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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

"Us Against The World", novo clipe do projeto de Steve Harris


Por Daniel Faria

O baixista Steve Harris, acaba de lançar mais um clipe do seu projeto musical, British Lion. A música escolhida foi "Us Against The World". Confiram o clipe oficial.



Leia a resenha do álbum "British Lion" (2012) - Clique Aqui

terça-feira, 2 de outubro de 2012

This is my God, novo clipe do Steve Harris



Por Daniel Faria

Foi divulgado hoje (02) o primeiro clipe do projeto paralelo do baixista Steve Harris. A música escolhida foi a de abertura do álbum British Lion, This is My God.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Review: Steve Harris - British Lion (2012)


Por Daniel Faria 

Stephen Percy Harris, conhecido mundialmente como Steve Harris. Um cara que já possuiu o seu nome eternizado na história do metal. Harris trabalhou como desenhista arquitetônico em Londres, apaixonado por futebol e torcedor fanático do West Ham, tentou ser jogador de futebol, na década de 70 chegou a atuar nas categorias de base do seu time do coração. Baixista autodidata, Harris foi influenciado por inúmeros baixistas, sendo o Pete Way, do UFO, um dos seus favoritos e responsável por influenciar seu estilo de tocar e performance nos palcos. Porém a sua maior decisão, foi em 1975, quando fundou o Iron Maiden. Desde então tem sido não apenas um fundador, mais acima de tudo um líder, e vem conduzindo a banda há mais de 35 anos na estrada, fazendo do Maiden não apenas uma banda, mais uma religião, uma referência para qualquer um que se preze a tocar heavy metal. Nesse tempo todo de estrada segurando a banda com mãos de ferro, Harris passou por várias turbulências, desde o inicio ao ir contra ao ritmo da década de 70, enquanto todo mundo estava se rendendo ao punk rock, Harris dizia que queria fazer heavy metal. Muitos anos depois enfrentou a saída do vocalista Bruce Dickinson, passando por um período doloroso, porém não desistiu e se portou como um líder, não se importando com questões pessoais, mais apenas com a banda, até acertar a volta do Bruce novamente. Isso sem falar das suas composições, Harris é uma das mentes mais brilhantes quando o assunto é compor música, os clássicos do Maiden comprovam isso. Por tudo isso que foi dito, é de se supor que Harris não tem mais nada a provar, ele já uma lenda viva do heavy metal.

Apesar de não ser novidade, o lançamento de projetos paralelos ou solos de músicos consagrados, sempre que um é anunciado causa um alvoroço entre a mídia e os fãs. Quem é fã do Maiden, já passou por isso, com os lançamentos dos álbuns do Bruce, do Adrian e até mesmo do Blaze, mais ninguém esperava que o chefão anunciasse isso.

Quando British Lion foi anunciado, pouco a pouco as informações foram chegando, qual era a proposta do álbum e o qual a motivação do Steve Harris para esse projeto. O projeto em si, nada tem a ver com o Iron Maiden, nesse álbum, Harris voltou ao passado de certa forma, para homenagear as bandas da qual influenciaram ele e que serviram de base para o que ele foi ao longo dos anos, apesar disso, tinha uma expectativa ainda maior, pois era um álbum de inéditas. Em uma entrevista que eu li, Harris disse que esse projeto já estava sendo projetado há anos, só que por falta de tempo entre as turnês com o Iron, o projeto foi sendo deixado de lado, mais que agora finalmente havia chegado a hora de tira-lo do papel.

Para o projeto, Harris trouxe músicos até então desconhecidos de boa parte do público, como os guitarristas Graham Leslie e David Hawkins (responsável pelo teclado), o baterista Simon Dawson e o vocalista Richard Taylor.

British Lion (2012) é um álbum que não tem nada a ver com o Iron, então se você estava esperando isso, esquece. Isso me chamou a atenção, que apesar do fato do Harris já ser um cara consagrado e bem sucedido no que faz, ele encontrou motivação para criar algo novo, algo diferente do que ele já faz no Maiden, provando que ainda tem fôlego e vontade de explorar novas sonoridades. O álbum é todo pautado no hard rock, com uma pitada de heavy metal, mais bem de leve. A influencia não poderia ser outra, bandas de hard setentista, como Thin Lizzy, UFO, Judas Priest, Rainbow, entre outras que fizeram parte da vida do Steve.

