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quinta-feira, 6 de junho de 2013

Review: Ed Motta - AOR (2013)


Agradeço ao Marcelo Donati, que gentilmente cedeu a sua resenha e autorizou que eu postasse aqui no Jazz & Rock. Essa é mais um super lançamento do ano. 

Por Marcelo Donati ( Blog Marcelo Donati )

Um álbum pra ser ouvido no toca-fitas, passeando de carro pela ensolarada U.S. Route 101 na Califórnia, tomando um keep cooler, e usando uma camisa florida como a do Magnum P.I.

Assim é o clima que Ed Motta pretende criar no ouvinte que apreciar seu mais recente disco, AOR (Dwitza Music / LAB 344). Um álbum totalmente focado na linguagem musical AOR Westcoast, que invadiu as rádios FM no final dos anos 70 e no começo dos 80.

Steely Dan, Pages, Doobie Brothers, Todd Rundgren, Ned Doheny, Eric Tagg, Airplay, Boz Scaggs, Christopher Cross e Chicago são alguns nomes importantes que permearam e nortearam a ótica de Ed para este novo trabalho, o primeiro a ser lançado por sua própria editora musical, Dwitza Music, e distribuído em parceria com a gravadora LAB 344.

Muitas surpresas advém deste novo disco. Uma delas é que o disco foi gravado em duas versões: uma quase toda em português (com letras de Rita Lee, Adriana Calcanhoto, Edna Lopes, Chico Amaral, Dante Spinetta e o próprio Ed Motta), e outro em inglês, com letras de Rob Gallagher. O disco em português foi lançado apenas no Brasil e a versão em inglês no resto do mundo.

Outra surpresa é o time ultra-qualificado de músicos convidados. Além da banda base, que consiste em Robinho Tavares no baixo, Sérgio Melo na bateria e Glauton Campello nos pianos e teclados, o disco tem o mestre David T. Walker na guitarra, além de Bluey do Incognito, Torcuato Mariano, Chico Pinheiro, Jota Moraes, Jessé Sadoc (arranjador de metais de todas as faixas), o sempre e fiel escudeiro de Ed, Paulinho Guitarra, e muito mais.

A veia soul e a paixão jazzística pelas harmonias que são características de Ed Motta encontraram abrigo perfeito nessa nova empreitada, visto que todas as músicas exalam um apuro técnico, uma qualidade de composíção/arranjo/gravação lapidada até seu estágio mais avançado, culminando num néctar musical sofisticado e ao mesmo tempo atraente, do ponto de vista popular. AOR é a pop music servida em taça dourada.

Faixa a faixa:

Flores da Vida Real - possui uma progressão inicial de acordes (mesma do refrão) que serve como um crachá do estilo Westcoast. O arranjo de metais de Jessé Sadoc evoca os melhores tempos d'As Segundas Intenções do Manual Prático. O solo de sax é feito pelo autor da letra, Chico Amaral, e o solo de guitarra é de Torcuato Mariano.

S.O.S. Amor - a parceria Ed Motta/Rita Lee rende um novo fruto. Com cara de single, a música une a beleza das canções de Rita & Roberto com a meticulosidade do Steely Dan. A bateria de Sergio Melo evoca o estilo funky laid back de Bernard Purdie. Solo de guitarra classudo do mestre Paulinho Guitarra. E o piano de Glauton Campello é a cereja do bolo.

Epísódio - Aqui a coisa fica ainda mais séria. No melhor estilo Jay Graydon, a intro dobrada de guitarras de Paulinho Guitarra flerta com o AOR mais Rock, enquanto que os violões de Vinícius Rosa fornecem a calma ao tema. O quarteto de metais (Aldivas Ayres, Sadoc, Marcelo Martins e Zé Canuto) semeia um riquíssimo arranjo por toda a canção. E a letra cifrada de Edna Lopes parece ser um recado para alguém.

Ondas Sonoras - O renomado e lendário guitarrista David T. Walker contribui com estilo e finesse para a rica música de Ed, cuja linda linha de baixo de Robinho remete diretamente a Boz Scaggs. Ed cria brilhantes vocais de apoio, além de tocar clavinet e percussão.

Marta -  Além de ser a mais funk do disco (dá-lhe Robinho Tavares no groove do baixo), 'Marta' reflete a paixão de Ed por narrativas de HQ, seguindo a linha de 'Nicole versus Cheng', do disco Piquenique. Ambas são de autoria de sua esposa Edna Lopes. Além do tempero irresistível de Robinho, Glauton Campello dá  show no piano acústico e no belo solo de Rhodes. E não podemos esquecer que Bluey do Incognito está pilotando a guitarra!

1978 - Outra com letra de Edna, esta foi a primeira música apresentada por Ed Motta ao grande público. Ed dobra a linha de baixo de Robinho com seu clavinet. O destaque é o flugelhorn e trompete de Jessé Sadoc (o interlúdio de metais é divino), o Rhodes de Campello e o absurdamente bonito solo de guitarra fusion de Chico Pinheiro.

Latido - Com seu arranjo de metais que remetem à fase Aystelum, é uma prova de amor de Ed para com a Argentina, o Chile e nuestros hermanos latinos que tanto o amam. Traz Dante Spineta (letra e narração), filho do falecido Spinetta, cuja música Ed tanto aprecia.
É a única do disco que quase cai fora do escaninho AOR, flertando com o spiritual jazz, o latin jazz e o funk. Mas claro, vestida e arranjada de acordo com a estética do disco. O requintado vibrafone de Jota Moraes e os pianos elétricos de Campello colaboram para o clima jazzístico. A síncopa do ritmo é envolvente, do começo ao fim do tema.

AOR - A vinheta que dá nome ao disco. Toda gravada e tocada por Ed, a letra é quase uma oração ao estilo Westcoast, além de servir para informar aos incautos como pronunciar corretamente o nome do estilo!

A Engrenagem - Desde já, minha favorita. O Rhodes de Ed é a tônica do tema, um AOR quase progressivo, e o solo de Vinícius Rosa na guitarra sedimenta o clima complexo. O magnífico solo de teclado de Rannieri Oliveira, cheio de modulações no tom, lembra o clima da música Aja, com a bateria de Sergio Melo quebrando tudo. Amazing!
E a letra, de autoria do próprio Ed Motta, parece trazer um recado implícito, um aviso, uma verdade.

Mais do que eu sei - Música que não consta do CD (só é vendida pelo iTunes) carrega influências do dito AOR Hard Rock. E ao mesmo tempo, traz reminiscências da balada do disco Piquenique, 'Carência no Frio', principalmente por causa dos violões. Mas as inéditas guitarras pesadas injetam frescor à música de Ed. E o belo solo de guitarra, todo harmonizado? Caberia tranquila em algum disco do Toto ou do Foreigner. A preferida de minha esposa.

Resumo: Discaço! A única crítica negativa a se fazer é que o álbum é muito curto, pois música deste nível é desejável de se ouvir muito, e sempre. Mas não tem como não dar 5 estrelas. Obrigado, Ed, por nos permitir ouvir sua fabulosa música.

1. Flores da Vida Real
2. S.O.S Amor
3. Episódio
4. Ondas Sonoras
5. Marta
6. 1978
7. Latido
8. AOR
9. A Engrenagem


Ed Motta - 1978

Ed Motta - Marta Site Oficial: Ed Motta

sábado, 24 de março de 2012

Banda Black Rio - Maria Fumaça (1977)


Artista: Banda Black Rio
Título: Maria Fumaça
Gênero: Fusion (samba-jazz-funk)
Ano de lançamento: 1977
Selo/gravadora: Atlantic/Wea

Tenho recebido alguns comentários de leitores dizendo que não encontram o link para download ou então pedindo para re-upar o álbum. Por isso quero reforçar o que eu já disse anteriormente: O Jazz & Rock não disponibiliza mais links para download. Não adianta insistir. Quem acompanha o blog a um certo tempo, já sabe o motivo que me levou a tomar tal decisão.

Em relação a situação atual do Jazz & Rock, sei que as atualizações estão cada vez mais esporádicas, pelo fato de eu não ter mais ânimo para escrever e também pela falta de comentários, acho que isso é algo que aflige todo blogueiro que ainda insiste em perder o seu tempo postando as coisas para os outros. Então se as pessoas não se interessam em interagir, em perder alguns minutos para deixar um comentário sobre o álbum e não só para encher o saco pedindo link, quem sou eu para continuar perdendo o meu tempo, né? Mais enfim.

No mais quero novamente agradecer ao Ricardo Seiti, que tem me enviado as resenhas semanalmente, agradeço imensamente a sua colaboração.

Por Ricardo Seiti

Disco de estréia da incrível banda fusion carioca Black Rio, lançado em 1977.

Neste início, com certeza o carro-chefe do álbum foi a música-título "Maria Fumaça",
na época o tema de abertura de uma novela da Rede Globo chamada "Locomotivas".

Com seu ritmo e energia empolgantes, a banda tentava emplacar no Brasil na década de 70 um dos gêneros musicais mais ricos e populares da década, o fusion. Foi a aposta da banda e da gravadora em popularizar por aqui o estilo, em alta na nos Estados Unidos e Europa.

Roqueiros e jazzistas se divertindo juntos, a aproximação entre jazz, rock, soul e funk era um mundo novo a ser desbravado. Mas a Black Rio ia um pouco além disso: tínhamos uma grande vantagem em relação aos gringos,o nosso samba, com seus instrumentos de percussão afro-brasileiros e nordestinos. Incorporando às músicas instrumentos como o pandeiro, cuíca, agogô e triângulo,a Black Rio abria alas para o verdadeiro fusion brasileiro.

