quinta-feira, 31 de março de 2011

The Derek Trucks Band

2010 - Roadsongs
Gênero: Blues / Jazz / Rock / Soul



Depois de um fim de semana inesquecível no show do Iron Maiden, é hora de dar continuidade na divulgação da boa música, afinal isso não pode parar. Pensei muito qual álbum postar e nada melhor do que Derek Trucks Band, um guitarrista prodígio e que faz jus a esse título. Derek é considerado como um dos grandes expoentes da nova geração do blues, sendo um dos mais completos guitarristas da atualidade, como disse na primeira postagem, ele começou a carreira aos nove anos e aos doze já tocava com músicos da cena local e aos quinze anos já havia formado a sua própria banda. Não são só os feitos que impressionam, Derek toca guitarra como poucos, possui uma técnica absurda, tudo isso aliado ao feeling.

Apesar de ouvir o som do Derek Trucks há pouco tempo, fiz questão de ouvir toda a sua discografia e posso dizer sem medo de errar que não existe um álbum ruim, por isso é tão difícil escolher um na hora de postar. Enfim, sem mais delongas vamos ao que interessa: Boa música.

O álbum Roadsongs (2010) é o trabalho mais recente do guitarrista e foi gravado durante a turnê do álbum Already Free (2009), que conquistou um Grammy. A qualidade do Derek e sua banda, é inquestionável e por ser um álbum ao vivo, fica ainda melhor. Ao todo são 14 faixas, onde o guitarrista explora e mescla vários estilos musicais, como o rock, o jazz, o blues e o soul.

A faixa “I’ll Find My Way” abre o álbum com uma pegada soul, destaque para a presença dos metais que ficaram a cargo do trompetista Paul Garret, o saxofonista Mace Hibbard e o trombonista Kevin Hyde, no vocal um velho conhecido, Mike Mattison e como não poderia faltar, Derek Trucks encerra a música com um solo de boas vindas. O DTB apresenta a primeira música do álbum Already Free (2009), “Down In The Flood”, uma releitura da composição do cantor Bob Dylan, depois é a vez de “Sailing On” do álbum Songlines (2006). Na sequencia a banda volta a tocar músicas do álbum vencedor do Grammy, com as músicas “Get What You Deserve”, “Days Is Almost Gone” e “Already Free”. O jazz não poderia de forma alguma faltar, e ele aparece justamente através de um clássico de John Coltrane, a música “Afro Blue”. O interessante dessa música é o instrumental, são quatorze minutos e meio de um som contagiante e com várias variações, destaque para o tecladista Kofi Burbrige que deixa o teclado de lado para assumir a flauta e assim fazer um show a parte. Um instrumental dessa qualidade, serve para reforçar ainda mais o que todo mundo já sabe, a experiência e a competência dos músicos que acompanham o Derek Trucks. O disco 2 começa com “I Know” que inicia com um show particular de Derek Trucks, até que surge Mike Mattison com seu vozeirão soul, uma das melhores músicas do álbum. Na sequencia “Down Don’t Bother Me” e “Don’t Miss Me”, duas músicas do álbum Already Free (2009), a primeira possui um feeling que impressiona, novamente Mike e Derek proporcionam momentos agradáveis ao público. “Key To The Highway” é outra música que merece um baita destaque, assim como no último álbum ao vivo que eu postei aqui no blog, nesse não é diferente e o clima de jam session toma conta do palco, com um instrumental perfeito e Mike Mattison literalmente sobrando, com um vocal impecável. Tenho a impressão que o DTB gosta de surpreender o público e isso acontece ao tocar o clássico “Get Out Of My Life Woman”, que foi gravado por inúmeros músicos e bandas, entre eles o The Doors, mas dessa vez é Derek Trucks que da outro tratamento a música com um instrumental refinado e com Mike Mattison nos vocais. Sem dar tempo para o público respirar e muito menos sem parar o instrumental, o DTB emenda outro clássico, “Who Knows” do guitarrista Jimi Hendrix. O resultado não poderia ser outro, são quase treze minutos de um som da mais alta qualidade. O show encerra com “Anyday” do Derek and The Dominos, projeto do guitarrista Eric Clapton que contou com a participação do guitarrista Duane Allman, do The Allman Brothers.

