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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Review: Ed Motta - AOR (2013)


Agradeço ao Marcelo Donati, que gentilmente cedeu a sua resenha e autorizou que eu postasse aqui no Jazz & Rock. Essa é mais um super lançamento do ano. 

Por Marcelo Donati ( Blog Marcelo Donati )

Um álbum pra ser ouvido no toca-fitas, passeando de carro pela ensolarada U.S. Route 101 na Califórnia, tomando um keep cooler, e usando uma camisa florida como a do Magnum P.I.

Assim é o clima que Ed Motta pretende criar no ouvinte que apreciar seu mais recente disco, AOR (Dwitza Music / LAB 344). Um álbum totalmente focado na linguagem musical AOR Westcoast, que invadiu as rádios FM no final dos anos 70 e no começo dos 80.

Steely Dan, Pages, Doobie Brothers, Todd Rundgren, Ned Doheny, Eric Tagg, Airplay, Boz Scaggs, Christopher Cross e Chicago são alguns nomes importantes que permearam e nortearam a ótica de Ed para este novo trabalho, o primeiro a ser lançado por sua própria editora musical, Dwitza Music, e distribuído em parceria com a gravadora LAB 344.

Muitas surpresas advém deste novo disco. Uma delas é que o disco foi gravado em duas versões: uma quase toda em português (com letras de Rita Lee, Adriana Calcanhoto, Edna Lopes, Chico Amaral, Dante Spinetta e o próprio Ed Motta), e outro em inglês, com letras de Rob Gallagher. O disco em português foi lançado apenas no Brasil e a versão em inglês no resto do mundo.

Outra surpresa é o time ultra-qualificado de músicos convidados. Além da banda base, que consiste em Robinho Tavares no baixo, Sérgio Melo na bateria e Glauton Campello nos pianos e teclados, o disco tem o mestre David T. Walker na guitarra, além de Bluey do Incognito, Torcuato Mariano, Chico Pinheiro, Jota Moraes, Jessé Sadoc (arranjador de metais de todas as faixas), o sempre e fiel escudeiro de Ed, Paulinho Guitarra, e muito mais.

A veia soul e a paixão jazzística pelas harmonias que são características de Ed Motta encontraram abrigo perfeito nessa nova empreitada, visto que todas as músicas exalam um apuro técnico, uma qualidade de composíção/arranjo/gravação lapidada até seu estágio mais avançado, culminando num néctar musical sofisticado e ao mesmo tempo atraente, do ponto de vista popular. AOR é a pop music servida em taça dourada.

Faixa a faixa:

Flores da Vida Real - possui uma progressão inicial de acordes (mesma do refrão) que serve como um crachá do estilo Westcoast. O arranjo de metais de Jessé Sadoc evoca os melhores tempos d'As Segundas Intenções do Manual Prático. O solo de sax é feito pelo autor da letra, Chico Amaral, e o solo de guitarra é de Torcuato Mariano.

S.O.S. Amor - a parceria Ed Motta/Rita Lee rende um novo fruto. Com cara de single, a música une a beleza das canções de Rita & Roberto com a meticulosidade do Steely Dan. A bateria de Sergio Melo evoca o estilo funky laid back de Bernard Purdie. Solo de guitarra classudo do mestre Paulinho Guitarra. E o piano de Glauton Campello é a cereja do bolo.

Epísódio - Aqui a coisa fica ainda mais séria. No melhor estilo Jay Graydon, a intro dobrada de guitarras de Paulinho Guitarra flerta com o AOR mais Rock, enquanto que os violões de Vinícius Rosa fornecem a calma ao tema. O quarteto de metais (Aldivas Ayres, Sadoc, Marcelo Martins e Zé Canuto) semeia um riquíssimo arranjo por toda a canção. E a letra cifrada de Edna Lopes parece ser um recado para alguém.

Ondas Sonoras - O renomado e lendário guitarrista David T. Walker contribui com estilo e finesse para a rica música de Ed, cuja linda linha de baixo de Robinho remete diretamente a Boz Scaggs. Ed cria brilhantes vocais de apoio, além de tocar clavinet e percussão.

Marta -  Além de ser a mais funk do disco (dá-lhe Robinho Tavares no groove do baixo), 'Marta' reflete a paixão de Ed por narrativas de HQ, seguindo a linha de 'Nicole versus Cheng', do disco Piquenique. Ambas são de autoria de sua esposa Edna Lopes. Além do tempero irresistível de Robinho, Glauton Campello dá  show no piano acústico e no belo solo de Rhodes. E não podemos esquecer que Bluey do Incognito está pilotando a guitarra!

1978 - Outra com letra de Edna, esta foi a primeira música apresentada por Ed Motta ao grande público. Ed dobra a linha de baixo de Robinho com seu clavinet. O destaque é o flugelhorn e trompete de Jessé Sadoc (o interlúdio de metais é divino), o Rhodes de Campello e o absurdamente bonito solo de guitarra fusion de Chico Pinheiro.

Latido - Com seu arranjo de metais que remetem à fase Aystelum, é uma prova de amor de Ed para com a Argentina, o Chile e nuestros hermanos latinos que tanto o amam. Traz Dante Spineta (letra e narração), filho do falecido Spinetta, cuja música Ed tanto aprecia.
É a única do disco que quase cai fora do escaninho AOR, flertando com o spiritual jazz, o latin jazz e o funk. Mas claro, vestida e arranjada de acordo com a estética do disco. O requintado vibrafone de Jota Moraes e os pianos elétricos de Campello colaboram para o clima jazzístico. A síncopa do ritmo é envolvente, do começo ao fim do tema.

AOR - A vinheta que dá nome ao disco. Toda gravada e tocada por Ed, a letra é quase uma oração ao estilo Westcoast, além de servir para informar aos incautos como pronunciar corretamente o nome do estilo!

A Engrenagem - Desde já, minha favorita. O Rhodes de Ed é a tônica do tema, um AOR quase progressivo, e o solo de Vinícius Rosa na guitarra sedimenta o clima complexo. O magnífico solo de teclado de Rannieri Oliveira, cheio de modulações no tom, lembra o clima da música Aja, com a bateria de Sergio Melo quebrando tudo. Amazing!
E a letra, de autoria do próprio Ed Motta, parece trazer um recado implícito, um aviso, uma verdade.

Mais do que eu sei - Música que não consta do CD (só é vendida pelo iTunes) carrega influências do dito AOR Hard Rock. E ao mesmo tempo, traz reminiscências da balada do disco Piquenique, 'Carência no Frio', principalmente por causa dos violões. Mas as inéditas guitarras pesadas injetam frescor à música de Ed. E o belo solo de guitarra, todo harmonizado? Caberia tranquila em algum disco do Toto ou do Foreigner. A preferida de minha esposa.

Resumo: Discaço! A única crítica negativa a se fazer é que o álbum é muito curto, pois música deste nível é desejável de se ouvir muito, e sempre. Mas não tem como não dar 5 estrelas. Obrigado, Ed, por nos permitir ouvir sua fabulosa música.

1. Flores da Vida Real
2. S.O.S Amor
3. Episódio
4. Ondas Sonoras
5. Marta
6. 1978
7. Latido
8. AOR
9. A Engrenagem


Ed Motta - 1978

Ed Motta - Marta Site Oficial: Ed Motta

terça-feira, 4 de junho de 2013

Review: Black Sabbath - 13 (2013)


Por Daniel Faria


A espera terminou e junto com ela surge a primeira grande pergunta: O que esperar de uma formação que tocou junta pela última vez há quase 35 anos atrás ?. Sim, pois foi no álbum Never Say Die (1978), que Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler entraram juntos no estúdio. E com esse fato em mente, surgiu mais uma dúvida: O novo álbum iria soar como os antigos ou o trio iria apostar em uma sonoridade nova ?

Em meio as expectativas, o primeiro single que o Sabbath divulgou foi a excelente "God is Dead?", uma música que apesar de não soar como os velhos clássicos, surpreendeu com um heavy metal poderoso  envolvido em um clima sombrio, com um som cadenciado e com momentos de explosão, característicos do Black Sabbath.

Para produzir o novo álbum, a banda chamou o renomado produtor Rick Rubin, que tinha como meta principal trazer o Black Sabbath de volta, com uma sonoridade próxima da década de 70. Porém trazer de volta aquele clima, está longe de ser uma tarefa fácil, principalmente por causa do tratamento que o novo álbum recebeu no estúdio, fazendo com que 13 (2013) tivesse um som limpo e bem polido, diferentemente dos antigos, que traziam um som abafado e sem muito tratamento, mais que segundo alguns puristas essa era a alma do Sabbath.

