trabalho lançado. Na época, inclusive conferindo a versão da música na Long Beach Arena, do Live After Death, a característica explosão / fogo ao lado direito do palco (esquerdo do público) não acontecia logo que Bruce começa a cantar a música, como a banda fez nos shows da Somewhere Back in Time Tour, mas sim quando chegava o refrão. Na dúvida, confiram a versão em vídeo no Live After Death.

E o que deveria ter acontecido não ocorre nos instantes que antecedem o refrão. Bruce canta “Tell me why I had to be a Powerslave… I don’t wanna die, I’m a God, why can’t I live on?” e ainda não aparece na parte elevada do palco. Ele solta um “come on” como se fosse dando o sinal (“vai agora, pô”) e finalmente a explosão acontece para ele surgir com a também tradicional máscara.

O público responde bem, gritando, mas ainda é tempo para mais duas surpresas / trapalhadas do nosso amado vocalista: Bruce deixa o microfone cair ao ficar brincando de passá-lo de uma mão para outra, e perde o tempo da música…ele pega o microfone, ainda com um pouco de fogo no chão…

… fogo? Mas AINDA? Ainda. Aquelas chamas, que já deveriam ter sumido há um certo tempo, não se apagaram por completo e Bruce, cantando o refrão da música, olha para baixo, como se não conseguisse acreditar naquilo dando errado, e começa a pisar para apagar o foguinho que ainda estava por ali, com seu pé direito… ele se estica para apagar um que estava mais longe bem na parte do “and he will die toooo – se estica e demora a cantar – OOOOHHH”. A cena é, no mínimo, hilária.

Mas Bruce ainda iria se embananar um pouquinho mais em Powerslave. A música se desenvolve, os solos, o milagre da volta / do retorno , tudo… Bruce volta e… ele erra a parte da música, voltando a cantar “When I was living this lie” ao invés de “Now I am cold but a ghost”. Ele se liga nesse erro muito rapidamente e emenda um “Now I’m in my veins”, sem perder o tempo da música, e volta a cantar corretamente… “Silent the terror”… hehehe!

Mais para o final, Bruce acena para provavelmente o mesmo que reclamara em The Trooper, mas acena positivamente, como indicando que seu problema com o microfone estava resolvido. Nem moral ele teria mais para reclamar naquele momento, né? Hahaha.

O show também possui um raro solo de guitarra (o Maiden não inclui mais solos há muito anos) de Murray – solo este excepcionalmente técnico, com Nicko jogando baquetas a um público em êxtase – e depois fazendo um acompanhamento na bateria meio, sei lá, escola de samba? Não entendo até hoje o que Nicko tentou fazer / preencher ali com Murray. Outro momento no mínimo estranho…



Hora do satanismo, da música do diabo (calma, já está chegando a hora disso ficar esclarecido no texto): 666. A introdução da música é respondida de maneira empolgante pelo público, que vibra com a chegada do clássico, seguindo a euforia com a chegada do fantástico riff e da perna esquerda de Bruce que não para de se mexer. Falando no Bruce, após o primeiro refrão com uma resposta muito alta do público, Bruce deve estar realmente exausto, com muito calor, pois dá aquela respirada / assoprada no microfone, nitidamente recuperando o fôlego. O que se ouve é um belo “assoprão” no microfone, hehehe. Depois, enquanto os riffs que antecedem os solos tomam conta do palco, ele ajeita seu microfone no pedestal, fazendo com que o barulho dessa “ajeitada” seja ouvido muito claramente.

Outro grande momento do show é o Bruce indo buscar o Murray para colocá-lo em seus ombros, logo após o solo dele, para delírio do público, enquanto Adrian abre o segundo solo e a banda se reúne no centro do palco. Uma cena espetacular!

A música vai chegando ao final.. “666, the one for you and me…”. Mas ainda é tempo para mais um probleminha envolvendo Bruce. Ele até conseguiu cumprir o que cantaria – “I will return…” – mas somente após o fio do microfone ser devidamente encaixado de volta, fazendo-o perder mais uma vez o tempo da música e o “I’m coming back”. O microfone ainda dá uma falhada em “possess your body”, talvez com ele novamente mexendo no fio (a imagem não está nele neste momento).



A banda emenda Hallowed Be Thy Name, aquela música que ponho a mão no peito sempre que começa – um hino do heavy metal. Bruce senta estilo “indiozinho” e despeja sua potente e contagiante voz nesta música incrível. Mas, mais uma vez, Bruce pede “up”, “up” em seu microfone. Ele vai ao microfone, fala algo e não sai nada. Ele volta a cantar e manda, mais uma vez, um “up”, abaixa a cabeça e faz um “mini-discurso”, mostrando todo seu descontentamento… “otherwise”, “somebody else” e “all right?” são as únicas coisas que consigo ouvir, pois as guitarras estão muito altas. Alguém se arrisca a comentar o que ele discursou ali?

Ele grita um “yeah” que a música não tem e continua lá balbuciando, reclamando. Simplesmente ele não para de falar e falar, reclamar e reclamar, enquanto a banda continua tocando a música de maneira impecável. Bruce aparenta estar morto de cansaço no momento que volta a cantar.

Ele volta a abaixar a cabeça e falar (!!!). Desta vez, um “don’t worry, don’t apologize, it’s all right” e mais alguma coisa- estaria ele, então, com um ponto? O papo, de qualquer forma, continua… Bruce solta aquele famoso “scream for me, Rio… scream for me, scream for me…” e, depois, comanda a reação / gritos do público, como ele faz de maneira ímpar.



