quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Donzela de Ferro e a História: Iron Maiden (1980)

Caros leitores e leitoras.

Começa hoje aqui no Jazz & Rock, uma série de postagens sobre o Iron Maiden e os fatos históricos por trás de cada álbum da banda. A série foi criada pelo Ricardo Heavynick do blog História e Caos .Agradeço o Ricardo Heavynick por aceitar o meu pedido e permitir que eu postasse a série para os leitores do Jazz & Rock. Espero que vocês gostem e apreciem as postagens, pois é o resultado de um trabalho que envolveu muita pesquisa e que merece nosso reconhecimento. 

Então se você curte heavy metal e uma boa dose de história, seja bem vindo. 

Por Ricardo Heavynick ( História e Caos )

Quem é fã da Donzela de Ferro sabe o quanto estes caras tem carregado em suas letras passagens históricas, além de citações de autores como Shakespeare, mitologias e muito mais.

Claro, devemos muito destas letras a Steve Harris e Bruce Dickinson _ que além de piloto de avião, esgrimista, roteirista, vocalista do Maiden, é historiador. E de certa forma entrar no mundo do que estas letras dizem sobre a história, é entrar um pouco na mente destes caras.

Mas não nos percamos assim em sua genialidade somente, tudo aquilo que os boys Nicko, Dave, Adrian e Jenick fazem juntos, é motivo de admiração.

Mas que passagens são estas? O que há por trás disso tudo?


Não vou conseguir todas as respostas, mas analisando letra por letra e pesquisa aqui e acolá eu consigo algo de interessante. Embarquem nesta viagem comigo! Let's run free!!


Iron Maiden - Iron Maiden (1980)

O álbum começa com Prowler, e quer dizer algo como "perambulador" ou alguém que se esgueira atrás de algo (verbo prowl). Na música temos um cara observando e desejando mulheres.

Remember Tomorrow, Di'Anno escreveu em homenagem ao avô. É tudo que se sabe, analisando a letra pode-se imaginar que o avô dele foi piloto, inclusive algumas fontes sugerem que ele foi piloto da Força Aérea Real (Royal Air Force) na Segunda Guerra Mundial.

A RAF surgiu em 1918 e foi muito proeminente na II Guerra Mundial. É a segunda maior atualmente na OTAN, ficando atrás apenas da USAF (Força Aérea dos EUA). A RAF responde às ordens do ministro britânico da defesa.  

 Supermarine Spitfire Mk VA  
Durante a guerra, a RAF enfrentou a força aérea alemã, Luftwaffe na Batalha da Grã-Bretanha. Foi a primeira batalha da história apenas com aeronaves.

O fim desta batalha, vencida pelos ingleses, levou Winston Churchill a dizer: "Never, in the field of human conflict, was so much owed by so many to so few" _ em português: "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"   

O som Running Free segundo Paul Di'Anno é uma espécie de autobiografia de quando ele era jovem.
  

O álbum segue com Phantom of the Opera que é romance do francês Gaston Leroux de 1910, nome original Le Fantôme de l'Opéra. Esta obra foi adaptada para o cinema e teatro várias vezes e atualmente é o musical mais visto no mundo, com adaptação de Sir Andrew Lloyd Weber, superando Cats, dele mesmo.

Sobre o romance, recomendo que assistam o filme, veja o trailler de The Phantom of the Opera (2007).  

A instrumental Transylvania é o som seguinte. Esta região romena é muito conhecida graças a Vlad III, Príncipe (Voivoda) da Valáquia, ou mais popularmente como Vlad o Empalador ou Drácula. Ele foi príncipe de 1456 até 1462 (época do apogeu do império Otomano) 1448 e 1476.

Bran Castle na Transilvânia - Conhecido habitualmente como o "Castelo do Drácula"  
Vlad era um cavaleiro cristão e enfrentou os turcos e seu próprio irmão Radu. Ele utilizava de métodos cruéis contra inimigos, principalmente o empalamento - para quem não sabe, empalar é um método de tortura onde se enfia uma estaca no ânus, vagina ou umbigo e ela atravessa todo o corpo. Haviam métodos que impediam que a pessoa morresse imediatamente após a inserção da estaca, para que ela sofresse mais algumas horas de dor.

O irlandês Bram Stoker (1847 -1912) após estudar folclore europeu e histórias de vampiros lançou em maio de 1896 sua magnum opus, Drácula.   