Detalhes a parte, 13 (2013) soa muito bem logo na primeira audição, talvez por se tratar do Black Sabbath, logo nos primeiros acordes você sente um frio na barriga e uma expectativa imensa, seu ouvido fica atento a cada mudança de nota. Em uma primeira impressão, diria que é um álbum de rock tradicional, aonde o hard rock e o heavy metal se unem continuamente, resultando em um som denso e poderoso. 

Tony Iommi dispensa comentários, apesar de beber da sua própria fonte, seus solos e riffs são alma desse álbum, o Príncipe das Trevas, Ozzy Osbourne surpreendeu, apesar de alguns momentos se esforçar para manter o vocal, mais convenhamos, o sessentão ainda está em forma, o baixista Geezer Butler é discreto, porém faz o difícil parecer fácil, fazendo o som do baixo saltar aos ouvidos em cada música, e por fim o baterista convidado Brad Wilk (do Rage Against the Machine), que foi preciso e bem perceptível.

O álbum traz oito faixas, nenhuma com menos de quatro minutos. "End of The Beginning" abre o disco em grande estilo, com um clima sombrio e um som arrastado, o Príncipe das Trevas surge e começa a cantar as primeiras palavras. Tudo soa familiar e o riff nos leva diretamente ao ano 1970, mais precisamente ao álbum Black Sabbath. O contrabaixo Geezer aparece discreto, porém marcando presença, porém é Tony Iommi que da as caras, com seus riffs e um solo que surpreende, mostrando que está inspirado. É nesse clima que a música segue, em mais de oito minutos de duração. 

A segunda-faixa é a já conhecida "God is Dead?", que a meu ver figura entre as melhores do álbum. Um heavy metal com um clima sombrio e um refrão muito grudento, o destaque nessa faixa vai para o contrabaixo do Geezer e para a performance do Ozzy. Na sequencia surge "Loner", que incia com um riff clássico do Iommi, e o clima sombrio das anteriores da lugar a um som com pegada e muito peso, com a primeira aparição de fato do baterista Brad Wilk. 

Passado o peso, surge "Zeitgeist", a primeira balada propriamente dita. Apesar de ser uma das mais fracas do álbum, alguns aspectos merecem destaque, como o solo do Iommi, o uso de alguns elementos do jazz e a tentativa de soar psicodélica, mas sem muito sucesso. Em "Age of Reason", a banda volta a pisar no acelerador e mostra mais uma vez uma pegada excepcional, a música começa com riff clássico do Iommi e uma cadencia não tão lenta e não tão rápida. O interessante dessa musica é a sensação dela ter sido dividida em duas partes. O destaque fica por conta do Tony Iommi, que proporciona um solo rápido e virtuoso, coisas que ele faz como poucos. "Live Forever" tem uma sonoridade voltada para o stoner rock, que tira o álbum 13 daquela sonoridade das antigas e colocando um aspecto atual, Ozzy se destaca pela sua interpretação.

Em se tratando de Sabbath, não poderia faltar aquele blues arrastado e com um clima sombrio, tão característico nas composições da banda, e eis que ele finalmente aparece, em "Damaged Soul". Dificil até descrever essa preciosidade, que tem três solos de guitarra e Geezer roubando a cena com seu contrabaixo. Uma das melhores músicas do álbum. O álbum encerra com "Dear Father", que traz um final digno de Black Sabbath, com riffs graves e pesados, Ozzy se empenhando ao máximo e um final  com direito a trovões e sinos, nos levando novamente ao Black Sabbath (1970) e claro, ao ponto inicial do 13. 

O álbum 13 (2013) pode não se tornar um clássico daqui uns anos, como aconteceu com outros álbuns do Sabbath, porém sem dúvida terá seu lugar reservado nessa extensa discografia. Outro fator que a meu ver é muito interessante, é que quando uma banda consagrada decide entrar no estúdio para lançar um novo álbum, e com uma formação que se reuniu há 35 anos, já faz dese álbum um marco histórico.

Eu ouvi o álbum pela primeira vez hoje de manhã e a sensação é de não querer desgrudar dele, e se pudesse ficaria ouvindo o dia inteiro. 13 não é apenas mais um álbum de heavy metal, não, ele traz toda uma mistica construída ao longo de décadas em torno do nome Black Sabbath e isso é mais do que suficiente para os amantes do bom e imortal rock'n'roll.  

01. End of the Beginning
02. God Is Dead?
03. Loner
04. Zeitgeist
05. Age of Reason
06. Live Forever
07. Damaged Soul
08. Dear Father

Black Sabbath - God is Dead?


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Review: Sonny Landreth - Elemental Journey (2012)


Por Thiago Teberga

Olá amigos fãs do Jazz e da boa musica em geral!!!!

 Alguém aqui conhece o virtuose da guitarra Sonny Landreth? Se a resposta for não esse é um bom momento de conhecer. Vamos as apresentações então!!! Sonny é um dos melhores slide guitar da atualidade, dono de técnica invejável, bom gosto no fraseado e ótimo compositor, com esse pequeno currículo a seu favor Landreth é uma daquelas “figurinhas” sempre presente em Jam Sessions no Estados Unidos, entre alguns famosos que Sonny Landreth já tocou estão: Eric Johnson, Joe Satriani, Eric Clapton (aliás Clapton é fã assumido de Landreth), Mark Knopfler, Allman Brothers Band, Govt Mule entre muitos outros.

 Sonny Landreth tem uma discografia relativamente grande, sempre com musicas com uma pegada para o Blues Rock. A dica de hoje vai para o álbum lançado em 2012 “Elemental Journey”. Nesse álbum Sonny inovou, além de composições um pouco diferentes do habitual o disco conta com um time de músicos que vão além da guitarra, baixo e bateria.

O álbum conta com Sonny Landreth na guitarra, Joel Martinez e Lauren Baker nos violinos, Emil Ivanv e Morgan Bartholick nas violas, Pedro Huff e Mark Pritchard nos cellos, Steve Conn no teclado e Brian Brignac e Tony Daigle na bateria e percussão.


Esse é um daqueles discos em que fica difícil escolher a melhor musica ou a que mais se destaca!!!. Mas mesmo assim vou dar um certo destaque para a faixa “Passianola” pelas belas melodias de guitarra e apesar de ser uma balada não é uma musica em que a melodia fica se repetindo! E destaco também a faixa “Gaia Tribe” que abre muito bem o disco, além dos destaques óbvios essa faixa conta com a participação de Joe Satriani.

 Como estava dizendo esse disco se destaca pela musicalidade e pela ousadia de Sonny Landreth que apesar de beber das inesgotáveis fontes do blues mostrou com “Elemental Journey” que a musica pode sempre progredir, evoluir. Ja vi muitos puristas “condenarem” músicos que levam determinados gêneros a outras direções. Mas no caso desse disco em especial o guitarrista conduziu o Blues Rock para uma evolução ( ao meu ver natural). O mundo a cada dia ganha novas formas e novas visões de tudo, e porque não estilos tradicionais como o blues também não podem ganhar novas roupas, mais modernas!

 É isso ai, fica a dica de um grande lançamento (apesar de ser de 2012 ainda é um lançamento) de um dos mais importantes músicos de blues rock da atualidade.

 Grande abraço a todos

 Set list.

 1. Gaia Tribe
 2. For You And Forever
 3. Heavy Heart Rising
 4. Wonderide
 5. Passionola
 6. Letting Go
 7. Elemental Journey
 8. Brave New Girl
 9. Forgotten Story
 10. Reckless Beauty
 11. Opening Sky


   

 Site Oficial: Sonny Landreth

domingo, 16 de dezembro de 2012

Top 2012 do Blog Jazz & Rock por Daniel Faria


Caros leitores e leitoras !

Estamos chegando ao fim de mais um ano, e pensando nisso não poderia deixar de fazer a tradicional lista de melhores álbuns do ano. O cenário musical em 2012 surpreendeu muita gente, com bons lançamentos, com retorno de grandes bandas e a confirmação de novas bandas no cenário musical. Foram tantas novidades, que eu não consegui ouvi tudo ainda, e muitos bons lançamentos ficaram de fora da lista.

Bom sem mais delongas, vamos dar inicio ao TOP 2012. É uma lista pessoal, onde eu selecionei os melhores álbuns que eu ouvi este ano.

Se você também tem o seu TOP 2012, deixe a sua lista nos comentários, será muito bem vinda !

Aproveito também para desejar um Feliz Natal e um prospero Ano Novo a todos os leitores do Jazz & Rock, e que o ano que vem seja bem melhor que este que está acabando.

