quarta-feira, 31 de março de 2010

Neural Code

2009 - Neural Code
Gênero: Jazz/Rock/Fusion/Música Instrumental


Seria errado dizer que o Neural Code é uma espécie de “supergrupo” ou "supertrio" ? Creio que não. A formação conta com músicos consagrados e talentosos. O trio apresenta seu primeiro trabalho, “Neural Code”, lançado em 2009 por um selo independente. O som é um dos melhores que eu ouvi ultimamente (no cenário nacional), muito improviso, um jazz/rock de tirar o fôlego. Eu particularmente não conhecia muito o som do Kiko Loureiro, até por não curti o Angra, porém nesse trabalho do trio, acabei me surpreendendo. Bom enfim, abaixo segue um texto retirado do myspace dos caras e que já diz tudo sobre o trio. Boa Audição a todos.

Formado por Cuca Teixeira (bateria), Kiko Loureiro (guitarra) e Thiago Espirito Santo (baixo), Neural Code apresenta uma eletrizante mistura de instrumental, rock e jazz, criando uma sonoridade contemporânea e brasileira. Na bagagem desses três grandes instrumentistas brasileiros nós encontramos Cuca Teixeira, um baterista de formação jazzística, que já trabalhou com gênios do Jazz como Joe Lovano, Michel Brecker e George Benson e figuras da MPB como Paula Lima, Maria Rita e Marina Lima; Kiko Loureiro, um guitarrista de rock e fusion, mundialmente conhecido por seu virtuosismo e musicalidade, que há 17 anos é o guitarrista da banda Angra; Thiago Espirito Santo, renomado contrabaixista da musica instrumental brasileira contemporânea vem para fechar o trio com seu jeito inconfundível de tocar, tendo atuado ao lado de músicos como Hamilton de Holanda, Yamandú Costa, Toninho Horta e Hermeto Pascoal. Em seu primeiro trabalho o trio apresenta oito composições inéditas concebidas em uma série de encontros informais, criando uma experiência única para todos, pois foi possível desenvolver uma linguagem totalmente nova, extraindo o melhor de cada músico e suas influências contidas no percurso de cada uma das carreiras. Assim nasceu o som do Neural Code, que é nitidamente matemático, musical e brasileiro.

Fonte: MySpace Neural Code

Track List

01. Drenal
02. For All
03. Ilusão de Ótica
04. Miró
05. Equação do Tempo
06. Sombra da Lua
07. Cangaceiro Marroquino
08. Pensativo

Neural Code "Drenal" (Programa Pontapé Inicial - ESPN Brasil)


MySpace Oficial: Neural Code

segunda-feira, 29 de março de 2010

The Brian Setzer Orchestra

2009 - Songs From Lonely Avenue
Gênero: Rockabilly



Brian Setzer é um dos meus guitarristas favoritos, principalmente por sua versatilidade e competência quando o assunto é música. Desde que conheço o som desse guitarrista, não me lembro de ter ouvido um álbum ruim, pelo contrário, a cada trabalho ele me surpreende, e dessa vez não foi diferente.

“Songs From Lonely Avenue” (2009) é o mais novo trabalho do Brian Setzer, dessa vez com uma novidade, as 13 canções do álbum foram escritas pelo próprio Brian. A inspiração? .Brian se baseou em trilhas sonoras de filmes noir dos anos 40 e 50. Esse álbum também pode ser considerado um dos mais bem orquestrados da carreira do guitarrista, o responsável por tal feito? Frank Comstock. Entre as 13 faixas, 3 são instrumentais, “Mr. Jazzer Goes Surfin'”, “Mr. Surfer Goes Jazzin'” e “Elena”

O resultado não poderia ser outro, o álbum é intenso do começo ao fim, prova disso é a faixa de abertura “Trouble Train”. Brian usou e abusou do bom humor em suas letras, além de trazer um ambiente com histórias de bandidos, crimes, paixão, desgosto, corações partidos, enfim tudo que uma boa trilha necessita. O álbum simplesmente envolve você, passando uma sensação de que você está sendo teletransportado para os anos 50. Destaque para as faixas: “Dead Man Incorporated”, “Kiss Me Deadly”, “Gimme Some Rhythm Daddy” (com participação da cantora Julie Reiten), "Lonely Avenue" e “Passion Of The Night”.