Strange World parece falar de drogas, sério mesmo. Fala do seu mundo perfeito e diferente, que está aqui mas não está, enfim. Porém quando eu vejo que a letra foi escrita por Harris minha tese cai por terra, ele é muito certinho.  

Sanctuary parece alguém que cometeu um crime e precisa de um refúgio em santuário. Entre os séculos XIV e XVII um criminoso que se refugiasse em um santuário não podia ser preso, segundo a lei inglesa.

Capa do single "Sanctuary", lançado em 23 de maio de 1980.
A música Charlotte the Harlot é a primeira parte da "The Charlotte Saga", que eu carinhosamente chamo de a Saga da Puta _ com todo o respeito para as profissionais e amadoras da área. As outras músicas dessa saga são 22 Acacia Avenue (The Number of the Beast), Hooks on You (No Prayer for the Dying) e From Here to Eternity (Fear of the Dark). Se bem que muita gente discute se as duas últimas de fato fazem parte desta saga, o fato é que pelo menos uma delas toma parte.

Charlotte é uma prostituta de East End, Londres

East End fica à leste do Muro (Medieval) de Londres e ao Norte do rio Tâmisa. Foi uma das áreas que mais sofreram com os bombardeios na segunda Guerra Mundial. Antes disso a área já era uma das mais pobres do Reino Unido (e ainda é), onde se concentravam os imigrantes e as pessoas que viviam nas favelas do centro, que tiveram que sair devido as construções das docas e de um terminal ferroviário.  

Iron Maiden é aquela musica que os caras vão tocar para sempre, por que representa aquilo que é o Maiden. Eles fazem o público sangrar de alegria!!

Iron Maiden: Instrumento de tortura usado na idade média.
Mas também, Iron Maiden é um instrumento medieval de tortura com lanças dentro e na porta, conforme a porta vai fechando... bem, dá para imaginar o que acontece. Não, não dá, as lanças não atingem órgãos vitais, a pessoa morre de asfixia ou hemorragia um tempo depois.

Iron Maiden também é como a ministra britânica Margaret Thatcher era chamada.

A capa do single representa Margaret Thatcher portando uma submetralhadora Sterling preparando-se para atacar Eddie. A capa na verdade é uma brincadeira com a capa do single anterior, Sanctuary, em que Eddie aparece assassinando Thatcher.  
Depois deste álbum o guitarrista Dennis Stratton deixa a banda e é substituído por Adrian Smith. 

No álbum, a ordem das músicas pode mudar dependendo de onde ele foi lançado, o lançamento abaixo é o dos EUA. Na primeira versão não está incluída a faixa Sanctuary.



1. Prowler
2. Remember Tomorrow
3. Running Free
4. Phantom of the Opera
5. Transylvania
6. Strange World
7. Sanctuary
8. Charlotte the Harlot
9. Iron Maiden

Formação:
Steve Harris - Baixo e Backing Vocals
Dave Murray - Guitarra
Paul Di'Anno - Vocalista Principal
Clive Burr - Bateria
Dennis Stratton - Guitarra e Backing Vocals   


Fonte: História e Caos

Halloween !


Ilustração: Derek Riggs

terça-feira, 30 de outubro de 2012

KISS: Live on Letterman ( Ed Sullivan Theatre )


Por Daniel Faria 

No dia 10 de Outubro, o KISS se apresentou no Ed Sullivan Theatre, local onde é gravado o programa do David Letterman, em uma espécie de projeto chamado Live on Letterman. Inúmeras bandas já tocaram nesse projeto.  Apesar do vídeo ter sido disponibilizado no site oficial, não sei por qual motivo ele se encontra indisponível. 

A única solução encontrada pelo blogueiro que vos escreve, foi percorrer o Youtube atrás do vídeo, que apesar de ter encontrado, está com uma qualidade muito baixa. 

O KISS fez um show de aproximadamente 50 minutos e tocou um set list com dez músicas, sendo que apenas uma faz parte do álbum Monster, as demais são todos clássicos das antigas. 

Confira abaixo, o show na integra.


KISS no Late Show with David Letterman



Por Daniel Faria 

Assim como no lançamento do Sonic Boom (2009), o KISS se apresentou no último dia 10, no programa do David Letterman, para a divulgação do novo álbum Monster (2012). A banda tocou a música Hell Or Hallelujah, no encerramento do programa. Engraçado foi o Gene Simmons chamando o Letterman para lamber a orelha dele, como fez em 2009. 