Formada pelo líder Oberdan Magalhães (saxofone), Cláudio Stevenson (guitarra), Jamil Joanes (baixo), Cristóvão Bastos (teclados), Lúcio (trombone), Barrosinho (trompete) e Luis Carlos (bateria), a Black Rio foi bastante cultuada na Europa e até no Japão.

Ao ouvir o disco, temos a impressão de ser alguma grande banda internacional de fusion da época (tipo Weather Report), até entrar o elemento surpresa: a batida evolui para o samba, e entram em cena cuíca, pandeiro, agogô e triângulo, tornando aquele som meio experimentalista em um convite para a dança.

Como muitos gênios que não tiveram o devido reconhecimento em seu tempo,
a Black Rio teria vida curta e só gravaria mais dois discos: "Gafieira Universal" (1978) e "Saci Pererê" (1980), encerrando suas atividades em 1984, com a morte de seu fundador, Oberdan Magalhães em um acidente automobilístico.

Em 1999, quinze anos após, William Magalhães, filho de Oberdan, já com certa carreira iniciada na cena musical, reativa os trabalhos da banda, totalmente renovada, com exceção de Lúcio (trombone) da formação original.Nessa nova fase, partem para um estilo mais universal, acrescendo o hip hop e até rap, lançando o disco "Movimento", segundo a mídia, com grande aceitação no exterior, principalmente na Inglaterra, onde recebe o nome de "Rebirth".

Mas por enquanto vamos ficar com essa primeira fase mais romântica e revolucionária da banda.

Track List

01.Maria Fumaça
02.Na Baixa do Sapateiro
03.Mr. Funky Samba
04.Caminho da Roça
05.Metalúrgica
06.Baião
07.Casa Forte
08.Leblon Via Vaz Lobo
09.Urubu Malandro
10.Junia

Black Rio - Maria Fumaça


Black Rio - Mr. Funky Samba


Site Oficial: Black Rio

domingo, 23 de outubro de 2011

Ari Borger Quartet

2010 - Backyard Jam
Gênero: Jazz / Blues / Funk / Soul / Música Instrumental Brasileira



O álbum “Backyard Jam” (2010) é o mais novo trabalho do Ari Borger Quartet. Ari é considerado um dos mais talentosos organistas e pianistas brasileiros, e isso não é nenhum exagero. O quarteto é formado por músicos experientes e competentes, com o seu órgão Hammond B3 e o piano Fender Rhodes, Ari Borger explora a música com propriedade e mostra por que é considerado um dos melhores músicos do Brasil, na guitarra Celso Salim, um exímio instrumentista, muito versátil, suas principais influencias são o blues, rock, country e jazz, no contrabaixo acústico/elétrico Marcos Klis e Humberto Zigler na bateria e percussão.

“Backyard Jam” (2010) foi gravado ao vivo em estúdio e traz 11 composições próprias e uma releitura dos Beatles. Em uma breve comparação, é interessante ressaltar a mudança da sonoridade entre este álbum e o anterior. No “AB4” (2008) o quarteto trouxe influências do jazz, do blues, funk e soul, que em vista do álbum do Ari Borger “Blues da Garantia” (2002), foi uma mudança significativa. Agora o quarteto sobe outro degrau e traz para o “Backyard Jam” uma sonoridade bem brasileira, as influências do jazz, do blues, funk e soul foram mantidas, mas ganharam o reforço da música brasileira.

O álbum começa com “Partido Alto” e é possível notar a influência da música brasileira, o samba e o groove do funk juntos, destaque para o solo de Celso Salim. Em seguida “Backyard Jam” começa com o som marcante do órgão Hammond e a levada cadenciada do funk. Em “Jimmy no Morro”, Ari Borger imagina como seria a chegada do tecladista Jimmy Smith – uma das suas principais referências - em uma favela do Rio, a música é mais uma prova da junção de ritmos que deu certo, o samba e o funk juntos, simplesmente demais. A belíssima e envolvente “Rainy Day”, uma balada soul de tirar o fôlego. “Norwegian Wood”, um clássico dos Beatles e que ganhou um toque especial e brasileiro, o quarteto apresenta uma harmonia totalmente modificada e com arranjos belíssimos. A faixa “Organ Groove” é outra que merece destaque, um tema bem swingado, com Ari Borger detonando tudo no órgão. “Baião Psicodélico” faz jus ao nome, Ari Borger cria um ambiente surpreendente e até certo ponto inimaginável. O ambiente é de uma Jam Session, não por acaso a última música foi gravada na base do improviso, mesmo que você não soubesse disso, teria essa sensação, pois ao ouvir parece que a música está mesmo sendo composta naquele momento, é algo genial. A última faixa tem o total de treze minutos, mas que são divididos em duas partes, eis que oculto na segunda parte existe uma surpresa muito especial. O quarteto apresenta um tema avassalador e frenético, mesclando o jazz, blues, funk, ritmos brasileiros e o boogie-woogie, estilo de blues que tem como característica o uso sincopado da mão esquerda no piano, foi muito popular entre os negros nas décadas de 30 e 40.

Ari Borger mostra mais uma vez por que é considerado um dos grandes nomes da música instrumental brasileira e junto com seu quarteto gravam um álbum que está entre os melhores lançamentos de 2010. O quarteto explora com maestria e competência essa união de ritmos, tudo parece ter sido milimetricamente encaixado, não há exageros, há sim, um trabalho finíssimo e requintado, sem dúvida foi uma grande jogada pegar o jazz, o blues, o funk e o soul, e uni-los a música brasileira. Isso tudo, faz com do Backyard Jam um dos álbuns mais “abrasileirados” do quarteto. Boa Audição !

Ouça a música: Partindo Alto (Ari Borger Quartet)


Track List

01. Partido Alto
02. Backyard Jam
03. Organ Groove
04. Norwegian Wood
05. Jimmy no Morro
06. Rainy Day
07. Na Estrada
08. Jazz no Renaissance
09. Nasty
10. New and Dusty
11. Piano Attack
12. Baiao Psicodelico

Site Oficial: Ari Borger

sábado, 10 de setembro de 2011

V.A - Soul Summit

2008 - Live At The Berks Jazz Festival
Gênero: Soul / Funk / Jazz



Estou longe de ser um entendido quando o assunto é soul music, apesar disso não dispenso um bom álbum de soul, ainda mais quando este reúne grandes nomes da música.

O idealizador da ideia foi o tecladista e produtor musical Jason Miles, que em meados da década de 2000 fechou uma espécie de parceria com os promotores do The Berks Jazz Festival e passou a promover shows para homenagear grandes nomes da música, em especial da soul music, como Marvin Gaye, Luther Vandross e acreditem, o cantor brasileiro Ivan Lins. Para nossa sorte, J.Miles continuou seu trabalho em prol do projeto e buscou inspiração no seu amor pelo soul e criou o Soul Summit. O próximo trabalho do produtor era convidar os músicos e assim formar a sua banda. Com tantos nomes em evidência, acredito que foi um trabalho muito prazeroso para J.Miles, prova disso é o timaço que ele conseguiu reunir.

Começando pelo vocalista Mike Mattison, a guitarrista e vocalista Susan Tedeschi, a vocalista Maysa Leak da banda Incognito, o renomado saxofonista Richard Elliot, o flautista Karl Denson, o saxofonista alto e tenor David Mann, os trompetistas Tony Kadley e Barry Daniellian, o baixista Bob Babbitt, do The Funk Brothers, o baterista Steve Ferrone, a backing vocal Emily Bindiger e os guitarristas Reggie Youn e Sherrod Barnes.

Com esse timaço formado, o resultado não poderia outro, a não um show memorável de soul music e que culminou no excelente álbum Live At The Berks Jazz Festival (2008). Com um set list de onze canções, o álbum nos brinda com o melhor da soul music, com pitadas de funk e jazz a vontade. Apesar de ter a participação de todos, cada música traz formação diferente, o que deixa o show ainda mais interessante. Outro destaque interessante são os arranjos, os caras mandaram muito bem nos metais, criando um ambiente mais do que propicio a boa música. O vocal fica por conta do grande vocalista Mike Mattison, a cantora Maysa Leak e Susan Tedeschi.

Entre as canções destaque para a faixa de abertura “Shotgun”, um instrumental de tirar o fôlego, um soul com um toque bem funkeado. O destaque da música fica por conta do saxofonista Richard Elliot e do guitarrista Sherrod Barnes, que juntos mandam ver uma sequencia arrebatadora de solos e muito improviso. Na sequencia é a vez da cantora Maysa atacar ao lado do saxonista/flautista Karl Denson, com a funkeada “What A Man”. Em “It Tears Me Up” é a vez da primeira participação do vocalista Mike Mattison, que manda muito bem, com um vocal que nos faz lembrar das suas atuações no Derek Trucks Band. “Can You Feel It” é outra grande canção, um soul/funk gravado por nada mais, nada menos que The Jacksons Five. Susan Tedeschi faz a sua primeira participação na música “It's Raining”, uma composição da cantora Irma Thomas. Mike Mattison solta à voz no empolgante soul/funk da canção “Cold Snap”. Outra canção que merece destaque é “Son Of A Preacherman” da cantora Dusty Springfield, e que fora interpretada por grandes nomes da música como Janis Joplin, mas nesse show a responsável pela excelente interpretação foi a Susan Tedeschi. A instrumental “Memphis 2000” fica a cargo do flautista Karl Denson, o resultado é uma das mais bonitas canções do show. E para encerrar um show de soul, nada melhor que um medley com músicas do Rei do Soul, James Brown. Ao som dos clássicos “I Feel Good” e “I Got The Feeling”, Mike Mattison, Maysa e Susan se juntam e rendem uma grande homenagem ao rei.