É sem sombra de dúvidas, um dos melhores e mais inovador trabalho do Brian Setzer. E para aumentar ainda mais esse lado clássico do álbum, ele também foi lançado na versão vinil.

Boa Audição.

Track List

01. Trouble Train
02. Dead Man Incorporated
03. Kiss Me Deadly
04. Gimme Some Rhythm Daddy
05. Lonely Avenue
06. King Of The Whole Damn World
07. Mr. Jazzer Goes Surfin'
08. Mr. Surfer Goes Jazzin'
09. My Baby Don't Love Me Blues
10. Love Partners In Crime
11. Passion Of The Night
12. Dimes In The Jar
13. Elena

Brian Setzer - "Trouble Train" (The Bob & Tom Show)


Brian Setzer - "My Baby Don't Love Me Blues" (The Bob & Tom Show)


Site Oficial: Brian Setzer

sábado, 27 de março de 2010

"O Símbolo Perdido" (Dan Brown)

Ficha Técnica:

Titúlo: "O Símbolo Perdido" (The Lost Symbol)
Escritor: Dan Brown
Gênero: Romance
Lançamento: 2009
Páginas: 512
Acabamento: Brochura
Selo: Sextante

Continuando o projeto "Resenha de Livros", hoje a resenha é o sobre um dos livros mais aguardados de 2009. "O Símbolo Perdido" (Dan Brown). Eu não li ainda, mais quem enviou a resenha foi minha noiva Gislaine, que leu e depois de muita insistência da minha parte, escreveu sobre.

Por Gislaine dos Santos

Pra mim Dan Brown é o melhor escritor, e o Robert Langdon o melhor personagem fictício. Um escritor polêmico por citar em suas obras Ciência e Religião. Uma das 100 pessoas mais influentes no Mundo.

Acho que isso a maioria já deve saber, "O Símbolo Perdido", não é uma continuação de "Anjos e Demônios", nem do "Código da Vinci", porém todos têm o mesmo personagem incomum, Robert Langdon.

Langdon é um simbologista, professor da Universidade de Havard, ele ensina Iconografia Religiosa e Simbologia. Em “O Símbolo Perdido” Langdon é convidado por seu amigo Peter Solomon a dar uma palestra em um instituto de Washington.Chegando no capitólio, Robert vem contando os minutos pois não pode se atrasar, afinal veio a pedido de seu grande amigo maçom.

Porém ao chegar percebe algo de errado, foi enganado, não havia palestra, não havia nada, ao procurar respostas para o que houve, descobre que seu amigo na verdade está desaparecido. Peter Solomon é um maçom de um alto grau, o que poderia ter acontecido!? Robert ouve gritos no meio da rotunda, ao se aproximar percebe uma mão ensaguentanda no meio, é a mão direita de Peter, e apontando para um quadro de 1865, Robert entende no exato momento o significado disso.

Nesse momento Robert Langdon está encrencado, pois o homem que seqüestro seu amigo, acha que somente ele pode desvendar os mistérios maçons e mais que isso acha que ele poderá ajudá-lo a desvendar o segredo maçom capaz de dar poderes sobrenaturais a ele. Robert é ajudado por Katherine, irmã de Peter, uma pesquisadora da ciência noética, a partir daí, precisam decifrar símbolos, mistérios ocultos e achar pistas onde para qualquer outro seria invisíveis, até mesmo para a CIA. Passando pelos principais pontos da capital norte americana, Robert e Katherine recebem ajuda, o professor precisa utilizar todo o seu conhecimento sobre os maçons.

Esse livro é um dos poucos, onde o começo é bom, o meio é bom, e o final melhor ainda, não encontrei nenhuma parte dele que eu pudesse pensar, poxa que parte chata, é eletrizante do inicio ao fim, Robert sem duvida nenhuma é um herói, inteligente como é, e totalmente calmo, tem uma habilidade fora do normal para solucionar problemas. Dan Brown nos mostra rituais, histórias e símbolos ligados a maçonaria, na trama é contado algumas partes da bíblia ao qual estamos acostumados a ler ou ouvir, mas como o livro nos ‘diz’ existem mistérios ainda a revelar... apocalipse não é o fim, e sim apenas uma revelação. Por Dan Brown Washington parece ser tão fascinante e misteriosa quanto o Vaticano.