Em Iron Maiden, não encontrei nada “gritante”. E como é legal ver o Bruce ainda cantando bem perto do chefe Steve, acompanhado da entrada da histórica encarnação do Eddie múmia pulando pelo palco. Grande momento!

Agora, bom mesmo é o vídeo global que achei, que segue a mesma linha da entrevista histórica com Freddie Mercury, em que a Globo faz uma “entrevista” com um tal “Brian” Dickinson, o vocalista do Iron Maiden. Certo, Globo? Mais uma? A reportagem é aberta com o famoso “e agora, rock pauleira – para os metaleiros, um pouco mais do satânico Iron Maiden, com a participação especial e muito bem humorada de Eddie, o monstro”.



A banda volta para o bis. “Eu quero todo mundo louco este noite”, grita Bruce para introduzir Run To The Hills. A resposta do público nesta música é incrível, com todos com os braços para os lados, girando camisetas, camisas e tudo que está por perto. E cantando a música também, claro, com Bruce incentivando com seu “cantem comigo” em duas oportunidades.

Reparem na velocidade que Harris imprime com sua mão direita alucinada durante o solo de Murray. É de dar gosto… apenas o final da música é um pouco diferente…



“Todo mundo, hey”… Running Free é talvez a melhor música para se ter idéia da quantidade de gente que estava naquela mágica noite. Bruce separa o público para gritarem com ele… o público canta “Ruuuun”, ao invés de gritarem mesmo. Bruce tenta pronunciar algumas palavras em nossa língua que simplesmente não é possível entender. Imaginem nesta época, ao-vivo, para um público ainda não acostumado. Mas a coisa vai bem, principalmente para gritarem o nome da música.



A última música da banda foi Sanctuary, com a tradicional parada para Bruce mostrar toda sua potência vocal. Ele aproveita para ganhar de vez o público, provocando-o para cantar com ele o “yeah” (coisa que Freddie Mercury fez de monte na noite também) – de novo: já pararam mesmo para pensar que, em uma noite neste país, Bruce Dickinson e Freddie Mercury dividiram um palco, ambos em grandíssima fase? Bruce continuou interagindo com o público de maneira singular, com seu “cantem comigo”.

O show termina com Bruce e os “boys” agradecendo a banda. Bruce está visivelmente esgotado. O público grita “Iron, Iron, Iron” e as imagens que se seguem são de um tradicional festival de heavy metal, com muito empurra-empurra e pessoas indo de um lado para o outro, além de muita gente desmontando o palco da Donzela e preparando o terreno para a seguinte magistral apresentação da noite, que seria comandada pelo genial Freddie Mercury e Cia. Ltda.



E assim chegava ao fim a brilhante primeira apresentação do Iron Maiden em solo nacional. Os apontamentos que fiz acima, hoje engraçados, mostram, para mim, que havia sim muita ansiedade, nervosismo e pressão atrás da banda. A banda estava estranhando o clima brasileiro, não há como negar. Os ingleses não estavam acostumados com nada parecido com o que viram por aqui, inclusive considerando as questões climáticas.

Bruce e seu técnico de som não tiveram a noite mais brilhante da vida deles, coisa que acontece com todo mundo. Somam-se aí outros fatos, como o cansaço acumulado da extensa World Slavery Tour. Alguns pontos também podem ser considerados, hoje em dia, meio amadores.

Mas é muito importante dizer que, apesar de “trapalhadas” da noite, este registro da banda é, até hoje, um dos mais importantes do heavy metal em nosso país, não apenas em termos de Rock in Rio, mas em termos de música em geral, além de ser considerado pela própria banda como um dos shows mais importantes e marcantes de toda a carreira, até hoje.

O Rock in Rio 1 teve uma importância direta e indireta muito grande na sociedade da época e abriu caminho para grandes festivais que passaríamos a ter por aqui.

E, graças a ele, a banda conheceu e gostou do nosso país, local que hoje considera fundamental para suas tours. Ainda bem!

Up The Irons!

Setlist - Iron Maiden / Rock in Rio - 11 de janeiro de 1985

Intro – Churchill’s Speech
Aces High
2 Minutes To Midnight
The Trooper
Revelations
Flight Of Icarus
Rime Of The Ancient Mariner
Powerslave
Guitar Solo (Dave Murray) + Nicko McBrain
The Number Of The Beast
Hallowed Be Thy Name
Iron Maiden
Run To The Hills
Running Free
Sanctuary

Eduardo Bianchi Rolim
Minuto HM - http://minutohm.com


quinta-feira, 10 de maio de 2012

Todo mundo já esqueceu o que aconteceu no Metal Open Air?


Muito se falou sobre o Metal Open Air, desde o anuncio do casting, que contava com bandas de peso no cenário internacional e nacional. Tudo apontava para o que seria o maior festival de metal da américa latina, os dias 20,21 e 22 de Abril, tinha tudo para ficar marcado na história e na memória dos fãs. Bom não é preciso dizer o que todos já sabem, o festival foi um verdadeiro fracasso. Apesar de não ter postado nada relacionado ao MOA aqui no Jazz & Rock, por falta de tempo, fiquei por dentro de tudo que aconteceu, mesmo que a distância, já que eu não pretendia ir ao festival. Pois bem, muito se falou nos dias pós festival, inclusive com explicações totalmente sem nexo. Bandas e fãs relataram tudo que aconteceu, no festival e nos bastidores com a produção. Exatas 3 semanas depois, quase não se fala das consequências desse fiasco. E hoje o Ricardo Seelig, do excelente Collectorsroom, escreveu um texto justamente sobre isso, sobre o esquecimento dos fatos, ou simplesmente a opção de não querer mais tocar nesse assunto. Bom segue o texto, autorizado gentilmente pelo Ricardo, para que eu pudesse publica-lo aqui no Jazz & Rock.