Roadsongs (2010) não é um simples álbum ao vivo, é mais do que isso. Diante de álbum que no meu entender é digno de ser considerado perfeito, as palavras simplesmente somem, mas o fato é que Derek Trucks Band pode sim ser considerada como uma das maiores e mais inovadoras bandas dos últimos anos. Digo isso não só porque o Derek Trucks faz parte, embora ele se encaixe facilmente em qualquer outra banda, mas vale ressaltar a qualidade e a competência dos outros músicos também, a maioria acompanha o Derek Trucks há muitos anos, como o Mike Mattison (vocal), Kofi Burbridge (teclado/flauta), Todd Smalie (Baixo), Yonrico Scott (bateria) e Count M’ Butu (percussão), e que ganhou a ajuda dos “metaleiros”, Paul Garrett (trompete), Kevin Hyde (trombone) e Mace Hibbard (saxofone). Boa Audição.

Track List

Disco 1

01. I’ll Find My Way
02. Down In The Flood
03. Sailing On
04. Get What You Deserve
05. Days Is Almost Gone
06. Already Free
07. Afro Blue

Disco 2

01. I Know
02. Down Don’t Bother Me
03. Don’t Miss Me
04. Rastaman Chant
05. Key To The Highway
06. Get Out Of My Life Woman/Who Knows
07. Anyday

The Derek Trucks Band "Down Don't Bother Me"



Site Oficial: Derek Trucks

terça-feira, 29 de março de 2011

Iron Maiden em São Paulo (26/03/2011): EU FUI !!


(Fonte: Blog Flight 666)

Por Daniel Faria

O dia 26 de Março de 2011 ficará marcado para sempre na minha vida. Ir a um show do Iron Maiden era um sonho que eu tinha há muitos anos, mas nunca conseguia ir. No ano passado a banda anunciou que faria uma nova turnê mundial, para divulgar o álbum “The Final Frontier” e anunciaram seis shows pelo Brasil. Foi nesse momento que vi a oportunidade surgir mais uma vez na minha frente. Para minha felicidade tudo correu muito bem, entrei em contato com um cara que organiza excursões para shows, comprei meu ingresso e fiquei contando os dias para o show.

Claro que esse momento merecia uma postagem pra lá de especial, por isso não se espante com o tamanho do texto (porque é grande mesmo), aqui eu relato tudo que aconteceu no dia do show, com o maior número de detalhes possíveis. Em um momento do show, o Bruce disse que seria a ultima passagem da banda pelo Brasil, a reação do público foi imediata, é claro que ele estava brincando. O fato é que, eu estou pronto para o próximo show (risos). E prometi a mim mesmo, que da próxima vez não vou mais na arquibancada e sim na pista vip. Espero conseguir isso. Enfim, sem mais delongas, segue o relato (gigante e detalhado) sobre esse dia muito especial.

Dormir sexta feira foi impossível, eu não parava de pensar no show, na tentativa de imaginar como seria esse momento, minhas expectativas eram enormes. Outro motivo que não me deixou dormir foi o medo de perder o horário e o ônibus da excursão. No sábado acordei 7 horas da manhã. O ônibus da excursão iria sair da cidade vizinha as 10:00 horas da manhã, e para chegar até o local combinado precisei pegar dois ônibus. Quando cheguei ao local (45 min adiantado) já avistei alguns fãs da banda, com o passar do tempo à quantidade de fãs aumentou consideravelmente. Resumindo: O ônibus chegou na hora marcada, mas o cara responsável pela excursão chegou 1 hora de depois. Foi engraçado demais, quando ele chegou todo mundo começou a vaiar, mas tudo na maior clima de zuação mesmo. A quantidade de fãs era tanta, que lotou dois ônibus. A viagem transcorreu perfeitamente, rolou até uns vídeos do Iron Maiden para o pessoal assistir durante a viagem. Fizemos uma parada para almoçar, a essa altura o pessoal já estava impaciente com a demora. Os portões do Morumbi iriam abrir por volta de 15:00 horas, o ônibus chegou ao estádio por volta de 15:30 horas.