Soul Summit é indispensável a todos os apreciadores da soul music e da boa música. Um dos melhores registros de soul que eu ouvi nos últimos tempos, afinal a formula escolhida pelo produtor J.Miles não poderia dar errado: clássicos do soul/funk + grandes nomes da música = Um show memorável. Boa Audição a todos.

Track List

01. Shotgun (Richard Elliot, Sherrod Barnes)
02. What A Man (Karl Denson, Maysa)
03. It Tears Me Up (Mike Mattison, Reggie Young)
04. Can You Feel It (Karl Denson, Maysa, Reggie Young)
05. It's Raining (Jason Miles, Reggie Young, Susan Tedeschi)
06. Memphis Underground (Karl Denson, Sherrod Barnes)
07. Cold Snap (Mike Mattison, Reggie Young)
08. Chicken And Waffles (Karl Denson, Richard Elliot)
09. Son Of A Preacherman (Reggie Young, Susan Tedeschi)
10. Memphis 2000 (Karl Denson)
11. James Brown Medley (Karl Denson, Maysa, Mike Mattison, Susan Tedeschi)

Cold Snap (Mike Mattison, Reggie Young)


James Brown Medley


Site Oficial: Não Encontrado.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Stevie Wonder

1973 - Innervisions
Gênero: Soul / Rhythm and Blues / Funk



Stevie Wonder... o que falar de um cara que tem 22 Grammys em relação a produção musical e a seus álbuns, além de conseguir um contrato com a Motown Records, grande gravadora de black music da década de 70, com apenas 11 anos. Não tinha muita curiosidade sobre as músicas e o trabalho deste multi-instrumentista, compositor e produtor americano, a única que conhecia até então era a icônica "I Just Call to Say I Love You". No entanto ao ouvir uma de suas composições no filme "Á Procura da Felicidade" e pesquisando mais a fundo outras músicas fiquei fascinado com a profundidade sonora e a qualidade das composições.


Stevland Hardaway Morris nasceu em Saginaw, Michigan em 1951. Desde poucos dias de vida ficou cego, devido a uma má formação nas retinas, doença conhecida como retinopatia da prematuridade, o que não atrapalhou em nada sua vida e muito menos sua música. Aprendeu piano aos 7, aos 10 já tocava baixo, gaita, bateria e violão na igreja batista que a mãe frequentava, já que aos 4 anos seus pais se separaram e ele foi viver com a mãe em Detroit. Depois de conseguir um contrato com uma grande gravadora, teve seus primeiros sucesso com "Fingerprints pt. 2" aos 13 anos. A partir daí, teve vários singles de sucesso como "For Once in My Life" e "I Was Made to Love Her", dentre outras, até chegar a era clássica de sua carreira, na qual se inclui este álbum em particular.

Neste álbum, praticamente não houve participação de outros músicos. Seis das nove faixas do disco foram compostas e gravadas totalmente por Stevie, que também escreveu e arranjou todas as músicas do álbum. Além disso, ele também produziu o álbum a partir do sintetizador ARP, que pode criar ambientes musicais complexos, sendo assim o primeiro artista negro a utilizá-lo com frequência em todo o álbum. As letras lidam com temas variados, indo do abuso do uso drogas em "Too High", passando pela raiva social em "Living For The City", pelas baladas "Golden Lady", "All in Love is Fair" e "Visions", pela gospel "Jesus Children of America". Além destes tem a música "Higher Ground", contida na trilha sonora do filme supracitado, que foi por onde iniciei a escutar o seu trabalho clássico. Enfim confiram todo o groove e soul deste álbum vencedor de três Grammys que emana o som deste que já foi considerado pela sua gravadora até hoje como o "The 12 Year Old Genius". BOA AUDIÇÃO!!!

Track List

01. Too High
02. Visions
03. Living for the City
04. Golden Lady
05. Higher Ground
06. Jesus Children of America
07. All in Love Is Fair
08. Don’t You Worry ’bout a Thing
09. He’s Misstra Know-It-All

Stevie Wonder - Higher Ground


Stevie Wonder - Golden Lady


Site Oficial: Stevie Wonder

sábado, 18 de junho de 2011

Matt Grondin

2009 - The Ra Source
Gênero: Jazz / Fusion / Funk



The Ra Source (2009) o álbum de estreia do guitarrista de New Orleans, Matt Grondin. O primeiro álbum é sem dúvida o momento mais importante na carreira de um músico e nesse trabalho, o guitarrista foi buscar inspiração nas suas influências musicais, como o jazz, o funk e o blues, o resultado é um álbum instrumental surpreendente, com uma boa dose de solos, arranjos variados e com o uso de metais, e um toque bem funkeado nas composições, resumindo, um álbum bem versátil.

Matt é filho do baterista e fundador da banda 38 Special, o músico Jack Grondin. O guitarrista passou boa parte da sua vida tocando em várias bandas de jam rock nas redondezas da sua cidade natal, Jacksonville. Apesar de ter crescido em uma família que tocava Southern rock, a sua paixão pelo jazz e funk o levou para New Orleans, o lugal pra lá de ideal. E foi justamente em New Orleans, que Matt encontrou de fato a sua direção musical e consequentemente músicos que colaboraram com ele.

Em seu álbum de estréia, o guitarrista contou com a participação especial de músicos locais, que o ajudaram de alguma forma em sua carreira. As composições do álbum, foram todas escritas ou co-escritas por Matt. O álbum foi mixado por nada mais nada menos que Elliot Scheine, que já trabalhou com outras lendas da música, como The Eagles e Van Morrison, entre outros.

Descobrir o álbum do Matt Grondin foi uma grata surpresa, por ser um álbum versátil, cada canção ganha um toque diferente e muito pessoal, além do mais, Matt não é do tipo guitarrista fritador, pelo contrário, presa pelas linhas melódicas, solos bem trabalhados, isso sem falar do uso dos metais no arranjo e como disse anteriormente o toque funkeado misturado ao jazz.

Em seu site pessoal, inclusive foi a fonte da onde tirei as informações do texto, há um trecho do texto que me chamou muito a atenção, nele diz que você pode ouvir a influência de outros guitarristas, como Derek Trucks, Jimmy Herring, Stevie Ray Vaughan, assim como o toque jazzístico do George Benson e Pat Martino. Enfim, exagero ou não, resta ouvir o álbum e formar a sua própria opinião a respeito disso. Boa Audição.

Track List

01. Apocalypse
02. Grease Trap
03. Balboa
04. Sun God
05. Juggernaut
06. Lucid Dream
07. Slippin'
08. Emerald City
09. Forsaken & Forgiven
10. Junglefunk

Site Oficial: Matt Grondin

sábado, 9 de abril de 2011

Jamiroquai

2006 - High Times: Singles 1992–2006
Gênero: Acid Jazz / Funk / Soul



O jazz vai se renovando ao longo dos tempos. Foi do swing ao bebop, do bebop ao cool, do cool ao free e ao fusion e a cada vez foi adicionando elementos da música moderna. E essa banda representa justamente essa fusão de ritmos "antigos", como o jazz e o funk, com uma pegada moderna e de qualidade.

Acompanho o trabalho dessa banda de acid jazz já faz há um tempo, desde quando escutei a primeira música, Seven Days in a Sunny June, no filme "O Diabo Veste Prada", e me apaixonei pela pegada groove misturada com levadas de jazz e funk. A banda conta com 8 álbuns gravados, o último, Rock Dust Star Light em 2010, e essa coletânea reúne os grandes sucessos, logo, as melhores músicas que a banda produziu entre 1992 e 2006.

Destaco a faixa que faz parte da trilha sonora do filme citado, além de "Cosmic Girl", "Virtual Insanity", "Alright", "Love Foolosophy" dentre outros. No entanto recomendo todo o álbum a ser apreciado para que se perceba essa mesclagem de sons que caracteriza essa grande banda comandada por Jay Kay. Fique a vontade e BOA AUDIÇÃO!

Track List

01. When You Gonna Learn
02. Too Young to Die
03. Blow Your Mind
04. Emergency on Planet Earth
05. Space Cowboy
06. Virtual Insanity
07. Cosmic Girl
08. Alright
09. High Times
10. Deeper Underground
11. Canned Heat
12. Little L
13. Love Foolosophy
14. Corner of the Earth
15. Feels Just Like It Should
16. Seven Days in Sunny June
17. (Don't) Give Hate a Chance
18. Runaway
19. Radio

Jamiroquai - Seven Days in a Sunny June


Jamiroquai - Alright


Site Oficial: Jamiroquai

quinta-feira, 31 de março de 2011

The Derek Trucks Band

2010 - Roadsongs
Gênero: Blues / Jazz / Rock / Soul



Depois de um fim de semana inesquecível no show do Iron Maiden, é hora de dar continuidade na divulgação da boa música, afinal isso não pode parar. Pensei muito qual álbum postar e nada melhor do que Derek Trucks Band, um guitarrista prodígio e que faz jus a esse título. Derek é considerado como um dos grandes expoentes da nova geração do blues, sendo um dos mais completos guitarristas da atualidade, como disse na primeira postagem, ele começou a carreira aos nove anos e aos doze já tocava com músicos da cena local e aos quinze anos já havia formado a sua própria banda. Não são só os feitos que impressionam, Derek toca guitarra como poucos, possui uma técnica absurda, tudo isso aliado ao feeling.