Aerosmith: What Could Have Been Love e Legendary Child


Por Daniel Faria

Depois de muitos rumores, Music From Another Dimension! (2012), novo álbum do Aerosmith está prestes a sair do forno, o lançamento oficial está marcado para o próximo dia 06. O Aerosmith não lamça um álbum de inéditas desde o Just Push Play (2001).

E antes do lançamento oficial, a banda lançou dois clipes. O single "Legendary Child", divulgado em julho e mais recentemente o clipe da balada "What Could Have Been Love", lançado semana passada. 

Em parceria com a RollingStones.com, a banda decidiu lançar música por música até o lançamento oficial do álbum.

Em breve vou postar uma resenha sobre o álbum, por enquanto fiquem com os dois clipes oficiais.

 




Southern Rock de A a Z


Garimpando a internet encontrei esse texto publicado no blog #collectorsroom pelo Ricardo Seelig. Um texto que traz muita informação e curiosidades sobre o southern rock. Uma ótima oportunidade para quem já conhece ou então para quem está começando a se aventurar por esse universo.

Por Ricardo Seelig

Gregg Allman uma vez disse que southern rock é o mesmo que dizer “rock rock”. Essa frase resume bem um dos gêneros mais tradicionais do rock, desde seus primórdios até hoje. Certa vez montei esse Southen Rock de A a Z voltado para o público do Move That Jukebox  na tentativa de introduzir os mais jovens ao mundo do rock sulista. Não sei se deu certo, mas passado um certo tempo, tenho a oportunidade de compartillhar o especial aqui com vocês, cheio de referências históricas e curiosidades sobre bandas que merecem atenção especial. Espero que gostem.

A de Allman Brothers Band. Banda pioneira no estilo southern rock, mesclando blues, country, rock, folk e até jazz.



B de Bandeira dos Estados Confederados dos Estados Unidos América, que serve como pano de fundo para a maioria das bandas de southern rock. Para saber mais sobre a história da Guerra da Secessão (que “rachou” os Estados Unidos da América) clique aqui .


C de Capricorn Records, gravadora responsável por praticamente todos os velhos clássicos do southern rock. Clique aqui  para ver uma lista com alguns discos lançados pela gravadora.

D de Dixie Dregs. Banda formada em 1975, contava com Steve Morse no posto de guitarrista. Famosa por misturar (virtuosamente) vários estilos musicais, como jazz, southern rock e bluegrass, a banda não teve muito tempo de vida, mas sua influência na música atual é inegável. De vez em quando ainda pipocam alguns shows comemorativos com os integrantes da formação clássica.


E de Estrada. As bandas de southern rock são conhecidas pelo espírito aventureiro de “pé-na-estrada” e são as que mais fazem shows pelas mais variadas cidades dos Estados Unidos. A The Allman Brothers Band mesmo, antes de lançar seu primeiro disco, já possuía um enorme reconhecimento do grande público, devido ao número exaustivo de shows previamente realizados.


F de Funochio’s. Esse é o nome do bar em que Al Kooper viu o Lynyrd Skynyrd tocar pela primeira vez. O resultado disso? Um contrato com a gravadora MCA e a produção de Pronounced ‘Lĕh-’nérd ‘Skin-’nérd, o disco de estreia da banda.


G de Georgia Satellites, banda formada em 1980, fez um relativo sucesso na década de sua origem. Oficialmente, o grupo nunca se deu por terminado, e seu último lançamento, Shaken Not Stirred, saiu em 1997. Em abril de 2003, em Atlanta, Baird, o baixista Keith Christopher e o baterista David Michaelson tocaram duas noites sob o nome de Keith and the Satellites. De lá pra cá, pouco (ou quase nada) se ouviu falar do grupo.



H para o disco Hittin’ the Note da Allman Brothers Band que, além de ser o mais recente álbum de estúdio do grupo, é também o primeiro sem Dickey Betts, guitarrista e principal compositor, (ao lado de Gregg Allman). Diversos problemas de bebedeira e agressões levaram o músico a ser demitido, depois de mais de trinta anos de parceria. Para o seu lugar, foi recrutado o jovem Derek Trucks, que, além de excelente guitarrista, domina como pouco a técnica slide, recurso usado com grande frequência no estilo.


