quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Miles Davis

1970 - Bitches Brew
Gênero: Jazz / Fusion



Miles Davis foi um dos mais completos músicos de todos os tempos, sua colaboração na história da música pode-se dizer que é incalculável. O trompetista conseguiu criar um capitulo à parte dentro do jazz, reinventou o jazz, aperfeiçoando, adicionando novos elementos, resumindo, Miles Davis era um músico a frente do seu tempo, um camaleão musical.

Miles Davis iniciou sua carreira dentro do bebop e ao longo dos anos, usando toda sua genialidade e habilidade, o trompetista revolucionou ao criar o cool jazz, jazz modal, jazz-rock e o fusion. Pode-se dizer que a carreira do trompetista foi dividida por fases. Porém vamos nos limitar aos anos 60 e começo dos anos 70, na época, no final da década de 60 as influências do Miles Davis incluíam músicos da cena acid rock - rock psicodélico que se caracteriza por longos solos instrumentais – como, por exemplo, Jimi Hendrix e também músicos do funk, como James Brown e Sly and the Family Stone. Em 1969 o trompetista gravou o excelente álbum “In a Silent Way” e que já mostrava certa revolução, uma delas foi à questão dos músicos, Miles que já dispunha de um quinteto, resolveu aumentar o numero de músicos e para isso trouxe os pianistas/tecladistas Herbie Hancock, Chick Corea e Joe Zawinul, o guitarrista John McLughlin e o saxofonista Wayne Shorter. Ainda 1969, logo depois da gravação do álbum, o baterista Tony Willians deixa o grupo e entra em seu lugar o baterista Jack Dejohnette, porém essa não foi apenas a única mudança, na verdade Miles continuou chamando outros músicos.

Em 1970 Miles Davis lança o revolucionário “Bitches Brew” e que marca uma nova fase na sua carreira e na história da música. Esse álbum é uma especie de produto final, já que nos álbuns anteriores o trompetista já estava realizando algumas experiências. Em se tratando de Miles Davis, o resultado não poderia ser melhor, o jazz-rock criado pelo trompetista era algo inovador para a época, Miles teve a chance de tocar ao lado do Jimi Hendrix, infelizmente esse encontro nunca aconteceu, devido à morte do guitarrista. Com esse álbum Miles foi o unico jazzista a tocar em um festival de rock. Porém Miles Davis não apenas reforçou ainda mais o seu nome no cenário, como abriu as portas para novos músicos, como por exemplo, Jaco Pastorius (baixista), Pat Metheny (guitarrista), Chick Corea (tecladista/pianista) e tantos outros. Com a mistura do jazz com o rock, o gênero logo ganhou novos adpetos, principalmente entre os jovens. Mas nem tudo foi fácil para Miles Davis, muitos músicos da época, que não tinham uma visão do futuro, passaram a criticar o trompetista.

O álbum foi lançado na versão dupla e teve a capa desenhada pelo artista alemão Abdul Mati Kalrwein, que depois disso passou a ser requisitado por vários artistas, entre eles, Santana e Hermeto Pascoal. São 93 minutos de um jazz-rock frenético e inspirador, Miles Davis mais uma vez mostra sua habilidade em moldar a música conforme a sua vontade e claro tudo isso com o apoio dos músicos excelentes que o trompetista chamou. No repertório “Pharaoh’s Dance”, “Bitches Brew”, “Miles Runs The Voodoo Down”, entre outras.

Nos anos seguintes, Miles gravou alguns álbuns, porém essa fase foi encerrada em 1972,mas em se tratando do Miles Davis, logo deu inicio a outra fase, ainda mais controversa e revolucionária. Gostaria de falar muito mais, mais nas postagens do Miles, tento encaixar o álbum em um contexto (época), mais você pode ler a Biografia do trompetista e conhecer os álbuns da próxima fase, inclusive aqui mesmo no Jazz e Rock, você irá encontrar alguns. Boa Audição !