Apesar de ouvir o som do Derek Trucks há pouco tempo, fiz questão de ouvir toda a sua discografia e posso dizer sem medo de errar que não existe um álbum ruim, por isso é tão difícil escolher um na hora de postar. Enfim, sem mais delongas vamos ao que interessa: Boa música.

O álbum Roadsongs (2010) é o trabalho mais recente do guitarrista e foi gravado durante a turnê do álbum Already Free (2009), que conquistou um Grammy. A qualidade do Derek e sua banda, é inquestionável e por ser um álbum ao vivo, fica ainda melhor. Ao todo são 14 faixas, onde o guitarrista explora e mescla vários estilos musicais, como o rock, o jazz, o blues e o soul.

A faixa “I’ll Find My Way” abre o álbum com uma pegada soul, destaque para a presença dos metais que ficaram a cargo do trompetista Paul Garret, o saxofonista Mace Hibbard e o trombonista Kevin Hyde, no vocal um velho conhecido, Mike Mattison e como não poderia faltar, Derek Trucks encerra a música com um solo de boas vindas. O DTB apresenta a primeira música do álbum Already Free (2009), “Down In The Flood”, uma releitura da composição do cantor Bob Dylan, depois é a vez de “Sailing On” do álbum Songlines (2006). Na sequencia a banda volta a tocar músicas do álbum vencedor do Grammy, com as músicas “Get What You Deserve”, “Days Is Almost Gone” e “Already Free”. O jazz não poderia de forma alguma faltar, e ele aparece justamente através de um clássico de John Coltrane, a música “Afro Blue”. O interessante dessa música é o instrumental, são quatorze minutos e meio de um som contagiante e com várias variações, destaque para o tecladista Kofi Burbrige que deixa o teclado de lado para assumir a flauta e assim fazer um show a parte. Um instrumental dessa qualidade, serve para reforçar ainda mais o que todo mundo já sabe, a experiência e a competência dos músicos que acompanham o Derek Trucks. O disco 2 começa com “I Know” que inicia com um show particular de Derek Trucks, até que surge Mike Mattison com seu vozeirão soul, uma das melhores músicas do álbum. Na sequencia “Down Don’t Bother Me” e “Don’t Miss Me”, duas músicas do álbum Already Free (2009), a primeira possui um feeling que impressiona, novamente Mike e Derek proporcionam momentos agradáveis ao público. “Key To The Highway” é outra música que merece um baita destaque, assim como no último álbum ao vivo que eu postei aqui no blog, nesse não é diferente e o clima de jam session toma conta do palco, com um instrumental perfeito e Mike Mattison literalmente sobrando, com um vocal impecável. Tenho a impressão que o DTB gosta de surpreender o público e isso acontece ao tocar o clássico “Get Out Of My Life Woman”, que foi gravado por inúmeros músicos e bandas, entre eles o The Doors, mas dessa vez é Derek Trucks que da outro tratamento a música com um instrumental refinado e com Mike Mattison nos vocais. Sem dar tempo para o público respirar e muito menos sem parar o instrumental, o DTB emenda outro clássico, “Who Knows” do guitarrista Jimi Hendrix. O resultado não poderia ser outro, são quase treze minutos de um som da mais alta qualidade. O show encerra com “Anyday” do Derek and The Dominos, projeto do guitarrista Eric Clapton que contou com a participação do guitarrista Duane Allman, do The Allman Brothers.

Roadsongs (2010) não é um simples álbum ao vivo, é mais do que isso. Diante de álbum que no meu entender é digno de ser considerado perfeito, as palavras simplesmente somem, mas o fato é que Derek Trucks Band pode sim ser considerada como uma das maiores e mais inovadoras bandas dos últimos anos. Digo isso não só porque o Derek Trucks faz parte, embora ele se encaixe facilmente em qualquer outra banda, mas vale ressaltar a qualidade e a competência dos outros músicos também, a maioria acompanha o Derek Trucks há muitos anos, como o Mike Mattison (vocal), Kofi Burbridge (teclado/flauta), Todd Smalie (Baixo), Yonrico Scott (bateria) e Count M’ Butu (percussão), e que ganhou a ajuda dos “metaleiros”, Paul Garrett (trompete), Kevin Hyde (trombone) e Mace Hibbard (saxofone). Boa Audição.

Track List

Disco 1

01. I’ll Find My Way
02. Down In The Flood
03. Sailing On
04. Get What You Deserve
05. Days Is Almost Gone
06. Already Free
07. Afro Blue

Disco 2

01. I Know
02. Down Don’t Bother Me
03. Don’t Miss Me
04. Rastaman Chant
05. Key To The Highway
06. Get Out Of My Life Woman/Who Knows
07. Anyday

The Derek Trucks Band "Down Don't Bother Me"



Site Oficial: Derek Trucks

quarta-feira, 23 de março de 2011

Gil Scott-Heron

2005 - Anthology: Messages
Gênero: Funk / Soul



Continuando com os post sobre artistas do funk e soul, decidi postar esse álbum totalmente roots. Sempre fui fã de músicas que tem algum apelo social ou mostram algum aspecto da sociedade. Por isso, quando escutei as músicas desse poeta de Chicago, que foi considerado até um "Bob Dylan negro", adorei a mistura do soul com letras, coisa que ainda não era feita na época, já que todo o movimento de igualdade racial nos EUA estava efervescendo. Com a parceria de um colega de faculdade, Brian Johnson, marcou o mundo do soul e do funk para sempre.

Com influências de Malcom X e os grandes escritores negros da época, Gil Scott-Heron captou em suas músicas o processo que a luta em favor da igualdade racial nos EUA estava se tornando algo muito mais agressivo, dando espaço para o desenvolvimento do movimento Black Power. Suas músicas falam bastante de temas sociais, como o consumismo, a programação televisiva da época, a vida e a situação dos negros nos guetos, entre outros. Para alguns, Gil Scott-Heron é considerado padrinho do rap.

Este álbum reúne os grandes sucessos de Gil Scott-Heron, que voltou do ostracismo e de uma vida cheia de drogas e processos judiciais em 2009 e produziu um álbum intitulado "I'm New Here", todos gravados na década de 70 com sua antiga banda. Particularmente adoro as faixas: o grande sucesso "The Revolution Will Not Be Televised", "Home Is Where the Hatred Is", a ótima balada "Winter in America" e "The Bottle". Enfim, curtam um ótimo funk com pitadas de crítica social e BOA AUDIÇÃO!

Track List

01. The Bottle
02. Johannesburg
03. Winter in America
04. The Liberation (Red, Black & Green)
05. It's Your World
06. Home Is Where the Hatred Is (LIVE)
07. Racetrack in France
08. Hello Sunday Hello Road
09. We Almost Lost Detroit
10. Delta Men (Where I'm Coming From)
11. Angel Dust
12. Show Bizness
13. Madison Avenue
14. Shut'um Down
15. Alien (Hold on to Your Dreams)
16. The Revolution Will Not Be Televised

Gil Scott-Heron - The Bottle


Gil Scott-Heron - Winter in America


Site Oficial: Gil Scott-Heron

Mezzoforte

2010 - Volcanic
Gênero: Jazz / Fusion / Funk



Se você curtiu o som do Poogie Bell Band, não pode deixar de ouvir e conhecer o do grupo islandês Mezzoforte.

Mezzoforte é uma banda de jazz fusion/funk da Islândia, com mais de 30 anos de estrada. Quando a banda foi criada, eles eram adolescentes, e de lá para cá muita coisa mudou, a banda já se apresentou em 40 países, 13 álbuns lançados e várias turnês ao longo da carreira. A banda original foi fundada em 1977 por Eythor Gunnarsson (teclado), Johan Asmundssion (baixo), Gulli Briam (bateria), Fridrik Karlsson (guitarra), e no decorrer dos anos muitos músicos participaram das várias formações do grupo, entre os recentes estão Sebastian Studnitzky (trompete/teclado), Thomas Dyani (percussão), Óskar Gudjonsson (saxofone) e Bruno Mueller (guitarra).

Depois de um período de quase sete anos sem lançar um álbum de estúdio com músicas inéditas, a banda começou a trabalhar na primavera de 2008, para dar inicio a tal tarefa, cinco membros da banda viajaram até o sul da Islândia e se hospedaram em uma cabana isolada, assim teriam todo tempo do mundo para trabalhar nas músicas que estariam no novo álbum. Durante esse período, o grupo lembrava constantemente sobre o poder fantástico e imprevisível dos vulcões, talvez esta experiência explique o nome do álbum: “Volcanic” (2010). E durante as minhas pesquisas, acabei descobrindo que os músicos passaram por maus momentos durante essa experiência; um terremoto de magnitude 6.1 na escala Richter literalmente sacudiu a cabana em que o grupo estava, o tremor foi tão violento que os músicos não conseguiam correr para fora da cabana. Apesar disso, a cabana tinha uma vista privilegiada, já que dela era possível visualizar o vulcão Hekla, um dos mais conhecidos e ativos da Islândia e que serviu de inspiração para a música “Sleeeping Vulcano”.