O movimento em torno do estádio era tranquilo, o esquema de segurança montado para o evento era algo admirável, nunca vi tanta policia no mesmo lugar (risos). Na hora que o pessoal desceu do ônibus, um ficou perguntando para o outro sobre o setor, para saber quem iria no mesmo setor, assim formou-se pequenos grupos, o meu setor era arquibancada azul, praticamente tive que dar a volta no estádio. O clima era de tranquilidade, fui revistado e posei para uma foto na entrada do setor. Foi nesse momento que eu comecei a ter a dimensão da onde estava. Chegando na arquibancada azul (que estava vazia), consegui escolher um bom lugar para curtir o show. Eram exatas 16:00 horas, teria um bom tempo para esperar, mais a essa altura eu não ia me importar com horário, queria era curtir o momento. Tirei algumas fotos (como vocês poderão ver no final da postagem).

O sábado não poderia estar melhor, tudo cooperava para uma noite inesquecível. Por volta das 19:30 horas as luzes do Morumbi se apagaram e nesse clima começou o show da banda Cavalera Conspiracy. Para quem não conhece, é a banda dos irmãos Igor e Max Cavalera. Apesar de não ser o estilo de som que eu gosto, curti muito o show. Mesmo sendo uma banda nacional, era o primeiro show deles no Brasil. A banda subiu no palco com muita energia, tocaram um setlist baseado nos dois álbuns, dando um pouco mais de ênfase ao recém lançado “Blunt Force Trauma”. O ápice do show aconteceu quando a banda tocou clássicos do Sepultura, o público foi ao delírio. A apresentação teve duração de uma hora mais ou menos, o engraçado foi quando o Max tentou puxar o público para gritar o nome da banda e o pessoal respondeu em coro “Maiden, Maiden, Maiden”. Enfim era inegável que isso iria acontecer.


Assim que o show acabou, as luzes do estádio voltaram a acender e o palco começou a ser preparado para o grande momento da noite. O show estava marcado para 21:30 horas, mas para a surpresa de todos, as luzes se apagaram por volta das 21:00 horas. Quando a introdução da música “Satellite 15.... The Final Frontier” começou, o público foi ao delírio, durante 4:30 minutos o que se viu foi um clipe com efeitos visuais de explosões (nos dois telões ao lado do palco), enquanto as luzes do palco ficavam piscando. Ao final dessa introdução, a banda surgiu no palco e foi ovacionada por mais de 50 mil vozes. Da arquibancada, eu tinha uma visão privilegiada do palco (melhor que isso só pista premium). A sensação que eu senti naquele momento é impossível de traduzir em palavras, não conseguia acreditar que estava vendo ao vivo a melhor banda de heavy metal do mundo. Com a banda já em cena, foi possível visualizar o palco, que tinha como cenário um tema futurista e espacial. Na sequencia a banda emendou com outra música do novo álbum, “El Dorado”. Depois foi a vez da banda tocar um clássico, “2 Minutes to Midnight” e encerrou a primeira parte com “The Talisman”, outra música do novo álbum. A essa altura Bruce Dickinson já havia empolgado os fãs. A presença de palco dos caras é impressionante, o Bruce que estava usando uma calça camuflada, toca e uma camisa com as palavras “Psych Ward” (ala psiquiátrica), cantou muito bem, correu o palco de ponta a ponta várias vezes, Steve Harris também correu de um lado para o outro, o som do baixo dele era matador ao vivo, o mesmo posso dizer das guitarras de Adrian, Janick e Dave, poder ouvir aqueles solos ao vivo foi indescritível. O único que eu não conseguia ver era o Nicko McBrain, até por que ele fica praticamente escondido atrás da batera, então a única forma de vê-lo foi através do telão.


Em apenas quatro músicas, eu havia conseguido realizar outro sonho de fã. O Bruce tem uma marca registrada, em todo show do Maiden ele sempre pede para o público gritar e no Morumbi não seria diferente. Ouvir o Bruce dizer “Scream for me São Paulo....” e poder gritar com todas as forças possíveis, foi outro momento impossível de traduzir em palavras.