Os dois guitarristas Graham e David, me surpreenderam, eles que fazem solos bem interessantes, riffs bem executados, com passagens pesadas e melodicas, tudo na medida certa, sem exageros. Já o vocalista Richard Taylor, esse sim, custou para eu começar a curtir, o timbre dele é totalmente diferente do Bruce, e pode causar estranheza nas primeiras audições, mais nada que dure por muito tempo.

O álbum traz dez faixas inéditas, e começa com o hardão “This is My God”, uma música que tem um excelente instrumental, e de cara da o tom do que lhe espera nas próximas canções, como não poderia ser diferente o som do contrabaixo do Steve Harris salta aos ouvidos, só que agora mais cadenciado, sem as cavalgadas, que abre espaço para linhas mais versáteis. “Lost Worlds”,surge com um hard mais moderno, com bons riffs de guitarra. “Karma Killer”, tem tudo para ser considerada uma das melhores do álbum, um hardão que começa a todo vapor, com as guitarras ao melhor estilo wah-wah e mais uma vez o contrabaixo do Harris saltando aos ouvidos. No vocal Richard se esforça, foi com essa música que comecei a curtir o timbre do vocal dele – depois de ouvir algumas vezes – ele cadencia com maestria, alterando entre momentos que existe um tom mais agressivo. Na sequencia, “Us Against The World”, uma das músicas que traz uma pegada setentista, com um excelente duo das guitarras e o Harris fazendo um som próximo ao que faz no Maiden. A música oscila entre momentos cadenciados e um refrão pesado. “The Chosen Ones” nos remete ao som do Thin Lizzy, um hard rock clássico, bem animado e sem exageros, e que tem um refrão bem grudento. “A World Without Heaven” é outra música que surpreende, uma canção com uma linha melódica muito bem trabalhada, desde o vocal do Richard, o duo de guitarra perfeito, com boas passagens melódicas, um solo impecável, onde Harris também parece se sentir em casa. O som segue em alto estilo com “Judas”, um hardão com muita pegada, destaque para as várias mudanças no decorrer dela, na metade ela muda de tal forma que beira o som acústico, uma boa música. “Eyes Of The Young”, um hard pop, animadinho, com um violão ao fundo, destaque para o Richard, que tem uma boa performance. Em “These Are The Hands”, a banda tenta embalar mais um hard com peso, mais é uma música com pouca expressão diante das outras. O álbum encerra com a balada “The Lesson”, uma música agradável, com direito a violinos ao fundo, e Richard cantando calmamente, o instrumental não traz nenhuma novidade.

Como disse no inicio, British Lion (2012) causou um alvoroço ao ser anunciado, se as expectativas em torno dele foram as melhores, não se sabe. É um álbum que está longe de ser surpreendente, mas é bom dentro da proposta do projeto, tem boas músicas, o instrumental é bom, embora alguns momentos soou mais AOR do que hard rock. No geral ponto positivo para o Harris, que mesmo em meio a exaustivas turnês com o Maiden, conseguiu um tempo para tirar o seu projeto do papel, e ainda mais por explorar novas sonoridades. Como fã do Maiden, embora eu ache que isso seria impossível, gostaria de ouvir algumas músicas na voz do Bruce Dickinson, com certeza ficaram ainda melhores. E por fim, hoje foi anunciado o vídeo clipe da música “This is my God”, que será publicado amanhã (02) na internet. É aguardar. Boa Audição.

01. This Is My God
02. Lost Worlds
03. Karma Killer
04. Us Against The World
05. The Chosen Ones
06. A World Without Heaven
07. Judas
08. Eyes Of The Young
09. These Are The Hands
10. The Lesson

 Site Oficial: Steve Harris British Lion

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Ouça o álbum "British Lion" na íntegra!

