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sábado, 10 de novembro de 2012

A Donzela de Ferro e a História: Killers (1981)

Continuando a série A Donzela de Ferro e a História do Ricardo Heavynick (História e Caos), vamos para mais uma aula de história, desta vez com o álbum Killers.


Iron Maiden - Killers (1981) 

E logo de cara, no som instrumental The Ides of March, um tema de minha preferência, Roma! A tradução para o termo é Idos de Março.
O primeiro calendário romano, segundo a lenda, foi elaborado por Rômulo em 753 A.C. e tinha 10 meses de 30 e 31 dias, totalizando 304 dias. Os 61 dias restantes de inverno, não entravam na contagem.
Em 713 A.C., o rei Numa Pompílio elaborou um calendário no modelo ateniense, mais preciso. Este tinha 12 meses de 29, 30 e 31 dias e a cada dois anos era inserido um 13º mês de 22 ou 23 dias.
Este modelo foi substituído pelo modelo de Julio Cesar, o calendário Juliano, que também era um modelo confuso, mas pelo menos era mais "estável".
Dentro de cada mês, 3 dias tinham nomes especiais, são eles:
Calendas (Kalendae): é o dia primeiro do mês, é o primitivo da palavra calendário, que usamos até hoje;
Nonos (Nonae): 5º ou 7º dia, dependendo do mês, normalmente a noite do quarto crescente;
Idos (Idus): 13º ou 15º dia, dependenddo do mês, era normalmente noite de lua cheia.
Eu levei tudo isso para dizer que no calendário romano, os Idos de Março correspondia ao dia 15, data em que Julio Cesar foi traído e assassinado pelos senadores romanos, em 44 A.C.

De acordo com Plutarco, foram 23 facadas e 60 foram os conspiradores liderados por Brutus e Cássio. 

"Beware of Ides of March" (Cuidado com os Idos de Março), é o que um vidente teria dito a Julio Cesar dias antes de sua morte. Claro, nas palavras de Shakespeare, em  A Tragédia de Julio Cesar, ano de 1599.  

Wrathchild pode ser interpretada como a história de um filho de uma prostituta procurando pelo seu pai. E a criança está com raiva e procurando por todo lugar! Aliás, a palavra wrathchild não existe, são duas palavras juntas wrath e child.  

Segue o álbum pela rua sangrenta, em Paris: Murders in the Rue Morgue que é nome de um conto de Edgard Allan Poe. Ele foi um escritor estadunidense nascido em Boston (1809) e morreu "semi-jovem", aos 40 anos. É um dos precursores da ficção científica moderna.  

Edgard Allan Poe
Este conto fala sobre assassinatos de mulheres na rua Morgue, esta rua é fictícia - pelo menos não achei no google mapas. O investigador Durpin é quem desvenda estes crimes.

  
Anoher Life e Innocent Exile parecem seguir um pouco a história da música anterior. Na primeira uma voz o pede para morrer e a outra o personagem foge por ser acusado de um crime que não cometeu. Killers fala sobre as sensações de um serial killer sedento por sangue.

A instrumental Genghis Khan não fala de nada [talvez por ser instrumental hehe], porém tem muita história. O Cã dos Clãs, Temujin (1162 - 1227) , foi o maior conquistador de terras da história [veja aqui na Super]. Ele ainda morreu dizendo não ter atingido seu verdadeiro objetivo: Não ter tido tempo suficiente para conquistar todo o mundo! 

Filme "Genghis Khan - A Lenda de um Conquistador" (2011)
Purgatory é um remake de uma música que o Maiden já tinha. O purgatório, segundo a lenda cristã, não é bem um lugar, mas uma condição temporária de sofrimento pós morte para alcançar a salvação. É tipo assim: se você foi muito bom, vai para o céu, se foi muito mau vai para o inferno e se o julgarem como "nem lá, nem cá", vai para o purgatório se livrar dos males restantes, mediante sofrimento claro, e aí vai para o céu.

An Angel Frees the Souls of Pugatory - Lodovico Carracci (1610)

Capa do single "Purgatory", lançado em 15 de Junho de 1981
Prodigal Son também tem uma conotação cristã, e também de outra mitologia, a Grega. Na música do Maiden, o personagem fala para Lamia que cometeu muitos erros, foi possuído pelo Lu e que estava tornando-se mau.


Na bíblia, em Lucas 15 11:32, há o que chamam de a Parábula do Filho Pródigo, que é meio o que está na letra, um filho que tinha tudo, gastou com bebidas, mulheres e Texas Hold'em e voltou arrependido para o pai dele.
Lâmia por sua vez, era filha de Posêidon e rainha da Líbia. Estava tudo bem na vida dela, até ela conhecer Zeus (o Deus safadão). Como de costume, Zeus a "persuadiu" e eles tiveram muitos filhos.
Um belo dia, Hera descobriu o novo casinho do maridão, matou as crianças de Lâmia, fez com que os olhos dela jamais se fechassem, algumas versões dizem que Hera a transformou em um monstro (Veja aqui o que ela fez com Hércules). Lâmia ficou louca e começou a devorar crianças. Zeus, penalizado, deu a ela a habilidade de tirar os próprios olhos para que ela sofresse menos com o que teria que ver.
O poeta inglês John Keats escreveu uma obra sobre Lâmia - talvez aí resida a inspiração de Steve Harris. No filme Stardust, Michelle Pfeiffer interpreta a bruxa Lâmia.
Twilight Zone tem relação com as demais quando ele diz que quer sair do purgatório, que ele, morto, chama por ela e espera que ela morra logo pois ele está tão só.
Capa do single "Twilight Zone", lançado em 2 de março de 1981.
Drifter encerra este grande álbum, com um toque de esperança nos novos dias e novas aventuras!

Este é o segundo e último do vocalista Paul Di'Anno. Imagino os fãs da época como devem ter ficado tristes com a saída dele. A sorte é que nem deu muito tempo, Paul Bruce Dickinson chegaria para o próximo álbum. O melhor da Donzela e um dos maiores da história do Heavy Metal!


1. The Ides Of March
2. Wrathchild
3. Murders In The Rue Morgue
4. Another Life
5. Genghis Khan
6. Innocent Exile
7. Killers
8. Prodigal Son
9. Purgatory
10. Twilight Zone
11. Drifter
Formação
Paul Di'Anno - Vocalista
Steve Harris - Baixo e Backing Vocals
Dave Murray - Guitarra
Adrian Smith - Guitarra e Backing Vocals
Clive Burr - Bateria
Leia a primeira postagem da série: Iron Maiden - Iron Maiden (1980) 

Fonte (ilustrações): Blogflight 666 

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Donzela de Ferro e a História: Iron Maiden (1980)

Caros leitores e leitoras.

Começa hoje aqui no Jazz & Rock, uma série de postagens sobre o Iron Maiden e os fatos históricos por trás de cada álbum da banda. A série foi criada pelo Ricardo Heavynick do blog História e Caos .Agradeço o Ricardo Heavynick por aceitar o meu pedido e permitir que eu postasse a série para os leitores do Jazz & Rock. Espero que vocês gostem e apreciem as postagens, pois é o resultado de um trabalho que envolveu muita pesquisa e que merece nosso reconhecimento. 

Então se você curte heavy metal e uma boa dose de história, seja bem vindo. 

Por Ricardo Heavynick ( História e Caos )

Quem é fã da Donzela de Ferro sabe o quanto estes caras tem carregado em suas letras passagens históricas, além de citações de autores como Shakespeare, mitologias e muito mais.