I de Influência. Bandas e artistas como Metallica, Pantera, Primal Scream e Kid Rock já declararam sua paixão ao southern rock. Kid Rock inclusive já se apresentou ao lado do atual Lynyrd Skynyrd em várias ocasiões.


J de Jacksonville, cidade localizada no sul da Flórida e terrra natal de bandas como Lynyrd Skynyrd e Molly Hatchet.

K de Kentucky Headhunters, banda que surgiu na década de 1980 e faz um misto de honky tonk, blues e southern rock – tudo com uma forte pegada de country music. É uma daquelas bandas que acreditam que a estrada é o melhor lugar para se tocar rock and roll, lançando poucos discos, mas com muito apetite por turnês.


L de Lynyrd Skynyrd (lógico). Essa foi a primeira banda a erguer a bandeira sulista em seus shows, além de marcar a época de ouro do southern rock. Também foi uma dos primeiros grupos que tinham três guitarristas solistas em sua formação. 



M de Marshall Tucker Band. Banda que demonstra forte influência de country e western em seu som, com o diferencial de ter em seu line-up um flautista.



N de Neil Young, que arrumou uma baita encrena quando criticou certos costumes racistas que existiam na região sulista dos Estados Unidos, através da música “Southern Man”. O Lynyrd Skynyrd respondeu às críticas de Young com a música “Sweet Home Alabama” e, graças a essa canção, foi tachado de racista pela imprensa da época.

O de Outlaws. Banda formada em Tampa, Flórida, no ano de 1972. Também tinham três guitarristas em seu line-up. Com mudanças na formação durante o passar dos anos, a banda gravou alguns álbuns até 1982, quando encerrou as atividades. No ano seguinte, Hughie Thomasson e Henry Paul reformularam o grupo, reiniciando os trabalhos. Em 1986, Henry Paul deixa (novamente) o Outlaws, formando um grupo de country music chamado Blackhawk.


P de Point Blank, banda originada no Texas. Formada em 1974 e descoberta por Bill Ham (ZZ Top, Hank Williams Jr), lançou seis álbuns entre 1976 e 1982.

Q de Quinvy Studios, localizado na cidade de Muscle Shoals, Alabama. As primeiras gravações do Lynyrd Skynyrd (inclusive a primeira versão do hino “Freebird” e outros futuros clássicos) foram concluídas em duas sessões nesse estúdio, durante a primavera de 1971.


R de Rossington-Collins Band. Dois anos após a queda do avião que matou vários integrantes do Lynyrd Skynyrd, Allen Collins e Gary Rossington decidiram formar um novo grupo, junto com os velhos companheiros que sobreviveram ao acidente (com exceção do baterista Artimus Pyle e adição de Barry Lee Harwood – na terceira guitarra). Dale Krantz (até então backing vocal do 38 Special) foi convocada para o posto de vocalista e, após dois discos (em 1982), a banda se separa, devido à morte da esposa de Allen Collins. Outro fator que pode ter contribuído para o fim da banda foi o envolvimento entre Gary Rossington e Dale Krantz, que após o fim da banda, acabam se casando. Atualmente, Krantz se dedica aos backing vocals do Lynyrd Skynyrd.


S de Southern Rock Allstars. Banda formada por nomes como Dave Hlubek (fundador do Molly Hatchet), Jay Johnson (que já tocou em bandas como Gary Rossington Band e Lynyrd Skynyrd) e o baterista Jakson Spires (ex-Blackfoot). Não é à toa que o grupo se chama The Southern Rock Allstars!


T de Thirty Eight Special, banda liderada por Donnie Van Zant, irmão mais novo de Ronnie Van Zant, vocalista original do Lynyrd Skynyrd. Inicialmente, o grupo era basicamente influenciado por southern rock mas, com o passar do tempo, acabou prevalecendo uma sonoridade mais pop no som do 38 Special – o que não tira o mérito do grupo, que continua fazendo altas sonzeiras.



Ultimamente a atual formação do Lynyrd Skynyrd tem passado por situações difíceis, perdendo o baixista Ean Evans e o tecladista Bill Powell (esse último , junto com Gary Rossington, era um dos últimos remanescentes da formação original do grupo). O mais recente álbum de estúdio da banda, lançado em 2012, se chama Last of a Dyin'Breed. Por aqui, ficamos com a faixa "Floyd", do disco God & Guns, que conta com participação especial de Rob Zombie. 