Por Ricardo Seelig (#collectorsroom)

Amanhã, dia 11 de maio, completaremos três semanas do maior fiasco da história do heavy metal aqui no Brasil. Amanhã, dia 11 de maio, fará três semanas que o festival Metal Open Air teve início. Amanhã, dia 11 de maio, fará três semanas que as dezenas de shows prometidos se transformaram em um festival de cancelamentos, desrespeito e falcatruas com as bandas, os profissionais contratados e, principalmente, com o público.

Hoje, porém, apenas três semanas depois do maior 171 da história do metal brasileiro, ninguém fala mais nada sobre o ocorrido. Hoje, apenas TRÊS SEMANAS depois! Meros 21 dias! Nessas horas, é de se pensar que os irresponsáveis por trás do festival de atrocidades que foi o MOA e o público que, aparentemente, gostou de ser enganado por eles, realmente se merecem.

Se não, vejamos. Cansei de ler comentários em sites e redes sociais de pessoas que foram ao festival dizendo que, pelo preço que pagaram pelo ingresso, estava de bom tamanho ver as bandas que conseguiram assistir. Sim, você leu corretamente: pagaram por quarenta bandas, mas estão felizes por terem visto apenas treze. Sei lá, mas, pessoalmente, acho que isso é caso de interdição por incapacidade mental.

Além disso, qualquer matéria publicada sobre o assunto está repleta de comentários do tipo “ah, já deu”, “como vocês são chatos”, “parem de falar nisso”. Não, não paramos! Não dá pra alguém parar de falar no que aconteceu! Esqueceram que os campings estavam localizados em estábulos? Esqueceram da falta de estrutura? Esqueceram da falta de segurança? Esqueceram da falta de higiene? Esqueceram do que foi prometido e não foi cumprido?

Enquanto isso, resenhas claramente direcionadas para isentar uma das partes surgiram em sites de projeção nacional - leia aqui . Uma das (ir)responsáveis pelo MOA, a Negri Concerts, continua promovendo shows com, aparentemente, casas cheias, como se nada tivesse acontecido e não estivesse envolvida nas falcatruas do festival. Além disso, posta em seu site notas onde tira o seu da reta e joga tudo nas costas da outra (ir)responsável, a Lamparina Produções - leia aqui . Uma das porta-vozes da Negri, ciente da imensa bola fora que deu, mudou o seu sobrenome nas redes sociais e agora assina, estranhamente, com um até então inédito “Mello”. Já o dono da empresa, que antes discursava aos quatro ventos, sumiu de circulação e não é mais visto online. Dá até para criarmos um jogo intitulado Por Onde Andará o Produtor do Evento, que tal?

Aqui, é preciso fazer um elogio público para a matéria publicada na última edição da Roadie Crew sobre o Metal Open Air. Escrita por Maicon Leite, que esteve e acompanhou pessoalmente tudo o que aconteceu no Maranhão, mostra um posicionamento claro da revista em relação a tudo o que aconteceu, fato raro na nossa mídia especializada, que geralmente não diz o que precisa ser dito porque fulano de tal é amigo do ciclano e por aí. Mas isso não aconteceu na matéria da Roadie Crew, que critica veementemente os absurdos do MOA e faz revelações até então inéditas da relação da revista com o Wacken Open Air. Parabéns, mais uma vez, pela forma como publicaram o texto.

Amanhã fará três semanas que o sonho do Metal Open Air virou um pesadelo. Não se esqueça disso. Nunca. Se você foi ao MOA, vá atrás dos seus direitos. Se não foi, o mínimo que você tem que fazer é não dar as caras em shows promovidos tanto pela Negri Concerts quanto pela Lamparina Produções. Ou, se achar melhor, não faça nada e assine embaixo da fama de acomodado que o brasileiro possui. O que você prefere?

Créditos: Collectorsroom

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um futuro de incertezas.


A internet (como conhecemos) está mudando radicalmente. Já não é mais novidade as matérias relacionadas à SOPA, PIPA e ACTA, afinal muito tem se falado sobre tais projetos que visam dizimar o conteúdo considerado ilegal. De um lado estão os usuários, políticos, pessoas influentes e empresas que entendem que tal projeto é totalmente inviável. Do outro as gigantes do entretenimento, políticos (tais como Charles Schumer e Kirsten Gillibrand), entre outros. Apesar de todos os protestos e expectativa que se criou sobre a aprovação ou não do projeto, que dias depois acabou sendo barrado e engavetado, fomos surpreendidos pelo inesperado, o que eu considero ter sido o grande golpe, resultando em um baque que ninguém esperava: O fechamento do megaupload, resultando na prisão do dono e funcionários. De lá para cá o FBI tem intensificado a sua atuação, e numa espécie de “caça as bruxas”, começou a investigar outros servidores de hospedagem.