Se o Jazz & Rock vai ter fôlego para voltar em 2013, ainda não sei. 


ZZ Top - La Futura (2012)

Depois de nove longos anos, o trio texano do ZZ Top ressurgiu este ano com o excelente e surpreendente La Futura. O trio uniu uma sonoridade atual, sem deixar a pegada antiga de lado, resultando em um álbum vigoroso, com ótimos riffs, uma boa dose de solos e músicas marcantes. 


Accept - Stalingrad (2012)

Os alemães do Accept também fizeram o dever de casa com muita competência. Seguindo a mesma fórmula do álbum Blood of the Nations (2010), o quinteto surpreendeu com o lançamento de Stalingrad. Um álbum feito sob medida, com canções marcantes, refrões grudentos e com o vocalista Mark Tornillo mostrando mais uma vez a sua excelente performance a frente do Accept. 


Van Halen -  A Different Kind Of Truth (2012)


Outro gigante que estava adormecido, e acordou com toda sua fúria este ano, foi o Van Halen. Desde 1998 sem lançar um álbum de estúdio, a banda ressurgiu após anunciar o novo álbum A Different Kind Of Truth, com David Lee Roth nos vocais e Wolfgang Van Halen na guitarra. O resultado não poderia ser melhor, um álbum com um hard rock de primeira qualidade, revigorante e com muita energia. O álbum ainda contou com a presença dos lendários membros Eddie Van Halen na guitarra e Alex Van Halen na bateria.


Blackberry Smoke - The Whippoorwill (2012)

O Blackberry Smoke foi sem duvida uma das grandes surpresas deste ano. A banda que está na estrada desde 2000 e com dois álbuns na bagagem, lançou The Whipporwill. Imagine e pense em tudo que o Lynyrd Skynyrd poderia ter feito e não fez,  nos arranjos e harmonias bem encaixadas, nas letras marcantes e envolventes, isso tudo você encontra em The Whipporwill. Sem dúvida o melhor álbum de southern rock do ano.


Ari Borger Quartet - Back To The Blues (2012)

O cenário brasileiro não poderia ficar de fora, e um dos álbuns escolhidos foi o Back To The Blues, do Ari Borger Quartet. Um álbum onde o Ari Borger voltou as origens, ao blues norte americano, e acompanhado pelos músicos Celso Salim, Humberto Zigler e o recém chegado Rodrigo Mantovani, fizeram do Back To The Blues um trabalho para ser não apenas apreciado, mas reverenciado  Mesclando clássicos do blues e composições próprias, o organista e pianista Ari Borger criou um ambiente inovador, onde ele contou com as músicas, um pouco da história do blues. Recomendo.


Esperanza Spalding - Radio Music Society (2012)


A jovem e talentosa baixista Esperanza Spalding marcou presença entre os melhores do ano com o excelente Radio Music Society. Se em Chamber Music Society (2010), o que predomina é o jazz clássico, o mesmo não acontece no novo álbum, Esperanza buscou e trouxe as influencias do R&B, soul, pop e do jazz para compor o repertório. O resultado não poderia ser melhor e a prova que Esperanza Spalding é uma cantora, baixista e compositora, acima da média.


John Pizzarelli - John Pizzarelli - Double Exposure (2012)


Double Exposure foi um dos álbuns que eu esperei acinosamente este ano. Não escondo que John Pizzarelli é o meu musico de jazz favorito. Não posso dizer que Pizzarelli inovou em seu novo álbum, até por que ele manteve a sua fórmula de sempre, de regravar canções consagradas. Em Double Exposure, Pizzarelli traz um repertório formado basicamente por canções populares que marcaram a sua vida ao longo dos anos. Um álbum surpreendente, com direito a Beatles, James Taylor, Elvis Castello e uma versão impecável de uma música do Allman Brothers Band. Para coroar o lançamento do álbum, também tive a chance de ir ao show do Pizzarelli no Bourbon Street. 


Marcus Miller - Renaissance (2012)

Se você está a procura de um jazz fusion, com uma pegada funkeada e muito groove, Renaissance (2012), novo álbum do baixista Marcus Miller, é a pedida certa. Em seu oitavo álbum da carreira solo, Marcus Miller da mais uma aula de como se faz jazz fusion. Se a ideia do álbum é de mostrar o novo renascimento da sua carreira, Miller conseguiu passar isso, Renaissance transmite inovação, um vigor novo, é um álbum que traz influencias do funk, do soul, do jazz e até mesmo da música brasileira. Marcus Miller usa e abusa de técnicas que ele domina, como a do slap, brindando o ouvinte com um som envolvente e carregado de muito groove.
  

Igor Prado Band - Blues & Soul Sessions (2012)

Blues and Soul Sessions, do guitarrista Igor Prado, também merece destaque. Mesmo sendo um álbum com clássicos e convidados do blues norte americano, este registro é sem dúvida um dos melhores do cenário nacional. Gravado em São Paulo, ao vivo, usando equipamentos vintage e sem o uso de overdubs, Blues & Soul não só traz um repertório escolhido a dedo, como conta com convidados de peso, como Tia Carrol, J.J Jackson e Curtis Salgado, além do hammond de Flavio Naves e piano de Ari Borger, além de outros nomes. Um verdadeiro tributo ao blues. Recomendo.


Primal Rock Rebellion - Awoken Broken (2012)


Primal Rock Rebellion, projeto do vocalista Mike Goodman e do guitarrista Adrian Smith, do Iron Maiden, surgiu este ano e já deixou a sua marca com o excelente Awoken Broken. Apostado em um heavy metal moderno, o álbum foi cercado de expectativa antes mesmo do seu lançamento, com um anuncio, acreditem, na pagina principal do Iron Maiden. Após ser lançado, o projeto superou todas as expectativas, com músicas envolventes incrementadas com muito peso. O interessante desse projeto, foi justamente ouvir as influencias e as ideias do Adrian Smith.  


KISS - Monster (2012)


Entre os gigantes que retornaram este ano, o KISS foi sem dúvida o que mais surpreendeu. Depois do bom trabalho em Sonic Boom (2009), o quarteto mascarado anunciou Monster e a promessa feita pro Stanley e Gene, de voltar as raízes. Muitos viram isso com desconfiança, porém bastou o álbum ser lançado, para perceber que o Kiss havia cumprido a promessa. E assim foi, uma viagem ao passado, mais precisamente nos anos 70 e 80, e Monster foi concebido de forma primorosa, com direito a mais puro rock'n'roll. O KISS voltou em grande estilo e fez de Monster, um dos melhores álbuns dos últimos anos da carreira, e também do ano. Em novembro, tive a chance de ir pela primeira vez ao show do KISS, foi inesquecível. 


Hardbone - This Is Rock 'N' Roll (2012)


Se no debut Dirty 'N' Young (2010), os alemães do Hardbone já arrancaram boas criticas da mídia especializada, This Is Rock’n’Roll (2012) vem para firmar ainda mais o nome dos caras na busca por um lugar ao sol. Em vista do debut, a banda manteve a mesma proposta, como letras que abordam temas como álcool, mulheres e rock’n’roll, riffs e solos marcantes e bem trabalhados, refrões grudentos e a influencia do som do AC/DC. O destaque fica por conta da produção, que nesse segundo álbum está mais profissional. O vocal do Tim Dammann soa mais agressivo nesse trabalho, mesclando entre um timbre rouco e agudo. Os guitarristas Sebastian e Tommy mostram um entrosamento monstro nas músicas, sendo que Sebastian é o responsável por boa parte dos solos, enquanto Tommy se encarrega da base e dos riffs. Uma parceira perfeita. Juntos o baixista Wolfgang Pohl e o batera Caim Grandt, fazem a cozinha perfeita, algo essencial em uma banda de rock’n’roll.


Rival Sons - Head Down (2012)


O quarteto do Rival Sons chega ao terceiro álbum da carreira mantendo a mesma qualidade que mostrou nos anteriores. Head Down (2012) mostra o amadurecimento de uma banda, com composições impactantes e uma sutil mudança na sonoridade, mas que fez toda diferença. Se antes a banda soava e bebia de uma única fonte chamada Led Zeppelin, no novo álbum os caras deixaram isso de lado, e trouxeram elementos de bandas como The Doors, The Who e até Lynyrd Skynyrd, resultando em um hard rock contagiante, com uma pegada renovada e com músicas carregadas de muito groove. E os responsáveis por isso são, o vocalista Jay Buchanan, que mais uma vez se mostrou impecável e com um vocal calibrado, o guitarrista Scott Holiday, responsável pelos riffs e os solos, e claro para a cozinha feita com competência pelo baterista Michael Miley e o baixista Robin Everhart. Head Down (2012) é um dos melhores álbuns de rock do ano, recomendadíssimo.