Disco 1

1.Pharaoh’s Dance
2.Bitches Brew

Disco 2

1.Spanish Key
2.John McLaughlin
3.Miles Runs The Voodoo Down
4.Sanctuary
5.Feio

Site Oficial: Miles Davis

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Daniel Santiago

2006 - On The Way
Gênero: Jazz / MPB / Música Instrumental Brasileira


Conheci o trabalho do Daniel Santiago através de um comentário do também violonista Márcio Faraco. Daniel iniciou sua vida musical aos 7 anos, passando por vários estilos como: choro, MPB, Rock e Jazz. Fundou com Hamilton de Holanda e Rogério Caetano o elogiado “Brasília Brasil Trio”, com o qual lançou o disco “Abre Alas” pela gravadora Velas no ano de 2001. Com Hamilton de Holanda quinteto participou de festivais nos Estados Unidos, França, Itália, Espanha, Holanda, Portugal e Córsega além das principais capitais do Brasil. Daniel acompanhou em 2001, 2002, 2003 nos shows de encerramento do “Clube do Choro de Brasília", o grande músico Hermeto Pascoal e já se apresentou ou gravou com os seguintes artistas : João Bosco, Ivan Lins, Djavan, Toninho Horta, Maria Betania, Ney Matogrosso, Flávio Venturini, Guinga, Ed Motta, Leila Pinheiro, Dominguinhos, Zélia Duncan, Dudu Nobre, Dona Ivone Lara, Bily Blanco, Adriana Calcanhoto, Miúcha, Elza Soares, Carlos malta, Rita Ribeiro, Leo Gandelman, Pagode Jazz Sardinha´s Club, Garrafieira, Choro na Feira, Lula Galvão, Yamandú Costa, Arismar do Espírito Santo e outros, internacionais: Jonh Paul Jones (Led Zeppelin), Didier Lockwood, Richard Galiano, Linley Marthe, Felipe Cabrera. Também produziu o disco de Gabriel Grossi (Arapuca - Delira Music) e Juntos, excursionaram pela França e Itália, Irlanda. Com o instrumentista Carlos Malta se apresentou para o “Projeto Pixinguinha” em 2004 no Brasil e 2005 em Paris. Daniel participou de documentários como: “Quebrando Tudo” sobre Hermeto Pascoal, “O Prazer de Tocar Juntos” sobre a nova geração de músicos de Brasília, “Mandolins Attack” e “Vinicius de Moraes" (documentário francês sobre o poeta).

“On The Way” (2006) é o primeiro álbum solo gravado pelo violonista e contém nove composições escritas e arranjadas por ele. No repertório as excelentes “On The Way”, “Homesick”, “Old Times” e duas músicas que prestam uma homenagem aos grandes violonistas brasileiros como Toninho Horta e Guinga em “Horta e Guinga” e Baden Powell em “Tribute to Baden”. Daniel Santiago (violão) é acompanhado pelos músicos André Vasconcellos (baixista) e Márcio Bahia (bateria). Boa Audição.

Track List

01. Viewpoint Listen
02. On the Way Listen
03. Memory Listen
04. Horta & Guinga Listen
05. Tribute to Baden Listen
06. Homesick Listen
07. Plateau Listen
08. Old Times Listen
09. New Generation Listen

Hamilton de Holanda & Daniel Santiago


Site Oficial: Daniel Santiago

A Biografia do Daniel Santiago foi retirada do site Clube do Choro

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Review: Iron Maiden - "The Final Frontier" (2010)


Artista: Iron Maiden
Título: The Final Frontier
Gênero: Heavy Metal
Ano de Lançamento: 2010
Selo/Gravadora: EMI
Site Oficial: Iron Maiden
Avaliação do Blog: (5 Estrelas)

Desde que foi anunciado o lançamento do 15º álbum de estúdio do Iron Maiden, os fãs e a mídia especializada aguardaram ansiosamente por alguma novidade. O lançamento estava previsto para o segundo semestre de 2010 e no decorrer dos meses a expectativa aumentou ainda mais quando o Iron Maiden decidiu disponibilizar em seu site oficial o primeiro single do álbum: “El Dorado”. Na ocasião houve até contagem regressiva no site e não precisa dizer que o congestionamento foi inevitável. O mundo inteiro queria ouvir a nova música da Donzela de Ferro. Pouco tempo depois outra novidade, a banda disponibilizou o primeiro vídeo clipe com a música “Satellite 15...The Final Frontier”. O clipe muito bem produzido por sinal.

Eu tive a oportunidade de ouvir e não me arrependo nem um pouco por isso. E desde o momento que ouvi, senti a necessidade de expor minha opinião sobre o álbum. Resolvi postar a resenha hoje, dia 16 de Agosto, por ser a data do lançamento oficial do álbum.