Ao fim da quarta música, ao coro de “Ole Ole Ole Maiden, Maiden”, Bruce disse as primeiras palavras ao público, que mais uma vez foi ao delírio. Como meu inglês não é dos melhores, consegui entender pouca coisa, ele falou sobre a nova turnê da banda e prometeu surpresas para aquela noite. Em seguida banda tocou “Coming Home”, ela que no álbum já era excelente, ao vivo ficou melhor ainda. O público acompanhava Bruce em cada palavra da letra. Depois foi a vez de “Dance of Death”. O primeiro grande ápice do show foi quando a banda tocou “The Trooper”, um verdadeiro clássico, como é de praxe, Bruce se veste de soldado e pega a bandeira da Inglaterra para agita-la durante a música, foi um momento inexplicável, um coro formado por 50 mil vozes. Sem dar tempo para o público respirar, a banda tocou um clássico recente, “The Wicker Man”, a essa altura do show eu já estava começando a ficar sem voz. Outra vez destaco a presença de palco da banda, o Bruce não para um minuto (risos), ele corre de um lado para o outro, não só ele, mas todos os músicos têm a energia e a vitalidade que muita banda formada por jovens não tem.


Quando terminou a música, aconteceu o que na minha opinião foi um dos momentos mais marcantes e emocionantes do show. Antes de começar a próxima música, o Bruce começou a falar novamente com o público, lembro como se fosse agora, ele falando que o show de São Paulo era especial, foi nesse momento que o estádio começou a gritar “Bruce...Bruce...Bruce..”, a reação dele foi a melhor possível, ele não conseguia terminar o que havia começado a falar, bateu a mão no peito e o público novamente entoou um coro: “Ole...Ole...Ole...Maiden...Maiden”. Foi um momento maravilhoso. Quando Bruce se recompôs, ele falou sobre os acontecimentos durante a turnê, como o terremoto que devastou o Japão e impossibilitou o show da banda, o fato é que o Ed Force One iria descer em Toquio, quando foi avisado da tragédia. Bruce ainda falou que a música “Blood Brothers” seria dedicada a todas as pessoas que foram afetadas pelas tragédias, falou também sobre os fãs que vivem na Siria e Libia, e sofrem com a guerra, depois concluiu dizendo: “Não importa sua cor, sua raça ou sua religião, se você é fã do Maiden é parte da família. Somos todos irmãos de sangue”. Na sequencia a banda tocou outra música do novo álbum, “When The Wild Wind Blows”, que na minha opinião é uma das melhores e confesso que estava ansioso para ouvi-la ao vivo. Foi bom demais.

A música “The Evil That Men Do” abriu a sequencia final formada apenas com clássicos. A banda reservou para essa parte do show um dos momentos mais aguardados e especiais para os fãs. Eis que durante a música surge no palco o mascote Eddie, com três metros de altura, não precisa dizer que o público foi ao delírio.


Quando “Fear Of The Dark” começou a ser tocada, os fãs entraram em êxtase e o que se ouviu foi um coro de 50 mil vozes cantando junto com Bruce e várias luzes formadas por celulares e isqueiro. Sem dúvida foi um dos pontos altos do show. Quando Bruce Dickinson começou a gritar “Scream for me São Paulo” o público correspondeu a altura e logo a banda começou a tocar outro clássico, “Iron Maiden”, uma música que mexe com qualquer fã. No meio da música o público foi surpreendido outra vez, com a presença do Eddie, mas agora não era mais o boneco, era apenas a cabeça que surgia atrás da bateria, com os olhos acessos, mexendo a mandíbula e os dedos. Foi a primeira vez em toda a tour que a banda usou esse efeito. Sem dúvida uma grande supresa para os fãs brasileiros, como havia prometido o vocalista.


Como é de praxe, o encerramento dessa música foi apoteótico, com Bruce agradecendo o público mais uma vez. Ao final a banda saiu do palco, os guitarristas jogaram as palhetas e Nicko McBrain jogou as baquetas e as munhequeiras para o público. Enquanto público entoava um coro de “Maiden...Maiden...Maiden”, passado alguns minutos a banda volta ao palco para a parte final do show e começa tocando outro clássico, “The Number of The Beast”, de todas as inúmeras vezes que eu já ouvi essa música, nenhuma delas se compara a essa única vez que ouvi ao vivo. O público eufórico cantou ela do começo ao fim, assim como aconteceu com outros clássicos. Sem dar tempo a banda emendou outro clássico, “Hallowed Be Thy Name”, lembro que o estádio inteiro começou a bater palmas, enquanto Bruce cantava com maestria no palco, quando chegou na segunda parte da música todo mundo começou a pular e a cantar. O show encerrou com outro clássico, “Running Free”, enquanto cantava, Bruce fez questão de ir apresentado músico por músico (sempre em tom de brincadeira), a cada nome citado os fãs gritavam e aplaudiam, Bruce ainda empolgou os fãs pela última vez na noite.


