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domingo, 11 de novembro de 2012

Review: Ana Cañas - Volta (2012)


Por Daniel Faria


Em minhas aventuras musicais, um dos caminhos que tentei trilhar foi o da música popular brasileira, mesmo sabendo que iria tirar dessa lista os cantores considerados sagrados, já que eu nunca gostei de ouvir Chico Buarque ou Caetano Veloso, então partindo desse principio, eu sabia que passaria longe desses caras. Então o caminho que decidi trilhar foi o de procurar ouvir novos talentos da MPB. E nesse período que dediquei a isso encontrei de fato bons cantores e cantoras, do quais cito Daniel Gonzaga, Pedro Moraes, Anna Ratto, Roberta Sá, Maria Rita, Marcio Faraco – que não é jovem, porém é pouco conhecido – e claro Ana Cañas.

O meu primeiro contato com a música e a voz afinadíssima da jovem Ana Cañas foi através do seu debut Amor e Caos (2007). Um álbum que não parece ter sido gravado por uma jovem e ainda mais por ser o primeiro álbum; um trabalho de extrema qualidade e com canções refinadas, com um toque de jazz, que sem dúvida foi uma das grandes sacadas da jovem cantora. Tempos depois Ana voltou e lançou Hein? (2009), que não trazia mais o toque do jazz, e sim um toque mais pop rock, porém ela soube manter a qualidade das composições. Um detalhe é que nos dois trabalhos, Ana conseguiu emplacar hits como “Esconderijo”, “Devolve Moço”, “Cadê você?” e “Coração Vagabundo”, música que ela regravou do Caetano Veloso.
E agora depois de três anos de espera, a jovem e agora mais experiente Ana Cañas esta de volta, justamente com um álbum chamado Volta (2012). Apesar da sua notável experiência, a jovem mantem aquele ar dos álbuns anteriores, sua voz afinadíssima e suave.

O novo álbum traz uma grande novidade em relação aos anteriores. Produzido pela própria Ana e lançado pelo selo da cantora, Guela Records. O álbum foi gravado em um sítio no Rio de Janeiro, ao melhor estilo ao vivo. Volta (2012) marca não só a volta da Ana, mas o processo de composição e gravação, foi marcado pela liberdade e sem a pressão imposta pelas grandes gravadoras. O resultado é um álbum com dezesseis canções, sendo treze autorais. Por outro lado, Ana ainda não definiu que estilo seguir, já que no novo álbum há uma mescla de gêneros musicais e até mesmo de idiomas, já que ela interpreta duas canções em francês, como “La Vien en Rose” da cantora francesa Edith Piaf e L'Amour, de sua autoria. Há espaço para o espanhol também, na canção “No Quiero Tus Besos”, escrita em parceria com a compositora Natalia Lafourcade. Um dos grandes destaques sem dúvida, fica por conta da regravação da clássica “Rock’n’Roll” do Led Zeppelin, que ganhou um toque especial na voz da Ana e uma sonoridade bem crua, que nos remeteu aos tempos do álbum Hein? (2009). Ana também regravou os standards do jazz, “My Baby Just Cares For Me”, que ficou bem ao seu estilo, e “Stormy Weather”, em uma interpretação belíssima e um toque acústico. Entre as canções próprias, Ana ousou e abusou, com ótimas interpretações e com estilos diferenciados. Como o reggae da canção “Dificil”, o blues rock da excelente “Diabo”, a excêntrica “Urubu Rei” e as românticas “Será que você me ama?”, “Amar Amor” e “Todas As Cores”. A faixa titulo “Volta”, não é romântica, mais fala de amor, mas de uma forma sensual.

Ana Cañas está de volta ao cenário, apesar da investida em canções autorais e com ótimas interpretações, o álbum Volta (2012) está aquém dos seus outros trabalhos. Não é um álbum ruim, mas tem seus pontos altos e baixos. Em seu terceiro álbum, a jovem cantora não conseguiu se firmar em um gênero, se no primeiro o jazz foi um dos pontos altos e no segundo o rock foi o destaque, em Volta (2012) fica difícil definir isso. Para quem é fã da Ana, vale a pena ouvir, para quem ainda não a conhece, este álbum não é o melhor. Porém um ponto tenho que destacar, que foi a sua liberdade com a sua nova gravadora, e espero que esse projeto traga novos frutos no futuro da jovem cantora, afinal talento ela tem de sobra, já mostrou isso, só precisa decidir qual caminho quer trilhar definitivamente.