Como anunciado ontem no site steveharrisbritishlion.com, o novo e tão esperado álbum do baixista e dono do Iron Maiden, Steve Harris, está disponível a partir de hoje, 20 de setembro, para ser ouvido na integra. O lançamento oficial do álbum "Britosh Lion", está previsto para 24 de Setembro. Já no Brasil a previsão é para o dia 5 de Outubro.

"British Lion" possui 10 faixas e contou com Kevin Shirley capitaneando as mixagens - cujos créditos incluem o Iron Maiden, bem como Led Zeppelin, Journey e Rush entre muitos outros – além de Steve Harris no baixo, completam a banda: Richard Taylor (vocal) David Hawkins (guitarra, teclados), Grahame Leslie (guitarra) e Simon Dawson (bateria).

Sem mais delongas, ouça o álbum na integra e mate a sua curiosidade.

   

Fonte: Blog Flight 666

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

RockHard: Entrevista com Steve Harris


Por: Jan Jaedike / RockHard - Alemanha
Tradução: Igor Soares / Blog Flight 666


Um projeto paralelo de Steve Harris era a última coisa que os fãs do Iron Maiden poderiam esperar. Mas do que se trata "British Lion"?

Seria muito fácil para o fundador do Iron Maiden compor e gravar músicas no estilo de sua banda, porém, sem o seu parceiro Bruce Dickinson. Ou então canções inspiradas pelas influências musicais que ele tinha quando deu seus primeiros passos, especialmente do mundo do rock progressivo, como Jethro Tull e Genesis. Mas a verdade é que "British Lion" soa bem diferente. Imagine uma banda de hard rock pouco antes do início da década de 90, tentando se adaptar em meio a onda mais alternativa do grunge, mas sem se afastar de suas raízes musicais.

Algumas músicas até poderiam estar em um show do Iron Maiden. Os fãs da banda vão achar interessante, mas vão encontrar algo diferente. O músico que compôs algumas das melhores músicas do Heavy Metal, está determinado a explorar algo realmente diferente.

Estamos em Bristow, Virgínia, perto da capital dos EUA, Washington. A turnê do Iron Maiden intitulada "Maiden England", está passando por diversas arenas americanas. No local do show, nos bastidores, em meio a passagem de som de Alice Cooper e entrada dos espectadores da primeira fila, eis que aparece Steve Harris. Desde 1975, hoje com 56 anos de idade, uma presença constante por trás da maior banda de Heavy Metal de todos os tempos. Nossa conversa começa assim:

Steve Harris: Alguém da RockHard! Recentemente eu vi sua revista no Brasil. Quantas vezes você já ouviu o "British Lion"? Umas cinco vezes?

RockHard: Você nunca havia gravado um álbum solo.

Steve Harris: Exatamente. Até agora, havia gravado apenas algumas músicas do “Calm Before The Storm” (2008), álbum da minha filha, Lauren.

RockHard: Como você decidiu após 36 anos, fazer algo diferente, fora do Iron Maiden?

Steve Harris: O disco deveria ter saído bem antes, mas levamos um longo tempo para concluir o "British Lion". Meu tempo era bastante limitado por causa dos muitos compromissos com o Iron Maiden. Era quase impossível fazer algo paralelo. Por exemplo, estamos de volta em turnê e ela vai continuar por algum tempo. Mas mesmo quando não estou em turnê, há sempre muita coisa a ser feita da minha parte em nome do Maiden. Meus colegas do "British Lion" são muito pacientes.

RockHard: O álbum se chama "British Lion" e será lançado com o seu nome. Mas, enquanto isso, você sempre chama todo o projeto de British Lion. É uma banda ou o projeto solo de Steve Harris?

Steve Harris: Começou como um trabalho solo, mas agora somos uma banda, e isso me deixa mais confortável. Eu não acho que a música deva se resumir apenas ao baixo e a mim. Teríamos um resultado muito estranho (risos). É uma banda normal, embora eu esteja compondo as músicas. Atualmente todo o projeto funciona com o meu nome, mas com o passar do tempo teremos British Lion como um nome definitivo.



RockHard: Para este projeto você trabalhou com músicos desconhecidos, mas a maioria são da sua idade, da sua mesma geração.