A duração do show foi por volta de 2 horas, o impressionante é que passou rápido demais, como tudo nessa vida, tudo que é bom, dura pouco. No fim do show, ainda tirei umas fotos de recordação e quando estava saindo da arquibancada vi um cara vendendo bandeira da banda, só deu tempo de parar, perguntar o preço e comprar.

Apesar da multidão a saída do estádio foi tranquila, não vi uma confusão, eu estava anestesiado e sem reação, a ficha não havia caído, parecia um sonho, meu medo era acordar e estar deitado em casa (risos), como já aconteceu várias vezes. Eu sai com o pessoal da excursão (que estavam na arquibancada azul), eu queria muito comprar uma camisa, mas dentro do estádio estava custando 80 reais, mas acabei comprando do lado de fora do estádio, uma camisa que vou guardar de recordação. A volta para casa foi maravilhosa, cheguei em casa 3:30 da madrugada, e o mais incrível, não estava nem um pouco cansado.

Um amigo comentou comigo durante a viagem, que a partir daquele dia, quando ele fosse ouvir as músicas na casa dele, com certeza passaria a ser diferente. E realmente é verdade, fiz isso e posso comprovar. A ficha demorou para cair, quando começa e termina o show, você não consegue acreditar naquilo, a sensação é de estar anestesiado. E outro fato que posso confirmar, é que depois do show eu não lembrava nem do setlist direito, só depois de algumas horas que fui lembrando. É uma sensação engraçada demais.

Ufa ! Que texto gigante. Bom eu esperei muito por esse dia, mesmo indo (e com certeza eu vou) em outros shows do Iron Maiden, a primeira vez é sempre inesquecível e marcante. Abaixo segue uma pequena galeria de imagens, algumas eu tirei e outras (mais próximas) retirei da internet. E também há dois vídeos.


Set List do Show no Morumbi

01. "Satellite 15... The Final Frontier"
02. "El Dorado"
03. "2 Minutes do Midnight"
04. "The Talisman"
05. "Coming Home"
06. "Dance of Death"
07. "The Trooper"
08. "The Wicker Man"
09. "Blood Brothers"
10. "When the Wind Blows"
11. "The Evil That Men Do"
12. "Fear of the Dark"
13. "Iron Maiden"

Bis

14. "The Number of the Beast"
15. "Hallowed Be thy Name"
16. "Running Free"

Galeria de Fotos


Vídeos (Créditos: tilicocorp)

Iron Maiden - "Satellite 15...The Final Frontier"


Iron Maiden - "Iron Maiden"

segunda-feira, 28 de março de 2011

Joshua Redman

1994 – Mood Swing
Gênero: Jazz



O saxofonista Joshua Redman impressionou o mundo do jazz logo no início de sua carreira nos anos 90. Vencedor do prêmio Thelonius Monk, em 1991, desde cedo Joshua Redman, causou sensação. Apesar de já haver acompanhado outros músicos em gravações, seu primeiro álbum próprio mostrou uma impressionante maturidade. O CD recomendado aqui, Mood Swing, é o terceiro de sua carreira e foi gravado pelo Joshua Redman Quartet, em que, além de Redman ao saxofone, tem ainda Brad Mehldau (piano), Christian McBride (baixo) e Brian Blade (bateria).