O que inicialmente parecia ser uma restrição aos servidores hospedados nos EUA, se alastrou para o mundo, onde muitos países da Europa aderiram a essa nova politica, o que gerou uma onda de protestos. Foram poucos os países que mantiveram uma posição firme e não consideram o download ilegal como pirataria.

O blog Jazz & Rock vai completar cinco anos de existência e nesse período já passei por muita coisa. Como blogueiro entendo que o que eu faço é visto como crime, embora eu discorde disso radicalmente. Esta pressão vem muito mais das gravadoras e da indústria de entretenimento, do que do próprio músico. Afinal dificilmente vejo alguém questionando o quanto estes blogs ajudaram aquele músico a se tornar conhecido, ou então, a pessoa que baixou um álbum – em um blog - e depois se tornou um grande fã e passou a pagar um absurdo para ir em shows e até mesmo comprar produtos originais. O curioso disso tudo é que esse tipo de impacto que os blogs causam ninguém comenta.

Em todos os blogs que eu visito e comento, li comentários bem pertinentes sobre esse assunto e consequentemente a preocupação e o receio dos companheiros blogueiros em continuar ou não mantendo o blog no ar. O fato é que em outros tempos, a caça as bruxas era em torno dos blogs, muitos blogs foram deletados, porém os arquivos continuavam lá, desta vez eles mudaram a estratégia e resolveram dizimar os servidores de hospedagem.

O Jazz & Rock tem praticamente 90% do seu conteúdo hospedado no mediafire e embora o servidor ainda funcione, saiu uma matéria dizendo que o FBI já está querendo explicações e deu um prazo de 90 dias para o mediafire. Certamente quando o prazo se esgotar creio que o baque será tão grande quanto foi com o megaupload. Isso sem falar dos outros, que tiveram grande parte do conteúdo hospedado, deletado. A lista de servidores afetados é imensa.

Porém em meio a tudo isso existe algo que eu não consigo entender. Eles colocaram tudo em um balaio e julgam tudo como pirataria. Mais e se eu compro um CD e quero upar e compartilhar gratuitamente ?? É um direito meu, certo ??. Eu comprei e paguei pelo produto, logo posso fazer o que bem entendo com ele. Mais ai esbarramos em outro fator: Esta lei está acabando com a nossa liberdade.

No último post que eu fiz, disse que estava sem motivação para continuar postando e um dos motivos é este. Eu levo o meu blog a sério, gosto do que eu faço e ao mesmo tempo fico preocupado por saber que posso perder todo um trabalho que demorei 4 anos para fazer. Embora muita gente só se lembre dos blogs para entrar e baixar o conteúdo, na realidade isso não é fácil e a prova disso é que muitos blogs já abandonaram o barco e deixaram de ser atualizados. Outros ainda estão lutando. No momento o que vemos é um futuro de incertezas.

A única pergunta que fica é: Qual será o destino da internet ??

Sem mais.

Se você ainda não sabe o que é SOPA/PIPA e como ela irá afetar a todos, assista o video.

terça-feira, 19 de abril de 2011

Jazz para todos

Foto: Miles Davis

Por Carlos Calado

Se você é um daqueles que ainda encaram o jazz como um gênero difícil de assimilar, é bem provável que comece a mudar de opinião ao escutar alguns Cds inclusos nessa coleção. Não se espante se, depois de apreciar algumas gravações de Louis Armstrong, Charlie Parker, Art Blakey, Ella Fitzgerald ou Chet Baker, entre outros, você perceber que a aparente dificuldade de penetrar no universo do jazz deixou de assusta-lo.

Ninguém precisa fazer parte de um seleto clube de iniciados, nem saber ler partituras, para curtir a música de um Nat King Cole ou de um Herbie Hancock. O jazz é acessível a qualquer um que, simplesmente, goste de música e tenha abertura e curiosidade suficientes para ampliar seu conhecimento. Claro que alguns dos diversos estilos do jazz são mais complexos do que os gêneros musicais que costumamos ouvir diariamente nas rádios, como o pop ou o rock, mas a maior parte do repertório do jazz é bastante acessível a qualquer ouvinte.

O trompetista norte-americano Wynton Marsalis e seu irmão saxofonista Branford, dois dos músicos de jazz mais badalados nos anos 80 e 90, nunca esconderam em suas entrevistas que preferiam ouvir funk ou rock quando ainda eram adolescentes. Apesar de pertencerem a uma tradicional família de músicos de Nova Orleans e de terem crescido ouvido jazz com frequência, eles resistiam, inicialmente, a assistir concertos de jazzistas. Como outros garotos e jovens de sua geração, na década de 70, os irmão Marsalis sentiam falta do apelo visual da dança ou mesmo das letras das canções tão comuns nos shows de musica pop.

Wynton conta que essa dificuldade inicial se rompeu por volta de seus 12 anos. Um dia, ao ouvir o saxofonista John Coltrane tocar “Cousin Mary” (composição que faz parte do influente álbum Giant Steps, gravado em 1959), sentiu algo parecido com uma revelação. Foi como se ele tivesse obtido o código para abrir um cofre com um segredo valioso. No texto de apresentação desse disco, em depoimento ao jornalista Nat Hentoff, Coltrane explica que o titulo da música referia-se a sua prima Mary, “uma pessoa muito simples, amistosa e alegre”, cujo modo de ser ele tentou descrever por meio dessa composição. Por isso, Coltrane optou pela simplicidade da estrutura harmônica de um blues tocado em ritmo animado.