Claro, devemos muito destas letras a Steve Harris e Bruce Dickinson _ que além de piloto de avião, esgrimista, roteirista, vocalista do Maiden, é historiador. E de certa forma entrar no mundo do que estas letras dizem sobre a história, é entrar um pouco na mente destes caras.

Mas não nos percamos assim em sua genialidade somente, tudo aquilo que os boys Nicko, Dave, Adrian e Jenick fazem juntos, é motivo de admiração.

Mas que passagens são estas? O que há por trás disso tudo?


Não vou conseguir todas as respostas, mas analisando letra por letra e pesquisa aqui e acolá eu consigo algo de interessante. Embarquem nesta viagem comigo! Let's run free!!


Iron Maiden - Iron Maiden (1980)

O álbum começa com Prowler, e quer dizer algo como "perambulador" ou alguém que se esgueira atrás de algo (verbo prowl). Na música temos um cara observando e desejando mulheres.

Remember Tomorrow, Di'Anno escreveu em homenagem ao avô. É tudo que se sabe, analisando a letra pode-se imaginar que o avô dele foi piloto, inclusive algumas fontes sugerem que ele foi piloto da Força Aérea Real (Royal Air Force) na Segunda Guerra Mundial.

A RAF surgiu em 1918 e foi muito proeminente na II Guerra Mundial. É a segunda maior atualmente na OTAN, ficando atrás apenas da USAF (Força Aérea dos EUA). A RAF responde às ordens do ministro britânico da defesa.  

 Supermarine Spitfire Mk VA  
Durante a guerra, a RAF enfrentou a força aérea alemã, Luftwaffe na Batalha da Grã-Bretanha. Foi a primeira batalha da história apenas com aeronaves.

O fim desta batalha, vencida pelos ingleses, levou Winston Churchill a dizer: "Never, in the field of human conflict, was so much owed by so many to so few" _ em português: "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"   

O som Running Free segundo Paul Di'Anno é uma espécie de autobiografia de quando ele era jovem.
  

O álbum segue com Phantom of the Opera que é romance do francês Gaston Leroux de 1910, nome original Le Fantôme de l'Opéra. Esta obra foi adaptada para o cinema e teatro várias vezes e atualmente é o musical mais visto no mundo, com adaptação de Sir Andrew Lloyd Weber, superando Cats, dele mesmo.

Sobre o romance, recomendo que assistam o filme, veja o trailler de The Phantom of the Opera (2007).  

A instrumental Transylvania é o som seguinte. Esta região romena é muito conhecida graças a Vlad III, Príncipe (Voivoda) da Valáquia, ou mais popularmente como Vlad o Empalador ou Drácula. Ele foi príncipe de 1456 até 1462 (época do apogeu do império Otomano) 1448 e 1476.

Bran Castle na Transilvânia - Conhecido habitualmente como o "Castelo do Drácula"  
Vlad era um cavaleiro cristão e enfrentou os turcos e seu próprio irmão Radu. Ele utilizava de métodos cruéis contra inimigos, principalmente o empalamento - para quem não sabe, empalar é um método de tortura onde se enfia uma estaca no ânus, vagina ou umbigo e ela atravessa todo o corpo. Haviam métodos que impediam que a pessoa morresse imediatamente após a inserção da estaca, para que ela sofresse mais algumas horas de dor.

O irlandês Bram Stoker (1847 -1912) após estudar folclore europeu e histórias de vampiros lançou em maio de 1896 sua magnum opus, Drácula.   

Strange World parece falar de drogas, sério mesmo. Fala do seu mundo perfeito e diferente, que está aqui mas não está, enfim. Porém quando eu vejo que a letra foi escrita por Harris minha tese cai por terra, ele é muito certinho.  

Sanctuary parece alguém que cometeu um crime e precisa de um refúgio em santuário. Entre os séculos XIV e XVII um criminoso que se refugiasse em um santuário não podia ser preso, segundo a lei inglesa.

Capa do single "Sanctuary", lançado em 23 de maio de 1980.
A música Charlotte the Harlot é a primeira parte da "The Charlotte Saga", que eu carinhosamente chamo de a Saga da Puta _ com todo o respeito para as profissionais e amadoras da área. As outras músicas dessa saga são 22 Acacia Avenue (The Number of the Beast), Hooks on You (No Prayer for the Dying) e From Here to Eternity (Fear of the Dark). Se bem que muita gente discute se as duas últimas de fato fazem parte desta saga, o fato é que pelo menos uma delas toma parte.

Charlotte é uma prostituta de East End, Londres

East End fica à leste do Muro (Medieval) de Londres e ao Norte do rio Tâmisa. Foi uma das áreas que mais sofreram com os bombardeios na segunda Guerra Mundial. Antes disso a área já era uma das mais pobres do Reino Unido (e ainda é), onde se concentravam os imigrantes e as pessoas que viviam nas favelas do centro, que tiveram que sair devido as construções das docas e de um terminal ferroviário.  

Iron Maiden é aquela musica que os caras vão tocar para sempre, por que representa aquilo que é o Maiden. Eles fazem o público sangrar de alegria!!

Iron Maiden: Instrumento de tortura usado na idade média.
Mas também, Iron Maiden é um instrumento medieval de tortura com lanças dentro e na porta, conforme a porta vai fechando... bem, dá para imaginar o que acontece. Não, não dá, as lanças não atingem órgãos vitais, a pessoa morre de asfixia ou hemorragia um tempo depois.

Iron Maiden também é como a ministra britânica Margaret Thatcher era chamada.

A capa do single representa Margaret Thatcher portando uma submetralhadora Sterling preparando-se para atacar Eddie. A capa na verdade é uma brincadeira com a capa do single anterior, Sanctuary, em que Eddie aparece assassinando Thatcher.  
Depois deste álbum o guitarrista Dennis Stratton deixa a banda e é substituído por Adrian Smith. 

No álbum, a ordem das músicas pode mudar dependendo de onde ele foi lançado, o lançamento abaixo é o dos EUA. Na primeira versão não está incluída a faixa Sanctuary.



1. Prowler
2. Remember Tomorrow
3. Running Free
4. Phantom of the Opera
5. Transylvania
6. Strange World
7. Sanctuary
8. Charlotte the Harlot
9. Iron Maiden

Formação:
Steve Harris - Baixo e Backing Vocals
Dave Murray - Guitarra
Paul Di'Anno - Vocalista Principal
Clive Burr - Bateria
Dennis Stratton - Guitarra e Backing Vocals   


Fonte: História e Caos

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

RockHard: Entrevista com Steve Harris


Por: Jan Jaedike / RockHard - Alemanha
Tradução: Igor Soares / Blog Flight 666


Um projeto paralelo de Steve Harris era a última coisa que os fãs do Iron Maiden poderiam esperar. Mas do que se trata "British Lion"?

Seria muito fácil para o fundador do Iron Maiden compor e gravar músicas no estilo de sua banda, porém, sem o seu parceiro Bruce Dickinson. Ou então canções inspiradas pelas influências musicais que ele tinha quando deu seus primeiros passos, especialmente do mundo do rock progressivo, como Jethro Tull e Genesis. Mas a verdade é que "British Lion" soa bem diferente. Imagine uma banda de hard rock pouco antes do início da década de 90, tentando se adaptar em meio a onda mais alternativa do grunge, mas sem se afastar de suas raízes musicais.