Lynyrd Skynyrd - Last Of A Dyin' Breed (2012)


O Lynyrd Skynyrd também deu as caras em 2012, depois de três anos sem lançar um material inédito, o maior nome do Southern rock está de volta. Sob o comando Johnny Van Zant, a banda ressurge com Last Of A Dyin’Breed (2012). Produzido por Bob Marlett, o décimo terceiro álbum de estúdio da banda segue os passos do antecessor e excelente God & Guns (2009), porém com uma sutil e notável diferença, que é a tentativa de soar um pouco mais moderno, parece que a banda tirou um pouco o pé e deixou a sonoridade menos pesada, sem abusar de riffs vigorosos, como no antecessor. Apesar disso, o Lynyrd Skynyrd se saiu bem e o resultado é satisfatório. No repertório onze canções, onde a banda explora várias sonoridades, como por exemplo o blues do delta em “Mississippi Blood”, o hardão pesado e arrastado em “Nothing Comes Easy”, a pegada empolgante de “Good Teacher” e a balada “Something To Live For”, algo que o Lynyrd Skynyrd faz muito bem. É claro que em se tratando de uma banda consagrada, não tem como agradar a todos a cada álbum lançado, o fato é que Johnny Van Zant (vocal), Gary Rossington (guitarra), Ricky Medlocke (guitarra), Mark Matejka (guitarra), Peter Keys (teclado) e Michael Cartellone (bateria), mantiveram as expectativas, porém sabemos que o Lynyrd Skynyrd tem capacidade e estrada suficiente para lançar um álbum muito melhor.


Billy Martin & Will Blades - Shimmy (2012)


O álbum Shimmy, foi uma das minhas grandes descobertas deste ano e sem dúvida um som que tem tudo para agradar os fãs mais exigentes de jazz funk. Um duo praticamente perfeito, entre o organista Will Blades e o batera Billy Martin. Juntos, eles criam uma sonoridade única, apenas com o Hammond B3 e a bateria, o resultando é um som repleto de grooves e um funkeado impecável. Vale conferir.

OS MELHORES ÁLBUNS AO VIVO DO ANO.


Iron Maiden - En Vivo (2012)


Entre os lançamentos ao vivo, não poderia deixar de fora da lista o álbum En Vivo, do Iron Maiden. Gravado em Santiago do Chile, durante a The Final Frontier World Tour, no estádio nacional, é um registro mais do que especial, aonde e banda trouxe para o palco um set list com as músicas novas e claro os clássicos já consagrados. E por se tratar de Iron Maiden, qualquer comentário ou elogio, é chover no molhado.


Warren Haynes - Live at the Moody Theater (2012)

O incansável e sublime guitarrista Warren Haynes, também lançou um álbum ao vivo de fazer inveja. Gravado no Moody Theater, o guitarrista brindou o público com um show impecável, onde cantou musicas do seu trabalho mais recente, Man in Motion (2010) na primeira parte do show e na segunda tocou músicas da sua banda Gov't Mule, Jimmy Hendrix e até uma versão de uma canção do Ziggy Marley. Músicas a parte, Warren provou mais uma vez ser incansável e mostrou ser dono de uma técnica apuradíssima  já que ele domina com precisão cada solo ou riff. Por tudo isso, este é um dos melhores álbuns ao vivo do ano.

A DECEPÇÃO DO ANO


Aeromisth - Music From Another Dimension (2012)


Depois de exatos 11 anos sem lançar um álbum com músicas inéditas, o Aerosmith foi mais um gigante que despertou este ano, porém o resultado, embora cercado de muitas expectativas, não foi dos melhores. Por isso a decepção do ano, na minha opinião, vai para Music From Another Dimension. O álbum não é todo ruim, tem algumas boas músicas, como as baladas Tell Me, What Could Have Been Love, e canções mais pesadas como Legendary Child, Street Jesus, Oh Yeah. Porém no conjunto total, é um álbum que soa cansativo demais, com músicas que parecem repetidas. Digo isso porque esperava bem mais do Aerosmith, por ser uma banda consagrada. Então por isso, esse álbum é a decepção do ano.

Bom leitores e leitoras, espero que tenham gostado da lista de melhores do ano do Jazz & Rock, se você concordou ou não, deixe um comentário, falando também qual é a sua lista de melhores do ano.

domingo, 11 de novembro de 2012

Review: Ana Cañas - Volta (2012)


Por Daniel Faria


Em minhas aventuras musicais, um dos caminhos que tentei trilhar foi o da música popular brasileira, mesmo sabendo que iria tirar dessa lista os cantores considerados sagrados, já que eu nunca gostei de ouvir Chico Buarque ou Caetano Veloso, então partindo desse principio, eu sabia que passaria longe desses caras. Então o caminho que decidi trilhar foi o de procurar ouvir novos talentos da MPB. E nesse período que dediquei a isso encontrei de fato bons cantores e cantoras, do quais cito Daniel Gonzaga, Pedro Moraes, Anna Ratto, Roberta Sá, Maria Rita, Marcio Faraco – que não é jovem, porém é pouco conhecido – e claro Ana Cañas.

O meu primeiro contato com a música e a voz afinadíssima da jovem Ana Cañas foi através do seu debut Amor e Caos (2007). Um álbum que não parece ter sido gravado por uma jovem e ainda mais por ser o primeiro álbum; um trabalho de extrema qualidade e com canções refinadas, com um toque de jazz, que sem dúvida foi uma das grandes sacadas da jovem cantora. Tempos depois Ana voltou e lançou Hein? (2009), que não trazia mais o toque do jazz, e sim um toque mais pop rock, porém ela soube manter a qualidade das composições. Um detalhe é que nos dois trabalhos, Ana conseguiu emplacar hits como “Esconderijo”, “Devolve Moço”, “Cadê você?” e “Coração Vagabundo”, música que ela regravou do Caetano Veloso.
E agora depois de três anos de espera, a jovem e agora mais experiente Ana Cañas esta de volta, justamente com um álbum chamado Volta (2012). Apesar da sua notável experiência, a jovem mantem aquele ar dos álbuns anteriores, sua voz afinadíssima e suave.

O novo álbum traz uma grande novidade em relação aos anteriores. Produzido pela própria Ana e lançado pelo selo da cantora, Guela Records. O álbum foi gravado em um sítio no Rio de Janeiro, ao melhor estilo ao vivo. Volta (2012) marca não só a volta da Ana, mas o processo de composição e gravação, foi marcado pela liberdade e sem a pressão imposta pelas grandes gravadoras. O resultado é um álbum com dezesseis canções, sendo treze autorais. Por outro lado, Ana ainda não definiu que estilo seguir, já que no novo álbum há uma mescla de gêneros musicais e até mesmo de idiomas, já que ela interpreta duas canções em francês, como “La Vien en Rose” da cantora francesa Edith Piaf e L'Amour, de sua autoria. Há espaço para o espanhol também, na canção “No Quiero Tus Besos”, escrita em parceria com a compositora Natalia Lafourcade. Um dos grandes destaques sem dúvida, fica por conta da regravação da clássica “Rock’n’Roll” do Led Zeppelin, que ganhou um toque especial na voz da Ana e uma sonoridade bem crua, que nos remeteu aos tempos do álbum Hein? (2009). Ana também regravou os standards do jazz, “My Baby Just Cares For Me”, que ficou bem ao seu estilo, e “Stormy Weather”, em uma interpretação belíssima e um toque acústico. Entre as canções próprias, Ana ousou e abusou, com ótimas interpretações e com estilos diferenciados. Como o reggae da canção “Dificil”, o blues rock da excelente “Diabo”, a excêntrica “Urubu Rei” e as românticas “Será que você me ama?”, “Amar Amor” e “Todas As Cores”. A faixa titulo “Volta”, não é romântica, mais fala de amor, mas de uma forma sensual.

Ana Cañas está de volta ao cenário, apesar da investida em canções autorais e com ótimas interpretações, o álbum Volta (2012) está aquém dos seus outros trabalhos. Não é um álbum ruim, mas tem seus pontos altos e baixos. Em seu terceiro álbum, a jovem cantora não conseguiu se firmar em um gênero, se no primeiro o jazz foi um dos pontos altos e no segundo o rock foi o destaque, em Volta (2012) fica difícil definir isso. Para quem é fã da Ana, vale a pena ouvir, para quem ainda não a conhece, este álbum não é o melhor. Porém um ponto tenho que destacar, que foi a sua liberdade com a sua nova gravadora, e espero que esse projeto traga novos frutos no futuro da jovem cantora, afinal talento ela tem de sobra, já mostrou isso, só precisa decidir qual caminho quer trilhar definitivamente.