Li em alguns sites que a gravadora EMI promoveu um evento para audição do álbum, onde muitos jornalistas estiveram presentes. Depois disso choveu análises de todos os lugares do mundo, falando sobre “The Final Frontier”, aos poucos o mistério ia sendo revelado. E uma semana antes do lançamento oficial, aconteceu o inevitável: o vazamento do álbum na internet.

O álbum “A Matter of Life and Death” (2006) foi o último lançado pela banda e me agradou muito pela sonoridade e as letras, claro que eu não esperava nada igual aos clássicos dos anos 80, mas de certa forma fiquei satisfeito com o que eu ouvi. Desde o “Brave New World” (2000), que contou com a volta do Bruce e do Adrian, o Iron vem numa mudança constante, talvez por que não precisam provar mais nada a ninguém e também por que as pessoas mudam e consequentemente suas ideias, é o curso natural da vida. O fato é que “The Final Frontier” soa tão desafiador e inovador, quanto os álbuns “Brave New World”, “Dance Of Death” e “A Matter of Life and Death”.

Porém o primeiro impacto foi sentido logo no lançamento da capa, que foi divulgada na internet um tempo antes dos outros materiais. Esqueça o Eddie dos álbuns anteriores, o mascote criado por Derek Riggs e que ficou conhecido de várias formas, entre elas o ciborgue e o morto vivo, agora no desenho elaborado por Melvin Grant, o mascote mais conhecido do heavy metal, ganha traços alienígenas, no melhor estilo predador.

Em relação às músicas a Donzela novamente surpreendeu, tanto no instrumental quanto nas composições bem elaboradas. Segue abaixo uma breve resenha faixa-a-faixa.

01.Satellite 15...The Final Frontier: (Harris/Smith) Foi a segunda música divulgada pela banda, junto com o vídeo clipe. Assim como “Aces High”, “Be Quick Or Be Dead” e “The Wicker Man”, não é dificil imaginar que talvez essa seja a escolhida para abrir os shows do Iron na proxima turnê. Os 4 primeiros minutos soam estranhos demais, uma mistura instrumental com guitarras distorcidas, baixo e batera em um som alucinante, isso sem falar do Bruce que entra cantando em meio ao turbilhão sonoro. Em seguida a música começa com uma levada bem hard rock, o peso é inevitável, as guitarras surgem com riffs bem estruturados e um solo marcante, e claro Bruce Dickinson com um vocal cada vez mais preciso, oscilando em uma linha melodica e agressiva.

02.El Dorado: (Harris/Smith/Dickinson) Os fãs já estavam familiarizados com essa música, afinal foi o primeiro single do álbum. Começa com o peso das guitarras e a batera de Nicko McBrain, em seguida entra uma das marcas registradas do Iron Maiden, aquele som cavalgado, eis que surge o baixo preciso de Steve Harris acompanhado pelas guitarras. A música passa por momentos diferentes, o começo forte e pesado, até entrar em um refrão melódico, onde Bruce mostra mais uma vez toda sua técnica, o solo apesar de muito bem executado, não apresenta nenhuma novidade. O interessante é o final, digamos ao melhor estilo clássico.

03.Morther Of Mercy: (Harris/Smith) Lembra e muito as músicas do álbum “A Matter of Life and Death”, por dois motivos, o instrumental e a temática da letra: guerra. Sem falar que por mais diferente que ela possa ser, é uma música que tem a “cara” do Iron Maiden. O inicio é marcado pela guitarra melódica, uma intro muito bem feita, a voz do Bruce aparece de maneira suave, com um ar sombrio, porém bem melódico, a música até parece uma balada, mas não se enganem. Novamente o Iron usa e abusa do peso, a música ganha outra direção, com muita pegada, riffs bem colocados, viradas precisas de Nicko McBrain, o baixo marcante de Steve Harris e a letra com um refrão grudento, uma marca registrada do Iron.

04.Coming Home: (Harris/Smith/Dickinson) Pode ser considerada como a primeira balada do álbum, uma melodia bem sutil, que oscila durante toda a música, o inicio bem cadenciado e depois de um refrão impecável, a música ganha um toque mais pesado, mas nada exagerado. Essa música é outra que podemos chamar de “marca registrada”, o solo é emocionante, melodia pura. Certamente irá agradar a todos, sem dúvida uma das melhores do álbum.