Claro que esse tipo de experiência é subjetiva, pessoal. Outros poderão escutar essa mesma gravação do Coltrane sem sentirem nada de especial. Mas são comuns os relatos, tanto de músicos como de simples ouvintes, de que se apaixonaram pelo jazz ainda na adolescência, ao ouvirem um improviso bem-humorado de Louis Armstrong, uma balada romântica de Duke Ellington, uma canção interpretada com amargura por Billie Holiday ou um álbum do sempre elegante Miles Davis.

Em geral, a dificuldade sentida por quem ainda não se familiarizou com o jazz surge nos momentos de improviso – o elemento que mais diferencia esse gênero musical dos outros. Também a pouco de improvisação no blues, no soul, no rock ou mesmo na musica erudita, mas em nenhum desses gêneros o uso da improvisação é tão extenso e essencial como no jazz. Os jazzistas criam grane parte de sua música utilizando a improvisação, que nada mais é do que um método de composição instantânea, de criação no ato. É ela que faz do jazz uma arte meio imprevisível, em continuo processo de criação e recriação.

Mesmo que você não saiba distinguir um acorde maior de um acorde menos, ou jamais tenha aprendido a tocar um instrumento musical, pode acompanhar improvisos de um grupo de jazz, tanto em gravações como em concertos, sem dificuldade. O espirito da coisa está em pensar no jazz como uma linguagem semelhante à utilizada pelos seres humanos se comunicarem entre si.

A relação entre os músicos de um grupo de jazz é, de certo modo, similar a um de bate-papo entre amigos. Na hora de improvisar, o jazzista pode – por meio de notas musicais, dos acentos rítmicos e inflexões sonoras ao tocar o instrumento – contar um caso, trocar ideias ou até mesmo discutir com os parceiros. Essa linguagem é praticada por todos, mas a personalidade de cada instrumentista, suas emoções no momento, seu sotaque e vocabulário pessoal, assim como as respostas e intervenções dos parceiros contribuem diretamente para que cada improviso seja único, diferente dos outros.

O fato de a maioria dos jazzistas não ter frequentado escolas ou conservatórios musicais, especialmente até meados do século passado, jamais os impediu de se comunicarem quando improvisam. Nos anos 30, quando perguntavam ao veterano saxofonista Lester Young qual era o segredo de seus elegantes improvisos, ele jamais escondia o mapa da mina: “Você precisa contar uma história”, ensinava. Essa capacidade de improvisar, de criar música na hora, sem recorrer a partituras ou a ensaios prévios, é, certamente uma das qualidades mais encantadoras do jazz.

Fonte: Coleção Clássicos do Jazz - Volume 1 (Nat King Cole)

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A Geração do Fone de Ouvido

Por Daniel Faria

Já faz algum tempo que estou querendo falar sobre esse assunto. Porém com uma visão diferente, sem termos técnicos. Mais o que tem demais em falar sobre fone de ouvido? Por acaso vocês já pararam para pensar quem foi o inventor dele? Eu procurei em tudo quanto é canto e por incrivel que pareça não encontrei o nome desse cara. Seja quem for o inventor, aposto que ele não iria imaginar que seu invento seria tão usado um dia.

Muitas vezes esse pequeno objeto passa desapercebido, mais o que seria de um musicólatra sem o seu fone de ouvido? É ele quem nos proporciona momentos únicos e tem o poder de nos desligar do mundo ou do momento em que estamos. Você pode usar o fone em uma viagem, no caminho do trabalho ou da escola, no ônibus, no carro, na rua, enfim, onde for permitido e conveniente. Ele nos trouxe uma sensação de liberdade, onde você ouve o que quer, como quer e sem incomodar ninguém.

E quem aqui já não passou por situações digamos desagradáveis. A mais clássica é quando você está no ônibus e senta uma pessoa do seu lado e tenta puxar conversa, se você não está afim de papo, existe uma solução. Nesses momentos o ideal é estar com o seu fone de ouvido, mesmo que o som esteja desligado, isso funciona e faz com que a pessoa nem perturbe você. É infalível, testado e aprovado hein! (risos).

A verdade é que o fone mudou os hábitos das pessoas, hoje em dia é fácil você sair pelas ruas e perceber isso. Seja no celular, mp4, iPOD e etc. Tem sempre alguém com um fone. A tecnologia proporcionou isso e a pessoal comprou a idéia.

Pensando nisso cheguei a uma conclusão um tanto obvia: Somos a Geração do Fone de Ouvido.

Mais daí caímos em outro problema. Quem seria o nosso mentor? Se os maníacos por fone de ouvido pudessem escolher um, quem seria? Eu sugiro o Otto (The Simpsons). Ele é o motorista de ônibus da Escola de Springfield. Para quem não o conhece, ele é fissurado por heavy metal e vive literalmente com seu walkman e o fone de ouvido. Dirige de fone de ouvido e está em todas as ocasiões com ele. Uma vez aconteceu algo inesperado, por algum motivo (que não me lembro), o fone saiu do seu ouvido e com isso ele passou a ouvir o som da natureza e na mesma hora ele estranhou e disse que era chato demais. Foi um momento traumático para ele.

Creio que todo mundo que usa o fone tem alguma história divertida para contar. No meu caso já aconteceu de ficar com o fone mesmo sem ouvir nada, sabe de tanto usar até esqueço que estou com ele. Isso acontece sempre comigo. Outra mania é que eu não consigo mais sair de casa sem meu ipod e o fone. Mesmo que eu não use, preciso estar sempre com ele. Alias isso vem de muito tempo, desde que eu ganhei meu walkman, quando tinha meus 10 anos. Será que preciso ir a um médico?