O álbum foi disponibilizado na integra pela cantora e você pode ouvi-lo no final da postagem. Boa Audição.

01. Será que Você me Ama?
02. Difícil
03. Urubu Rei
04. No Quiero Tus Besos
05. Diabo
06. La Vie en Rose (Edith Piaf)
07. My Baby Just Cares For Me
08. Feito pra Mim
09. Todas as Cores
10. Volta
11. Rock and Roll (Led Zeppelin)
12. Foi Embora
13. L'Amour
14. Falta
15. Amar Amor
16. Stormy Weather




Site Oficial: Ana Cañas

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Review: KISS - "Monster" (2012)


Por Daniel Faria 

Quando você ouve os primeiros riffs do álbum Monster (2012), a sensação é de ter voltado para a década de 70, época em que o hard rock manava de fontes puras, era cru e sem frescuras. E foi com esse objetivo que o Kiss precisou fazer uma espécie de viagem sem escalas no tempo, com um único destino, os anos 70.

O resultado é um álbum feito sob medida, coeso, com um hard rock visceral, que não visa o lado comercial que o mercado atual exige. Produzido por Greg Collins e Paul Stanley, que já trabalharam no anterior Sonic Boom (2009), trouxeram para o novo álbum um som que prima por um hard rock agressivo e cru, que nos remete aos bons tempos do Destroyer (1976), e que soa diferente de tudo que a banda fez nos últimos álbuns. Um detalhe importante é o uso dos equipamentos analógicos durante a gravação, que deu ao álbum essa sonoridade setentista. Em Monster, a banda apostou em um rock simples e direto, deixando de lado as produções grandiosas, caminho que já foi trilhado no álbum anterior. Sendo assim, não há muito espaço para uso de efeitos sonoros, o que se ouve é aquilo que se espera de um bom álbum de rock, doses cavalares de riffs, refrões grudentos, letras empolgantes ,uma boa dose de energia misturada com a experiencia dos músicos. Essa foi a fórmula usada pelo Kiss.

 O álbum abre com “Hell or Hallelujah”, o primeiro single lançado pela banda, uma canção que trás a marca do Kiss, um hard rock explosivo e contagiante, com uma letra grudenta, enquanto no vocal Paul Stanley mostra que ainda está em grande forma. A música ganha ainda mais forma quando o solo de Tommy Thayer contrasta com a base feita por Stanley, uma harmonia que parece ter sido feita com uma precisão cirurgica. Como não poderia ser diferente, Gene Simmons assume o vocal logo na sequencia, em “Wall of Sound”, um hard rock com pegada, porém mais cadenciado, destaque para o solo e para o baterista Eric Singer. Na sequencia surge “Freak”, segue a linha do hard cadenciado e com passagens pesadas. “Back to the Stone Age” surge na sequencia, cantada por Gene “Demon” Simmons, uma música carregada de energia, empolgante e com um refrão grudento que explode em um mini coro, destaque para o solo do Tommy Thayer. Um detalhe é que esta é a única música do álbum que foi escrita por todos os músicos. Stanley volta para o vocal em “Shout Mercy”, uma música que mescla o hard rock com pitadas de heavy metal. “Long Way Down”, foi divulgada na internet antes do lançamento oficial, e tem tudo para ser o hit do álbum, com Stanley no comando dos vocais, acompanhado de um instrumental feito sob medida, uma música que poderia ter sido facilmente gravada em algum álbum dos anos 80. “Eat Your Heart Out”, fica por conta do Gene Simmons, um hard rock bem festivo e sacana, o assunto é um dos preferidos do Gene: mulheres. O refrão conta com Stanley no backing vocal, o instrumental se mantem na mesma qualidade, com Tommy mandando bem no solo mais uma vez. “The Devil is Me”, tem que ser cantada pelo The Demon, e por isso mesmo ele assume os vocais, uma letra carregada de maldade, ao melhor estilo Gene Simmons. A música em si é um hardão pesado, com uma boa dose de solos. “Outta This World”, traz Tommy Thayer nos vocais, mandando muito bem diga-se de passagem, com um timbre que se encaixou muito bem à melodia da música, um hard rock com um toque mais leve. O batera Eric Singer assume o vocal em “All for the Love of Rock & Roll”, que em meio a tanto hard pesado, é que podemos considerar a balada do álbum, a letra em si é perfeita, uma verdadeira confissão de amor ao rock’n’roll. A melodia é animada, leve e soa descontraída, diria que tem uma leve pincelada setentista. O hard volta a ganhar peso na música “Take Me Down Below”, que apesar da melodia simples, tem uma melodia viciante, destaque para os vocais dividos entre Paul Stanley e Gene Simmons, os dois cantando em perfeita sintonia. E como tudo que é bom dura pouco, o álbum chega ao fim com “Last Chance”, que como não poderia ser, tem um hardão que faz o ouvinte implorar por mais, cantada por Paul Stanley, a música é carregada de uma energia que só o KISS tem, o interessante dessa música é o fato da melodia oscilar varias vezes, porém sem deixar o peso de lado.

Com 40 anos na estrada, o Kiss surpreendeu todas as expectativas em Monster (2012), a banda abriu mão dos excessos que eram comuns em seus álbuns, e optou por um rock’n’roll simples e direto, do jeito que deve ser. O interessante é que a banda soa como se estivesse gravando o seu debut, tamanha a energia que as músicas transmitem. E o melhor disso é que não esperaram muitos anos desde o ultimo álbum, Sonic Boom (2009), que na minha opinião foi onde começou essa mudança de postura da banda.

Com o lançamento do Mosnter, tivemos uma noticia ainda melhor, quando o Kiss anunciou uma turnê na América do sul, com shows marcados para este mês (Novembro) no Brasil. Eu já garanti o meu ingresso e você?

Por fim, deixo para você a missão (prazerosa) de ouvir o álbum na integra e deixar ser levado pelo rock’n’roll do KISS. Boa audição.

01. Hell Or Hallelujah
02. Wall Of Sound
03. Freak
04. Back To The Stone Age
05. Shout Mercy
06. Long Way Down
07. Eat Your Heart Out
08. The Devil Is Me
09. Outta This World
10. All For The Love Of Rock & Roll
11. Take Me Down Below
12. Last Chance

  KISS - Hell Or Hallelujah

KISS - Back To The Stone Age

Site Oficial: KISS

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Review: John Pizzarelli - Double Exposure (2012)


Por Daniel Faria

Há poucos dias de ir a mais um show do John Pizzarelli, que acontecerá no Bourbon Street no próximo dia 18, resolvi que era a hora de escrever um review sobre o seu mais novo álbum, Double Exposure (2012). Apesar de saber que eu deveria ter escrito esse review meses atrás, confesso que não tive inspiração necessária para resenha-lo, mas agora, as vésperas de ir pela segunda vez ao show do Pizzarelli, achei que era a oportunidade necessária.

Em sua carreira, John Pizzarelli não se tornou apenas um nome conhecido por ser um grande guitarrista de jazz, mas tornou-se reconhecido por ser um grande interprete e por regravar inúmeras canções populares e standards , com uma qualidade impecável, mas não apenas uma música ou outra, Pizzarelli gravou álbuns inteiros com regravações, sempre dando a cada música o seu toque refinado e colocando sua marca registrada em cada canção, por mais conhecida que ela já poderia ser. Foi assim ao regravar clássicos do Nat King Cole, Frank Sinatra, Tom Jobim, mais recentemente Duke Ellington, entre outros tantos. Porém o principal era, que seja qual fosse a música, o toque pessoal do Pizzarelli estava lá.

E em Double Exposure (2012) não foi diferente, Pizzarelli escolheu a dedo canções populares, e que fizeram parte da sua adolescência, que marcaram sua vida, esse é digamos o espirito do álbum. Um detalhe fundamental é em relação ao produtor do álbum, Russ Titelman, o mesmo produtor do seu álbum Bossa Nova (2004). Isso é visível em todo álbum, pois Double Exposure tem um toque praticamente natural da bossa nova entre as canções.