V de Van Zant, projeto de country-rock liderado pelos irmãos Donnie e Johnny Van Zant (vocalistas do 38 Special e Lynyrd Skynyrd, respectivamente). Desse projeto já foram lançados os álbuns Brother to Brother (1998), Van Zant II (2001), Get Right with the Man (2005) e My Kind of Country (2007).

W de Warren Haynes que, além de ser o principal guitarrista da Allman Brothers Band, também é guitarrista/vocalista/líder de um grupo muito bacana chamado Gov’t Mule.


X de Xis Tudo

Y foi a letra usada para homenagear um professor linha dura que não gostava de cabeludos, na época de colégio dos jovens Ronnie Van Zant, Gary Rossington e Allen Collins. Ao batizar a banda, Van Zant teve a idéia de trocar as vogais do nome do carrasco por Y. O nome do professor? Leonard Skinner.


Z de ZZ Top (lógico). A banda texana mantém a mesma formação desde 1971, com Billy Gibbons, Dusty Hill e Frank Beard. Verdadeiros dinossauros do southern rock.



Fonte: #CollectorsRoom

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

ZZ Top - Waitin' for the Bus / Jesus Just Left Chicago


Por Daniel Faria

Para começar bem o fim de semana, nada melhor que boa música, então vamos atacar com o trio do texas, ZZ Top. O vídeo mostra a apresentação dos barbudos no Crossroads Guitar Festival 2010. No set list apenas dois clássicos: Waitin' for the Bus e Jesus Just Left Chicago, ambas do álbum Tres Hombres (1973). Confiram abaixo.

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

10 álbuns fundamentais para iniciantes no Southern Rock


Introdução por Daniel Faria 

Não faz muito tempo que decidi me aventurar pelo mundo do southern rock, tudo começou quando ouvi Allman Brothers Band, a reação foi imediata, o som era diferente de tudo que eu conhecia, não tinha como não se render. Depois por conta própria fui garimpando, ouvi Lynyrd Skynyrd, Derek Trucks Band e Warren Haynes. Porém estamos falando de um universo, que assim como o jazz e o rock, tem milhões de possibilidades, onde muitas vezes não sabemos por onde começar ou o que ouvir. Por isso listas como essas são importantes.

E pensando nisso o Filipi Junio, dono do excelente Southern Rock Brasil, fez uma lista com os 10 álbuns que ele considera fundamentais para quem está começando a descobrir o southern rock. Agradeço a ele por ter permitido que eu postasse essa matéria para os leitores aqui do blog. Espero que gostem.


Allman Brothers Band - At Filmore East (1971)

Eu não tenho medo de arriscar, esse é o melhor álbum ao vivo de todos os tempos. É impressionante como esse álbum consegue transmitir para o ouvinte o que era o Allman Brothers daquela época em cima do palco, uma banda única e impecável.


Lynyrd Skynyrd - "Pronounced 'lĕh-'nérd 'skin-'nérd" (1973)

O álbum de estreia do Lynyrd Skynyrd pode ser facilmente um dos 10 melhores álbuns de estreia da história do rock. Os motivos? “Gimme Three Steps”, “Tuesday Gone”, "Simple man" e "Free Bird".


Molly Hatchet - "Molly Hatchet" (1978)

Esse é o álbum de estreia do Molly Hatchet, um dos grandes ícones do Southern Rock. O álbum tem clássicos como "Gator Country" e "Dreams I'll Never See"



The Outlaws - "The Outlaws" (1975)

Se você não escutar esse álbum e gostar, você não é um fã de Southern Rock. "Green Grass & High Tides" é um dos maiores clássicos do estilo, "There Goes Another Love Song" e "Knoxville Girl" também são classicos.


Marshall Tucker Band - "Marshall Tucker Band" (1973)

Essa banda é o grande ícone do Southern Rock mais voltado para o Country. Seu álbum de estreia está repleto de clássicos como "Take the Highway", "Ramblin'", "See You Later, I´m Gone"e a música cartão postal da banda, "Can´t You See"


Blackfoot - "Strikes" (1979)

Esse álbum é marcado pelos grandes clássicos, "Train, Train" e"Highway Song", que devem estar entre as melhores do estilo em qualquer lista que se preze. O álbum não se resume apenas às duas faixas, ele como um todo é ótimo.