Curiosidades a parte, vamos ao que de fato interessa, o álbum “Volcanic” (2010). O repertório é composto de 12 canções, todas instrumentais. O álbum abre com “It´s a Funk Thing”, que serve de parâmetro para as demais, destaque para a levada funkeada e os grooves, principalmente do baixista Jóhann Asmundsson, mas não posso deixar de falar da ótima presença do guitarrista Friòrik Karlsson. Em “Berlin Boogie” a banda mantém o clima contagiante, com destaque para o trompetista Sebastian Studnitzky e o saxofonista Óskar Gudjonsson. Na sequencia “High Life”, que a meu ver é uma musica diferenciada do repertório, principalmente pelo arranjo baseado na música latina, e isso prova a competência e experiência do grupo, que mesmo explorando outros ritmos, conseguem manter a qualidade. “Bright and Early” é uma música com uma sonoridade no mínimo agradável, novamente a banda se destaca pelo instrumental refinado, onde o teclado e o sax aparecem muito bem. O funk volta com tudo na música “So What's Up?”, o groove dessa música é incrível, o guitarrista Friòrik Karlsson mostra todo seu talento ao criar uma linha melódica, o mesmo acontece com o saxofonista Óskar Gudjonsson, que sola maravilhosamente bem. Por fim “Wandering Soul”, encerra o álbum de maneira sublime com uma balada funk, sem dúvida uma das melhores canções do álbum.

Sinceramente não sei se o Mezzoforte é conhecido em terras brasileiras, o fato é que não se trata de uma banda iniciante, pelo contrário, são 30 anos de estrada e uma experiência que reflete na qualidade das composições do grupo e da produção do álbum. “Volcanic” é o primeiro álbum que eu ouvi do Mezzoforte, e como eu curto essa mistura do jazz fusion/funk, foi uma grande descoberta e posso dizer sem medo de errar que o Mezzoforte vai agradar muita gente, mesmo que a pessoa não seja fã do gênero, mas vale dar uma chance ao grupo e assim conhecer o trabalho deles. Boa Audição.

Track List

01. It's a Funk Thing
02. Berlin Boogie
03. High Life
04. Sleeping Volcano
05. Stepping Out
06. Jump Town
07. Sea Breeze
08. Bright and Early
09. Hatton
10. Down on Sunset
11. So What's Up?
12. Wandering Soul

Mezzoforte "Garden Party" (O primeiro hit da banda)


Mezzoforte "Four Corner" (Live 2007)


Site Oficial: Mezzoforte

terça-feira, 22 de março de 2011

Poogie Bell Band

2009 - Get on The Kit
Gênero: Jazz Fusion / Funk



Se você curte boa música, certamente já ouviu o som do Poogie Bell e arrisco dizer que na maioria das vezes foi sem saber. Poogie Bell é um baterista renomado no cenário jazzístico, ao longo da sua carreira já tocou com uma infinidade de músicos, como David Bowie, Victor Wooten, Al Jarreau, Stanley Clark, Joe Sample, Roberta Flack, Bugnon Alex, Victor Bailey , Marcos Miller, entre outros. No meu caso, conheci o trabalho do Poogie através do Marcus Miller.

Poogie Bell nasceu em Nova Iorque, seu pai era músico de jazz e professor de música, assim a música sempre esteve presente em sua vida. Na sua biografia, diz que ele começou a tocar com dez meses de idade – difícil de acreditar - e fez a sua primeira apresentação quando tinha dois anos e meio, no Carnegie Hall de Pittsburgh, junto com seu pai e aos cinco anos fez a sua primeira aparição em um programa de televisão, no The Mike Douglas Show, tocando com a cantora de jazz Pearl Bailey. Poogie possui uma formação musical privilegiada, como disse anteriormente, seu pai era músico de jazz, então o som que rolava na sua casa não poderia ser outro, por isso Poogie passou boa parte da sua infância e juventude ouvindo o som do baterista Max Roach, do saxofonista Ornette Coleman, da pianista Mary Lou Williams, dos baixistas Paul Chambers, Ron Carter, entre outros músicos. Claro que esse ambiente musical fez toda diferença na sua vida.

Em sua carreira musical, Poogie excursionou com o DJ Kevin Donavan, conhecido como Afrika Bambaataa , tocou com o grupo Forces MD’s e passou quinze anos tocando com músicos da cena R&B e colaborando com artistas do hip-hop.

Em “Get on The Kit” (2009) Poogie não aparece como coadjuvante – vamos dizer assim – mas como líder da sua própria banda, a The Poogie Bell Band. Para quem já teve a oportunidade de ouvi-lo em outras ocasiões vai perceber que a essência da sua música continua a mesma, Poogie domina com maestria a mistura do jazz e o funk. O fato é que, quando ele assume o controle da batera, é sinal de que vem boa música a caminho, em um repertório formado por 14 canções, Poogie mostra por que é dono de um currículo invejável. É difícil descrever em palavras, mas sua música tem sentimento, é impossível ouvir e não se deixar levar pelo som do jazz fusion embalado por um toque funkeado. Infelizmente não posso precisar com exatidão quais são os músicos que participaram da gravação do álbum, mas em minhas pesquisas encontrei uma lista com vários nomes (e mesmo assim creio que está incompleta), como do baixista Marcus Miller – que também foi co-produtor do álbum –, os guitarristas Wah Wah Watson, Dean Brown e Juan Vasquez, Bobby Sparks, Keith Anderson, no trompete Howie Alexander, no baixo Kevin Barefoot, no sax Tony Camargo, Ian Gordon, Toffee Jacob, entre outros.

Em relação às músicas eu destacaria todas, sem medo de errar, claro que algumas chamaram mais a minha atenção, como “Dark & Happy”, “Breezeword”, “Adolescence”, “Creepin” e “Funky Helmet”. O instrumental é um capitulo a parte, ao ouvir você irá perceber e ter a noção do que estou falando. Enfim, para quem curte um som funkeado e com muito groove, “Get on The Kit” é um álbum ideal. Boa Audição.

Track List

01. Hi There
02. Dark & Happy
03. Breezeword
04. Jamestown
05. Oh No!
06. Adolescence
07. Pay Attention
08. Creepin
09. Kinckerbocker Bling
10. Funky Helmet
11. D's Crib
12. The Natural
13. Our Bedtime Story
14. Twilight

Marcus Miller & Poogie Bell - "Panther" (Jazz a Juan)


Site Oficial: Poogie Bell

domingo, 20 de fevereiro de 2011

The Derek Trucks Band

2004 - Live at Georgia Theatre
Gênero: Jazz / Rock / Blues / Soul / Southern Rock



Caro leitor, se você curtiu o álbum “The Derek Trucks Band” (1997), postado aqui no Blog Jazz e Rock, com certeza irá ficar sem palavras ao ouvir essa obra-prima. Derek Trucks prova mais uma vez por que é um dos melhores guitarristas da atualidade, ao criar improvisações desconcertantes, elevando a música a níveis inimagináveis e incorporando elementos do jazz, do blues, do rock, funk e muito mais.

O álbum “Live At Georgia Theatre” (2004) é o quinto da sua discografia e o primeiro ao vivo. Desde que eu tive a oportunidade de ouvir, considero com um dos melhores da sua carreira, o guitarrista mostra toda sua capacidade em mesclar vários estilos, aliando muita técnica e feeling. O repertório composto por treze canções, apesar da presença marcante do vocalista Mike Mattison, que dispensa comentários, a maior parte das músicas é instrumental. A Derek Trucks Band é formada por músicos excepcionais e experientes, como Mike Mattion (vocal), Todd Smallie (baixo/vocal), Yonrico Scott (bateria/percussão), Kofi Burbrige (teclado/flauta) e Count Mbutu (percussão).

Não se espante se você ficar impressionado ao ouvir este álbum, porque a sensação é exatamente essa. Derek Trucks certamente estava em uma noite inspiradíssima, o mesmo pode-se dizer da banda. A DTB traz para o palco apenas quatro músicas que já estiveram presentes em álbuns anteriores, as demais são temas de outros músicos. Sem mais delongas, o show abre com “Kam-Ma-Lay”, um tema instrumental, onde Mike Mattison faz uma espécie de scats, enquanto Derek da às boas-vindas com solos empolgantes e que prepara o público para o que está por vir. Em seguida “Gonna Move”, de Paul Pena, destaque para o vocal potente de Mike Mattison, o instrumental com muito feeling, com uma levada funkeada, enquanto Derek mais uma vez cria um solo arrasador. Na sequencia a jazzística “Volunteered Slavery”, de Roland Kirk. O palco é invadido por um som vindo do Oriente Médio, com a música “Sahib Teri Bandi / Maki Madni”, sendo “Sahib Teri Bandi” do cantor paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan, são 15 minutos de um instrumental envolvente e intenso, destaque para o guitarrista Derek Trucks e para o percussionista Count Mbutu. “I Wish I Knew” é sem dúvida uma das melhores do álbum, uma música com um toque funkeado, empolgante, Mike Mattison manda muito bem no vocal, e não precisa nem dizer que mais uma vez Derek Trucks arrasa com um solo frenético e com muito feeling. Em “Angola”, música de Wayne Shorter, quem dá as boas-vindas é o baterista Yonrico Scott, com um solo capaz de arrancar aplausos do público, o mesmo pode-se dizer do flautista Kofi Burbridge, que faz um solo magnifico, a música se desenvolve por 10 minutos em um clima de jam session. Na sequencia Derek Trucks emenda um blues, com a música “Feel So Bad” do guitarrista de blues Lightnin ‘Hopkins, uma versão contagiante e com um toque funkeado, onde mais uma vez Mike Mattison arrebenta no vocal, acompanhado por um instrumental perfeito. “For My Brother” é a minha música favorita do álbum, começa com um toque cadenciado, enquanto Derek Trucks esbanja virtuosismo em sua guitarra, até que Mike Mattison assume os vocais, com o refrão grudento “Fooor My Broootheeeer”, não demora muito até a música cair em um instrumental arrebatador, novamente criando um clima de jam session, com direito a uma levada funkeada e solos geniais de Derek Trucks. O clima de jam continua com a mágica “Sonido Alegre”, uma música que envolve diversas influencias. O rock toma conta do palco em “Joyful Noise”, são mais de 11 minutos de um instrumental vigoroso, a intensidade varia muito, o que deixa a música ainda mais interessante. “So Close, So Far Away” é outra música instrumental, com muito feeling, Derek Trucks mais uma vez mostra porque é considerado um dos melhores guitarristas, a música é a base perfeita, para que o guitarrista crie solos que envolvem público de uma maneira inexplicável. A música "Freedie’s Dead” de Curtis Mayfield encerra o show em grande estilo, são 10 minutos de um clima agradável e contagiante, novamente a sensação é de estar em uma jam session, o interessante dessa música é que cada musico faz uma breve apresentação solo, algo que é muito comum em shows de jazz e blues.