Segundo andei pesquisando, como "O Código Da Vinci" e "Anjos e Demônios", "O Símbolo Perdido" também ganhara uma adaptação, a Columbia Pictures está começando a mecher os pauzinhos, e já está confirmado Tom Hanks novamente como o Langdon.

Agora é torcer e aguardar, e fica uma dica, leiam o livro, como eu disse inicialmente na verdade não é uma continuação, então se alguém não leu o "Anjos e Demônios" ou o "Código da Vinci", não tem problema pode ler "O Símbolo Perdido", e conheça as aventuras e encrencas que o Professor e Mergulhador de Havard apronta.

Entrevista: Dan Brown fala sobre o "O Símbolo Perdido".

quarta-feira, 24 de março de 2010

Chickenfoot

2009 - Chickenfoot
Gênero: Hard Rock



Explosivo. Assim defino o som da “superbanda” Chickenfoot. A exemplo do Them Crooked Vultures que surgiu para o cenário cercado de expectativas e com músicos consagrados, com o Chickenfoot não foi diferente. O nome está longe de ser chamativo ainda mais para uma banda de hard rock. Porém o que chama mesmo a atenção é a formação: Sammy Hagar (vocal) Michael Antohony (Baixo), ambos ex-Van Halen, Joe Satriani (Guitarra) e o Chad Smith (Bateria), ex-Red Hot Chilli Peppers.

O projeto inicialmente surgiu como uma brincadeira e acabou se transformando em banda e conseqüentemente no lançamento do primeiro álbum, “Chickenfoot”. O som é empolgante, com riffs pesados, groove e boas letras. Apesar de soar um som atual, a atmosfera é setentista e o que se vê é o bom e velho rock e algumas pitadas de blues e funk. Destaque para todos os músicos, Sammy Hagar apresenta um vocal equilibrado, com um timbre muito bom e agressivo na hora necessária, por outro lado Joe Satriani dispensa apresentações, um guitarrista consagrado e considerado virtuoso, no Chickenfoot tem um papel decisivo, com riffs pesados e solos bem elaborados, o baixista Michael Antohony não faz por menos, ao mesmo tempo que acompanha a batida clássica do hard rock, ele da o seu toque especial com grooves bem feitos e bem perceptíveis e por fim o baterista Chad Smith que também se sobressai em vários pontos do álbum.

As músicas em sua maioria são empolgantes, o álbum começa com “Avenida Revolution”, um excelente cartão de visita e depois continua com uma sequencia bombástica, “Soap on a Rope”, “Sexy Little Thing” e “Oh Yeah”. Destaque também para “Get it Up”, "Down the Drain", “My Kinda Girl” e a balada “Learning To Fall”.

O desejo de todo amante do rock é que esses supergrupos continuem surgindo e nos presenteando com tamanha qualidade. O rock de hoje não soa nem perto do antigo, por isso acho importante essas formações, eles trazem o som do passado a tona e de uma maneira única. Afinal são mestres no assunto. Infelizmente não da para saber se vão continuar depois desse álbum, assim como o Them Crooked Vultures, esperamos que sim.

Não poderia deixar de citar, quem me indicou o som do Chickenfoot, foi meu brother Daniel Duarte.

Boa Audição !

Track List

01. Avenida Revolution
02. Soap on a Rope
03. Sexy Little Thing
04. Oh Yeah
05. Runnin’ Out
06. Get It Up
07. Down the Drain
08. My Kinda Girl
09. Learning to Fall
10. Turnin’ Left
11. Future in the Past

Chickenfoot "Sexy Little Thing"


Site Oficial: Chickenfoot

segunda-feira, 22 de março de 2010

John Pizzarelli - Rockin' In Rhythm: A Tribute To Duke Ellington



John Pizzarelli está de volta, com mais um trabalho sensacional. Assim como homenageou Nat King Cole, Frank Sinatra e em seu último álbum gravou canções do compositor americado Richard Rodgers. Agora Pizzarelli apresenta um tributo ao pianista Duke Ellington.

Por enquanto não vou fazer a resenha do álbum, pois é apenas um aperitivo, mais posso adiantar que o álbum está maravilhoso. Ouvir clássicos do Duke Ellington com o toque genial do John Pizzarelli é bom demais.

Ouça a música: "In A Mellow Tone" (John Pizzarelli - A Tribute To Duke Ellington)


O álbum será postado o mais breve possível aqui no Blog Jazz e Rock. Aguardem !