O álbum foi disponibilizado na integra pela cantora e você pode ouvi-lo no final da postagem. Boa Audição.

01. Será que Você me Ama?
02. Difícil
03. Urubu Rei
04. No Quiero Tus Besos
05. Diabo
06. La Vie en Rose (Edith Piaf)
07. My Baby Just Cares For Me
08. Feito pra Mim
09. Todas as Cores
10. Volta
11. Rock and Roll (Led Zeppelin)
12. Foi Embora
13. L'Amour
14. Falta
15. Amar Amor
16. Stormy Weather




Site Oficial: Ana Cañas

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ana Cañas - "Rock And Roll" (Led Zeppelin)


Por Daniel Faria 

Quem é leitor assíduo do Jazz & Rock, certamente já ouviu falar da cantora Ana Cañas. Pois é pessoal, depois de três anos, desde do álbum Hein? (2009), a jovem cantora e compositora está de volta com algumas novidades.

Uma das novidades é o lançamento do seu novo álbum, Volta (2012), que eu acabei descobrindo por acaso enquanto garimpava os sites de música, ainda não ouvi, mas já está na lista para ser apreciado e que certamente renderá algum comentário futuro aqui no Jazz & Rock. E a outra novidade é o lançamento de um clipe oficial com uma versão da clássica "Rock And Roll" do Led Zeppelin. Quanta responsabilidade. Bom na versão da Ana, o clássico ganhou um toque acústico e claro a voz suave e afinadíssima da cantora. Eu gostei do resultado.

E você, o que achou da versão da Ana Cañas ??


Direção: Conrado Galves / Flávio Rossi (FGreat - Londres)
Imagens: Cauê Angeli / Conrado Galves / Flávio Rossi
Edição: Daniel Lima (Fubá Fimes - SP / Brasil)

Site Oficial: Ana Cañas 

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Ana Cañas

2007 - Amor e Caos
Gênero: MPB



Conheci o som da Ana Cañas no programa do Jô e na época ela estava lançando o seu primeiro álbum "Amor e Caos".

O excelente álbum da jovem e talentosa cantora prima por ser autoral, audacioso e distante do que se convencionou denominar MPB. Amadurecida por mais de cinco anos em jam sessions na noite de São Paulo, a cantora imprime nas canções do álbum uma atmosfera jazzística, usando e abusando de um andamento musical imprevisível e inovador. Carismática, sua poderosa voz fez dela uma das grandes descobertas recentes da música brasileira, antes mesmo de gravar o primeiro disco, já sendo apreciada por gente como Chico Buarque, Toquinho, Seu Jorge e uma infinidade de jazzófilos que batem ponto no Baretto, muito provavelmente o melhor piano-bar do Brasil, onde Ana se apresentou nos últimos anos.

São dela, com seus parceiros, sete das dez faixas do muito bem-vindo “Amor e Caos”. Nas canções, por vezes, Ana subverte modelos de cantigas infantis para tratar da condição humana falando de si com universalismo, sem se levar tão a sério, mas também sem fazer qualquer tipo de concessão comercial. A segunda faixa, intitulada “A Ana”, por exemplo, carrega esta expressão em 25 dos 28 versos, divididos em estrofes como esta: “Foi a Ana que fez/ Foi a Ana que foi/ Foi a Ana em fá/ Foi a Ana, foi”. E a música é uma maravilha, sob todos os aspectos. Além dessa canção Ana Cañas traz uma interpretação da música “Rainy Day Women”, de Bob Dylan e “Coração vagabundo”, de Caetano Veloso.

Ana Cañas é uma cantora diferenciada na minha opinião e que demonstrou personalidade logo no seu primeiro álbum. A influência do jazz na sua música também merece ser destacada. "Amor e Caos" tem todos os ingredientes que um bom álbum de estréia precisa e a Ana tem tudo para despontar no cenário nacional. Boa Audição.