Esperei muito para poder postar esse álbum, ouvi muitas e muitas vezes, antes de ter a certeza que poderia fazer uma resenha que fosse digna de um grande álbum, claro que só com palavras isso é impossível, mas creio que consegui descrever 1% do “Live At Georgia Theatre”. É impossível ouvir esse álbum e ficar indiferente, Derek Trucks Band trouxe para o palco a música na sua verdadeira essência. Um álbum que merece ser apreciado por quem realmente gosta de boa música. Boa Audição.

Tracklist:

Disco: 1

01. Kam-Ma-Lay
02. Gonna Move
03. Volunteered Slavery
04. Sahib Teri Bandi/Maki Madni
05. Leaving Trunk
06. I Wish I Knew
07. Angola
08. Feel So Bad

Disco: 2

01. For My Brother
02. Sonido Alegre
03. Joyful Noise
04. So Close, So Far Away
05. Freddie's Dead

The Derek Trucks Band "For My Brother" (Songlines Live DVD)


The Derek Trucks Band "I Wish I Knew (How It Would Be Free)" (Songlines Live DVD)


Link nos Comentarios.

Site Oficial: Derek Trucks

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Charles Bradley

2011 - No Time For Dreaming
Gênero: Soul



Aos 62 anos, Charles Bradley surge definitivamente para a música, apesar de não ser um novato na vida, enfrentou e viveu muitos desafios. Sua vida poderia ser contada facilmente através de um filme, afinal aventuras e boas histórias não faltaram em sua jornada. Sei que vai ser difícil, mas vou tentar contar de maneira resumida um pouco da sua trajetória.

Charles nasceu em Gainesville, Flórida, em 1948, mas foi criado no Brooklyn, Nova York. Viveu boa parte da sua infância nas ruas. Um dos seus primeiros contatos com a música, foi quando teve a oportunidade de ir ao show do James Brown, no Apollo. Em seu site, Charles diz que aquele show impactou sua vida, o fato foi que ele chegou em casa, pegou uma vassoura e começou a imitar os movimentos do rei do soul; eis que nascia o seu desejo pela música. Mas como na vida nada são flores, as dificuldades levaram Charles a sair do Brooklyn, até encontrar emprego em um bar, no estado de Maine. Aprendeu a cozinhar, e até montou uma banda, era o começo da sua perseguição ao sonho de ser um artista. Na mesma época, Charles chegou a sentir o gosto dos palcos, fez algumas apresentações, naquele momento ele sabia que estava destinado a ser um cantor. Porém o destino tratou de impedir o seu sonho, seus companheiros foram para guerra do Vietnã, enquanto ele foi forçado a encontrar um trabalho como chef de cozinha em um hospital para doentes mentais, veja só. Depois de nove anos na mesma função, Charles decidiu abandonar tudo e partiu para o Oeste em busca de seu sonho, tinha economizado dinheiro suficiente para comprar um carro, mas logo percebeu que não poderia mantê-lo, a solução foi pedir carona. Charles percorreu os EUA, de Nova York para Califórnia, chegando até o Canadá, viveu perigos na estrada, inclusive pegar carona com um sujeito que confessou a ele que tinha acabado de matar a esposa e os filhos. No Alasca, Charles encontrou emprego de chef de cozinha, apesar do bom salário, ele não era muito querido entre seus colegas, assim ele decidiu fazer o caminho de volta para a California, dessa vez de avião. Na Califórnia, ficou mais de 20 anos trabalhando como chef e as vezes conseguia uma ou outra apresentação como musico, chegou até pagar algumas sessões no estúdio para finalmente alcançar seu sonho, a essa altura tudo parecia muito bem, mais a vida tratou de dar mais um duro golpe nele, Charles havia perdido o seu emprego. Depois disso, ele decidiu retornar ao Brooklyn, para ficar perto da sua família. Com o dinheiro que economizou, Charles encheu um caminhão com seus equipamentos musicais, comprados ao longo dos anos, e levou para Nova York, para novamente tentar a sorte. Fez algumas apresentações em clubes locais, aos 51 anos sua carreira finalmente começava a dar sinais de sucesso, mas ele seria testado mais uma vez. A morte do seu irmão foi um choque em sua vida, parecia não valer mais a pena viver. Tempos depois enquanto Charles se apresentava como Black Velvet, e foi visto por Gabriel Roth, co-produtor da Daptone Records, o qual reconheceu seu talento e levou diretamente para os estúdios. Charles conseguiria então o seu primeiro single. Depois conheceu o compositor e guitarrista Thomas Brenneck, juntos lançaram dois singles. Com o tempo se tornaram grandes amigos, Charles contou toda sua história, Thomas se emocionou ao ouvir o relato e disse que aquela história teria que ser contada em forma de música. O compositor já era conhecido entre os músicos de soul/funk, e ele mesmo estava trabalhando em um novo projeto, chamado Menahan Street Band, banda conhecida por reunir grandes nomes do soul. Resumindo, Charles finalmente teve oportunidade de mostrar seu talento. Em 2008 a banda Menahan Street Band, lançou um single comemorativo e entre os músicos presentes estava o então desconhecido Charles Bradley. A música “The World (Is Going Up In Flames)” ganhou forma e vida na sua voz, seu talento foi reconhecido e o lançamento do álbum era questão de tempo.

No álbum "No Time For Dreaming" (2011), Charles Bradley embala um soul fortemente influenciado por nomes como James Brown, seu grande ídolo na infância, uma sonoridade trazida lá dos anos 60, sua voz é rouca e forte, as letras são emocionantes e profundas, Charles traz a tona todos os seus sentimentos, sua música reflete todo seu lamento, impossível não se emocionar a cada música. No repertório 12 canções, todas excelentes, destaque para “The World (Is Going Up in Flames)”, as baladas “I Believe in Your Love”, “Lovin' You, Baby”, a contagiante “No Time For Dreaming”, nessa música Charles manda muito bem no vocal, “Why Is It So Hard”, em “How Long” e “Why is it so hard”, Charles celebra a vitória sobre os tormentos que passou. Na gravação do álbum, Charles teve o acompanhamento ilustre da Manaham Street Band, só não vou poder citar com exatidão os músicos que participaram.

Espero que “No Time For Dreaming”, seja apenas o primeiro de muitos, Charles Bradley mostrou que tem um talento nato, pena que a vida o tratou tão injustamente, mas nunca é tarde para começar e realizar um sonho, aos 62 anos, Charles mostra que tem a mesma energia de um jovem em inicio de carreira. Ele que passou a maior parte da vida sonhando por algo melhor, agora não há mais tempo para sonhar, e sim tempo de sobra para cantar e dançar.

Se algum leitor tiver alguma informação que possa ser acrescentada ao texto, não deixe de comentar a respeito. Boa Audição.

Track List

01. The World (Is Going up in Flames)
02. The Telephone Song
03. Golden Rule
04. I Believe in Your Love
05. Trouble in the Land
06. Lovin' You, Baby
07. No Time for Dreaming
08. How Long
09. In You (I Found a Love)
10. Why is it so Hard?
11. Since Our Last Goodbye
12. Heartaches and Pain

Charles Bradley - The World (Is Going Up In Flames)


Site Oficial: Charles Bradley (As informações a respeito da sua biografia, foram retiradas do site oficial.)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ari Borger Quartet

2007 - AB4
Gênero: Jazz / Blues / Funk



Ari Borger certamente está entre os melhores e mais talentosos pianistas e organistas brasileiros. Conheci o som do Ari Borger no Programa do Jô, quando o quarteto tocou na abertura, senão me engano mês passado. O som logo me chamou a atenção pela qualidade técnica e também pelas influências trazidas do jazz e blues. Ao longo da sua carreira, Ari já tocou com lendas do blues como Johnnie Johnson, além de abrir shows de bluseiros como BB King. Já no cenário nacional, Ari tocou com Flávio Guimarães, Nuno Mindelis e André Christovam, que por sinal são músicos sensacionais. O pianista e organista lançou o seu primeiro álbum solo em 2001, “Blues Garantia”, foi gravado em New Orleans, cidade onde morava na época. O álbum traz participações de músicos de blues local, não é preciso dizer que é um álbum de extrema qualidade.

O segundo álbum solo foi “AB4” (2007) e possui um toque a mais em relação ao primeiro, se antes Ari apostou no blues, agora ele vai além e traz influências do jazz, aliando alguns elementos de funk e soul, claro tudo isso sem deixar o blues de fora. A sonoridade do álbum impressiona e Ari aposta em composições próprias e em clássicos, que em tempos passados foram tocados por grandes nomes do jazz, mais com um diferencial, Ari cria uma roupagem mais moderna.