Algumas músicas até poderiam estar em um show do Iron Maiden. Os fãs da banda vão achar interessante, mas vão encontrar algo diferente. O músico que compôs algumas das melhores músicas do Heavy Metal, está determinado a explorar algo realmente diferente.

Estamos em Bristow, Virgínia, perto da capital dos EUA, Washington. A turnê do Iron Maiden intitulada "Maiden England", está passando por diversas arenas americanas. No local do show, nos bastidores, em meio a passagem de som de Alice Cooper e entrada dos espectadores da primeira fila, eis que aparece Steve Harris. Desde 1975, hoje com 56 anos de idade, uma presença constante por trás da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Nossa conversa começa assim:

Steve Harris: Alguém da RockHard! Recentemente eu vi sua revista no Brasil. Quantas vezes você já ouviu o "British Lion"? Umas cinco vezes?

RockHard: Você nunca havia gravado um álbum solo.

Steve Harris: Exatamente. Até agora, havia gravado apenas algumas músicas do “Calm Before The Storm” (2008), álbum da minha filha, Lauren.

RockHard: Como você decidiu após 36 anos, fazer algo diferente, fora do Iron Maiden?

Steve Harris: O disco deveria ter saído bem antes, mas levamos um longo tempo para concluir o "British Lion". Meu tempo era bastante limitado por causa dos muitos compromissos com o Iron Maiden. Era quase impossível fazer algo paralelo. Por exemplo, estamos de volta em turnê e ela vai continuar por algum tempo. Mas mesmo quando não estou em turnê, há sempre muita coisa a ser feita da minha parte em nome do Maiden. Meus colegas do "British Lion" são muito pacientes.

RockHard: O álbum se chama "British Lion" e será lançado com o seu nome. Mas, enquanto isso, você sempre chama todo o projeto de British Lion. É uma banda ou o projeto solo de Steve Harris?

Steve Harris: Começou como um trabalho solo, mas agora somos uma banda, e isso me deixa mais confortável. Eu não acho que a música deva se resumir apenas ao baixo e a mim. Teríamos um resultado muito estranho (risos). É uma banda normal, embora eu esteja compondo as músicas. Atualmente todo o projeto funciona com o meu nome, mas com o passar do tempo teremos British Lion como um nome definitivo.



RockHard: Para este projeto você trabalhou com músicos desconhecidos, mas a maioria são da sua idade, da sua mesma geração.

Steve Harris: Eles se dão muito bem juntos e nos conhecemos a muito tempo. O Grahame Leslie (guitarra) tem a minha idade, o David Hawkins (guitarra /teclados), mais ou menos 40, nosso baterista Simon Dawson, em algum lugar entre... bom, eu não quero revelar sua verdadeira idade (risos) e o vocalista Ritchie Taylor tem 50, mas todos os dias ele corre 8 milhas, então parece que tem 40, mas canta como se tivesse 30. Ele está em excelente condição.

RockHard: Havia muitas informações sobre as gravações de "British Lion". E algumas músicas vazaram na internet com a informação de que eram da primeira demo, gravada em 1992. Também nessa época você produziu uma banda chamada British Lion.

Steve Harris: Já se passou tanto tempo? Não pode ser verdade (risos). Mas nunca esqueça da internet. Na verdade, agora eu fico apavorado (risos). Eu achava antes que eram 10, 15 anos, mas 20? Nossa! Naquela época, eu era o produtor, e algumas músicas foram registradas. Mas quase ninguém sabia. Tocaram apenas em alguns pequenos shows, particularmente em Portugal. Depois de algum tempo, a banda se separou, algo que não devia ter acontecido, porque muitas músicas eram ótimas. Seria uma vergonha permanecer na obscuridade.

RockHard: Então, há alguns anos, a banda foi reformulada com você permanentemente na posição do baixo, e isso foi mantido em segredo. Algumas das músicas de 20 anos atrás, lá do começo, continuam no repertório, como "Eyes of the Young". O disco dá a impressão de que há músicas de diferentes períodos. Isso significa que elas foram todas compostas em anos diferentes, de forma ascendente?

Steve Harris: Sempre trabalhamos as músicas separadamente, mas nós não estávamos no estúdio. Você está absolutamente certo sobre o fato de que algumas canções foram escritas há muitos anos. Algumas músicas são resultado da atual formação e não das antigas. Com outros caras fazendo toda a relação destes anos. Eu queria dar fôlego para a banda outra vez, então eu peguei o baixo como um membro permanente e assumi total responsabilidade pelo projeto. Embora tenha levado muito tempo para obter tudo em uma linha.



RockHard: Qual a importância do nome "British Lion"? Pergunto por que sua música poderia ser facilmente descrita como global.

Steve Harris: O nome é bem dinâmico. Eu lembro que desde a primeira vez que trabalhei com eles, já queria manter no nome. Pensamos que você deve ter orgulho de sua herança. Mas deve fazer isso de forma positiva e não errar, como muitos fazem, usando a herança para reduzir aos outros. Eu vejo isso como no futebol, através de uma concorrência saudável e não como uma declaração política. A arte do disco é uma criação minha (Steve trabalhou como ilustrador na década de 70, o logotipo do Iron Maiden foi criado por ele). Eu tinha tantas ideias para este projeto e eu não conseguia colocar em prática, agora finalmente eu posso (risos)!

RockHard: Você realmente gostou do baixo em todas as músicas?

Steve Harris: Sim, por que?

RockHard: Você é autodidata no baixo. Então, sempre irão creditar as características do Iron Maiden ao seu estilo, é uma marca registrada, como se não pudesse fazer mais nada.

Steve Harris: Eu tentei algumas coisas novas neste álbum. Acima de tudo, o som é muito diferente do Maiden e da abordagem que eu tenho com a banda, não irá corresponder a qualquer coisa. Mas eu acho que as pessoas vão me reconhecer tocando, embora em um estilo diferente.

RockHard: A música "Us Against The World", é, na minha opinião a que possui maiores semelhanças com as suas gravações com o Iron Maiden.

Steve Harris: Então, exatamente. E "A World Without Heaven" tem alguns elementos do Maiden também.

RockHard: Todo mundo automaticamente lembra da sua banda principal quando ouve guitarras duplas, apesar de você gostar muito dessa sonoridade bem antes da fundação do Iron Maiden.

Steve Harris: Exatamente. Acho que o "British Lion" tem suas raízes no rock mainstream dos anos 70. Em "The Chosen Ones", dizem, que lembra muitos elementos do UFO e que se assemelha também ao The Who.

RockHard: Estas canções serão tocadas ao vivo?

Steve Harris: Com certeza. Mas ainda estamos planejando como serão os shows. Até agora, poucas pessoas ouviram falar da nossa música. Devemos esperar a reação das pessoas. Ninguém nos conhece ainda, os promotores não sabem o que dizer para as pessoas. Eu aconselharia a fechar clubes para 200 pessoas? Para 500? Eu devo ser realista...

RockHard: Então, você está pronto, depois de todos esses anos com Iron Maiden, para começar do zero outra vez?

Steve Harris: No começo, pode ser que apenas 20 pessoas paguem pelos ingressos (risos). Eu ficaria muito satisfeito se 200 fãs fossem a um show do "British Lion". Francamente, seria fantástico. As pessoas a mais seriam um bônus.