Site Oficial: John Pizzarelli

sábado, 20 de março de 2010

Jacob do Bandolim

1967 - Vibrações
Gênero: Choro


Lançado em 1967, o disco “Vibrações” é considerado um dos melhores discos de choro de todos os tempos e consequentemente da carreira do bandolinista Jacob do Bandolim. Acompanhado pelo Conjuto Época de Ouro, que o próprio Jacob havia criado e que continuam na ativa até hoje, na época era formado por um time de primeira classe, além do Jacob, Dino (violão 7 cordas), César Faria e Carlinhos (violão 6 cordas), Jonas (cavaquinho), Gilberto D’Avila (pandeiro) e Jorginho (percussão). No repertório três canções inéditas do Jacob, “Vibrações”, “Receita de Samba” e “Pérolas”, a canção “Ingênuo” e “Lamento” são temas de Pixinguinha, “Assim Mesmo” é de autoria do clarinetista e saxofonista Luiz Americano, Jacob e o Conjuto Época de Ouro prezaram em apresentar canções de compositores pouco conhecido, assim a música “Cadência” do bandolinista Joventino Maciel e “Murmurando” do saxofonista Otaviano Maciel. As canções inéditas “Fidalga”, “Vésper”, que nunca foram gravadas antes e as canções “Floraux” e “Brejeiro”, são de autoria do compositor Ernesto Nazaré.

Jacob Pick Bittencourt, mais conhecido como Jacob do Bandolim, nasceu no Rio de Janeiro, filho de pai capixaba e mãe polonesa, ganhou seu primeiro instrumento aos 12 anos, um violino, porém não se adptou ao arco do instrumento, depois de arrebentar várias cordas do instrumento e por indicação de uma amiga da familia, Jacob ganhou o seu primeiro bandolim. Não teve professor, sempre foi autodidata. Tentava repetir no bandolim trechos de melodias cantaroladas por sua mãe ou por pessoas que passavam na rua. Aos 13 anos, da janela de sua casa, escutou o primeiro choro, “É do que há”, composto e gravado por Luiz Americano. Era tocado no prédio em frente, onde morava uma diretora da gravadora RCA. "Nunca mais esqueci a impressão que me causou", afirmaria Jacob, anos mais tarde. O conjunto Época de Ouro foi criado no final dos anos 50, Jacob ainda gravava com o Regional do Canhoto, mas tinham dificuldades de se reunir para ensaiar em função da agenda lotada do grupo que era disputado por todos os grandes cantores. A última participação do Regional do Canhoto com Jacob foi no LP “Na Roda de Choro” gravado em março de 1960. Na sua concepção, Jacob necessitava de um grupo de músicos que o acompanhasse e que se reunisse com ele quando necessário. Assim estava criado o Época de Ouro, um grupo de músicos de caráter exclusivo e com o feitio de Jacob.

Track List

01.Vibrações
02.Receita de Samba
03.Ingênuo
04.Pérolas
05.Assim mesmo
06.Fidalga
07.Lamento
08.Murmurando
09.Cadência
10.Floraux
11.Brejeiro
12.Vésper

Site Oficial: Jacob do Bandolim

Parte das informações contidas no texto foram retiradas do site oficial.

sexta-feira, 19 de março de 2010

...





Nesse momento o rei do blues deve estar tocando sua Lucille e levando ao publico ao delírio com boas músicas e com conversas descontraídas.

Se essa postagem tivesse um titulo, certamente seria “Desabafo”, parece até estranho falar disso em um blog de download, porém foi o único lugar que achei adequado pra isso. Mesmo que ninguém leia, me fez bem poder falar o que eu estou sentindo e de alguma maneira colocar isso para fora.

Esperei muito por esse 19 de março de 2010, era o dia em que eu ia finalmente assistir um show do BB King. Desde o anuncio da sua vinda, me cerquei de expectativas e esperança. Primeiro por que estava desempregado e ir ao show com o valor dos ingressos nas alturas seria muito complicado, foi então que consegui o valor emprestado com meu avô, mas na ocasião como eu não estava em São Paulo, e pedi para que minha noiva comprasse o ingresso pra mim. Aparentemente tudo estava indo de vento em polpa, com o ingresso na mão era só esperar o grande dia.