No repertório destaque para as composições próprias, “Na Pressão”, que começa com um contrabaixo avassalador que abre as portas para um som funkeado com muito groove, a sensação que passa é de puro improviso, o quarteto cria um ambiente harmonioso, até que entra em ação o guitarrista Celso Salim, com um solo que dispensa qualquer tipo de comentário e “Trip Song”. O álbum ainda conta com as releituras, como a música “Blind Mand” do pianista Herbie Hancock, que teve a participação do gaitista bluseiro Flávio Guimarães, dando um toque especial a música. “No Caminho do Bem” é uma canção do Tim Maia, presente no álbum “Racional Vol.1” e surge com uma versão instrumental e com um toque bem swingado. “Nem Vem, Miles” foi uma jogada muito interessante criada pelo Ari Borger Quartet, essa música na verdade é a união da clássica “So What”, de Miles Davis, com a “Nem Vem Que Não Tem” de Wilson Simonal. Na sequencia Ari apresenta “Señor Blues” de Horace Silver, “Blue Monk” do excepcional pianista Thelonious Monk, “Soul 61” com participação de Nuno Mindelis e há espaço para tributos, as faixas “Acid Groove” e “B3”, as duas são tributos ao órgão Hammond e por fim “Tributo a Oscar Peterson”. Ari Borger Quartet é formado por Ari Borger (piano e Hammond), Celso Salim (guitarra), Humberto Zigler (bateria) e Marcos Klis (baixo acústico).

Dizem que a primeira impressão é a que fica e posso dizer que isso se encaixa perfeitamente no meu caso, pois desde que vi o Ari Borger Quartet tocando no Programa do Jô, já fiquei entusiasmado e alucinado pelo som, e consequentemente depois fui conhecer os álbuns e o primeiro que ouvi foi “AB4”. Ari Borger sabe fazer como poucos essa fusão do jazz, blues e o funk e não só sabe fazer, como colocar tudo na medida exata. Talvez explicar com palavras tudo isso, seja em vão, o bom mesmo é ouvir o CD e se deixar levar. Boa Audição !

Track List

01. Trip Song
02. Na Pressão
03. Blind Man
04. No Caminho do Bem
05. Nem Vem, Miles
06. Senor Blues
07. Acid Grouve
08. B3 Solo
09. Blue Monk
10. Tributo a Oscar Peterson
11. Soul G1

Ari Borger Quartet - "Na Pressão" (Instrumental SESC Brasil)


Ari Borger Quartet "Blue Monk" (Instrumental SESC Brasil)


Site Oficial: Ari Borger

domingo, 15 de agosto de 2010

Tok Tok Tok

2008 - She And He
Gênero: Jazz / Soul Music



Tok Tok Tok é um duo formado pela cantora e letrista Tokunbo Akinro e pelo saxofonista e violonista Morten Klen. Conheci o som do duo através de uma postagem do Marcello Lopes no blog Musicólatras.

Morten Klen é alemão e Tokundo Akinro é filha de pai nigeriano e mãe alemã, ela passou a infância na África e morou por alguns meses nos EUA, antes de mudar-se para Alemanha. Os dois se conheceram em uma escola de música na cidade de Friburg, onde vivem atualmente.

“She and He” (2008) é o nono álbum de estúdio da dupla e assim como os demais tem como principal característica a fusão do jazz e o soul music. A voz delicada e sensual de Tokundo, aliado aos arranjos bem estruturados e sofisticados de Morten dão um toque especial às músicas, assim como a banda que os acompanha, formada por Christian Flohr (baixo), Jens Gebel (teclado) e Mathias Meusel (bateria). Em relação ao repertório, é difícil apontar qual a melhor música, a primeira que eu ouvi foi “Although He Hurts Me”, uma música bem contagiante, soul music com um toque de pop. Há também “The Love We Share", “Lewis & Ruth”, “The Game is Over”, “Crash Crush”, “She And He”, “Coração” – um instrumental com o toque da música brasileira - e muito mais. O álbum em nenhum momento fica repetitivo, o duo soube dosar na medida exata.

Tok Tok Tok me surpreendeu positivamente, em todos os sentidos, desde as letras que tem como principal tema o amor, porém são bem elaboradas, o instrumental, que em cada música apresenta algo diferente, fazendo com que o álbum não se torne cansativo e maçante, e claro a voz da Tokunbo Akinro. Quem quiser conhecer mais do Tok Tok Tok, recomendo o álbum “From Soul to Soul” (2006), considerado o melhor já gravado pelo duo. O mais novo álbum do duo foi lançado esse ano e se chama “Revolution 69”. Boa Audição.

Track List

01. Although He Hurts Me
02. The Daydream
03. The Love We Share
04. Longing for Brad
05. Lewis & Ruth
06. As We Are
07. The Game is Over
08. Coração
09. Crash Crush
10. Living Hell
11. Our Little Song
12. She and He
13. Vertigo
14. Harmless in the Beginning

Tok Tok Tok - "Living Hell"


Tok Tok Tok - "Although He Hurts Me" - (Bridgestone Music Festival '09)


Site Oficial: Tok Tok Tok

quinta-feira, 27 de maio de 2010

James Brown

1973 - The Payback
Gênero: Funk/Soul



James Brown pode ser considerado como um dos músicos mais importantes da história e deixou um legado sem precedentes em todos os sentidos, já que sua importância não resume apenas na música.

“The Payback” é considerado um marco na história do funk/soul e na carreira do Rei do Soul. Lançado em 1973 com o intuito de se tornar a trilha sonora do filme “Hell Up in Harlem”, mas foi rejeitado pelo diretor Larry Cohen. O fato é que o álbum tem uma excelente qualidade, James possuía o “poder” que só os gênios eram dignos de receber, ele moldava a música conforme sua vontade e fazia isso com excelência. A história que cerca esse álbum é comovente, na época James Brown foi internado por exaustão e poucos dias depois de receber alta, seu filho mais velho faleceu em um acidente de carro. Talvez por isso o álbum transmite um pouco da sua indignação e sofrimento.

A faixa-título é de longe a melhor do álbum, “The Payback” é um clássico do funk/soul, James Brown aparece na melhor forma, com sua voz inconfundível, na letra ele pede apenas vingança. O arranjo instrumental é simplesmente genial, são sete minutos de puro êxtase, depois da abertura com backing vocals e metais, a música segue em uma batida cadenciada e hipnótica. O álbum ainda traz duas baladas soul da melhor qualidade, em “Doing The Best I Can” (Fazendo o melhor que posso), letra fala sobre as circunstâncias adversas e como se manter em equilíbrio e “Forever Suffering”. “Time Is Running Out Fast” parece uma espécie de jam session, muito boa por sinal. “Take Some...Leave Some” vem carregada de funk, o mesmo ritmo cadenciado e James Brown mandando ver nos vocais. Em “Shoot Your Shoot” o destaque vai para os metais. “Stone To The Bone” está longe de ser empolgante como as outras, mais tem o seu valor no álbum, destaque para o solo de piano feito por James Brown e os metais. “Mind Power” é um funk interessante, porém o diferencial é que boa parte da letra é falada por James Brown.

E não poderia deixar de citar os músicos que fizeram parte do álbum; James Brown (Vocal, Piano Elétrico) Thomas Fred (Baixo), John Starks Jabo (Bateria), Hearlon Martin e Jimmy Nolen (Guitarra), Maceo Parker e St.Clair (Flauta), Isiah Oakley, Jerone Melson, Darryl Jamison (Trompete), Fred Wesley (Trombone) e John Morgan (Percussão).

Não é por acaso que “The Payback” figura entre os melhores álbuns de funk/soul, sua qualidade é incontestável e sem falar que abrange de maneira coesa o funk ao lado de baladas soul. E mostra também o esforço de James Brown em produzir o álbum e se apresentar de forma impecável nos vocais, ainda mais nas circunstâncias que sua vida estava. É por essas e outras, que James Brown foi um cara diferenciado e reverenciado.

P.S: Segue abaixo dois vídeos. O primeiro é clássico, a música “The Payback”. O segundo é bem interessante e não poderia deixar de citá-lo. É parte de um episódio do seriado “Todo Mundo Odeia o Chris”, em que o Chris quer ser DJ e para isso gasta todo seu dinheiro na compra dos equipamentos e com isso não sobra nada para comprar os LPs. Então a sua mãe empresta o disco “The Payback” e por infelicidade o Chris acaba arranhando. Depois surge uma apresentação muito engraçada, de como ele iria fazer para distrair sua mãe, caso ela quisesse ouvir o disco, é aí que o Chris aparece cantando a música “The Payback” e acompanhado por uma banda, destaque para a participação do baixista Marcus Miller.

Track List

01. The Payback
02. Doing The Best I Can
03. Take Some - Leave Some
04. Shoot Your Shot
05. Forever Suffering
06. Time Is Running Out Fast
07. Stone To The Bone
08. Mind Power

James Brown "The Payback" (Audio)


Todo Mundo Odeia o Chris "The Payback"

domingo, 23 de maio de 2010

Hypnotic Brass Ensemble


Hypnotic Brass Ensemble é um grupo de Chicago, formado por nove músicos, sendo oito irmãos, filhos do trompetista Phil Cohran. O grupo ficou conhecido por tocar nas ruas e em lugares públicos da cidade de Chicago e depois Nova Iorque, vendendo os seus álbuns de forma independente. O som do grupo se destaca pelos metais, já que são quatro trompetes, um trombote, um barítono e um sousaphone (uma espécie de tuba), além da bateria.