O álbum começa com a clássica “I Feel Fine” dos Beatles, junto com Sidewinder do Lee Morgan, com um toque jazzístico de arrepiar, um arranjo de metais e a voz suave do Pizzarelli, e como é de praxe, não poderia faltar a sua marca registrada na hora do solo, os scats, para quem ainda não sabe, Pizzarelli tem uma técnica extraordinária que é de solar e acompanhar com sons feito com a boca, essa sim é a sua marca. “Harvest Moon”, música do Neil Young, surge na sequencia com um toque jazzístico refinadíssimo, uma das melhores baladas do álbum, destaque para o solo do violino feito por Aaron Weinstein. Acompanhado por sua esposa, a cantora Jessica Molaskey, surge na sequencia com um arranjo bem agitado e humorado, a clássica “Traffic Jam” de James Taylor, em duo com “The Kicker” de Joe Handerson. John e Jessica proporcionam um duo perfeito, harmonioso, com scats e com pitadas de solo de guitarra, destaque para o baterista Tony Tedesco e o pianista Larry Fuller. Na sequencia outra música que merece meu destaque, “Ruby Baby”, tem uma levada jazzística deliciosa e empolgante. Elvis Costello também é lembrado, com a música “Alison”, que é interpretada de forma sublime por Pizzarelli, com um arranjo jazzístico refinado. “Rosalinda's Eyes” de Billy Joel, recebe o toque da bossa nova, ganhando uma leveza, apenas na voz e no violão, mais um toque do talento do Pizzarelli como arranjador. Quando soube que a clássica “In Memory of Elizabeth Reed” dos Allman Brothers Band, estaria no álbum e consequentemente seria regravada pelo Pizzarelli, fiquei ansioso para ouvi-la. O resultado não poderia ser outro, uma música que já foi concebida por uma das melhores bandas de todos os tempos, merecia um toque do Pizzarelli e assim foi feito, essa música é sem dúvida, a melhor do álbum, um instrumental de tirar o fôlego, um jazz com um toque swuingado. Destaque para todos os músicos é claro, em especial para o baixista Martin Pizzarelli, que fez uma linha de baixo primorosa na música, ela que foi escrita pelo próprio Martin. “Walk Between the Raindrops”, canção do Donald Fagen, que foi regravada por inúmeros músicos, eu não há conhecia, mais gostei muito da regravação do Pizzarelli, um jazz swingado, embalado, com solo e scats. “Free Man in Paris” do Joni Mitchell, também ganhou um toque de bossa nova, porém dessa vez com um arranjo mais encorpado. “Take a Lot of Pictures”, é uma canção do Pizzarelli em parceria com sua esposa Jessica Molaskey. O instrumental dessa música é arrebatador, um jazz refinado, com uma levada clássica, enquanto Pizzarelli canta quase palavra por palavra, a cozinha fica por conta do Larry, Tony e Martin, um acompanhamento perfeito. Na sequencia a brilhante “I Can Let Go Now”, do Michael McDonald. Apesar da versão ter ficado agradável, ela soou mais como uma versão pálida da original. O álbum encerra com a canção “Diamond Girl” de Seals & Crofts. Na versão do Pizzarelli, a canção ficou bem diferente da original, talvez pela moldura que ele colocou em volta dela, sem fazer comparações, mais o solo do trompete soa como o do Miles Davis em “So What”, enquanto ao fundo Larry Fuller segura as pontas no piano, acompanhado por Tony e Martin.

Double Exposure (2012) é um bom álbum, com uma ideia não tão inovadora assim, mas mesmo se tratando de um álbum com regravações, o diferencial foi que as músicas selecionadas pelo guitarrista, foram músicas que fizeram parte da sua vida ao longo dos anos. Imagino que não foi um trabalho nada fácil selecionar apenas treze canções para formar o repertório. No mais sabemos da qualidade e da capacidade do John Pizzarelli, algo mais do que comprovado em outros álbuns, e o resultado é esse, um álbum bom, com boas canções, arranjos refinados e bem produzidos, um quarteto competente e inspirado, resultando em um álbum agradável de ouvir várias e várias vezes. John Pizzarelli parece mesmo ter o dom de fazer qualquer coisa quando o assunto é música. E que venha o show em São Paulo, a ansiedade aumenta a cada dia. E em breve voltarei com um review. No momento, desejo boa audição a todos.

01. I Feel Fine / Sidewinder
02. Harvest Moon
03. Traffic Jam / The Kicker
04. Ruby Baby
05. Alison
06. Rosalinda's Eyes
07. In Memory of Elizabeth Reed
08. Drunk on the Moon / Lush Life
09. Walk Between the Raindrops
10. Free Man in Paris
11. Take a Lot of Pictures
12. I Can Let Go Now
13. Diamond Girl

John Pizzarelli - Take a Lot of Pictures


John Pizzarelli - In Memory of Elizabeth Reed


John Pizzarelli - I Feel Fine / Sidewinder


Site Oficial: John Pizzarelli

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Review: Ari Borger Quartet - Back To The Blues (2012)


Por Daniel Faria

Com muitos álbuns para resenhar, porém sem inspiração, essa tem sido a realidade do blogueiro que vos escreve. Mas vamos lá.

O ano de 2012 tem sido surpreendente em relação aos lançamentos na cena musical, é um álbum melhor que o outro, algo que com certeza irá dar trabalho para quem se arriscar a fazer as tais listas com os melhores do ano. Bom, hoje trago até vocês, o álbum Back To The Blues (2012), o mais novo trabalho do Ari Borger Quartet. O organista chega ao seu terceiro trabalho ao lado do seu quarteto e o quarto, se contarmos o álbum Blues da Garantia (2002).

Para quem já conhece os trabalhos anteriores do Ari Borger, não será novidade nenhuma saber que Back To The Blues (2012) está surpreendente em todos os sentidos. Em relação aos álbuns anteriores, o organista voltou às raízes do blues para montar o repertorio do seu novo álbum. A grande diferença, no entanto, foi o seu notável amadurecimento como organista e pianista, uma evolução impressionante e também a bagagem musical que adquiriu nos álbuns AB4 (2007) e Backyard Jam (2010), algo que contribuiu para que o seu novo álbum ganhasse um toque mais refinado e elegante. Seu quarteto também teve uma mudança, porém muito significativa na minha opinião, que foi a chegada do experiente baixista Rodrigo Mantovani, que se juntou aos já conhecidos Celso Salim (guitarrista) e Humberto Zigler (baterista).

Back To The Blues (2012) foi lançado pela ST2, o álbum foi gravado ao vivo no estúdio em apenas três dias. No repertório releituras de clássicos do blues e composições próprias. Com exceção da clássica “I’d Rather Go Blind”, cantada por Bia Marchese, o restante do álbum é todo instrumental. Entre as releituras, escolhidas a dedo pelo quarteto, estão a funkeada “Funk Miracle” dos Meters, a “Key to The Highway” que foi regravada inúmeras vezes, inclusive por BB King e Eric Clapton, e por fim “Back at the Chicken”, música do lendário organista Jimmy Smith. Completando o álbum estão as composições próprias, todas de excelente qualidade, são elas “Boogie Train”, “Coming Home”, “Boogie Pro Bê”, uma das melhores e mais inspiradas do álbum e por fim a faixa titulo “Back To The Blues”.

Como vocês puderam ver nas últimas postagens, eu tive a grande honra de ir a um show de lançamento do Back To The Blues, inclusive onde garanti o meu exemplar do álbum. Conheço o som do Ari Borger há alguns anos, o que me torna um quase suspeito para falar e elogiar. A qualidade sonora desse quarteto impressiona, não só no estúdio, mas também ao vivo. Ari Borger é sem duvida um dos melhores organistas / pianistas do Brasil, quiçá do mundo, sua técnica é apuradíssima e uma capacidade de compor refinada. Celso Salim é outro que merece todo meu respeito e admiração, é um guitarrista como poucos no país, sabe tocar blues e jazz como poucos, o mesmo posso dizer do baixista Rodrigo Mantovani, que foi uma grande surpresa vê-lo no quarteto, eu que já conhecia seu trabalho, tinha certeza que essa parceria iria render um som de qualidade e espero que continue, e por fim o baterista Humberto Zigler, que já é um velho conhecido, que assim como o Salim, está desde os tempos do AB4 no quarteto, um grande baterista.

Em relação ao Back To The Blues, cabe apenas elogios, tem tudo para figurar entre os melhores álbuns do ano, e com toda justiça. Como ouvinte, eu só tenho uma pequena reclamação a fazer, o álbum é muito curto e como vi o show, e depois ouvi o álbum, senti que o guitarrista Celso Salim poderia ter sido mais explorado, abusado mais dos solos, já que no show isso deu um toque muito especial. Bom isso não tira o brilho e qualidade do álbum, que até o presente momento já esqueci quantas vezes já ouvi, pois é muito bom. Recomendo a todos, não só que comprem o álbum, mais que vá a um show do Ari Borger Quartet. Boa Audição.