38 Special - "Wild-Eyed Souhern Boys" (1981)

Esse foi o primeiro álbum que escutei do 38 Special, graças a"Fantasy Girl", primeira faixa da banda que escutei. "Hold On Loosely" e "Wild-Eyed Southern Boys" são dois clássicos da bandas que estão nesse álbum.


ZZ Top - "Tres Hombres" (1973)

É muito complicado escolher apenas um álbum do ZZ Top, mas"Tres Hombres" é meu preferido. "Waitin' for the Bus", "Jesus Just Left Chicago", "Beer Drinkers & Hell Raisers", "Move Me on Down the Line", "Have You Heard?" e a clássica "La Grange" são os destaques do álbum.


Georgia Satellites - "Georgia Satellites" (1986)

Os anos 80 só não foram piores para o Southern Rock porque o Georgia Satellites lançou seu álbum de estréia. "Keep Your Hands To Yourself" e "Battleship Chains" são os destaques do álbum.


Kentucky Headhunters - "Pickin' On Nashville" (1989)

Mais uma excessão dos anos 80. É dificil apontar algo ruim nesse álbum, que , merecidamente, é considerado um dos melhores álbuns de Southern Rock.


quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As músicas de jazz mais gravadas de todos os tempos - 3ª parte

Por Edison Junior

E encerramos com esse post a lista dos 10 temas mais gravados de todos os tempos, segundo Mario Jorge Jacques em seu livro Glossário do Jazz:


4ª) SWEET GEORGIA BROWN (1.440 gravações)

Esse tema é de 1925 e foi composto por Ben Bernie e Maceo Pinkard, com letra de Kenneth Case. Tem um ritmo e melodia que se prestam a grandes improvisos. Dentre as gravações famosas, destacam-se as de Stéphane Grappelli e Django Reinhardt, Cab Calloway, Ella Fitszgerald, Louis Armstrong, Ray Charles, Jerry Lee Lewis, Count Basie, Fats Waller, Oscar Peterson e tantas outras. Sem contar a versão assobiada, dos Brother Bones, eternizada como tema dos inacreditáveis Harlem Globetrotters.

 


 

3ª) SUMMERTIME (1.554 gravações)

Os irmãos George e Ira Gershwin compuseram essa música em 1935 para a peça Pogy & Bess, que por sinal também tinha outros belíssimos temas. Uma das versões mais conhecidas hoje, e através da qual eu conheci essa música, é a de Jenis Joplin, mas foi gravada por inúmeros jazzistas, como Miles Davis, Norah Jones, Louis Armstrong, Eva Cassidy e outros.


 

2ª) ST. LOUIS BLUES (1.769 gravações)

A música popular composta por W. C. Handy, em 1914, é a mais velha dessa lista. Foi classificada à época de sua primeira gravação como um fox-trote. A versão de Bessie Smith e Louis Armstrong entrou para o Hall da fama do Grammy em 1993.




1ª) BODY AND SOUL (1.931 gravações)

E a campeã é... Body And Soul! Composta por Johnny Green, Edward, Heyman, Robert Sour e Frank Eyton para a atriz e cantora inglesa Gertrude Lawrence Libby Holman. Foi introduzida nos EUA em 1930, e a primeira gravação foi de Louis Armstrong. Praticamente todos os pincipais jazzistas a gravaram depois disso, notadamente Coleman Hawkings (antológica!), Billy Holiday (idem), Dexter Gordon, Lester Young, Frank Sinatra, Amy Winehouse, Charles Mingus, John Coltrane, enfim, pense em um grande nome do jazz e ele a terá gravado.




E por aqui encerramos essa lista, esperando que tenham gostado. Outras versões poderiam ter sido escolhidas para ilustrar o texto, mas não tive como escapar das minhas preferências pessoais. Ah, você escolheria outras? Então indique-as nos comentários, quero conhecê-las também!

terça-feira, 23 de outubro de 2012

As músicas de jazz mais gravadas de todos os tempos - 2ª parte

Por Edison Junior

Seguimos com a lista dos 10 temas mais gravados de todos os tempos, segundo Mario Jorge Jacques em seu livro Glossário do Jazz:


7ª) 'ROUND MIDNIGHT (1.387 gravações)

Um clássico de Thelonious Monk, de 1944, foi gravada por Lester Young, Dizzy Gillespie, Miles Davis e pelo próprio Monk inúmeras vezes. Essa música serviu de tema para um filme homônimo sobre a vida de um músico de jazz negro que morou em Paris, baseado na vida de Lester Young. Filmaço, assistam!