RockHard: Sobre tocar ao vivo, você não tem feito isso com outro vocalista que não seja Bruce Dickinson já faz um longo tempo;

Steve Harris: O Ritchie é fantástico. Eu vi a banda ao vivo, e entre outras coisas temos tocado muitas vezes as músicas juntos, então eu não tenho preocupações. Ritchie tem muita confiança em si mesmo.

RockHard: Você parece estar muito impressionado com Ritchie, ele poderia ser uma boa opção se Bruce Dickinson decidir sair outra vez?

Steve Harris: Hahaha! Não, a voz de Ritchie não combina com o Iron Maiden. Devemos separar as coisas, apesar dele ser um excelente vocalista.

RockHard: E Blaze Bayley do Wolfsbane? Pareceu genial em sua época.

Steve Harris: Sim, você está certo (Risos - de uma forma que mostra que ele quer terminar este assunto rapidamente).

RockHard: Você disse que algumas músicas de "British Lion" são bastante longas.

Steve Harris: Basicamente, "The Chosen Ones" e "A World Without Heaven" são bem longas. "Eyes Of The Young" também não é pequena, embora seja provavelmente a música mais comercial. Mas tem algumas coisas que a tornam muito diferente dos temas clássicos do Iron Maiden. Eu não dou qualquer importância ou assumo quaisquer compromissos para ter um formato diferente.

RockHard: Mesmo que alguns títulos de músicas possam ter uma direção diferente do Maiden. Você escreve as letras? No Maiden você é responsável pela maioria das letras...

Steve Harris: Sim, naturalmente. O Ritchie escreve algumas letras e escreve bastante. Eu e ele nos completamos muito bem. Então, surgem alguns temas que você não esperaria. Quando, por exemplo, eu escrevo para o Maiden, e eu não escrevo muitas vezes sobre o amor (risos). Mas há canções em "British Lion" assim, canções sobre religião e envelhecimento também.

RockHard: Algumas canções ganham uma melancolia aparente e parecem ter sido escritas a partir da perspectiva de alguém que reconhece, em retrospecto, que teve muitas oportunidades em sua vida, e as jogou no lixo.

Steve Harris: Trata-se de ver as coisas de maneira diferente agora, do que quando você era jovem. "Phantom Of The Opera" do Maiden, eu escrevi quando tinha 19 anos e eu acho que eu não poderia escrever novamente nos dias de hoje, da mesma forma que eu não poderia escrever uma música como "When The Wild Wind Blows", quando eu tinha 19 anos de idade. Isto pode ser transferido para aspectos da vida inteira. Quando eu olho para algumas coisas que fiz no passado, eu percebo que tenho melhorado muito. Me reconheço, mas eu sou uma pessoa diferente agora. Eu acho que sou muito maior do que você, mas certamente teria feito coisas que, em retrospecto, você olharia com estranheza. Isso é perfeitamente normal.


RockHard: A faixa "Judas", tem uma letra um pouco óbvia.

Steve Harris: Muitas pessoas pensam que é uma canção de amor.

RockHard: O que passou pela minha mente foi algo sobre divórcio.

Steve Harris: Fala um pouco sobre religião, especialmente alguém que confia e, em seguida, deixar de acreditar.

RockHard: Assim, o título não é tão metafórico. De fato, as letras são mais diretas do que as dos Maiden.

Steve Harris: Com "British Lion" existem diferentes abordagens. O Ritchie escreve abertamente e de maneira menos confusa do que eu. Eu expresso tais sentimentos de maneira intensa nas minhas músicas, as vezes tentando domá-los.

RockHard: Como tinha feito em "The X Factor", escreveu sobre a separação de sua esposa então....

Steve Harris: Sim, você pensa em temas e os transforma em um roteiro. Neste caso, no entanto, devemos olhar mais profundamente para entender o conteúdo real. Geralmente eu acho que é importante que cada ouvinte tenha a sua própria interpretação de uma peça, mesmo que seja diferente do que a pessoa que escreveu quer dizer, como fez, por exemplo, no caso de "Judas".

RockHard: "The Chosen Ones", musicalmente, soa mais otimista e positiva. Sobre o que fala a letra?

Steve Harris: Você pode vê-la assim. Ela tem uma vibração "Quadrophenia" (The Who). Falando sobre as crianças brincando na rua e coisas assim. Comparado com a maioria das outras músicas, você está certo. Muitos delas são apenas "tristes". Eu não diria que eu sou o homem mais feliz do mundo (risos).

RockHard: Você já escreveu uma canção feliz?

Steve Harris: Sim, alguns lados B do Iron Maiden, já fizemos algumas coisas realmente divertidas, como o nosso manager (risos).

RockHard: Havia um boato de que alguém queria o Iron Maiden fazendo um remix de "I'm Forever Blowing Bubbles", o hino do seu time de futebol favorito, o West Ham United. Foi uma ideia um pouco boba para você?

Steve Harris: Alguém teve essa idéia, mas seria inútil para o Iron Maiden fazer algo parecido com isso, então eu deixei para o Cockney Rejects.

RockHard: No entanto, vocês foram convencidos a fazer uma versão de "Women in uniform" do Skyhooks, que não era tão legal.

Steve Harris: A versão foi um sucesso, mas eu não estava feliz com a produção.

RockHard: Me lembro de comprar o single, apenas pela capa meio punk rock com Margaret Thatcher, mas eu achei a música boa (risos de ambos). Falando sobre o passado: Você ainda acompanha alguma banda que você gostava quando era adolescente?

Steve Harris: Continuo ouvindo minhas bandas favoritas. Eu sempre fui assim, embora seja mais difícil agora, na sua velhice (risos). Eu comecei a escrever música nos anos 70, e sou muito sortudo, pois cresci nesse período. A música era diversa e complicada e havia muitas coisas legais.

RockHard: Se você dissesse 10 ou 20 anos atrás que gostava de Genesis e Jethro Tull, isto causaria grande surpresa para os fãs do Iron Maiden. Atualmente, contudo, há uma grande atenção voltada para a música retrô.

Steve Harris: A verdade é que eu nunca me importei com o que as pessoas pensavam sobre o meu gosto musical, e com o passar dos anos, eu realmente não dei qualquer importância para isso. Eu não tenho de provar nada. Eu não estou interessado em estar na moda. Eu tentei fazer o "British Lion" para contribuir com algo que está no estilo dos anos 70, e não só musicalmente, mas também com um pouco da ética e integridade desse período. Talvez a minha ideia seja simples, mas pelo menos eu queria fazer acontecer (risos). E com o Iron Maiden, as coisas não são diferentes.

RockHard: Muitas das bandas que começaram com o Iron Maiden, continuaram suas carreiras. Você, por exemplo, ouviu o novo álbum do Angel Witch?

Steve Harris: Eles ainda existem? Não, eu não sei nada sobre este álbum! (Risos) Ok, estou brincando! É claro que eu ouvi, já que muitas vezes tocamos no mesmo clube. Enfim, eu certamente vou comprar o seu novo álbum. Mas eu gosto de bandas mais novas. Eu amo o último álbum do Nightwish. Os fãs antigos podem não concordar comigo, mas eu acho que a nova vocalista é melhor que a anterior! É impressionante como a banda se transformou em algo completamente diferente. O Nightwish é muito maior agora, já era bom antes. Esse cara (Tuomas Holopainen) é um compositor extremamente talentoso. Está fenomenal agora!

RockHard: Você deve gostar dos elementos mais progressivos dos discos com Anette Olzon.