O fone de ouvido virou um objeto indispensável, principalmente nos momentos de hobby. Existem diversos modelos e marcas (que em uma próxima postagem vou especificar melhor), tem para todos os gostos e bolsos. Claro que quanto mais caro é melhor, principalmente em qualidade. Mas apesar de levar o assunto em tom de brincadeira, temos que ter cuidado, pois o fone usado de maneira errada por causar problemas de audição (acho até estranho eu falando isso). Aparentemente pode até não incomodar agora, mais no futuro você pode ter alguns problemas. Claro que, falar é muito fácil, eu uso fone há muitos anos e digo por experiência própria, é difícil ouvir música no volume baixo, e hoje com os aparelhos e fones cada vez mais potentes, isso acaba sendo um problema. Porém não é só isso, o fone também pode ser um aliado na transmissão de doenças (bactérias e fungos). Por isso vai uma dica simples: Evite compartilhar o seu fone com outras pessoas.

Cuide bem do seu fone, em toda minha vida eu perdi as contas de quantos fones eu comprei, por não cuidar direito. É um objeto muito sensível, principalmente a fiação dele, que se quebrar você corre o risco de ter apenas um lado do seu fone funcionando. Isso é traumático (risos). Ele também costuma dar defeito próximo ao plug-in. Por isso na hora de guardar evite dobrar ou enrolar o fio. Isso com certeza irá prolongar a vida útil dele.

Enfim apesar do texto não ter ficado excelente, acho que consegui passar um pouco da idéia, falar de um objeto muitas vezes esquecido e que na verdade é um grande aliado do amante da boa música.

Em uma próxima oportunidade vou falar especificamente sobre alguns modelos de fone e também dos tocadores de música.

Enquanto isso, aproveite para contar alguma experiência que você passou com seu fone de ouvido.

***Este artigo foi postado originalmente no blog : Musicólatras Anônimos *****


domingo, 17 de janeiro de 2010

Rock in Rio faz 25 Anos



Esta matéria foi ao ar no Jornal da Globo no último dia 15.

Por Nelson Motta

A sensação era de que “o grande amanhã” finalmente havia chegado. Não era mais uma metáfora surrada das músicas de oposição. Em janeiro de 1985, com a eleição de Tancredo Neves, acabavam oficialmente 20 anos de ditadura. Com o Rock in Rio, finalmente, se realizava o sonho de milhões de jovens brasileiros desde Woodstock, em 1969. Com 16 anos de atraso, os megaeventos de rock chegavam ao Brasil. Porque na ditadura não havia liberdade e, sem liberdade e rebeldia, o rock não rola.

Finalmente, graças a Roberto Medina, o Brasil tinha o seu Woodstock, com mais de 200 mil jovens, e já não tão jovens assim, aplaudindo e cantando junto com seus ídolos que só conheciam de discos e vídeos. Bandas de heavy metal como o Iron Maiden, o Scorpion, o AC/DC e o Whitesnake, que ninguém sabia que tinham tantos fãs no Brasil, foram um dos pontos altos, pelo menos em volume, do festival. Até o comentarista estava animado à beça.

Além do público, quem mais se beneficiou com o Rock in Rio foi o rock brasileiro dos anos 80, que, estimulado pela recém conquistada liberdade, começava a fazer sucesso no underground com a Blitz, Lulu Santos, o Barão Vermelho e o Kid Abelha. Com o Rock in Rio, em rede nacional pela TV Globo, o Rock Brasil entrava na moda e revelava os Paralamas do Sucesso.

Mas nem só de rock viveu o Rock in Rio, grandes nomes da MPB como Alceu Valença, Ney Matogrosso, Moraes Moreira e Ivan Lins também se apresentaram, uns com mais e outros com menos sucesso, ao lado de estrelas do jazz como George Benson e do folk, como James Taylor, que estava meio esquecido nos Estados Unidos, mas renasceu artisticamente do Rock in Rio.

O Brasil nunca havia visto nada parecido. Nossos artistas nunca haviam tocado para tanta gente e com um sistema de som tão bom. Mas o Rock in Rio acabou, Tancredo morreu, Sarney tomou posse e Brizola, que era governador do Rio de Janeiro e adversário político dos Medina, mandou destruir a Cidade do Rock.

O Rock in Rio só voltaria seis anos depois e se espalharia pelo mundo, mas o primeiro a gente não esquece.

sábado, 6 de dezembro de 2008

O Brasil na Bagagem


É interessante como os brasileiros e americanos (e, através destes o mundo) se entregaram a Tom Jobim por caminhos diferentes. O que “Chega de Saudade” significou para o Brasil foi representado, nos Estados Unidos, por “Desafinado” (“Off-Key” , na versão em inglês). A emoção que sentimos ao ouvir “Samba de Avião” pode ser incompreensível para os gringos – que, em compensação se apaixonaram por “Wave”. Os dois grandes casos de paixão em comum foram por “Garota de Ipanema” e claro “Águas de Março”.