 

6ª) TAKE THE 'A' TRAIN (1.397 gravações)

Uma das mais profícuas e belas parcerias da música de Jazz foi a de Duke Ellington e Billy Strayhorn. Quando Duke convidou Billy para trabalharem juntos, convidou-o para ir até sua casa e lhe deu as indicações do caminho. A letra dessa música baseia-se nessas instruções, cuja primeira instrução era pegar o trem 'A'. Strayhorn afirma que começou a compô-la já no caminho (you must take the A train; to go to Sugar Hill way up in Harlem).

Duke Ellington gravou essa música várias vezes, mas destacam-se também as inúmeras gravações de Ella Fitszgerald. Até os Rolling Stones fizeram referência a ela no álbum Still Life, de 1982. Mas uma das que gosto mais é a de Michel Petrucciani.


As notas introdutórias dessa música são antológicas!

 

5ª) CARAVAN (1.404 gravações)

Caravan foi composta pelo trombonista Juan Tizol, que teve a felicidade de também compor Perdido (em 32º lugar nessa lista de músicas mais gravadas). Woody Allen já a colocou como tema em dois de seus filmes. Gravações notáveis são as de Nat King Cole, com a participação do próprio Tizol, e Les Paul.


 

Continua…

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

As músicas de jazz mais gravadas de todos os tempos - 1ª parte

Por Edison Junior

O Daniel e eu estávamos conversando outro dia sobre uma coisa muito legal que tem no jazz que são as inúmeras gravações que são feitas de um mesmo tema. A música de jazz tem como uma de suas características principais a improvisação. Dado um tema, os músicos começam a compor em torno dele, transformando-o, embutindo a sua própria visão e sentimento.

Mas, afinal, quais são as músicas preferidas dos músicos? Quais são as mais gravadas? Baseados no livro Glossário do Jazz, de Mario Jorge Jacques (recomendo), listamos a seguir as 10 músicas de jazz mais gravadas até 2010:


10ª) MY FUNNY VALENTINE (1.230 gravações)

Composta por Richard Rodgers e Lorenz Hart para o musical Babes in Arms, de 1937, as gravações mais notáveis de My Funny Valentine são as de Chet Baker, Frank Sinatra e Miles Davis.

 

 

9ª) STARDUST (1.266 gravações)

Essa canção foi composta por Hoagy Carmichael em 1927 e ganhou letra de Mitchell Parish dois anos depois. Foi gravada por quase todas as orquestras americanas, além de Louis Armstrong, Nat King Cole, Dizzy Gillespie e Dave Brubeck. A primeira gravação abaixo foi amadoristicamente digitalizada de um LP por mim, e é uma das melhores versões que já ouvi. Foi gravada pela banda de Lionel Hampton, na década de 30 ou 40 e eu nunca encontrei o CD. Ouça a poeira das estrelas no vibrafone de Hampton. 



8ª) ALL THE THING YOU ARE (1.267 gravações)

Composta em 1939 por Jerome Kern e Oscar Hamerstein II, foi escrita para o musical Very Warm for May. Alguns dos que a gravaram foram Tommy Dorsey, Artie Shaw, Dizzy Gillespie, Django Reinhardt e Keith Jarrett.




Continua…

sábado, 20 de outubro de 2012

Review: ZZ Top - La Futura (2012)


Por Daniel Faria

Nove longos anos de espera, para que o trio texano do ZZ Top voltasse à tona com o seu novo álbum, que resumiu em seu nome toda a essência desse petardo. Em La Futura (2012) não há espaço para exageros ou experiências, resultando em um som pesado, com timbres sujos e crus, rock’n’roll curto e grosso. Um álbum feito sob medida, onde o velho e novo andam lado a lado, em sintonia, onde o trio texano formado por Billy Gibbons (vocal e guitarra), Dusty Hill (vocal e baixo) e Frank Beard (bateria), apresenta um som praticamente inquestionável. A produção de Rick Rubin e do próprio Billy Gibbons, responsáveis por deixar o som com essa pegada mais suja e crua. Acertaram em cheio.