Steve Harris: Sim, sinfônico e progressivo. Mas, acima de tudo, eu amo a voz dela. Acho que já deveria ter começado a conversa entre os fãs (risos)!

RockHard: O Nightwish com este line-up e este estilo agora é maior do que nunca. Isso significa que eles irão continuar a seguir este direcionamento musical.

Steve Harris: Exatamente. E a outra menina era boa, mas ópera é demais para o meu gosto. O romance é mais humano, mais real.

RockHard: Você escreve músicas desde os anos 70. Você deve possuir um arquivo enorme...

Steve Harris: Tenho toneladas de material em casa. Mas não são músicas completas. Somente peças separadas, mas é um volume incrível... Eu poderia gravar uns 10 álbuns. Pelo menos! Eu não estou preocupado se minha criatividade vai acabar com o tempo. Tudo o que você precisa é de tempo para trabalhar e ter as condições para que isso aconteça. E eu não tenho muito tempo.

RockHard: Você disse que há músicas antigas inacabadas em seu arquivo, há rumores de que você tem algumas demos misteriosas com Paul Di'Anno que não foram aproveitadas.

Steve Harris: Exatamente. E é por isso que não deu certo. Não era bom, não foi terminado. Então acabou, e ele saiu.

RockHard: Você pensa em fazer algo com o material do Gypsy's Kiss e do Smiler? Suas bandas antes do Iron Maiden despertam o interesse de muitos fãs.

Steve Harris: Eu tenho várias gravações ao vivo de ambas as formações, mas eu não acho que seja necessário que elas vejam a luz do dia.

RockHard: É tão ruim assim?

Steve Harris: Não, não (risos). Se você for pensar sobre isso, as músicas eram bem legais, mas a qualidade do som era muito pobre. E pensar no que nós usamos para as gravações. Do ponto de vista sintético, por outro lado, há alguns momentos muito importantes, como a versão original de “Innocent Exile” do Iron Maiden.

RockHard: Que era do Gypsy's Kiss, certo?

Steve Harris: Exatamente. Não a canção inteira, mas o riff principal é o mesmo.

RockHard: Gypsy's Kiss é uma expressão do dialeto Cockney e significa "Xixi", certo?

Steve Harris: Sim, é uma gíria Cockney (Habitante do East End de Londres). "To take the Gypsy's", significa que você vem dali, mas que vai mijar! Hahaha!

RockHard: Por ocasião de sua atual turnê "Maiden England", o Iron Maiden reeditará o lendário vídeo ao vivo de 1989 em DVD, como você fez com o "Live After Death"?

Steve Harris: Sim, vamos fazer. O DVD será lançado no primeiro semestre de 2013. Se tivermos tempo, poderá até mesmo ser lançado ainda este ano. No VHS, tínhamos apenas 90 minutos de tempo, por isso tivemos de deixar de fora o material extra. Como você sabe, eu tenho um monte de trabalho pela frente!

RockHard: Não parece estar pensando em "aposentadoria". Mas o que passou pela sua mente quando o Judas Priest anunciou que está se aposentando?

Steve Harris: É triste. Eles são um pouco mais velhos que o Iron Maiden, mas é sempre difícil ouvir que uma banda que é tão grande, está parando. Espero que eles mudem de opinião, porque isso seria o final de uma era. Você sabe, Richie Faulkner está tocando com eles, ele tocava na banda da minha filha. Espero que dê um impulso para continuar. É um compositor muito bom. Talvez consiga trazer mais união pra banda.

RockHard: Espero que o Maiden tenha pelo menos mais um álbum para todos nós!

Steve Harris: De qualquer maneira. Eu não sei quanto tempo vai demorar, mas vamos lançar mais discos.

RockHard: Estou muito feliz em ouvir isso.

Steve Harris: Minha esposa tem uma opinião diferente (risos). Estima-se que tenhamos mais dez anos, mas eu vou tão longe quanto forpossível.

RockHard - Alemanha (Setembro/2012)

Fonte da Entrevista: Blog Flight 666

Fonte (Imagens): Collectors Room

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Maiden England Tour: Vídeo mostra os bastidores.

A Maiden England Tour 2012 continua percorrendo a América do Norte com shows nos Estados Unidos e Canadá. No vídeo abaixo divulgado pelo Iron Maiden em seu site oficial, veja imagens dos bastidores da turnê, comentários dos membros da banda e trechos dos shows nos Estados Unidos!



Fonte: Blogflight 666

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Iron Maiden: Steve Harris lançará álbum solo.


Segundo notificado no Facebook do Iron Maiden:

"EMI Music está orgulhosa de anunciar o lançamento do álbum do projeto do fundador do Iron Maiden Steve Harris. Intitulado de British Lion o álbum é composto por dez canções que Steve e seus colaboradores vêm trabalhando em cima nos últimos anos entre as turnês e lançamentos do Maiden, é um álbum que irá surpreender e encantar os fãs de música em todo o mundo." Segundo do Facebook do Iron Maiden o lançamento está previsto para 24 de setembro.

Release Oficial:

Com uma pegada decididamente heavy rock, esta forte estreia cobre uma ampla variedade de sons; empolgante, melancólico, diretamente indignante e exuberantemente pesado. Com Kevin Shirley capitaneando as mixagens - cujos créditos incluem o Iron Maiden, bem como Led Zeppelin, Journey e Rush entre muitos outros – este é um álbum que vai chamar sua atenção.

Dos riffs que rugem da abertura "This Is My God" à balada heavy que se segue, "Lost Worlds", que traz os vocais dolorosos de Richard Taylor, é claro que "British Lion" é uma besta no geral diferente do Maiden.

"Karma Killer", com seu forte lamento, e "Us Against The World", com seu coro denso, monstram o quão longe British Lion levou a força musical de Steve Harris. Apoiadas pelas colossais e líricas melodias de guitarra de David Hawkins, é um aperitivo antes da epicidade, do banquete de riffs de "The Chosen Ones", com sua bravura exagerada.

"A World Without Heaven", com sete minutos de tirar o fôlego, e cheia de elementos progressivos, sem nunca cair na auto-indulgencia, ilustra perfeitamente a habilidade deste artesão da música para criar climas e manter estes climas. Fortalecidas pelo estilo inimitável de Steve Harris, sem cinismo, há aqui uma vibração fresca que não se encontra na indústria musical totalmente categorizada dos dias de hoje.

E sobre o nome British Lion... “Eu sempre tive orgulho de ser inglês,” explica Steve, “Eu não vejo nenhuma razão para não ter orgulho. É uma grande parte de mim. Não que eu fique agitando bandeiras ou pregando, não é algo político, de forma alguma. É como dar apoio ao seu time de futebol, de onde você veio. Eu acho que isso traz algumas imagens fortes também, e para mim, combina com o som.”

Com o Iron Maiden, Steve Harris se tornou um dos mais bem-sucedidos e reconhecidos músicos britânicos do mundo. Tendo lançado 15 álbuns de estúdio com mais de 85 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo, e tocado mais de dois mil shows em 58 países em 35 anos de carreira, ele é uma personalidade global.

E agora com "British Lion", Steve sai da ilustre sombra do Iron Maiden para apresentar um lado diferente de sua visão musical.