Steve Harris: Eles se dão muito bem juntos e nos conhecemos a muito tempo. O Grahame Leslie (guitarra) tem a minha idade, o David Hawkins (guitarra /teclados), mais ou menos 40, nosso baterista Simon Dawson, em algum lugar entre... bom, eu não quero revelar sua verdadeira idade (risos) e o vocalista Ritchie Taylor tem 50, mas todos os dias ele corre 8 milhas, então parece que tem 40, mas canta como se tivesse 30. Ele está em excelente condição.

RockHard: Havia muitas informações sobre as gravações de "British Lion". E algumas músicas vazaram na internet com a informação de que eram da primeira demo, gravada em 1992. Também nessa época você produziu uma banda chamada British Lion.

Steve Harris: Já se passou tanto tempo? Não pode ser verdade (risos). Mas nunca esqueça da internet. Na verdade, agora eu fico apavorado (risos). Eu achava antes que eram 10, 15 anos, mas 20? Nossa! Naquela época, eu era o produtor, e algumas músicas foram registradas. Mas quase ninguém sabia. Tocaram apenas em alguns pequenos shows, particularmente em Portugal. Depois de algum tempo, a banda se separou, algo que não devia ter acontecido, porque muitas músicas eram ótimas. Seria uma vergonha permanecer na obscuridade.

RockHard: Então, há alguns anos, a banda foi reformulada com você permanentemente na posição do baixo, e isso foi mantido em segredo. Algumas das músicas de 20 anos atrás, lá do começo, continuam no repertório, como "Eyes of the Young". O disco dá a impressão de que há músicas de diferentes períodos. Isso significa que elas foram todas compostas em anos diferentes, de forma ascendente?

Steve Harris: Sempre trabalhamos as músicas separadamente, mas nós não estávamos no estúdio. Você está absolutamente certo sobre o fato de que algumas canções foram escritas há muitos anos. Algumas músicas são resultado da atual formação e não das antigas. Com outros caras fazendo toda a relação destes anos. Eu queria dar fôlego para a banda outra vez, então eu peguei o baixo como um membro permanente e assumi total responsabilidade pelo projeto. Embora tenha levado muito tempo para obter tudo em uma linha.



RockHard: Qual a importância do nome "British Lion"? Pergunto por que sua música poderia ser facilmente descrita como global.

Steve Harris: O nome é bem dinâmico. Eu lembro que desde a primeira vez que trabalhei com eles, já queria manter no nome. Pensamos que você deve ter orgulho de sua herança. Mas deve fazer isso de forma positiva e não errar, como muitos fazem, usando a herança para reduzir aos outros. Eu vejo isso como no futebol, através de uma concorrência saudável e não como uma declaração política. A arte do disco é uma criação minha (Steve trabalhou como ilustrador na década de 70, o logotipo do Iron Maiden foi criado por ele). Eu tinha tantas ideias para este projeto e eu não conseguia colocar em prática, agora finalmente eu posso (risos)!

RockHard: Você realmente gostou do baixo em todas as músicas?

Steve Harris: Sim, por que?

RockHard: Você é autodidata no baixo. Então, sempre irão creditar as características do Iron Maiden ao seu estilo, é uma marca registrada, como se não pudesse fazer mais nada.

Steve Harris: Eu tentei algumas coisas novas neste álbum. Acima de tudo, o som é muito diferente do Maiden e da abordagem que eu tenho com a banda, não irá corresponder a qualquer coisa. Mas eu acho que as pessoas vão me reconhecer tocando, embora em um estilo diferente.

RockHard: A música "Us Against The World", é, na minha opinião a que possui maiores semelhanças com as suas gravações com o Iron Maiden.

Steve Harris: Então, exatamente. E "A World Without Heaven" tem alguns elementos do Maiden também.

RockHard: Todo mundo automaticamente lembra da sua banda principal quando ouve guitarras duplas, apesar de você gostar muito dessa sonoridade bem antes da fundação do Iron Maiden.

Steve Harris: Exatamente. Acho que o "British Lion" tem suas raízes no rock mainstream dos anos 70. Em "The Chosen Ones", dizem, que lembra muitos elementos do UFO e que se assemelha também ao The Who.

RockHard: Estas canções serão tocadas ao vivo?