05.The Alchemist: (Harris/Gers/Dickinson) Uma surpresa até certo ponto esperada, se é que posso dizer assim. Essa música nos remete aos velhos tempos, lá nos anos 80. Um heavy metal tradicional clássico, com um andamento bem mais rápido, guitarras, baixo e bateria a mil por hora, Bruce cantando com muita propriedade e relembrando os bons tempos. Uma música que se encaixaria muito bem no álbum “Powerslave”.

06.Isle Of Avalon: (Harris/Smith) A introdução dessa música lembra e muito as do álbum “Seventh Son Of A Seventh Son”, primeiro por causa do ritmo acelerado, é possível ouvir com clareza o baixo do Steve Harris e a bateria de Nicko McBrain em uma batida sincronizada, enquanto Bruce surge com uma voz em um tom baixo e cadenciado, a música segue o mesmo ritmo por alguns minutos, porém o tom de voz de Bruce sobe ainda mais, até que a música muda completamente e ganha um tom bem mais pesado e acelerado, destaque para o desempenho do Bruce, inquestionável. O solo começa em meio a um som bem progressivo, Nicko McBrain simplesmente mandando muito bem, enquanto o solo de guitarra é executado. Depois do solo a música oscila, são 9 minutos de um heavy metal frenético e muito bem tocado. Não comparando, mais essa música lembra alguns pontos da “Paschendale” (álbum Dance of Death). “Isle Of Avalon” merece um destaque a mais no álbum.

07.Starblind: (Harris/Smith/Dickinson) Abre com uma introdução curta, melódica, com Bruce cantando em um tom mais baixo, até que o peso das guitarras muda completamente o sentido da música, transformando em um heavy metal bem pesado e com a mesma pegada melódica do inicio. O destaque vai para Adrian, Dave e Janick, os três estão perfeitos, executando os solos com muita maestria e sem atropelamentos, cada um contribui da melhor forma possível e o resultado não poderia ser melhor. “Starblind” lembra as musicas do “Brave New World”, não possui uma sequencia lógica, a música parece que vai ganhando forma conforme é executada, essa é a sensação.

08.The Talisman: (Harris/Gers) Começa com toque folky, sombrio e misterioso, Bruce com toda sua experiência, canta cada palavra em um tom sinistro, como se estivesse contando uma história de magia e terror. Quando menos se espera a banda surge com todo peso, Bruce que cantava calmamente, muda completamente para um vocal agressivo e melódico, em um tom muito mais alto, acompanhado pelos riffs de Adrian, Dave e Janick, e o baixo marcante de Steve Harris. “The Talisman” caberia tanto no “A Matter of Live and Death” como no “Dance of Death”. São 9 minutos de um heavy metal contagioso, destaque para Bruce Dickinson, que impressiona pela sua forma de cantar. Aos 52 anos, Bruce continua mandando bem demais e com fôlego de um jovem em inicio de carreira.

09.The Man Who Would Be King: (Harris/Murray) Tem um começo sombrio e harmonioso, os solos curtos anunciam mais uma daquelas músicas épicas do Iron Maiden. E não demora muito para descobrir isso, depois de uma introdução lenta, onde Bruce canta de maneira bem melódica, a banda surge com peso, Nicko McBrain parece anunciar em sua batera um inicio avassalador, tudo parece meticulosamente preparado, até que, Bruce surge cantando com toda força, cercado por palhetadas precisas e com Steve Harris novamente inspirado em seu fender. O tom progressivo é evidente, a banda muda o sentido da música de uma hora para outra, destaque para Nicko McBrain que se mostra muito bem nas viradas e nos ritmos quebrados, afinal sua batera gigante dita o ritmo para a banda. Assim como as outras que eu citei, “The Man Who Would Be King” poderia muito bem ter saído do álbum “A Matter of Live And Death”.