Faixas

01. This Is My God
02. Lost Worlds
03. Karma Killer
04. Us Against The World
05. The Chosen Ones
06. A World Without Heaven
07. Judas
08. Eyes Of The Young
09. These Are The Hands
10. The Lesson


Fonte: Whisplash

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Preparativos para a "Maiden England Tour 2012"

Contagem regressiva para a "Maiden England Tour"! O Iron Maiden publicou em seu canal oficial no Youtube um vídeo com cenas dos ensaios para a turnê que começa nesta quinta-feira (21/06) nos Estados Unidos. Assista!



Após o enorme sucesso da The Final Frontier World Tour 2010-2011, o Iron Maiden estará de volta na estrada neste verão com uma série de shows em arenas, anfiteatros e festivais nos EUA e Canadá, abrindo a turnê em Charlotte/NC, EUA na próxima quinta-feira, 21 de junho e terminando em Houston, TX, em 18 de agosto, a ser seguida por outras datas ao redor do mundo em 2013.

A MAIDEN ENGLAND WORLD TOUR será baseada, em termos de produção e conteúdo, ao vídeo de mesmo título lançado em 1988, filmado durante a "Seventh Son Of A Seventh Son Tour". Esta primeira parte da turnê mundial será a visita mais extensa da banda à América do Norte em muitos anos e inclui uma série de cidades onde a banda não tem tocado durante muito tempo, como Charlotte, Atlanta, Buffalo, Indianapolis e Salt Lake City.

Fonte: Blog Flight 666

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Iron Maiden no Rock in Rio 1 (1985): o histórico e atrapalhado show.

Trago até vocês uma postagem (antiga) do site Minuto HM , publicada pelo autor Eduardo Bianchi Rolim e que na época autorizou gentilmente que eu postasse o conteúdo no meu blog Musicólatras. Para ilustrar melhor a postagem, eu utilizei duas fotos que foram postadas no Blog Fligth 666 .

Esta postagem é sobre o show do Iron Maiden na primeira edição do festival em 1985, que alias foi um dos melhores na minha opinião em questão dos shows. Bom sem mais delongas, aproveite e leia com atenção esse post repleto de informação sobre esse lendário show da Donzela em terras tupiniquins.

Por Eduardo Bianchi Rolim

Galera,

faz tempo que estou para falar desta histórica apresentação da banda aqui no blog, dívida esta que tenho comigo e falei no post que fiz especificamente sobre o Rock In Rio 1 (que recomendo a leitura antes mesmo da deste post, caso ainda o caro leitor ainda não a tenha feito). Sei também que devo muitas coisas por aqui, mas vamos pagando com calma


Portanto, o foco aqui será falar um pouco do que temos disponível no segundo DVD oficial do Live After Death (oficial = oficial mesmo, não aquele que foi lançado aqui no Brasil e ficou por um tempo nas bancas de jornais, fato este que chegou ao conhecimento da banda que, por sua vez, acionou os responsáveis aqui no Brasil para interromperem imediatamente as vendas – e pedindo aos que compraram para efetuar a devolução do item não-autorizado. Aliás, tem até legenda das letras das músicas naquele DVD, hoje item de colecionador).

Com base nas imagens feitas na época pela Rede Globo, o show disponibilizado neste DVD não traz o setlist completo da noite executado pela banda que pela primeira vez aterrissava em nosso país (na verdade, na América do Sul). A qualidade da imagem é também compatível com o quem viveu a era dos VHS – e, para tentar me fazer bastante claro, a gravação em “EP”. A qualidade do som segue a mesma linha, é irregular em termos de volume. Em resumo, o material é bastante precário mas obviamente é um registro de suma importância para a banda, fãs e até mesmo para o nosso país em termos musicais.

De qualquer forma, temos sempre o YouTube, não? E, assim, vou também trazer um pouco das outras músicas do show, para felicidade geral da nação que curte um “rock pauleira do satânico Iron Maiden”. Calma, leia o texto para entender este comentário…

O Iron Maiden, que foi a única banda internacional que se apresentou apenas uma vez no evento, teve a honra de abrir para um dos shows mais marcantes da história de todas as edições do Rock in Rio e, por que não dizer, do Brasil: o Queen. Mas isso é papo para uma outra oportunidade (nem podemos considerar como uma pendência minha, hein? Hehehe).

A Wikipedia gringa informa que o show do Maiden começou exatamente “2 Minutes To Midnight”, ou, como me refiro sempre carinhosamente à música, “23:58 PM”. A banda estava simplesmente na World Slavery Tour 84/85, do disco Powerslave (1984), em uma tour que foi gigantesca em todos os sentidos ajudou a banda a se consolidar (ainda mais) não só na cena heavy metal, mas na música como um todo.

Os fatos que apresentarei abaixo (não posso aqui falar de algo que ocorreu quando eu tinha 3 anos de idade, então o que será apresentado são apenas fatos que podem ser vistos no vídeo em questão – claro que quem viveu esta época e quiser contribuir comentando neste post, é sempre muito bem-vind0) estarão mais focados em um dos membros da banda: o Bruce.

Explico: os pontos que falarei abaixo envolvem diretamente o Air Raid Siren e podem, talvez, serem “justificados”, “explicados” de várias maneiras, que tentarei fazer mais ao final do post. Antes que voem tomates e afins em mim, para quem não me conhece, saiba que o texto não tem qualquer objetivo de CRITICAR o homem que admiro e considero até mesmo uma grande inspiração de vida para mim. Mas os fatos estão lá e hoje chegam a ser engraçados…

Foto: Blog Flight 666

Sem mais delongas, vamos lá: o Iron Maiden ganha o palco com a primeira faixa do seu lançamento da época, Aces High. A banda estava vestida como se vestiu durante toda esta tour (as clássicas roupas dos anos 80, que praticamente todas as bandas usavam): Bruce com sua calça amarela, com meias por cima, correntes em um cinto de caveira, aparentando ansiedade. Seu vocal está ainda contido (em relação ao que se ouve na sequência do show) e até mesmo um pouco tímido nestes primeiros minutos no palco (comparando-se com o Bruce que conhecemos), coisa que praticamente some durante esta própria primeira música da noite.

Depois do segundo solo da música, Bruce não está tão perto assim do microfone, pois foi interagir com o enorme público que recebia muito bem a banda… ele calcula o tempo e corre para buscá-lo e continuar, claro, cantando. Ele volta, fica perto do Nicko e, quando vai pegar seu microfone, apesar de não ter chegado tão em cima da hora, ele vê Adrian bem colado ao pedestal, atrapalhando-o. Bruce dá um cutucão no guitarrista, que trocam olhares do tipo “que foi?” (Adrian) e “sai daí” (Bruce). Era um sinal da noite atrapalhada que ainda viria…



Minuto Hora de 2 Minutes To Midnight. Bruce bate palmas e suas palmas são respondidas por um empolgado público. Ele parece estar bem mais solto e aquela ansiedade inicial parece ter ficado para trás. “Cantem comigo”, grita Bruce para abrir o refrão…

No solo de Murray, Bruce aproveita para soar o nariz… estaria Bruce resfriado / gripado na noite? A verdade é que Bruce parece estar um pouco fanho neste show – em alguns momentos dá para notar isso – o que não compromete seu alcance vocal. O solo de Adrian chega e Nicko toca a música em um estilo bem diferente do de hoje, levantando a mão esquerda para marcar na caixa. Muito interessante.

As guitarras, que estão excelentes como no disco de estúdio, começam a se destacar, algo que se notou por todo o show.