Steve Harris: Com certeza. Mas ainda estamos planejando como serão os shows. Até agora, poucas pessoas ouviram falar da nossa música. Devemos esperar a reação das pessoas. Ninguém nos conhece ainda, os promotores não sabem o que dizer para as pessoas. Eu aconselharia a fechar clubes para 200 pessoas? Para 500? Eu devo ser realista...

RockHard: Então, você está pronto, depois de todos esses anos com Iron Maiden, para começar do zero outra vez?

Steve Harris: No começo, pode ser que apenas 20 pessoas paguem pelos ingressos (risos). Eu ficaria muito satisfeito se 200 fãs fossem a um show do "British Lion". Francamente, seria fantástico. As pessoas a mais seriam um bônus.

RockHard: Sobre tocar ao vivo, você não tem feito isso com outro vocalista que não seja Bruce Dickinson já faz um longo tempo;

Steve Harris: O Ritchie é fantástico. Eu vi a banda ao vivo, e entre outras coisas temos tocado muitas vezes as músicas juntos, então eu não tenho preocupações. Ritchie tem muita confiança em si mesmo.

RockHard: Você parece estar muito impressionado com Ritchie, ele poderia ser uma boa opção se Bruce Dickinson decidir sair outra vez?

Steve Harris: Hahaha! Não, a voz de Ritchie não combina com o Iron Maiden. Devemos separar as coisas, apesar dele ser um excelente vocalista.

RockHard: E Blaze Bayley do Wolfsbane? Pareceu genial em sua época.

Steve Harris: Sim, você está certo (Risos - de uma forma que mostra que ele quer terminar este assunto rapidamente).

RockHard: Você disse que algumas músicas de "British Lion" são bastante longas.

Steve Harris: Basicamente, "The Chosen Ones" e "A World Without Heaven" são bem longas. "Eyes Of The Young" também não é pequena, embora seja provavelmente a música mais comercial. Mas tem algumas coisas que a tornam muito diferente dos temas clássicos do Iron Maiden. Eu não dou qualquer importância ou assumo quaisquer compromissos para ter um formato diferente.

RockHard: Mesmo que alguns títulos de músicas possam ter uma direção diferente do Maiden. Você escreve as letras? No Maiden você é responsável pela maioria das letras...

Steve Harris: Sim, naturalmente. O Ritchie escreve algumas letras e escreve bastante. Eu e ele nos completamos muito bem. Então, surgem alguns temas que você não esperaria. Quando, por exemplo, eu escrevo para o Maiden, e eu não escrevo muitas vezes sobre o amor (risos). Mas há canções em "British Lion" assim, canções sobre religião e envelhecimento também.

RockHard: Algumas canções ganham uma melancolia aparente e parecem ter sido escritas a partir da perspectiva de alguém que reconhece, em retrospecto, que teve muitas oportunidades em sua vida, e as jogou no lixo.

Steve Harris: Trata-se de ver as coisas de maneira diferente agora, do que quando você era jovem. "Phantom Of The Opera" do Maiden, eu escrevi quando tinha 19 anos e eu acho que eu não poderia escrever novamente nos dias de hoje, da mesma forma que eu não poderia escrever uma música como "When The Wild Wind Blows", quando eu tinha 19 anos de idade. Isto pode ser transferido para aspectos da vida inteira. Quando eu olho para algumas coisas que fiz no passado, eu percebo que tenho melhorado muito. Me reconheço, mas eu sou uma pessoa diferente agora. Eu acho que sou muito maior do que você, mas certamente teria feito coisas que, em retrospecto, você olharia com estranheza. Isso é perfeitamente normal.


RockHard: A faixa "Judas", tem uma letra um pouco óbvia.

Steve Harris: Muitas pessoas pensam que é uma canção de amor.

RockHard: O que passou pela minha mente foi algo sobre divórcio.

Steve Harris: Fala um pouco sobre religião, especialmente alguém que confia e, em seguida, deixar de acreditar.

RockHard: Assim, o título não é tão metafórico. De fato, as letras são mais diretas do que as dos Maiden.