La Futura (2012) não merece ser apreciado a seco. Portanto prepare um copo com gelo e uma boa dose de whisky e se deixe levar por cada nota, riff e solo, apreciando sem moderação alguma.  O álbum abre com “I Gotsta Get Paid”, música que já valeria o disco, um rock’n’roll com muito peso, um refrão grudento e um instrumental matador, e que prepara o ouvinte para o que está por vir. Sem dar tempo de respirar ou tomar um gole de whisky, surge “Chartreuse”, uma música com um riff empolgante e um solo impecável do Billy Gibbons. Seguindo a mesma fórmula, a pegada crua de “Consumption” soa  na sequencia, praticamente emendada com a anterior, e nesse música o trio texano da mais uma aula de como fazer música, o rock’n’roll levado a sério e tratado como deve ser tratado, ela tem uma levada cadenciada, que chega a ser arrastada, e que vai tomando várias formas no decorrer da música. Depois de uma sequencia matadora, o ZZ Top nos brinda com uma balada, “Over You”, tem a capacidade de te levar as lagrimas se for preciso, uma música que desmonta você, esse é o resultado de uma boa letra e um instrumental inspirador, a música tem a cadência, a leveza e a melancolia do blues, o destaque fica por conta do solo do Billy Gibbons, que dispensa qualquer comentário, só ouvindo e deixando se levar. O blues segue firme e forte em “Heartache In Blue”, destaque para a harmônica tocada por James Harman, que da um toque mais do que especial à música. Em “Don't Wanna Lose, Lose, You” o trio deixa de lado o peso e embala um hard rock mais leve, combinando com uma letra viciante e um refrão grudento. “Flyin' High” é a música que embalou a espaçonave Soyuz, que a pedidos do astronauta Mike Fossum foi liberada com antecedência e inclusive podendo fazer o download no site da NASA. É uma que merece estar entre as melhores do álbum, um rock’n’roll com uma levada empolgante, refrão simples e grudento, com o Billy Gibbons mandando bem demais nos riffs e em um solo inspirado. O trio emenda na sequencia a música “It's To Easy Mañana”, que traz um clima mais cadenciado, com um som arrastado, e um timbre mais grave no vocal, com riffs bem executados e mais um solo primoroso do barbudo Billy Gibbons, destaque para a parte final da música, onde ela muda totalmente, com Dusty Hill e Frank Beard entrando em ação brevemente, provando que não são bons apenas na cozinha. La Futura continua nos surpreendo a cada mudança de faixa, “Big Shiny Nine” tem uma pegada rock’n’roll, direta, sem tempo para frescuras, Billy Gibbons canta e toca com uma energia que muitos garotos não tem, a música flui em meio a riffs e solos curtos, mais uma amostra de como fazer um som sob medida, sem exageros. “Have a Little Mercy” encerra o álbum com perfeição, fraseados de guitarra inspirados sobressaem sob uma levada cadenciada de blues, e como não poderia faltar, Billy Gibbons acerta a mão mais uma vez em um solo irretocável, no fim da música a levada sofre uma alteração, encerrando assim o álbum La Futura.

Estou longe de ser um conhecedor da discografia do ZZ Top, ouvi alguns álbuns e musicas aleatória, o primeiro álbum que ouvi por inteiro foi o antecessor Mescalero (2003) e depois consequentemente o La Futura (2012). Os nove anos que separam os dois álbuns, são esquecidos quando se aperta o play e ouve a primeira paulada na orelha do novo álbum, que surpreendeu todo mundo, com um rock’n’roll legitimo e feito por caras que sabem o que estão fazendo, afinal são 43 anos de estrada. La Futura (2012) é um dos álbuns que mais ouvi recentemente, o fato de mesclar o som antigo com o moderno, e com doses cavalares de criatividade do trio, faz desse álbum um dos melhores do ano. La Futura não só me fez virar um fã declarado do ZZ Top, como abriu as portas para que eu entrasse de cabeça na discografia dos caras. Então se você ainda não descobriu o som dos caras, escute esse álbum; se você bebe, enche o copo e aumente o som, e deixa o rock’n’roll do ZZ Top inundar sua alma e te levar. Se você não bebe, apenas aprecie o álbum sem moderação. Boa Audição

01. I Gotsta Get Paid
02. Chartreuse
03. Consumption
04. Over You
05. Heartache In Blue
06. I Don't Wanna Lose, Lose, You
07. Flyin' High
08. It's Too Easy Mañana
09. Big Shiny Nine
10. Have A Little Mercy

ZZ Top - Heartache In Blue ZZ Top - Over You ZZ Top - Flyin' Hight

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