10.When The Wild Wind Blows: (Harris) Épica. Não há outra palavra para descrever essa música. Baseada na história em quadrinhos – que tem o mesmo título – de Raymond Brigg, que fala sobre um ataque nuclear na Inglaterra. A música começa com o sopro do vento, enquanto uma introdução surge melódica, em seguida Bruce começa a cantar com o mesmo tom baixo das outras músicas, até que a música rompe em um tom bem mais alto, as guitarras ditam um ritmo melódico e Bruce segue cantando de um jeito fascinante e emocionante. Essa música é épica em todos os sentidos, a letra escrita por Steve Harris, é um misto de desolação e terror, anunciando um ataque nuclear e mostrando a sensação das pessoas, talvez de encontrar um abrigo ou então de não poder fazer mais nada a não ser, sentar e esperar pelo pior. “When The Wild Wind Blows” é um clássico anunciado, uma das melhores músicas gravadas pela Donzela, são 11 minutos que passam num piscar de olhos, a música prende o ouvinte de uma maneira que há como descrever em palavras. A atmosfera criada pela música é muito variada, cheio de melodias, solos e que termina da mesma forma que começou, um instrumental melódico, Bruce em um tom quase sussurrado e o sopro do vento.

Esse álbum é a prova de que o Iron Maiden continua mais vivo do que nunca. “The Final Frontier” surpreendeu em todos os sentidos, as letras bem elaboradas – que sempre foram uma marca registrada da Donzela – o instrumental foi criativo e inspirado, a sensação que passa é de uma banda renovada e livre para fazer o som que quiser. O Iron Maiden encerra mais uma década no auge, que começou com “Brave New World”, depois “Dance of Death”, “A Matter of Live And Death” e por fim “The Final Frontier”. O resultado é uma banda equilibrada, Dave, Adrian e Janick literalmente “voando baixo” nas guitarras, com muita inspiração e determinação, Nicko McBrain sempre preciso e comandando sua batera gigante como ninguém, Steve Harris continua soberano no baixo, tocando como sempre e Bruce Dickinson mantendo a sua boa performance nos vocais, talvez ainda melhor, devido a sua experiência.

Se “The Final Frontier” será um clássico, só o tempo irá dizer, mas uma coisa o álbum já é capaz de mostrar, que o Iron Maiden continua soberano no assunto heavy metal. Up The Irons!

Iron Maiden - "When the Wild Wind Blows"

Diana Krall

2009 - Live in Rio (áudio DVD)
Gênero: Jazz / Bossa Nova



Em 2009 a pianista e cantora Diana Krall lançou o álbum “Quiet Nights”, onde regravou canções da bossa nova e alguns Standards do jazz norte americano. Não é preciso ser um especialista, para saber que Diana Krall assim como outros músicos de jazz sempre tiveram uma admiração pela bossa nova e que lá no exterior é as notas de João Gilberto e as composições de Tom e Vinicius, nunca saíram de moda, muito pelo contrário, são reverenciadas.

E toda essa paixão da pianista Diana Krall pela bossa nova, deu origem não só ao álbum “Quiet Nights”, mas também ao DVD “Live in Rio”. O DVD foi gravado na casa de show Viva Rio, e traz músicas do seu último álbum e de toda sua carreira. Diana Krall está acompanhada por um quarteto formado por Anhony Wilson (guitarra), Jeff Hamilton (bateria), John Clayton (baixo) e pelo brasileiro Paulinho da Costa (percussão), em algumas músicas a pianista é acompanhada por uma orquestra, regida por Ruria Duprat. Os arranjos ficaram a cargo de Claus Ogerman, que fez um trabalho excelente, diga-se de passagem.

No set list Standards que já ficaram famosos na voz de Diana, como “I Love Being Here With You”, “Let's Fall In Love”, “S’Wonderful”, “Frim Fram Sauce”, em “Cheek To Cheek” um duo com o músico Carlos Lyra, “Too Marvellous For Words”, entre outras. E claro o que não poderia deixar de faltar, o prato principal da noite, as canções da bossa nova, no repertório “So Nice” (versão e “Samba de Verão”, de Marcos Vale e Paulo Sérgio Valle), “Este Seu Olhar”, música em que Diana arrisca cantando em português, assim como foi no álbum, claro que o público retribuiu sua ousadia com aplausos, “Quiet Nights” (versão da música “Corcovado”) e por fim “The Boy From Ipanema”.

“Live in Rio” reforça ainda mais a qualidade e o talento da pianista Diana Krall, sua voz sensual, afinada e inconfundível continua cativando ouvintes por onde passa, assim como o seu jeito de tocar que permanece impecável e contagiante e ainda mais por sua ousadia, em gravar um álbum com extrema qualidade e voltar ao Brasil para a gravação do DVD. O DVD ainda traz o documentário “Conversations”, onde Diana aparece em alguns pontos turísticos do Rio e tocando ao lado de alguns músicos brasileiro. Diana Krall foi uma das primeiras cantoras/pianista de jazz que eu tive a oportunidade de ouvir, e mesmo depois de ter adquirido mais conhecimento no cenário do jazz e ouvido vários artistas, continua sendo uma das minhas preferidas. Boa Audição!