01.Boogie Train
02.Back to the Chicken Shack
03.Key to the Highway
04.Coming Home
05.Funky Miracle
06.I’d Rather Go Blind
07.Boogie pro Bê
08.Funky Jam
09.Back to the Blues

Site Oficial: Ari Borger Quartet

sábado, 7 de julho de 2012

Review: Sara Gazarek - Blossom & Bee (2012)


Por Daniel Faria

Já faz um bom tempo que estou devendo novidades para os leitores do Jazz & Rock. Apesar de ter vários álbuns que acabaram de sair do forno para resenhar, confesso que tem faltado o essencial, que é inspiração para escrever. Mais prometo que vou postar todas as novidades que encontrei nesses meses. Bom vamos ao que de fato interessa, falar sobre música.

E hoje aproveito para falar sobre Blossom & Bee (2012), o novo álbum da cantora de jazz Sara Gazarek. Pois é, após um hiato de cinco anos, desde o seu último trabalho, a jovem, talentosa e ainda mais experiente, retorna ao estúdio com um álbum vigoroso. Em seu terceiro álbum, Sara mantem a linha do jazz clássico, com sua voz suave e afinada, passando uma sensação de leveza a cada canção.

A parceria entre a cantora e o pianista, arranjador e produtor Josh Nelson é sem dúvida a chave fundamental em Blossom & Bee (2012), ainda mais que os dois já trabalharam juntos nos outros álbuns dela. Juntando a eles, estão o organista Larry Goldings, o baixista Hamilton Price e o baterista Zach Harmon. O destaque fica por conta da participação especial do guitarrista John Pizzarelli, em duas faixas.

No repertório doze canções que reforçam ainda mais a qualidade e a evolução da Sara como cantora. Entre os destaques estão as composições próprias, a primeira a faixa-titulo, “Blossom & Bee”, onde Sara faz um duo perfeito com John Pizzarelli, uma das canções mais sensacionais do álbum, um jazz que recebeu o toque de ambos, de um lado a leveza, a voz suave de Sara, que mesclou ao suingue do Pizzarelli e sua guitarra. A outra é a “Fly Away Birdie”, um jazz suave, com um toque de R&B, onde Sara canta de maneira impecável, acompanhada pelo piano de Josh Nelson e o órgão do Larry. Uma canção arrebatadora. Entre as outras músicas destaque para a faixa que abre o álbum, “Everything I've Got”, escrita por Richard Rodgers e Lorenz Hart, que nessa versão ganhou um arranjo mais elaborado, um jazz clássico da melhor qualidade e que ficou ainda melhor com a voz da Sara Gazarek. Destaque também para a canção “The Luckiest” (o sortudo), composição de Bem Folds em parceria com a Sara, e que foi tocada no casamento dela. Em um álbum que soa tão moderno, há espaço para os clássicos. As músicas “Tea for Two” e “I'm Old Fashioned”, que seguem a fórmula que Sara mostrou nos álbuns, que alias é uma das marcas da cantora, de regravar e interpretar os clássicos com um toque moderno, porém sem exageros. “Down With Love” é uma das musicas que caiu no meu gosto logo na primeira audição, um jazz empolgante, com um andamento perfeito e com um refrão grudento. As músicas “So This Is Love” e “The Lies Of Some Handsome Men”, mostram como a Sara evoluiu como cantor desde seu ultimo trabalho, volto a dizer que a suavidade da sua voz faz toda diferença na hora de cantar uma balada romantica, ela consegue envolver a cada palavra, sua voz soa de forma impecável. Na segunda canção citada, destaque para o pianista Josh Nelson. Em “Some Of These Days”, a guitarra que surge logo na introdução não poderia ser de outro musico a não ser John Pizzarelli, não tem como não reconhecer seus acordes, nessa música Sara é acompanhada por John e o organista Larry Goldings.

Blossom & Bee é um álbum que certamente irá agradar boa parte dos aficionados por jazz. Sara Gazarek chega ao seu terceiro trabalho de estúdio, com a mesma intensidade do seu debut, porém trazendo uma experiência que foi adquirida ao longo desses anos. O resultado dessa junção, não poderia ser outro a não ser a excelência. Como disse no inicio da resenha, esse álbum tem tudo para ficar entre os melhores do ano.

Track List

01. Everything I've Got
02. Blossom & Bee
03. Fly Away Birdie
04. The Luckiest
05. Down With Love
06. Lucky To Be Me
07. Tea For Two
08. I'm Old Fashoined
09. So This Is Love
10. The Lies Of Handsome Men
11. Some Of These Days
12. Unpack Your Adjectives

Sara Gazarek - Everything I've Got


Sara Gazarek - Blossom & Bee (part. John Pizzarelli)


Site Oficial: Sara Gazarek

sábado, 31 de março de 2012

Black Sabbath - Paranoid (1970)


Apesar de curtir muito heavy metal e muitas bandas consideradas sagradas, o Black Sabbath é uma banda que eu nunca tive muito interesse em conhecer a principio. Com o passar dos anos e o envolvimento com o heavy metal, fui conhecendo melhor o som da banda e acabei focando mais nos álbuns que tinham o eterno Dio nos vocais e acabei deixando os outros de lado. Minha visão em relação ao Black Sabbath começou a mudar drasticamente quando comecei a ler o excelente livro Heavy Metal – A História Completa, do escritor Ian Christe. Apesar de ter uma boa noção de como iniciou o heavy metal, foi através desse livro que tive a dimensão exata e principalmente da importância que o Sabbath teve para o nascimento do heavy metal.

O Black Sabbath foi praticamente à pedra fundamental para o heavy metal. Eram profetas criados à margem da sociedade inglesa, eles eram desempregados, socialmente desprezíveis e ainda moralmente suspeitos. Em 1970 a banda já havia lançado o álbum Black Sabbath, um álbum que chocou e trouxe revolução à música. Flutuando entre harmônicos zumbidos, a dimensão aterrorizante da música cresce até o clímax na mesma medida em que o juízo final persegue o relutante protagonista. A história macabra, digna de Edgar Allan Poe, contada por uma revoada de guitarras, bateria e um microfone crepitante. Assim o Black Sabbath, inspirou imediata admiração, cativou o publico completamente e também afetou a banda de modo tão irreversível, em meio à entorpecida inocência, percebeu-se levada por uma força misteriosa em direção ao sucesso. Não demoraria até se libertasse de suas origens, saindo do rock’n’roll para explorar a recém-conquistada liberdade de inovadores como Miles Davis.

O Sabbath e seus membros cultivavam uma imagem horripilante – embalada pela bruxaria e pelo misticismo de ocasião, acorrentados a bem combinadas cruzes prateadas – que deu a banda a fama de pretensos satanistas e ainda rendeu um ou outro protesto público por parte dos defensores da igreja. Antes deles, astros do rock haviam encantado a opinião publica com flores, desfiles e promessas de mudar o mundo. O Black Sabbath avançou ao fim dessa procissão, ainda professando a necessidade de amor, mas avisando aos errantes que não haveria volta a um ingênuo estado de graça.

No fim dos anos 60, o cenário do rock passava por um verdadeiro turbilhão de acontecimentos e beirava a decadência. Fatos como as quatro mortes ocorridas no show dos Rolling Stones, no Altamont Receway, em dezembro de 69, chocaram a comunidade do rock e deixaram os jovens desiludidos com os ideias pacifistas. Depois disso em abril 1970, enquanto o Sabbath estava bem posicionado nas listas dos mais vendidos, Paul MacCartney anunciava a efetiva separação dos Beatles e ainda Jonis Joplin, Jimi Hendrix e Jim Morrison, em vez de confortar seu publico nesse mundo já tão incerto, morreriam de overdose em menos de um ano. A geração “paz e amor” que havia criado a contracultura, agora já cansada e frustrada, voltava em hordas para onde havia nascido ou ia em direção as montanhas – qualquer coisa que exorcizasse os pesadelos descomunais da utopia que havia entrado em colapso. Esse era o cenário no final dos anos 60.

Em meio a isso, o Sabbath parecia fortalecer-se, apesar de tais adversidades, e nunca fingia ter respostas para além das ocasionais exortações de amor ao próximo. Embora retratados como pobres coitados e desordeiros, o álbum de lançamento da banda logo alcançou a lista dos dez mais vendidos da Inglaterra. Em sua turnê inaugural pelos EUA, planejada em meados de 1970, foi cancelada graças ao julgamento de Manson, pois o clima do país era de pouca hospitalidade com tipos aparentemente perigosos. Então a Vertigo Records, tanto tentou que acabou conseguindo extrair mais material inédito d abanda, ao interromper a tour e recrutá-los para outro período de gravações em setembro de 1970.