Track List

01. Mandinga Não
02. A Ana
03. Vacina na Veia
04. Para Todas as Coisas
05. (Sem Título)
06. Coração Vagabundo
07. Cadê Você?
08. Devolve, Moço
09. Super Mulher
10. Rainy Day Women

Ana Cañas "Devolve Moço" (Clip Oficial)


Ana Cañas - "A Ana"


Site Oficial: Ana Cañas

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Entrevista: Ana Cañas


A cantora Ana Cañas bateu um papo com o pessoal da revista TPM e falou em entrevista sobre o novo álbum "Hein?" (postado recentemente no Blog Jazz e Rock). Confira abaixo o artigo da revista na integra.
Com um pé no tropicalismo, muita guitarra e o apoio da experiência de Liminha, Arnaldo Antunes e Dadi a cantora Ana Cañas acaba de lançar seu segundo disco: “Hein?”. Batemos um papo com a cantora para saber mais sobre como está sendo essa nova fase, além de outras curiosidades.

Revista TPM: Este cd é bem diferente do anterior, o que mudou?

Ana Cañas: Na verdade, não houve uma “mudança”. Esse disco novo traz uma descoberta nos palcos da estrada do show Amor e Caos. Interpretando músicas de Cazuza, Raul Seixas, Itamar Assumpção e o próprio Gilberto Gil (Chuck Berry Fields Forever é uma música que entrou nesse show) senti que tinha um lado meu que não estava exposto no primeiro disco. Depois de ouvir muitos: “O seu show é melhor que o seu disco” saquei que tinha esse lado que eu precisava registrar num segundo momento, num próximo disco.

Revista TPM: Você tem alguma preocupação em se diferenciar das “novas cantoras” que se destacaram nos últimos anos?

Ana Cañas: Não. Tenho apenas uma preocupação: ser honesta, verdadeira. Acho que isso é o que nos torna únicos. Assim como tenho a certeza de que elas também têm essa busca.

Revista TPM: Uma música no seu cd novo fala de não fazer nada. Você consegue ficar um dia “sem fazer nada”?

Ana Cañas: Consigo ficar vários! Tem coisa melhor ou coisa mais necessária do que não fazer nada?!!

Revista TPM: Você se preocupa com a imagem que transmite para as pessoas? Como imagina que as pessoas te interpretam? Que rótulos elas usam?

Ana Cañas: Tenho a preocupação de ser real. De levar às pessoas o que estou pensando e sentindo de verdade. Se você bebeu um pouco isso pode aparecer também! Não gosto de pensar em “como as pessoas me imaginam”, mas posso ver através do olhar o que elas estão sentindo também. As pessoas não usam rótulos, não sinto isso. Pelo contrário, sinto um interesse, uma curiosidade sobre o trabalho, o que é muito bom. Todos nós podemos ter preconceitos. Estou trabalhando intensamente para transformá-los em pós-conceitos!

Revista TPM: Como surgiram as parcerias deste novo cd?

Ana Cañas: Surgiram de uma forma muito natural. Dadi, Arnaldo Antunes e Liminha são pessoas abertas, receptivas e generosas. É um privilégio contar com a “ajuda” deles! Foi muito enriquecedor sem dúvida.

Revista TPM: Você aparece como autora de muitas faixas. É dolorido o processo criativo? Como a inspiração vem pra você?

Ana Cañas: Nada dolorido! É prazeroso! Quando eu estou num boteco pé sujo na madruga, com amigos tocando, às vezes, até dormindo. Já acordei no meio da noite para escrever letra. Um bom filme, uma boa música também são muito inspiradores! Lembro que escrevi a letra de “O Amor é Mesmo Estranho” depois de assistir ao filme “Gran Torino”. O que tem a ver o cú com as calças, não sei, mais com certeza, me inspirou!

Revista TPM: Sente que composições próprias te expõe muito?

Ana Cañas: Sim. Mas esse é o lance. Temos que expor o que sentimos, muitas vezes coisas que aconteceram na nossa vida, mas de uma forma que outras pessoas também possam se identificar. É sempre um desafio delicioso fazer uma música.