Track List

01. I Love Being Here With You
02. Let's Fall In Love
03. Where Or When
04. Too Marvellous For Words
05. I've Grown Accustomed To His Face
06. Walk On By
07. Frim Fram Sauce
08. Cheek To Cheek
09. You're My Thrill
10. Let's Face The Music And Dance
11. Every Time We Say Goodbye
12. So Nice
13. Quiet Nights
14. Este Seu olhar
15. The Boy From Ipanema
16. I Don't Know Enough About You
17. S'Wonderful
18. Exactly Like You

Diana Krall - "Walk On By" (DVD "Live In Rio")


Diana Krall "So Nice" (DVD Live in Rio)

domingo, 15 de agosto de 2010

Tok Tok Tok

2008 - She And He
Gênero: Jazz / Soul Music



Tok Tok Tok é um duo formado pela cantora e letrista Tokunbo Akinro e pelo saxofonista e violonista Morten Klen. Conheci o som do duo através de uma postagem do Marcello Lopes no blog Musicólatras.

Morten Klen é alemão e Tokundo Akinro é filha de pai nigeriano e mãe alemã, ela passou a infância na África e morou por alguns meses nos EUA, antes de mudar-se para Alemanha. Os dois se conheceram em uma escola de música na cidade de Friburg, onde vivem atualmente.

“She and He” (2008) é o nono álbum de estúdio da dupla e assim como os demais tem como principal característica a fusão do jazz e o soul music. A voz delicada e sensual de Tokundo, aliado aos arranjos bem estruturados e sofisticados de Morten dão um toque especial às músicas, assim como a banda que os acompanha, formada por Christian Flohr (baixo), Jens Gebel (teclado) e Mathias Meusel (bateria). Em relação ao repertório, é difícil apontar qual a melhor música, a primeira que eu ouvi foi “Although He Hurts Me”, uma música bem contagiante, soul music com um toque de pop. Há também “The Love We Share", “Lewis & Ruth”, “The Game is Over”, “Crash Crush”, “She And He”, “Coração” – um instrumental com o toque da música brasileira - e muito mais. O álbum em nenhum momento fica repetitivo, o duo soube dosar na medida exata.

Tok Tok Tok me surpreendeu positivamente, em todos os sentidos, desde as letras que tem como principal tema o amor, porém são bem elaboradas, o instrumental, que em cada música apresenta algo diferente, fazendo com que o álbum não se torne cansativo e maçante, e claro a voz da Tokunbo Akinro. Quem quiser conhecer mais do Tok Tok Tok, recomendo o álbum “From Soul to Soul” (2006), considerado o melhor já gravado pelo duo. O mais novo álbum do duo foi lançado esse ano e se chama “Revolution 69”. Boa Audição.

Track List

01. Although He Hurts Me
02. The Daydream
03. The Love We Share
04. Longing for Brad
05. Lewis & Ruth
06. As We Are
07. The Game is Over
08. Coração
09. Crash Crush
10. Living Hell
11. Our Little Song
12. She and He
13. Vertigo
14. Harmless in the Beginning

Tok Tok Tok - "Living Hell"


Tok Tok Tok - "Although He Hurts Me" - (Bridgestone Music Festival '09)


Site Oficial: Tok Tok Tok

sábado, 14 de agosto de 2010

Black Sabbath

1980 - Heaven and Hell
Gênero: Heavy Metal


Não é preciso ser fã do Black Sabbath para saber que o álbum “Heaven And Hell” (1980) é um clássico do rock mundial. O álbum marcou uma nova fase na banda, que na época acabou dispensando o então vocalista Ozzy Osbourne - que estava desde a primeira formação – e chamou para o seu lugar o lendário Ronnie James Dio, ex-vocalista das bandas Elf e Rainbown.

“Heaven And Hell” foi o primeiro álbum gravado com Dio nos vocais e que ficou marcado pela mudança da sonoridade, trocando aquele som sombrio e ora psicodélico, pelo heavy metal clássico, com músicas mais rápidas, solos bem executados e um vocal com um timbre mais agudo e técnicas bem apuradas. A composição das letras também sofreu uma mudança, principalmente na temática, e há quem diga que Dio era um mestre em escrever boas letras e isso de alguma forma causou um incomodo em alguns fãs, que preferiam as letras com conteúdo ocultista, que eram escritas por Ozzy e Geezel.