Track List

01. Sweet sorrow
02. Chill
03. Rejoice
04. Faith
05. Alone in the morning
06. Mischief
07. Dialogue
08. The oneness of two (in three)
09. Past in the present
10. Obsession
11. Headin’ home



Site Oficial: Joshua Redman

sábado, 26 de março de 2011

Iron Maiden

1982 - The Number Of The Beast
Gênero: Heavy Metal



Estou a poucas horas de ir ao meu primeiro show do Iron Maiden, que tem tudo para ser inesquecível. A ansiedade aumenta a cada dia que passa, ainda mais por que esperei muitos anos por esse momento. No momento que esta postagem for publicada, certamente já estarei em um ônibus rumo ao Morumbi. E para celebrar esse momento único na minha vida, hoje vou falar sobre um álbum conhecido de todos e que faz parte não só da história do Iron Maiden, mas do heavy metal mundial.

O álbum “The Number Of The Beast” (1982) é o terceiro lançado pela banda e foi como um divisor de águas na carreira e na história da Donzela. Lançado em 29 de Março de 1982, o álbum marca o inicio dos anos dourados da banda, assunto que já comentei em outras postagens. O cenário era o seguinte, a banda estava alcançando sucesso, após lançar os álbuns “Iron Maiden” (1980) e “Killers” (1981), ambos tiveram grande reconhecimento da mídia e dos fãs. Nesse pouco período, a banda já havia feito algumas mudanças significativas na sua formação, a primeira foi a dispensa do então guitarrista Dennis Stratton, dando lugar a Adrian Smith, depois foi a vez do vocalista Paul Di’anno dizer adeus ao Iron Maiden. Segundo informações, um dos motivos da sua saída foi o fato do uso das drogas, que afetavam suas apresentações e depois por não ter carisma no palco. Independente dos motivos e sem entrar no mérito da questão da sua qualidade como vocalista, foi uma decisão que mudou completamente o rumo do Iron Maiden. Para ocupar o posto de vocalista, foi chamado Bruce Dickinson, não precisa nem dizer que isso agradou os fãs. Além de cantar muito bem, Bruce Dickinson tem presença de palco e carisma, e isso era o que a banda procurava. E também marca o fim do ciclo do baterista Clive Burr.

Desde o seu lançamento, o álbum “The Number Of The Beast” foi alvo de criticas em várias partes do mundo e claro que isso só ajudou para o sucesso da banda. Ao contrário de outras bandas de rock, o Iron Maiden nunca foi ligado ao uso de drogas, mas com o lançamento do álbum, muitos religiosos passaram a rotular a banda como satanista, principalmente por causa da faixa-título, considerada um dos maiores clássicos do heavy metal. Há também histórias interessantes que aconteceram na época da turnê, como a do produtor Martin Birch, que se envolveu em um acidente de carro, até ai nada demais, o estranho foi quando ele recebeu a conta do estrago, exatos £ 666, o produtor recusou a pagar e optou pelo valor de £ 668. Apesar das inúmeras acusações, de que são vitimas até hoje, a banda deixa claro seu posicionamento em relação a isso, declarando várias vezes que não são satanistas. Se as histórias são verdadeiras ou não, o fato é que tudo isso contribuiu para o marketing e também atribuiu uma certa, digamos, “mitologia” em volta da banda.