De 1962 para cá, “Garota de Ipanema” fez de tudo na vida: nasceu Cult, tronou-se um sucesso, depois um mega-sucesso, passou a ser considerada o hino da bossa nova, foi reduzida a kitsch e, desde há muito, incorporou-se, com tranqüilidade, ao repertorio universal: é um dos maiores Standards do século XX. Já foi e continua a ser gravada por tanta gente que não se sabe como as sociedades que cuidam de seus royalties mantêm o controle: pelas ultimas contas, “Garota de Ipanema” teria perto de 300 gravações – mas o numero real deve ser o dobro disso, somando-se as obscuras versões não autorizadas que vivem sendo feitas. Na internet, fica-se sabendo de gravações por piano solo, orquestra sinfônica, quarteto de cordas, banda de gaita e foles e até gangues de funk e hip hop. O espectro de seus interpretes vocais vai de Frank Sinatra, que você sabe muito bem quem é, a Floyd the Barber, de quem você nunca ouviu falar (trata-se de um cantor de rap). Tudo isto é legalizado, mas, e as paródias de “Garota de Ipanema” – humorísticas, sensuais e tantas outras – que até hoje abundam, principalmente nos Estados Unidos?

Neste momento, os principais portais ou mecanismos de busca da internet, contêm, cada qual, um mínimo de 600 mil entradas relativas á “The Girl from Ipanema” – vasculhá-las por inteiro, só no espaço de uma ou duas vidas. Há paginas falando da Jeune Fille d’Ipanema, da Ragazza de Ipanema e da Chica de Ipanema, o que é normal, mais há também sites em russo, grego, japonês, chinês, coreano, árabe e outras línguas para as quais o computador precisa ter os caracteres adaptados. A partitura contendo a melodia de Tom, a letra original de Vinicius de Moraes e a versão em inglês de Normal Gimbel, esta exposta à exaustão na rede, muitas vezes com áudio (na gravação de Astrud com Getz). No caso da letra de Vinicius, não faltam adaptações fonéticas para ajudar o pessoal de língua inglesa a reproduzir a interpretação de João Gilberto resultando em coisas assim: “Aw-lyuh kee koey-suh mah-izh leen-dah/Mah-iz shay-ya dee grah-suh....”

Internautas dos EUA, do Japão e da Alemanha trocam mensagens relatando onde estavam, fazendo o quê e o que sentiram ao ouvir “The Girl from Ipanema” pela primeira vez. Mais ou menos como, por muitos anos, se fez com o assassinato do presidente John Kennedy em Dallas, Texas a 22 de novembro de 1963. Não por acaso, seu lançamento internacional, na gravação de Astrud, se deu em seguida à morte de Kennedy, a há quem associe seu imediato sucesso nos Estados Unidos ao efeito calmante que a canção teria sobre os americanos depois de um impacto violento – como se, de repente, para eles, o mais sensato fosse jogar tudo para o alto e ir para uma praia chamada Ipanema, uma Xangri-la moderna, bem longe do Vietnã, onde garotas altas e bronzeadas passeavam soberbas e soberanas pelas areias, e todo mundo fazia “Ah....”. A diferença é que cada vez há menos gente capaz de se lembrar onde estava naquele longínquo dia em que mataram Kennedy – mas “The Girl from Ipanema” continua a marcar quem, até hoje, a ouve pela primeira vez.

O mesmo acontece com “Águas de Março”, que, em português ou inglês, transporta o ouvinte para uma realidade fora de tempo e do espaço deste insensato mundo. Na realidade – assim como “Chovendo Roseira” – é uma crônica do sítio da família de Tom em Poço Fundo, aonde, desde cedo, ele foi se esconder dos carros, aviões e arranha céus que turvaram a sua fome de paisagem. Ou seja, um universo chão mateiro e, à primeira vista, a antítese da bossa nova, se comparado às temáticas urbanas e cariocas de praia/verão/mulher de sua obra inicial, e de que “Garota de Ipanema” é o exemplo supremo. Mas, curiosamente, aqueles paus e pedras e fins do caminho eram bossa nova do mesmo jeito – como tudo que ele fez.

Tom compôs numa variedade de gêneros, ritmos e metros brasileiros, como se promovesse uma verdadeira ocupação musical do Brasil, e a todos imprimiu uma sonoridade “bossa nova” – nomenclatura que, ao contrário de alguns, ele nunca rejeitou, numa notável fidelidade à musica que o consagrou. Tom foi também o herdeiro, e talvez o ápice, de uma grande tradição do piano brasileiro, que começou com Chiquinha Gonzaga, Ernesto Nazareth, Villa-Lobos, Sinhô, Ary Barroso, Custódio Mesquita, Vadico, Alcyr Pires Vermelho e outros, por ordem de entrada em cena, e prossegue hoje com Gilson Peranzetta, Francis Hime, Wagner Tiso e tantos mais.

Em 1967, quando aceitou o convite de Frank Sinatra, então o maior cantor do mundo, para gravar com este um disco de suas canções, Tom deve ter tido um problema com malas ao embarcar para Los Angeles: excesso de peso. Era inevitável. Afinal, levava o BRASIL NA BAGAGEM.

Fonte:

Livro: Coleção Folha 50 anos da Bossa Nova
Volume 1 - Antonio Carlos Jobim

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Os Vários Sopros de Kenny Dorham



"Eu gostaria de fazer um livro com alguns músicos que sinto que foram deixados para trás... Como Kenny Dorham. Muita gente conhece Kenny, mas durante toda sua vida, ele nunca recebeu as honras nem as rosas que deveria ter recebido por tudo o que ele nos deu."
--Jackie McLean

Por JazzMan!