Bom vamos ao que interessa. O álbum abre com “Neon Nights”, uma música que já demostra a nova proposta da banda e mostra para o público a qualidade vocal de Ronnie Dio. Tony Iommi muito inspirado, diga-se de passagem, executando solos e riffs excelentes. “Children Of The Sea” abre com uma introdução feita por Tony e acompanhado por Dio, a música pode ser considerada como uma balada, o que acabou sendo comum no heavy metal. “Lady Evil” tem uma pegada mais hard rock (se é que posso dizer assim), destaque para Geezer Butler no baixo, que executa uma linha muito interessante, e claro, os solos de Tony na guitarra. “Heaven And Hell” é outro clássico do heavy metal, porém ao contrário das demais, essa música tem um andamento mais lento, com uma pegada mais pesada, são 7 minutos de excelência. “Wishing Well” é outra música voltada para o hard rock, porém dessa vez com uma pegada setentista. “Die Young” começa com Tony executando um solo psicodélico, e do nada a banda cria um ambiente totalmente diferente, com uma pegada bem mais rápida, um heavy metal clássico dos anos 80. “Walk Away” é uma música que a meu ver, também traz uma pegada hard rock. “Loney Is The Word” encerra essa obra prima do heavy metal, a música é surpreendente, com um andamento mais lento, solos bem executados, sem exageros, na medida e na hora certa, assim como o baixo, que salta aos nossos ouvidos, o teclado tocado por Geoff também merece destaque, ele cria uma “cama” onde abre espaço para Tony executar seus solos com maestria, sem falar da letra que é sensacional.

Enfim, “Heaven And Hell” trouxe de volta o que o Black Sabbathh havia perdido nos anos anteriores e recolocou a banda no seu lugar de destaque. Também conquistou discos de ouro nos EUA, Reino Unido e Canadá, sem se esquecer de que é um dos álbuns favoritos dos fãs e claro um patrimônio do heavy metal. Boa Audição!

Track List

01. Neon Knights
02. Children Of The Sea
03. Lady Evil
04. Heaven And Hell
05. Wishing Well
06. Die Young
07. Walk Away
08. Lonely Is the Word

Ronnie James Dio - vocal
Tony Iommi - guitarra
Geezer Butler - baixo
Bill Ward - bateria
Geoff Nicholls - teclados

Black Sabbath "Neon Knights"


Site Oficial: Black Sabbath

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Dica de Filme: "À Procura da Felicidade" (2006)

Comovente. Essa é a palavra que resume o filme “À Procura da Felicidade”. Baseado em fatos reais, o filme conta a história de Chris Garner (Will Smith), um pai de família que luta para sobreviver em meio às dificuldades. Chris é vendedor/representante de um aparelho médico, que é muito caro e que nenhum médico se interessa em comprar. Em meio a tudo isso, Chris enfrenta um obstáculo dentro da sua própria casa, o de manter a sua família unida e seu casamento de pé. Linda (Thandie Newton) esposa e mãe do filho Chirstopher (Jaden Smith), acaba não suportando toda a pressão e decide sair de casa e Chris mesmo sem nenhuma condição decide lutar pela a guarda do filho e assim sustenta-lo.

Pai solteiro e sem conseguir vender seus equipamentos, Chris passa por situações humilhantes ao lado do seu filho, por falta de pagamento do aluguel, os dois são despejados do apartamento. Logo a única alternativa encontrada é dormir em abrigos para sem-teto, isso quando há vagas, do contrário a estação do metrô é a solução. Em um determinado momento, Chris se inscreve para concorrer a uma vaga como corretor da Bolsa de Valores, apesar de continuar morando em abrigo, é obrigado a manter uma imagem dentro da empresa. Mesmo com todas as adversidades, Chris encontra tempo e ânimo para estudar e ser pai presente e afetuoso.

Apesar de todo esforço de Chris Garner para manter-se vivo e com esperanças, o filme mostra os limites que um ser humano pode enfrentar, a sucessão de fracassos do personagem é impressionante, causando uma angústia em quem assiste.