O álbum “Hypnotic Brass Ensemble” (2009) foi lançado como uma coletânea, com re-gravações e contém músicas que foram lançadas ao longo da carreira do grupo, excelente para quem está querendo conhecer. Destaque para as músicas “Alyo” do trompetista Phil Cohran, “War”, “Flipside”, “Jupiter”, “Hypnotic” e “Ballicki Home”. O álbum "New York City Live", contém músicas que foram gravadas em apresentações ao vivo pelas ruas da cidade. As influências musicais trazidas e incorporadas nas composições e principalmente nos arranjos do HBE impressionam pela diversidade, vão do jazz/funk ao hip-hop.

Das ruas de Chicago e Nova York para o mundo. Assim tem sido a trajetória do grupo, que já se apresentaram em festivais na Holanda, Portugal, Alemanha e Espanha. A cada passo eles conquistam seu espaço, com uma música de qualidade e diferenciada, em todos os sentidos. Se você não é um fã dos metais, com certeza irá mudar de opinião ao ouvir o som dessa galera de Chicago. Boa Audição !

2009 - Hypnotic Brass Ensemble
Gênero: Jazz/Funk/Hip Hop/Jam Band



Track List

01. Alyo
02. Gibbous
03. War
04. Ballicki Home
05. Flipside
06. Marcus Garvey
07. Jupiter
08. Party Started
09. Rabbit Hop
10. Sankofa
11. Hypnotic
12. Satin Sheets
13. Rabbit Hop (Version)

Integrantes:

Gabriel Hubert ("Hudah") - Trompete
Saiph Graves ("Cid") - Trombone
Tycho Cohran ("LT") - Sousaphone (tuba)
Amal Baji Hubert ("Baji" or "June Body") - Trompete
Jafar Baji Graves ("Yosh") - Trompete
Seba Graves ("Clef") - Trombone
Tarik Graves ("Smoov") - Trompete
Christopher Anderson ("360") - Bateria
Uttama Hubert ("Rocco") - Barítono

2007 - New York City Live



Track List

01. Tarik
02. Deja Vu
03. Jukebox
04. Hypnotic
05. War
06. Sri Nerodi
07. Marcus Garvey
08. Alyo
09. Mercury
10. Bônus Track 1
11. Bônus Track 2
12. Bônus Track 3

Hypnotic Brass Ensemble "War"


Hypnotic Brass Ensemble "Planet Gibbous"


Hypnotic Brass Ensemble (Ao vivo na estação do metrô de Nova Iorque, Dez/2006)


Site Oficial: Hypnotic Brass Ensemble

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Miles Davis

1981 - The Man With The Horn
Gênero: Jazz Fusion/Funk



Considero o álbum “The Man With The Horn” como um dos melhores da carreira do trompetista Miles Davis. Como já disse em outros posts, Miles Davis é um capitulo na história do jazz, é impossível citar um e não citar o outro.

Miles Davis estava afastado dos palcos e dos estúdios por um tempo, o motivo era a sua saúde que estava debilitada por causa da bebida e da cocaína e por isso necessitava de uma recuperação. A situação em 1979 era a seguinte: Davis viu a acessão e a evolução do fusion no cenário musical, porém quando voltou a ativa seus antigos parceiros, entre eles Chick Corea, não estavam tão engajados naquela vertente e buscavam novos caminhos. Miles com toda percepção e talento percebeu uma nova safra de bons músicos e buscou um meio de trazê-los e formar novo grupo, para mais uma vez revolucionar e moldar o jazz a sua maneira.

Como nas outras vezes, Miles acertou e não decepcionou, “The Man With The Horn” foi lançado em 1981 e o resultado é um álbum de extrema qualidade e moderno. O som é impecável como sempre, com muito groove, funk e rock. O álbum começa com a explosiva “Fat Time”, o que marca nessa música é o peso e a groove feito pelo genial Marcus Miller e o trompete refinado de Miles. Já “Back Seat Beety” começa com a guitarra destorcida do excelente Mike Stern e depois alterna entre o baixo, o trompete e o teclado marcante de Robert Irving III. “Shout” é a música mais dançante do álbum e com uma performance incrível de Miles Davis e mostra que seu retorno é mesmo triunfal. O cenário musical nos anos 80 foi marcado pelo uso de teclados e sintetizadores, muitas bandas de rock usaram isso nesse período. Miles Davis também abusou desse artifício, a prova são as músicas “Ainda” e “Man With The Horn”, destaque para Marcus Miller, que apresenta uma linha de baixo bem interessante e claro Miles por encaixar o som do trompete de maneira tão precisa. Por fim “Ursula” que começa com uma pequena intro de baixo e depois o trompete de Miles se sobrepõe, são mais de 10 minutos de pura viagem musical.

É por tudo isso que considero esse álbum como um dos melhores da carreira de Miles Davis. Apesar de ter ficado afastado e nas dificuldades que encontrou no seu retorno, o trompetista se mostra como sempre inovador, Miles tem o controle total sobre a música, ao ponto de moldá-la conforme o sua vontade e como num passe de mágica ela se mostra submissa. Depois desse álbum o trompetista continuou trilhando esse caminho e lançando excelentes trabalhos, que mais para frente vou postar aqui. Por enquanto é isso. Boa Audição ! E não esqueça de deixar um comentário.

Track List

01. Fat Time
02. Back Seat Betty
03. Shout
04. Aida
05. The Man With The Horn
06. Ursula

Miles Davis - (Trompete)
Marcus Miller - (Baixo)
Bill Evans - (Saxofone Soprano)
Mike Stern - (Guitarra)
Robert Irving III - (Sintetizadores)
Al Foster - (Bateria)
Sammy Figueroa - (Percussão)

Site Oficial: Miles Davis

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Ed Motta

2009 - Piquenique
Gênero: Funk/Soul/Pop



Escrever sobre um trabalho do Ed Motta é sempre uma lição pra lá de complicada. Desde 2003 quando trocou de gravadora, saindo da Universal e ingressando na Trama, Ed Motta trilhou pelo caminho da liberdade musical, prova disso foi o último álbum “Chapter 9” (2008), que foi cantado todo em inglês e o próprio Ed se encarregou de tocar todos os instrumentos, a meu ver foi uma das maiores mudanças na sonoridade do Ed, porém em se tratando de um gênio, o álbum caiu no gosto e agradou boa parte dos fãs. Outra prova dessa liberdade foi o samba-jazz que embalou o excelente “Aystelum” (2005), um álbum inovador e enigmático para muitos e o “Dwitza” (2000), um álbum quase todo instrumental. Mas como tudo tem um preço, Ed acabou pagando com a popularidade (se é que posso chamar assim) e agora com o seu novo trabalho em cena, ele traz um som que nos remete aos bons tempos do "Manual Prático Para Bailes, Festas e Afins" (1997), “Conexão Japeri” (1988) e “Entre e Ouça” (1992).

“Piquenique” foi produzido pelo próprio Ed Motta, em parceria com Silveira, já nas canções a ajuda é da sua esposa Edna Lopes, autora de onze das 12 letras e que também é responsável pela arte gráfica. O ponto forte do álbum é à volta as origens do músico, flertando intensamente com o funk e o soul, sem falar da pegada pop que tanto marcou a carreira do Ed. O som e as letras soam perfeitamente, com um ar de espontaneidade e alegria do começo ao fim, tudo sob medida e nada exagerado, as letras são gostosas e grudentas, sendo impossível ouvir apenas uma vez. Com participações especiais da cantora Rita Lee na letra da música “Nefertite” e da Maria Rita na sensual “A Turma da Pilantragem” – faixa que celebra Wilson Simonal – em um dueto sensacional com o Ed. Apesar de o álbum soar descontraído, Ed preza pelo som sofisticado e arranjos elaborados, usando e abusando de teclados e piano, em uma mescla de instrumentos digitais e analógicos. A prova disso são as faixas “Carência No Frio", uma balada digna de aplauso e as canções “Nicole Versus Cheng” e “Compromisso” ambas trazendo uma pegada jazzística, maravilhosas. Um ponto forte do álbum que me chamou a atenção, é justamente a liberdade – no sentido de cantar de maneira solta e despojada – Ed nem parece um cantor consagrado, seu vocal soa e transmite alegria, principalmente nas faixas “Pé Na Jaca”, “Piquenique”, “Mensalidade” e “Bel Prazer”, músicas que certamente irão embalar boas festas.



“Piquenique” tem tudo para despontar nas paradas de sucesso, vem sendo aceito pela crítica de um modo geral e celebrado entre os fãs, o lamentável fica por conta da gravadora TRAMA, que está pecando no quesito distribuição, já que o CD não chegou a boa parte das lojas pelo país, esperamos que isso seja solucionado o mais rápido possível. Ed Motta mostra por que é um músico conceituado e reverenciado, volta para o cenário musical (se é que ele saiu algum dia), com um som refinado, agradável e delicioso, relembrando os bons tempos de “Fora da Lei”, “Manoel”, “Vamos Dançar”, “Daqui Pro Méier” e tantas outras, um álbum que não merece ser apenas ouvido e sim “degustado” da melhor maneira possível. Apreciem sem moderação !

Track List

01. Minha Vida Toda Com Você
02. Mensalidade
03. Pé na Jaca
04. Carência no Frio
05. A Turma da Pilantragem (com participação da Maria Rita)
06. Piquenique
07. O Mestre e o Aprendiz
08. Nefertiti
09. Compromisso
10. Bel Prazer
11. Nicole Versus Cheng
12. Tanto Faz

Ed Motta "Mensalidade" (Estúdio Ensaio)


Ed Motta "Pé na Jaca" (Estúdio Ensaio)


MySpace Ed Motta: Clique Aqui para ouvir as músicas
Site Oficial: Ed Motta