Steve Harris: Com "British Lion" existem diferentes abordagens. O Ritchie escreve abertamente e de maneira menos confusa do que eu. Eu expresso tais sentimentos de maneira intensa nas minhas músicas, as vezes tentando domá-los.

RockHard: Como tinha feito em "The X Factor", escreveu sobre a separação de sua esposa então....

Steve Harris: Sim, você pensa em temas e os transforma em um roteiro. Neste caso, no entanto, devemos olhar mais profundamente para entender o conteúdo real. Geralmente eu acho que é importante que cada ouvinte tenha a sua própria interpretação de uma peça, mesmo que seja diferente do que a pessoa que escreveu quer dizer, como fez, por exemplo, no caso de "Judas".

RockHard: "The Chosen Ones", musicalmente, soa mais otimista e positiva. Sobre o que fala a letra?

Steve Harris: Você pode vê-la assim. Ela tem uma vibração "Quadrophenia" (The Who). Falando sobre as crianças brincando na rua e coisas assim. Comparado com a maioria das outras músicas, você está certo. Muitos delas são apenas "tristes". Eu não diria que eu sou o homem mais feliz do mundo (risos).

RockHard: Você já escreveu uma canção feliz?

Steve Harris: Sim, alguns lados B do Iron Maiden, já fizemos algumas coisas realmente divertidas, como o nosso manager (risos).

RockHard: Havia um boato de que alguém queria o Iron Maiden fazendo um remix de "I'm Forever Blowing Bubbles", o hino do seu time de futebol favorito, o West Ham United. Foi uma ideia um pouco boba para você?

Steve Harris: Alguém teve essa idéia, mas seria inútil para o Iron Maiden fazer algo parecido com isso, então eu deixei para o Cockney Rejects.

RockHard: No entanto, vocês foram convencidos a fazer uma versão de "Women in uniform" do Skyhooks, que não era tão legal.

Steve Harris: A versão foi um sucesso, mas eu não estava feliz com a produção.

RockHard: Me lembro de comprar o single, apenas pela capa meio punk rock com Margaret Thatcher, mas eu achei a música boa (risos de ambos). Falando sobre o passado: Você ainda acompanha alguma banda que você gostava quando era adolescente?

Steve Harris: Continuo ouvindo minhas bandas favoritas. Eu sempre fui assim, embora seja mais difícil agora, na sua velhice (risos). Eu comecei a escrever música nos anos 70, e sou muito sortudo, pois cresci nesse período. A música era diversa e complicada e havia muitas coisas legais.

RockHard: Se você dissesse 10 ou 20 anos atrás que gostava de Genesis e Jethro Tull, isto causaria grande surpresa para os fãs do Iron Maiden. Atualmente, contudo, há uma grande atenção voltada para a música retrô.

Steve Harris: A verdade é que eu nunca me importei com o que as pessoas pensavam sobre o meu gosto musical, e com o passar dos anos, eu realmente não dei qualquer importância para isso. Eu não tenho de provar nada. Eu não estou interessado em estar na moda. Eu tentei fazer o "British Lion" para contribuir com algo que está no estilo dos anos 70, e não só musicalmente, mas também com um pouco da ética e integridade desse período. Talvez a minha ideia seja simples, mas pelo menos eu queria fazer acontecer (risos). E com o Iron Maiden, as coisas não são diferentes.

RockHard: Muitas das bandas que começaram com o Iron Maiden, continuaram suas carreiras. Você, por exemplo, ouviu o novo álbum do Angel Witch?

Steve Harris: Eles ainda existem? Não, eu não sei nada sobre este álbum! (Risos) Ok, estou brincando! É claro que eu ouvi, já que muitas vezes tocamos no mesmo clube. Enfim, eu certamente vou comprar o seu novo álbum. Mas eu gosto de bandas mais novas. Eu amo o último álbum do Nightwish. Os fãs antigos podem não concordar comigo, mas eu acho que a nova vocalista é melhor que a anterior! É impressionante como a banda se transformou em algo completamente diferente. O Nightwish é muito maior agora, já era bom antes. Esse cara (Tuomas Holopainen) é um compositor extremamente talentoso. Está fenomenal agora!