“À Procura da Felicidade” pode parecer um filme clichê, porém passa uma mensagem muito valiosa, a de que se você decidir ir atrás do seu sonho, com todo empenho e força, ele irá se realizar, por mais dificuldades que você passe. Chris prova isso, sem dinheiro, fracassado, sem apoio da esposa, pai solteiro e mesmo com tudo isso ainda encontra forças para correr atrás dos seus sonhos e dar uma vida digna a seu filho.

Talvez o único erro do filme seja o fato de castigar demais o protagonista, ainda mais em situações que são improváveis na vida real. Por outro lado, um bom filme precisa desses ingredientes, ainda mais quando se trata de um drama.

Ficha Técnica:

Título Original: The Pursuit of Happyness
País de Origem: EUA
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 01 hs 57 min
Ano de Lançamento: 2006
Estúdio/Distrib.: Columbia Pictures
Direção: Gabriele Muccino

Elenco:

Chris Gardner (Will Smith)
Christopher (Jaden Smith)
Linda (Thandie Newton)
Jay Twistle (Brian Howe)
Martin Frohm (James Karen)
Alan Frakesh (Dan Castellaneta)
Walter Ribbon (Kurt Fuller)
Sra. Chu (Takayo Fischer)
Tim Ribbons (Domenic Bove)
Tim Brophy (Scott Klace)
Wayne (Mark Christopher Lawrence)
Chris Gardner

"À Procura da Felicidade" (Trailer)


Site Oficial (Em Inglês): The Pursuit of Happyness

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

"O Jardim do Diabo" (Luis Fernando Verissimo)

Ficha Técnica

Escritor: Luis Fernando Veríssimo
Gênero: Literatura Nacional / Romance
Lançamento: 2005
Páginas: 184
Acabamento: Brochura
Editora: Objetiva


O primeiro livro do Luis Fernando Verissimo que eu tive a oportunidade de ler foi o “O Jardim do Diabo”. Um livro agradável, com uma narrativa cativante, uma história surpreendente e muito bem contada. O livro é o primeiro romance do escritor, foi lançando em 1988 e relançado pela editora Objetiva em 2005.

Mesmo escrevendo e lançando seus livros de história policial com certa frequência, Estevão está longe de ser um escritor renomado. Em seus romances o escritor segue uma fórmula que considera infalível: Por volta da página 40 tem a grande trepada e o encontro final com o vilão e o desfecho, a partir da 90. Numa referência ao escritor Joseph Conrad, seus personagens de uma forma ou outra, sempre se chamam Conrad. Outra caracterista do escritor é de assinar cada um dos livros com um pseudônimo americano e diferente.

Estevão é o personagem principal e narrador da história. O seu mundo se resume a seu apartamento, onde passa a maior parte do tempo sentado na sua cadeira de rodas, ao lado da sua velha maquina de escrever e na companhia da Dona Maria, sua empregada doméstica, que tem o costume de ouvir as trágicas notícias do rádio no último volume todo dia. Há ainda Lília, uma moça que vem duas vezes por semana para a faxina, mas sempre acaba em sua cama.

A vida monótona de Estevão começa a mudar a partir do momento em que ele recebe a visita inesperada do inspetor Macieira. O motivo é devido a um assassinato que ocorreu antes do livro “Ritual Macabro” - escrito por Estevão – ser lançado. Porém o que intriga o inspetor é o fato de que a cena do crime é idêntica à cena descrita no livro.

A partir desse momento a ficção e a realidade se misturam de tal maneira, que fica difícil identificar onde começa uma e termina a outra. Com isso Estevão se vê como um personagem dentro da sua própria história, a partir daí o escritor tenta dar continuidade ao “Ritual Macabro” e as aventuras de Conrad, mas agora atento aos acontecimentos publicados nos jornais, no rádio da dona Maria e tentando de alguma forma ligar os pontos citados pelo inspetor Macieira durante suas conversas.

Verissimo cria um ambiente surpreendente, usando sua habilidade com as palavras para lidar com três situações distintas na mesma história. O resultado é uma narrativa alucinante, que prende a atenção do leitor do inicio ao fim. Com um vocabulário fácil e sem complicações, Verissimo põe o leitor na posição de testemunha, onde ele, juntamente com Estevão e o inspetor Macieira, tentam desvendar esse caso macabro.

Livro: "O Jardim do Diabo" (Luis Fernando Verissimo): Arquivo Word - Clique Aqui