Talvez você nunca tenha ouvido falar no nome Kenny Dorham, mas trata-se de um dos trompetistas mais influentes e talentosos da história do Jazz. Sua pouca popularidade deve-se ao fato de ter sido por muito tempo músico de músicos. No seu currículo, estão registradas participações em bandas de músicos de renome como Dizzy Gillespie, Art Blakey, Bud Powell, Max Roach, Thelonious Monk, Charlie Parker e John Coltrane. Outro fato que pode ter pesado na carreira do trompetista foi seu estilo complexo e a inclinação para outras vertentes, o que o deixava em desvantagem com trompetistas mais evidentes, como Miles Davis, Dizzy Gillespie e Clifford Brown.

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Nascido em 1924, no Texas, Dorham começou a tocar piano aos sete anos. Na adolescência, iniciou o estudo de trompete na Wiley College Band com Russell Jacquet. Em 1942, foi recrutado pelo exército, onde tocava com a delegação de boxe. Ao sair do exército, muda-se para Nova York, onde atuou com grandes figurões, como Dizzy Gillespie em 1945, BilIy Eckstine no ano seguinte, com Lionel Hampton em 1947, com Mercer Ellington (filho de Duke) um ano depois e Charlie Parker entre 1948-50, substituindo Miles Davis.

Em 1953, aos 29 anos, gravou Kenny Dorham Quintet, seu primeiro álbum como líder, acompanhado por grandes nomes como Bud Powell (piano), Sonny Stitt (sax alto), Percy Heath (bass), Jimmy Heath (sax tenor) e Kenny Clarke (bateria). Esta gravação já mostrava um músico maduro, mostrando que não estava ali apenas para ser uma sombra de outros músicos. (Foto: Kenny Dorham Quintet - 1953)

Sua complexidade harmônica e a capacidade de fazer melodias marcantes e improvisar eram características que geravam muita admiração em vários músicos, o que gerou um paradigma em sua carreira: pouco conhecido entre o grande público e muito admirado pelas pessoas do seu meio.

É impressionante imaginar que um músico com este talento peculiar teve que fazer "bicos" para sustentar sua família. O dinheiro que vinha do Jazz não era suficiente, o que o obrigou a dividir suas atividades musicais com tarefas extras, como escrever uma coluna na revista Down Beat, vender plantas medicinais e trabalhar em uma refinaria de açúcar.

A partir de 1955, Dorham foi influente em formações que revigoraram o bop e mostrou uma faceta inovadora: aderiu ao estilo “Afro-Cuban Jazz”, misturando elementos latinos e africanos ao seu Jazz. Nesta época, formou o grupo Jazz Messengers com o baterista Art Blakey e o pianista Horace Silver. A formação não durou muito tempo e Dorham saiu para formar o Jazz Prophets que, assim como o Jazz Messengers, serviu de ponte para o lançamento de novos talentos, como Joe Henderson, Kenny Burrell, Herbie Hancock e Tony Williams (os dois últimos tocaram com Dorham antes de tocar com Davis). Ainda em 1955, grava o respeitado LP Afro-Cuban que, como o nome diz, mostra a sua aproximação e amor pelo recém-adotado estilo, que persistiu até os últimos álbuns de sua carreira. Em 1956, substituiu Clifford Brown no Max Roach Quintet, após a morte prematura do trompetista. Em 1957, liderou o mesmo Max Roach Quintet para a gravação de Jazz Contrasts, um memorável registro de 41 minutos, mostrando uma sintonia perfeita de seu trompete com o sax de Sonny Rollins. (Foto: Afro-Cuban - 1955 e Jazz Contrasts - 1957)

No final da década de 50, Dorham se firmou definitivamente na carreira solo, liderando seus próprios Quarteto e Quinteto e gravando obras que hoje são verdadeiras referências. Em 1958, mostrou que além de grande trompetista, tinha autoridade para cantar, gravando Kenny Dorham Sings and Plays: This Is The Moment!. Em 1959, registrou um dueto histórico com o saxofonista Cannonball Adderley, gravando o memorável Blue Spring. (Foto: Kenny Dorham Sings and Plays: This Is The Moment! - 1959)

Esteve no Brasil em 1960, onde se encantou pela “batida” da bossa nova e a diversidade da nossa música. Essa viagem serviu de inspiração direta para álbuns, como Matador, onde toca Prelude de Heitor Villa-Lobos e Una Mas, que incluiu a faixa São Paulo, uma homenagem à cidade. Permaneceu gravando grandes álbuns até a metade dos anos 60, onde também colaborou com os amigos Joe Henderson e Tony Williams, levando-os a gravar uma série de álbuns, como Our Thing, In'n'Out e Page One, este último com a gravação do standard Blue Bossa, mais um investida do trompetista na fonte da música brasileira. (Foto: Una Mas - 1963)

Além de grande músico, Dorham se mostrou engajado nas questões sociais de seu país. Foi consultor da “Harlem Youth Act Anti-Poverty”, programa social para jovens pobres de Nova Iorque. Foi membro do conselho administrativo da New York Neophonic Orchestra antes de sua morte, em 1972, causada por problemas renais que já o atormentavam há algum tempo.

Durante a semana, acompanhe os momentos mais significativos da carreira do trompetista Kenny Dorham




Este post é uma parceria entre o Blog Jazz e Rock e o Blog JazzMan! .Para baixar outros discos de Jazz acesse já:

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