Bruce diz “boa noite” e mexe com o público, sua marca característica. Anuncia a próxima música, desta vez do “Piece of Mind album for ya”…

A música é The Trooper: Bruce diz algo talvez em Português (“louco todo”?) e a banda incendeia o público e entrega uma linda versão da música, com a banda dando uma verdadeira aula em suas atribuições. Mas é no meio do solo de Adrian que vem a curiosidade: Bruce começa a chamar alguém (JT?), no microfone aberto mesmo, em tom de reclamação. A reclamação continua e invade o solo de Murray. “Turn up my mic, I’m talking to you, you stupid (?)…”.

Bruce pede que algo seja ligado, mexido, em seu microfone, aparentemente, culminando em um xingamento final de Bruce. Alguém se candidata a comentar o acontecimento e as falas de Bruce por ali? Algum problema mesmo em seu microfone, visto que Bruce praticamente engole o “cabeção” nos gritos finais…

Ele brinca rapidamente com uma pequenina bandeirinha do Reino Unido (fãs atuais nem imaginam esta cena, talvez) e nitidamente se “embanana” com seu pedestal na hora de pegá-lo para o movimento final da música. Mas cabe ressaltar como Bruce cantou esta música, em uma palavra: espetacular!



Já na (outra) obra-prima da noite, Revelations, que já falamos tanto por aqui no blog, Bruce chega pulando o retorno com uma guitarra em mãos. Sim, uma guitarra. Na época da clássica formação da banda, com “apenas” 2 guitarristas, ele fazia uma simples base da música enquanto os guitarristas dobram o maravilhoso início desta maravilhosa música deste maravilhoso disco.

Foto: Blog Flight 666

Mas convenhamos: Bruce mostra que como guitarrista é mesmo uma das maiores vozes do heavy metal (entre inúmeros outros talentos) . Até ajeitar a palheta ele ajeita, de maneira meio desengonçada, o que é muito engraçado. Ao término desta introdução, Bruce agita o público para gritar nas pausas da música… aquela parte do “tan, tan, tan… YEAH… tan, tan, tan, YEAH”. Ele faz isso levantando sua guitarra para indicar ao público o momento exato para participação. Bruce sempre foi brilhante nesta conexão com o público. Mas nesta noite, em uma dessas levantadas, Bruce bate a cabeça da guitarra em seu rosto, fazendo sangrar imediatamente. Ele sai correndo e volta ainda meio tonto, com sangue escorrendo, para continuar cantando a música. Engraçado e METAL ao mesmo tempo, hehehe.

Ele bota primeiro a mão direita perto do olho e nota que está sangrando… ele grita seu “Hey” e olha para a outra mão, com sangue, e neste momento é possível ver o corte entre o olho esquerdo e o nariz, enquanto o sangue continua escorrendo até quase a boca e ele cantando a sua música de maneira espetacular… um grande momento do show, sem dúvida. O cinegrafista global deve ter percebido isso, pois a câmera fica em close nele por bastante tempo. Em tempo: coitado do Bruce!

As duas fotos abaixo foram tiradas da minha TV mesmo, para tentar mostrar o resultado da “guitarrada”. Graças ao bom Deus Metal que não foi no olho dele.


O público parece ter aprendido o momento de gritar e responde muito bem a Bruce, desta vez sem guitarra… a imagem da Globo filma Murray ao invés de Adrian, durante o solo deste último.



Com a maravilha do YouTube, hoje temos acesso inclusive ao material que não foi colocado no DVD, como Flight Of Icarus. Esta música eu particularmente já tive a chance de ouvir Bruce cantando na última tour solo dele no nosso país (com Adrian Smith na banda), tour esta do disco Chemical Wedding, no Via Funchal, em São Paulo, em 1999).

Ainda, eu adoraria ver o Maiden voltar a incluir em um setlist atual – que tal no lugar de Fear Of The Dark, principalmente em cidades onde a banda se apresenta com mais frequência? Enfim, muito bom ter acesso a este material, já que a música foi outro ponto alto do show. E lá está Bruce de novo, de frente para a bateria, olhando para sua direita e falando “Hello?” no microfone, enquanto os maravilhosos solos de guitarra se iniciam. Nitidamente, ele não está feliz o técnico de som e seu microfone...



… coisa que se confirma na épica e mais longa música da banda (até hoje): Rime Of The Ancient Mariner. Bruce continua inconformado com o volume de seu microfone e, logo no início da música, ele pede por 3 vezes um “up” em seu mic.

Pouco se ouve o baixo de Harris na parte que temos a narração. Ouve-se alguns sons metálicos meio estranhos. A lembrança, de qualquer forma, é de emocionar, bem como a boa resposta do público. As explosões nitidamente surpreendem o público brasileiro e a performance geral da banda é magnífica. Grande momento. Bruce dá um show a parte com seu vocal em excelente forma, mas as guitarras gêmeas e a cozinha mostram a coesão desta fantástica banda.



Bruce já se posiciona estrategicamente para descer a escadinha para a abertura de outra obra-prima, a faixa-título do então álbum de trabalho lançado. Na época, inclusive conferindo a versão da música na Long Beach Arena, do Live After Death, a característica explosão / fogo ao lado direito do palco (esquerdo do público) não acontecia logo que Bruce começa a cantar a música, como a banda fez nos shows da Somewhere Back in Time Tour, mas sim quando chegava o refrão. Na dúvida, confiram a versão em vídeo no Live After Death.

E o que deveria ter acontecido não ocorre nos instantes que antecedem o refrão. Bruce canta “Tell me why I had to be a Powerslave… I don’t wanna die, I’m a God, why can’t I live on?” e ainda não aparece na parte elevada do palco. Ele solta um “come on” como se fosse dando o sinal (“vai agora, pô”) e finalmente a explosão acontece para ele surgir com a também tradicional máscara.

O público responde bem, gritando, mas ainda é tempo para mais duas surpresas / trapalhadas do nosso amado vocalista: Bruce deixa o microfone cair ao ficar brincando de passá-lo de uma mão para outra, e perde o tempo da música…ele pega o microfone, ainda com um pouco de fogo no chão…

… fogo? Mas AINDA? Ainda. Aquelas chamas, que já deveriam ter sumido há um certo tempo, não se apagaram por completo e Bruce, cantando o refrão da música, olha para baixo, como se não conseguisse acreditar naquilo dando errado, e começa a pisar para apagar o foguinho que ainda estava por ali, com seu pé direito… ele se estica para apagar um que estava mais longe bem na parte do “and he will die toooo – se estica e demora a cantar – OOOOHHH”. A cena é, no mínimo, hilária.

Mas Bruce ainda iria se embananar um pouquinho mais em Powerslave. A música se desenvolve, os solos, o milagre da volta / do retorno , tudo… Bruce volta e… ele erra a parte da música, voltando a cantar “When I was living this lie” ao invés de “Now I am cold but a ghost”. Ele se liga nesse erro muito rapidamente e emenda um “Now I’m in my veins”, sem perder o tempo da música, e volta a cantar corretamente… “Silent the terror”… hehehe!

Mais para o final, Bruce acena para provavelmente o mesmo que reclamara em The Trooper, mas acena positivamente, como indicando que seu problema com o microfone estava resolvido. Nem moral ele teria mais para reclamar naquele momento, né? Hahaha.