Musicalmente, “The Number Of The Beast” é o que há de melhor quando o assunto é heavy metal. O repertório formado por nove músicas, algumas se tornaram verdadeiros clássicos e são tocadas em todos os shows da banda. Em relação ao álbum “Killers”, houve mudanças consideráveis, como Dave e Adrian que optaram por um som mais melódico nas guitarras, criando riffs e solos memoráveis, Bruce Dickinson cantando muito bem e também usando um vocal hora melódico hora agressivo. O álbum abre com “Invaders”, uma música boa, mas que não é muito lembrada atualmente, nem mesmo à banda apostou na música, prova disso é que ela nunca foi tocava ao vivo, uma pena. A letra escrita por Harris, fala sobre a batalha entre os vikings e os saxões, na qual os vikings venceram. A pagada a música é rápida, com ótimas linhas de baixo, bateria, solos e riffs de guitarra e o vocal que passaria a ser inconfundível de Bruce Dickinson. Na sequencia a balada “Children Of The Damned”, que começa com dedilhado, acompanhado pela bateria e o baixo. Bruce que começa cantando de forma contida, não demora muito para explorar o seu potencial (diga-se de passagem com um vocal muito melódico), Dave e Adrian mostram um entrosamento muito interessante ao criar novamente um solo envolvente. . Escrita por Harris e Smith, “The Prisoner” tem uma das melhores introduções do álbum, começa com uma narração, na sequencia Clive Burr se destaca pela linha criativa da batera, que é acompanhada pela guitarra, até que surge Steve Harris com sua marca registrada no baixo, a cavalgada, algo que faz com muita competência, precisão e velocidade. A música é do tipo característica do Maiden, Adrian e Dave novamente esbanjam virtuosismo e entrosamento, enquanto Bruce segura as pontas no vocal. “The Prisoner” é outra música de grande qualidade e que não foi tão explorada pela banda. “22 Acacia Avenue” começa com palhetadas rápidas de guitarra, enquanto Bruce canta as primeiras palavras. A música possui variações interessantes no instrumental, a letra é uma sequencia sobre a história da prostituta Charlotte, nessa segunda parte, Harris e Smith contam a história em diversos pontos de vista. Para quem quiser acompanhar a história inteira, a primeira parte está no álbum Iron Maiden (“Charlotte The Harlot”) e no Fear of The Dark “From Here To Eternity”. Na sequencia a clássica “The Number Of The Beast” e que sem dúvida é a melhor do álbum e por vários motivos. Escrita por Harris, a música nada tem a ver com satanisto ou pacto com o diabo, pelo contrário, a letra foi inspirada no pesado do Steve Harris, após assistir o filme “Damien: Omen II” (A Profecia) e no poema de Tom o’Shanter. A música começa com a narração de um trecho do apocalipse, na sequencia o riff da guitarra e Bruce cantando como se estivesse contando uma história, a música atinge o ápice com o gritaço agudo do Bruce, algo que segundo informações foi treinado e gravado inúmeras vezes, até atingir o ponto ideal. A música é conhecida de todo mundo, o refrão então nem se fala, “Six, Six, Six, The Number of The Beast”, o instrumental é um capitulo a parte, Adrian e Dave proporcionam um momento épico e o resultado é um solo marcante, Harris outra vez dispensa comentários, enquanto as guitarras continuam solando, ao fundo é possível ouvir o som inconfundível do baixo. “The Number of The Beast” é um clássico mundial e foi responsável por grande parte do marketing da banda. Outro clássico surge em seguida, “Run To The Hills”, sempre presente nos shows da banda, os riffs são marcantes, assim como o refrão..... “Run to the hills, run for your lives”. É uma das músicas mais conhecidas da banda e tem uma sonoridade incrível. Na sequencia duas excelentes, mais que assim como as outras já citadas, não foram exploradas pela banda, são elas “Gangland” e “Total Eclipse”, as duas possui linhas melódicas interessantes. No caso da segunda, ela foi uma espécie de sobra e que acabou entrando no track list. O álbum encerra com outro clássico, "Hallowed be Thy Name", uma música com direito a tudo que o Iron Maiden tem de melhor, a banda inteira merece destaque mais uma vez, Adrian e Dave outra vez mostram um entrosamento perfeito e juntos proporcionam um solo maravilhoso, Steve novamente mostra que precisão e velocidade é com ele, Clive surpreende outra vez com uma batera perfeita e Bruce, bom esse dispensa comentários.

“The Number Of The Beast” é o album consagrado e que sobrevive na memória dos fãs há exatos 29 anos, isso sem perder a mística que o envolve. Depois desse álbum, o Iron Maiden nunca mais foi visto da mesma forma e serviu como pontapé inicial para o que viria a ser os anos dourados da banda. Boa Audição.

PS: Creio que muitos leitores do "Jazz & Rock" estarão em algum show do Iron Maiden durante essa tour pelo Brasil. Então aproveito para desejar a todos um excelente show.

Track List

01. Invaders
02. Children of the Damned
03. The Prisoner
04. 22 Acacia Avenue
05. The Number of the Beast
06. Run to the Hills
07. Gangland
08. Total Eclipse
09. Hallowed be Thy Name

Iron Maiden - "The Number Of The Beast"


Iron Maiden - "Run To The Hills"


Site Oficial: Iron Maiden

quarta-feira, 23 de março de 2011

Gil Scott-Heron

2005 - Anthology: Messages
Gênero: Funk / Soul



Continuando com os post sobre artistas do funk e soul, decidi postar esse álbum totalmente roots. Sempre fui fã de músicas que tem algum apelo social ou mostram algum aspecto da sociedade. Por isso, quando escutei as músicas desse poeta de Chicago, que foi considerado até um "Bob Dylan negro", adorei a mistura do soul com letras, coisa que ainda não era feita na época, já que todo o movimento de igualdade racial nos EUA estava efervescendo. Com a parceria de um colega de faculdade, Brian Johnson, marcou o mundo do soul e do funk para sempre.