Na semana que antecedeu o show a expectativa só aumentou, já era possível ver matérias na TV e na Internet sobre os shows do BB King. No dia 16/03 o rei fez a sua primeira apresentação no Rio de Janeiro, logo depois saiu uma matéria sobre o show e serviu para que a ansiedade fosse ainda maior. No dia 18/03 eu e minha noiva pesquisamos a rota certa para chegar ao Via Funchal, estava tudo planejado, mas já não parecia tão fácil assim.

A estação mais próxima do Via Funchal é a da Vila Olímpia, para chegar nela eu precisava fazer uma peregrinação pelo metrô. Minha “viagem” começaria na estação do Tietê e chegaria até a Luz. Lá eu teria que fazer a primeira baldeação para a estação Barra Funda, feito isso pegaria a linha diamante até a estação Pres. Altino. Chegando lá teria que fazer outra baldeação, para a linha esmeralda na estação Ceasa e desceria na Vila Olímpia. Da estação até o Via Funchal (pelo mapa) parecia uma longa caminhada.

Apesar de nunca sequer ter passado nesses lugares e nem andado pelas ruas de São Paulo, achei que era possível, até por que minha noiva anotou tudo e na ida iria comigo, já que ela iria trabalhar e conseguiria voltar pelo metrô até o local do trabalho. O meu receio era na volta, primeiro pela caminhada do Via Funchal até a Estação, até por que andar em São Paulo ás 23:00hrs, sozinho e por um lugar totalmente desconhecido, causa uma certa preocupação. Porém mesmo assim estava decidido a ir, já que na volta pelo metrô era só se informar nas estações para não errar o caminho.

Chegou o tão esperado dia, porém não imaginava o que estava para acontecer. Durante a tarde fui ver os últimos detalhes e para minha surpresa e decepção os horários de funcionamento do metrô de São Paulo são horríveis. O show estava marcado para 21:30 horas, certamente não começaria pontualmente, supondo que a duração do show seria um pouco mais de 1 hora e meia, e calculando o tempo de caminhada do Via Funchal até a estação para pegar o metrô e a cada baldeação ter que procurar alguém para conseguir informação, certamente não daria tempo. O detalhe é que eu teria que fazer tudo isso em pouco mais de meia hora. Impossível. Restava uma alternativa: Carro. Porém era inviável, tudo por que São Paulo viveu mais um dia de caos, com chuva, engarrafamento e alagamento, nenhuma novidade obviamente.

A conclusão é que mesmo com o ingresso na mão, eu perdi o show mais esperado da minha vida. Assistir o BB King ao vivo era um sonho e que durante meses parecia real e em questão de 2 horas desapareceu completamente. Enquanto BB King subia no palco, eu estava a caminho de casa, dentro do ônibus, preso no congestionamento da Marginal Tietê e depois da Via Dutra.

Isso tudo foi como um sonho, que veio sendo construído desde os tempos em que comecei a ouvir o som do BB King, depois o desejo de ir a um show, a oportunidade, a chance única e estar com o ingresso na mão, mas em poucas horas tudo desmoronou na minha frente. Talvez para muitas pessoas não significa nada, “Ahh é apenas um show de um velho que toca guitarra”, é o que muita gente pensa, mais para quem é fã e curte música, esse show vai muito além disso, é até difícil resumir em uma palavra a importância dele.

O que me restou? O ingresso ! Vou guardá-lo de recordação e para me lembrar que esse sonho não se realizou.

Sobre esse texto gigante, serviu como um bom desabafo e me ajudou a colocar isso tudo pra fora. Até por que as pessoas que estão em minha volta dificilmente vão entender o que esse show significava e o tamanho da sua importância. A única que entendeu foi minha noiva. O dinheiro nessas horas é irrelevante, pois isso é recuperável, agora o show do BB King é irrecuperável.

Abraço.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Mike Stern

2006 - Who Let The Cats Out?
Gênero: Jazz Fusion



Não sei quem aqui já passou por isso. Eu na verdade estava procurando o primeiro álbum em que o Marcus Miller tocou com o trompetista Miles Davis – na sua fase fusion - e enquanto ouvia as músicas e ficava maravilhado com o som, comecei a perceber cada instrumento e na ocasião o guitarrista me chamou muito atenção. O jeito de tocar, o improviso e a forma intensa com que ele acompanhava a banda. Depois de ouvir fui pesquisar e acabei me surpreendendo ainda mais. De certa forma foi um jeito inusitado de conhecer o som do guitarrista e compositor Mike Stern.