Revista TPM: Já se sente famosa?

Ana Cañas: Não. Mas sinto que existem pessoas legais acompanhando o trabalho com muita atenção, e de forma carinhosa.

Revista TPM: O que você escutava quando era mais nova que não consegue mais ouvir?

Ana Cañas: Roxette. (Ah! Adolescência.)

Revista TPM: Que sons do dia-a-dia são inspiradores pra você?

Ana Cañas: Passarinho assoviando, Nina Simone, Neil Young, Iggy Pop, e uma pessoa cantando baixinho uma melodia. Isso sempre me inspira.

Revista TPM: Que disco você escutou até “furar”?

Ana Cañas: Odelay (Beck).

Revista TPM: Qual seu sonho mais recorrente?

Ana Cañas: Uma borboleta que sai da garganta das pessoas enquanto elas conversam. E sonho muito com o meu pai também (que já é falecido).

Revista TPM: Você canta pra você ou para os outros?

Ana Cañas: Para mim e para ou outros. Aprendi que não dá para amar os outros e ser amado se você não fizer isso com você e por você em primeiro lugar.

Revista TPM: O que te dá prazer ultimamente?

Ana Cañas: Vinho, cachaça, pão com manteiga. Amigos que só falam de música, Fellini.

Revista TPM: Complete a frase. Um dia feliz é um dia que....

Ana Cañas: a gente sente o amor.

Revista TPM: Que instrumento melhor complementa a sua voz?

Ana Cañas: No momento, guitarra. Estou apaixonada por elas.

Site Oficial: Revista TPM

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ana Cañas

2009 - Hein?
Gênero: MPB



O mais novo álbum da cantora Ana Cañas chegou definitivamente para marcar presença no cenário nacional, ele que teve seu lançamento no site do Sonora e chegou as lojas no último dia 20. Essa versão que estou postando para vocês foi extraída do site.

“Hein?” é o segundo álbum solo da carreira da Ana, com 11 faixas de autoria própria, uma releitura da música “Chuck Berry Fields Forever” do cantor Gilberto Gil e as participações dos convidados Arnaldo Antunes (com quem dividi cinco temas do álbum) e Dadi Carvalho.

Ana Cañas é uma cantora diferenciada, dispensa qualquer tipo de rótulos para sua música, ela que despontou no cenário tocando Standards do jazz, agora se rende ao rock and roll, sem deixar de lado outros gêneros, sempre bem elaborados em meio as suas músicas. Ela que gravou seu primeiro álbum em 2007, em uma entrevista, ela disse que com no novo trabalho enfrentou a temida pressão do segundo disco e desafiou seu próprio repertório, com novas composições e novos rumos para sua música. "Você lança o primeiro disco e é 100% nova, as pessoas não te conhecem. No segundo álbum existe uma relação referencial com o anterior e o que você vai negar, reafirmar e criar. Esse segundo CD é mais relaxado, no sentido de não precisar me auto-firmar. É mais intenso e rígido na sonoridade", conta a cantora.

“Hein?” é perfeito, as faixas “Na Multidão”, “Esconderijo”, “Coçando”, “Na Medida do Possível”, mostram todo potencial da cantora Ana Cañas e afirma que ela é uma cantora talentosa e prova que ela não está de passagem na música brasileira, a paulista de apenas 28 anos, dona de uma voz suave e que durante suas melodias brinca com os sons e usa sua voz como um instrumento para sua banda, trazendo a nossa lembrança a divã Ella Fitzgerald, Ana Cañas faz isso com uma qualidade impecável. Já comprei o meu ! Boa Audição.

Track List

01. Na Multidão
02. Coçando
03. Na Medida do Impossível
04. Esconderijo
05. Sempre com Você
06. Chucky Berry Fields
07. Gira
08. Problema Tudo Bem
09. Aquário
10. A Menina e o Cachorro
11. Não Quero Mais
12. O Amor É Mesmo Estranho

Ana Cañas - Esconderijo (Videoclipe Oficial)


Site Oficial: Ana Cañas