RockHard: Você deve gostar dos elementos mais progressivos dos discos com Anette Olzon.

Steve Harris: Sim, sinfônico e progressivo. Mas, acima de tudo, eu amo a voz dela. Acho que já deveria ter começado a conversa entre os fãs (risos)!

RockHard: O Nightwish com este line-up e este estilo agora é maior do que nunca. Isso significa que eles irão continuar a seguir este direcionamento musical.

Steve Harris: Exatamente. E a outra menina era boa, mas ópera é demais para o meu gosto. O romance é mais humano, mais real.

RockHard: Você escreve músicas desde os anos 70. Você deve possuir um arquivo enorme...

Steve Harris: Tenho toneladas de material em casa. Mas não são músicas completas. Somente peças separadas, mas é um volume incrível... Eu poderia gravar uns 10 álbuns. Pelo menos! Eu não estou preocupado se minha criatividade vai acabar com o tempo. Tudo o que você precisa é de tempo para trabalhar e ter as condições para que isso aconteça. E eu não tenho muito tempo.

RockHard: Você disse que há músicas antigas inacabadas em seu arquivo, há rumores de que você tem algumas demos misteriosas com Paul Di'Anno que não foram aproveitadas.

Steve Harris: Exatamente. E é por isso que não deu certo. Não era bom, não foi terminado. Então acabou, e ele saiu.

RockHard: Você pensa em fazer algo com o material do Gypsy's Kiss e do Smiler? Suas bandas antes do Iron Maiden despertam o interesse de muitos fãs.

Steve Harris: Eu tenho várias gravações ao vivo de ambas as formações, mas eu não acho que seja necessário que elas vejam a luz do dia.

RockHard: É tão ruim assim?

Steve Harris: Não, não (risos). Se você for pensar sobre isso, as músicas eram bem legais, mas a qualidade do som era muito pobre. E pensar no que nós usamos para as gravações. Do ponto de vista sintético, por outro lado, há alguns momentos muito importantes, como a versão original de “Innocent Exile” do Iron Maiden.

RockHard: Que era do Gypsy's Kiss, certo?

Steve Harris: Exatamente. Não a canção inteira, mas o riff principal é o mesmo.

RockHard: Gypsy's Kiss é uma expressão do dialeto Cockney e significa "Xixi", certo?

Steve Harris: Sim, é uma gíria Cockney (Habitante do East End de Londres). "To take the Gypsy's", significa que você vem dali, mas que vai mijar! Hahaha!

RockHard: Por ocasião de sua atual turnê "Maiden England", o Iron Maiden reeditará o lendário vídeo ao vivo de 1989 em DVD, como você fez com o "Live After Death"?

Steve Harris: Sim, vamos fazer. O DVD será lançado no primeiro semestre de 2013. Se tivermos tempo, poderá até mesmo ser lançado ainda este ano. No VHS, tínhamos apenas 90 minutos de tempo, por isso tivemos de deixar de fora o material extra. Como você sabe, eu tenho um monte de trabalho pela frente!

RockHard: Não parece estar pensando em "aposentadoria". Mas o que passou pela sua mente quando o Judas Priest anunciou que está se aposentando?

Steve Harris: É triste. Eles são um pouco mais velhos que o Iron Maiden, mas é sempre difícil ouvir que uma banda que é tão grande, está parando. Espero que eles mudem de opinião, porque isso seria o final de uma era. Você sabe, Richie Faulkner está tocando com eles, ele tocava na banda da minha filha. Espero que dê um impulso para continuar. É um compositor muito bom. Talvez consiga trazer mais união pra banda.

RockHard: Espero que o Maiden tenha pelo menos mais um álbum para todos nós!

Steve Harris: De qualquer maneira. Eu não sei quanto tempo vai demorar, mas vamos lançar mais discos.

RockHard: Estou muito feliz em ouvir isso.

Steve Harris: Minha esposa tem uma opinião diferente (risos). Estima-se que tenhamos mais dez anos, mas eu vou tão longe quanto forpossível.

RockHard - Alemanha (Setembro/2012)

Fonte da Entrevista: Blog Flight 666

Fonte (Imagens): Collectors Room