“Who Let the Cats Out?” (2006) é o penultimo trabalho do guitarrista. A qualidade das músicas e o instrumental impressionam, não existe nenhuma que pode ser considerada “fraca”, todas são de altíssimo nível. Mike Stern trouxe para o seu trabalho um time de feras, começando pelo baterista Dave Weckl, os baixistas Richard Bona (vocal), Victor Wooten, Anthony Jackson, Meshell Ndegocello e no baixo acústico Chris Minh Doky, os saxofonistas Bob Franceschini e Bob Malach, no piano e sintetizador Jim Beard, na harmônica Gregoire Maret, no trompete Roy Haegrove e a baterista Kim Thompson, a única mulher na banda.

Considero Mike como um técnico de futebol, ele soube administrar um time de galácticos, e essa comparação é bem lógica. Cada música do álbum conta com uma formação diferente, o que foi sem dúvida uma idéia de mestre, onde Mike visou aproveitar ao máximo toda qualidade que tinha a sua disposição. Bom o resultado não precisa dizer que é excelente. “Tumble Home” é uma música contagiante, com uma pegada voltada para o funky, um sax imponente, a base e o solo de guitarra perfeitos de Mike e a grooveira do baixo acústico de Chris Minh. Em “KT” quem dita o ritmo é a baterista Kim Thompson, com muita pegada, ela demonstra sua qualidade, porém quem rouba a cena é o trompetista Roy Hargrove. “Good Question” apresenta o baterista Dave Weckl e o baixista Richard Bona, que simplesmente detona no baixo e no scat. Em “Language” Richard Bona continua demonstrando sua genialidade, com outra apresentação fantástica. “Leni Goes Shopping” é uma canção que foi escrita pela esposa do Mike. “Roll With” é outra música que tem uma pegada mais funkeada, destaque para o saxofonista Bob Malach. “Texas” é o que posso chamar de grudenta, impossível ouvir apenas uma vez, o destaque vai para Gregoire Marte que faz uma apresentação fantástica na harmônica (gaita). “Who Let The Cats Out?” é a única música em o trompetista Roy Hargrove aparece, nessa faixa todos participam, cada um faz uma apresentação solo, o resultado é uma música improvisada do começo ao fim. Sem dúvida uma das melhores do álbum. “Blue Runway” encerra o álbum com chave de ouro, uma música carregada de energia, conduzida pelos solos estonteantes de Mike Stern, aliado a precisão de Dave Wickl e Antohny Jackson e o sax refinado de Bob Franceschini. Porém o álbum reserva momentos ainda mais surpreendentes, como as duas baladas, a primeira é “We'Re With You”, aonde Mike da um toque acústico com seu violão, uma das músicas mais sentimentais do álbum. Em seguida “All You Need” outra belíssima canção, porém dessa vez Richard Bona novamente traz a tona seus scats, enquanto Mike evoca um solo envolvente da sua guitarra.

Como eu disse lá no começo, não existe nenhuma música que pode ser considerada fraca, essa jogada que Mike fez em cada música fez a diferença, ele soube trabalhar com cada músico, encaixando perfeitamente, por isso que todas as músicas soam tão especiais e com um instrumental tão refinado e preciso. “Who Let the Cats Out?” é um álbum que merece toda atenção, um trabalho primoroso e com certeza irá satisfazer os mais exigentes. Boa Audição !

Track List

01. Tumble Home
02. Kt
03. Good Question
04. Language
05. We'Re With You
06. Leni Goes Shopping
07. Roll With It
08. Texas
09. Who Let The Cats Out ?
10. All You Need
11. Blue Runway

Mike Stern - guitarra/violão
Dave Weckl - Bateria
Kim Thompson - Bateria
Richard Bona - Baixo/Vocal
Bob Malach - Saxofone
Bob Franceschini - Saxofone
Roy Haegrove - Trompete
Victor Wooten - Baixo
Anthony Jackson - Baixo
Meshell Ndegocello - Baixo
Chris Minh Doky - Baixo Acústico
Gregoire Maret - Harmônica
Jim Beard - Piano/Sintetizador

Site Oficial: Mike Stern