Então bem mais entrosada e com propósito criativo intensificado a banda emergiu depois de dois dias de gravação com o seu álbum mais vendido, o poderoso Paranoid (1970), do qual saíram as músicas “War Pigs”, “Paranoid” e “Iron Man”.

Embora Paranoid (1970) mantivesse o assustador espirito do Black Sabbath, as propostas do segundo álbum eram menos místicas e mais tangíveis. Ozzy Osbourne, obcecado por temas como estrago e perda de controle, discorre sobre os males do vício em “Hand of Doom”, guerra nuclear em “Eletric Funeral” e trauma psicológico causado pela guerra em “Iron Man”. Assim como a impressionante faixa-titulo, a alma de “Paranoid” ainda parecia vir de uma publicação ocultista, Walpurgis, cuja a letra suscitava imagens como “as bruxas em missas negras” e “os feiticeiros da morte”. Quando gravada para o álbum Paranoid (1970), entretanto, a música foi levemente reescrita e virou “War Pigs”, um cataclísmico hino antiguerra, que acusava políticos de enviarem jovens pobres para fazer o trabalho sujo no lugar dos bancos e da nação.

Os membros do Sabbath agora tinham experiência não apenas como músicos, mas como porta-vozes de uma geração. Se a mudança aconteceria via música, o letrista Geezer Butler entendeu que teria de combater tudo que era feio logo na linha de frente. As novas músicas do Black Sabbath buscavam paz e amor, mas não nos moldes de Donovan e Jefferson Airplane, e, sim, na endurecida realidade de campos de batalha e fornos humanos. Ozzy Osbourne despejava as letras como em um transe, lendo mensagens dotadas de muita verdade.

Paranoid (1970) foi uma espécie de âncora para o heavy metal. Se antes a banda tinha uma proposta aterrorizadora em suas letras, nesse álbum isso não aconteceu com tanta ênfase, fato é que a banda buscou uma variedade, abordando temas bélico-politicas e de ficção cientifica, tudo girando em torno de uma critica severa.

O Black Sabbath teve uma importância sem precedentes para o heavy metal, que naquele tempo até existia, mas não era ligado a um gênero musical. Sem o Black Sabbath, a expressão "heavy metal", seria apenas um acidente poético, a profecia vazia contida no texto escrito por milhares de macacos brincando de máquinas de escrever, tentando escrever a Bíblia.

Track List

01. War Pigs
02. Paranoid
03. Planet Caravan
04. Iron Man
05. Electric Funeral
06. Hard of Doom
07. Rat Salad
08. Fairies Wear Boots

Ozzy Osbourne (vocal)
Tony Iommi (guitarra)
Geezer Butler (baixo)
Bill Ward (bateria)

Black Sabbath - Paranoid


Black Sabbath - Iron Man


** O texto em sua maioria foi retirado do livro “Heavy Metal – A História Completa” do escritor Ian Christe **

sábado, 8 de outubro de 2011

Review: Maria Rita - "Elo" (2011)

Artista: Maria Rita
Título: Elo
Gênero: MPB
Ano de Lançamento: 2011
Gravadora: Warner Music Brasil.
Site Oficial: Maria Rita
Avaliação do Blog: (5 Estrelas)

A espera foi longa e ano após ano a esperança de um novo álbum acabava deixando os fãs ansiosos e ao mesmo tempo desapontados. O álbum Samba Meu (2007) foi sem dúvida um grande sucesso e rendeu uma turnê duradoura, mas era preciso que chegasse ao fim, para que a diva da MPB voltasse aos estúdios e assim pudesse focar em seu novo trabalho. Demorou, mas como fã, digo que valeu esperar.

Elo (2011) é o mais novo trabalho da cantora Maria Rita. O álbum acabou de sair de forno e pelo o que acompanhei, está causando opiniões diversas entre os ouvintes, afinal é um trabalho cercado de expectativas e incertezas. Maria Rita começou sua carreira lançando dois grandes álbuns de MPB, com grandes composições e um som que flertava com o jazz. No próximo acontece uma reviravolta e a cantora surge com um álbum de samba. Independente do gênero, ela novamente acertou e fez um grande trabalho no estúdio. Inclusive eu conheci a Maria Rita justamente por causa do álbum Samba Meu e depois tive o prazer e a honra de ir a um show da turnê. Desde então os rumores que se ouvia era em relação ao novo álbum da cantora, será que ela iria continuar com um pé no samba ou voltaria para a mpb?. O fato é que a Maria Rita guardou esse segredo a sete chaves.

Antes do tão esperado lançamento, foi divulgado um single, da música “Pra Matar Meu Coração”, foi através dessa música que o publico e a critica começaram a ter uma dimensão do que estava por vir.

Definir o repertório do álbum Elo (2011) é um pouco complicado, pois ao mesmo tempo em que ele é inédito, ele não é. Entenderam?. A cantora escolheu onze canções, sendo que dez são gravações inéditas de músicas que fizeram parte da história da diva em algum momento. Mesmo com o fim da turnê do álbum anterior, Maria Rita continuou fazendo shows e montou um novo repertório e boa parte dessas músicas estão no novo álbum. A novidade fica por conta da sonoridade, que irá agradar boa parte dos fãs, já que a cantora optou por deixar o samba um pouco de lado e focou em um trabalho voltado para a mpb. Mas há exceções, que contarei logo mais. A outra novidade é em relação aos músicos – uma formação que nos remete aos primeiros trabalhos da diva – um trio formado por Tiago Costa (piano), Sylvinho Mazzuca (contrabaixo) e Cuca Teixeira (bateria), ou seja uma formação jazzística. Outra curiosidade foi o tempo que ele levou para ser gravado, apenas 10 dias. O estúdio escolhido foi o Toca do Bandido, do Tom Capone e foi produzido por ela mesma, Maria Rita.

No vocal a cantora provou mais uma vez por que é uma das grandes interpretes do cenário nacional. Bom mais vamos ao que de fato interessa: as músicas. O álbum abre com duas canções inéditas, “Conceição dos Coqueiros” de Lula Queiroga, que nos remete aos primeiros álbuns da Maria Rita. “Santana” de Junio Barreto, surge na sequencia, com uma cadência bem jazzística. “Perfeitamente” dos compositores Fred Martins e Francisco Bosco, é outra canção para matar a saudade de qualquer fã. Em “Coração a Batucar” de Davi Moraes, Maria Rita encanta o ouvinte com um samba/jazz agradável e grudento, sim, essa letra ficará na sua memória durante dias. Na sequencia “Menino do Rio” de Caetano Veloso e que ficou famosa na voz da Baby Consuelo. A inédita “Pra Matar o Meu Coração” dos compositores Pedro Baby e Daniel Jobim, uma das canções mais bonitas do álbum, começando pela letra belíssima e o arranjo refinado, um samba cool com toques de jazz, maravilhoso. De Chico Buarque e Edu Lobo, a cantora interpreta “A História de Lily Braun”, uma música com uma cadência deliciosa e que novamente nos remete aos tempos da música “Conta Outra”, a voz da Maria Rita impecável como sempre, afinadíssima. “Nem um Dia” de Djavan e que tem uma interpretação marcante da cantora. “A Outra” é uma canção do seu parceiro de outros álbuns, Marcelo Camelo e que foi lançada em 2003 pelos Los Hermanos. E claro que a diva não iria deixar de interpretar uma canção da Rita Lee, a escolhida “Só de Você”, simplesmente sensacional. O álbum fecha com o samba “Coração em Desalinho”, composição de Mauro Diniz e Ratinho, a interpretação ficou conhecida por ter sido tema de abertura da novela da globo.

Se eu curto MPB, devo isso principalmente a Maria Rita, foi através dos álbuns dela que passei a procurar e conhecer um pouco sobre esse gênero. E o que dizer sobre o álbum Elo (2011)? Na minha opinião de fã e blogueiro, a cantora surpreendeu mais uma vez, talvez muitos esperavam um álbum mais voltado para o samba e com mais canções inéditas, mas o fato é que o seu novo álbum fez com que ela focasse na sonoridade do inicio da sua carreira, independente de ter canção inédita ou interpreção, o resultado é um álbum primoroso, Maria Rita provou mais uma vez ser uma grande interprete, ela consegue colocar a sua marca em canções conhecidas, são poucas as cantoras que conseguem isso e que demostram essa personalidade. Elo (2011) tem tudo para ser uma das grandes surpresas do ano. Boa Audição.

Maria Rita - "Pra Matar Meu Coração"


Maria Rita - "Coração a Batucar"


Maria Rita - "Perfeitamente"