O show também possui um raro solo de guitarra (o Maiden não inclui mais solos há muito anos) de Murray – solo este excepcionalmente técnico, com Nicko jogando baquetas a um público em êxtase – e depois fazendo um acompanhamento na bateria meio, sei lá, escola de samba? Não entendo até hoje o que Nicko tentou fazer / preencher ali com Murray. Outro momento no mínimo estranho…



Hora do satanismo, da música do diabo (calma, já está chegando a hora disso ficar esclarecido no texto): 666. A introdução da música é respondida de maneira empolgante pelo público, que vibra com a chegada do clássico, seguindo a euforia com a chegada do fantástico riff e da perna esquerda de Bruce que não para de se mexer. Falando no Bruce, após o primeiro refrão com uma resposta muito alta do público, Bruce deve estar realmente exausto, com muito calor, pois dá aquela respirada / assoprada no microfone, nitidamente recuperando o fôlego. O que se ouve é um belo “assoprão” no microfone, hehehe. Depois, enquanto os riffs que antecedem os solos tomam conta do palco, ele ajeita seu microfone no pedestal, fazendo com que o barulho dessa “ajeitada” seja ouvido muito claramente.

Outro grande momento do show é o Bruce indo buscar o Murray para colocá-lo em seus ombros, logo após o solo dele, para delírio do público, enquanto Adrian abre o segundo solo e a banda se reúne no centro do palco. Uma cena espetacular!

A música vai chegando ao final.. “666, the one for you and me…”. Mas ainda é tempo para mais um probleminha envolvendo Bruce. Ele até conseguiu cumprir o que cantaria – “I will return…” – mas somente após o fio do microfone ser devidamente encaixado de volta, fazendo-o perder mais uma vez o tempo da música e o “I’m coming back”. O microfone ainda dá uma falhada em “possess your body”, talvez com ele novamente mexendo no fio (a imagem não está nele neste momento).



A banda emenda Hallowed Be Thy Name, aquela música que ponho a mão no peito sempre que começa – um hino do heavy metal. Bruce senta estilo “indiozinho” e despeja sua potente e contagiante voz nesta música incrível. Mas, mais uma vez, Bruce pede “up”, “up” em seu microfone. Ele vai ao microfone, fala algo e não sai nada. Ele volta a cantar e manda, mais uma vez, um “up”, abaixa a cabeça e faz um “mini-discurso”, mostrando todo seu descontentamento… “otherwise”, “somebody else” e “all right?” são as únicas coisas que consigo ouvir, pois as guitarras estão muito altas. Alguém se arrisca a comentar o que ele discursou ali?

Ele grita um “yeah” que a música não tem e continua lá balbuciando, reclamando. Simplesmente ele não para de falar e falar, reclamar e reclamar, enquanto a banda continua tocando a música de maneira impecável. Bruce aparenta estar morto de cansaço no momento que volta a cantar.

Ele volta a abaixar a cabeça e falar (!!!). Desta vez, um “don’t worry, don’t apologize, it’s all right” e mais alguma coisa- estaria ele, então, com um ponto? O papo, de qualquer forma, continua… Bruce solta aquele famoso “scream for me, Rio… scream for me, scream for me…” e, depois, comanda a reação / gritos do público, como ele faz de maneira ímpar.



Em Iron Maiden, não encontrei nada “gritante”. E como é legal ver o Bruce ainda cantando bem perto do chefe Steve, acompanhado da entrada da histórica encarnação do Eddie múmia pulando pelo palco. Grande momento!

Agora, bom mesmo é o vídeo global que achei, que segue a mesma linha da entrevista histórica com Freddie Mercury, em que a Globo faz uma “entrevista” com um tal “Brian” Dickinson, o vocalista do Iron Maiden. Certo, Globo? Mais uma? A reportagem é aberta com o famoso “e agora, rock pauleira – para os metaleiros, um pouco mais do satânico Iron Maiden, com a participação especial e muito bem humorada de Eddie, o monstro”.



A banda volta para o bis. “Eu quero todo mundo louco este noite”, grita Bruce para introduzir Run To The Hills. A resposta do público nesta música é incrível, com todos com os braços para os lados, girando camisetas, camisas e tudo que está por perto. E cantando a música também, claro, com Bruce incentivando com seu “cantem comigo” em duas oportunidades.

Reparem na velocidade que Harris imprime com sua mão direita alucinada durante o solo de Murray. É de dar gosto… apenas o final da música é um pouco diferente…



“Todo mundo, hey”… Running Free é talvez a melhor música para se ter idéia da quantidade de gente que estava naquela mágica noite. Bruce separa o público para gritarem com ele… o público canta “Ruuuun”, ao invés de gritarem mesmo. Bruce tenta pronunciar algumas palavras em nossa língua que simplesmente não é possível entender. Imaginem nesta época, ao-vivo, para um público ainda não acostumado. Mas a coisa vai bem, principalmente para gritarem o nome da música.



A última música da banda foi Sanctuary, com a tradicional parada para Bruce mostrar toda sua potência vocal. Ele aproveita para ganhar de vez o público, provocando-o para cantar com ele o “yeah” (coisa que Freddie Mercury fez de monte na noite também) – de novo: já pararam mesmo para pensar que, em uma noite neste país, Bruce Dickinson e Freddie Mercury dividiram um palco, ambos em grandíssima fase? Bruce continuou interagindo com o público de maneira singular, com seu “cantem comigo”.

O show termina com Bruce e os “boys” agradecendo a banda. Bruce está visivelmente esgotado. O público grita “Iron, Iron, Iron” e as imagens que se seguem são de um tradicional festival de heavy metal, com muito empurra-empurra e pessoas indo de um lado para o outro, além de muita gente desmontando o palco da Donzela e preparando o terreno para a seguinte magistral apresentação da noite, que seria comandada pelo genial Freddie Mercury e Cia. Ltda.



E assim chegava ao fim a brilhante primeira apresentação do Iron Maiden em solo nacional. Os apontamentos que fiz acima, hoje engraçados, mostram, para mim, que havia sim muita ansiedade, nervosismo e pressão atrás da banda. A banda estava estranhando o clima brasileiro, não há como negar. Os ingleses não estavam acostumados com nada parecido com o que viram por aqui, inclusive considerando as questões climáticas.

Bruce e seu técnico de som não tiveram a noite mais brilhante da vida deles, coisa que acontece com todo mundo. Somam-se aí outros fatos, como o cansaço acumulado da extensa World Slavery Tour. Alguns pontos também podem ser considerados, hoje em dia, meio amadores.

Mas é muito importante dizer que, apesar de “trapalhadas” da noite, este registro da banda é, até hoje, um dos mais importantes do heavy metal em nosso país, não apenas em termos de Rock in Rio, mas em termos de música em geral, além de ser considerado pela própria banda como um dos shows mais importantes e marcantes de toda a carreira, até hoje.

O Rock in Rio 1 teve uma importância direta e indireta muito grande na sociedade da época e abriu caminho para grandes festivais que passaríamos a ter por aqui.

E, graças a ele, a banda conheceu e gostou do nosso país, local que hoje considera fundamental para suas tours. Ainda bem!

Up The Irons!

Setlist - Iron Maiden / Rock in Rio - 11 de janeiro de 1985

Intro – Churchill’s Speech
Aces High
2 Minutes To Midnight
The Trooper
Revelations
Flight Of Icarus
Rime Of The Ancient Mariner
Powerslave
Guitar Solo (Dave Murray) + Nicko McBrain
The Number Of The Beast
Hallowed Be Thy Name
Iron Maiden
Run To The Hills
Running Free
Sanctuary

Eduardo Bianchi Rolim
Minuto HM - http://minutohm.com