Com influências de Malcom X e os grandes escritores negros da época, Gil Scott-Heron captou em suas músicas o processo que a luta em favor da igualdade racial nos EUA estava se tornando algo muito mais agressivo, dando espaço para o desenvolvimento do movimento Black Power. Suas músicas falam bastante de temas sociais, como o consumismo, a programação televisiva da época, a vida e a situação dos negros nos guetos, entre outros. Para alguns, Gil Scott-Heron é considerado padrinho do rap.

Este álbum reúne os grandes sucessos de Gil Scott-Heron, que voltou do ostracismo e de uma vida cheia de drogas e processos judiciais em 2009 e produziu um álbum intitulado "I'm New Here", todos gravados na década de 70 com sua antiga banda. Particularmente adoro as faixas: o grande sucesso "The Revolution Will Not Be Televised", "Home Is Where the Hatred Is", a ótima balada "Winter in America" e "The Bottle". Enfim, curtam um ótimo funk com pitadas de crítica social e BOA AUDIÇÃO!

Track List

01. The Bottle
02. Johannesburg
03. Winter in America
04. The Liberation (Red, Black & Green)
05. It's Your World
06. Home Is Where the Hatred Is (LIVE)
07. Racetrack in France
08. Hello Sunday Hello Road
09. We Almost Lost Detroit
10. Delta Men (Where I'm Coming From)
11. Angel Dust
12. Show Bizness
13. Madison Avenue
14. Shut'um Down
15. Alien (Hold on to Your Dreams)
16. The Revolution Will Not Be Televised

Gil Scott-Heron - The Bottle


Gil Scott-Heron - Winter in America


Site Oficial: Gil Scott-Heron

Mezzoforte

2010 - Volcanic
Gênero: Jazz / Fusion / Funk



Se você curtiu o som do Poogie Bell Band, não pode deixar de ouvir e conhecer o do grupo islandês Mezzoforte.

Mezzoforte é uma banda de jazz fusion/funk da Islândia, com mais de 30 anos de estrada. Quando a banda foi criada, eles eram adolescentes, e de lá para cá muita coisa mudou, a banda já se apresentou em 40 países, 13 álbuns lançados e várias turnês ao longo da carreira. A banda original foi fundada em 1977 por Eythor Gunnarsson (teclado), Johan Asmundssion (baixo), Gulli Briam (bateria), Fridrik Karlsson (guitarra), e no decorrer dos anos muitos músicos participaram das várias formações do grupo, entre os recentes estão Sebastian Studnitzky (trompete/teclado), Thomas Dyani (percussão), Óskar Gudjonsson (saxofone) e Bruno Mueller (guitarra).

Depois de um período de quase sete anos sem lançar um álbum de estúdio com músicas inéditas, a banda começou a trabalhar na primavera de 2008, para dar inicio a tal tarefa, cinco membros da banda viajaram até o sul da Islândia e se hospedaram em uma cabana isolada, assim teriam todo tempo do mundo para trabalhar nas músicas que estariam no novo álbum. Durante esse período, o grupo lembrava constantemente sobre o poder fantástico e imprevisível dos vulcões, talvez esta experiência explique o nome do álbum: “Volcanic” (2010). E durante as minhas pesquisas, acabei descobrindo que os músicos passaram por maus momentos durante essa experiência; um terremoto de magnitude 6.1 na escala Richter literalmente sacudiu a cabana em que o grupo estava, o tremor foi tão violento que os músicos não conseguiam correr para fora da cabana. Apesar disso, a cabana tinha uma vista privilegiada, já que dela era possível visualizar o vulcão Hekla, um dos mais conhecidos e ativos da Islândia e que serviu de inspiração para a música “Sleeeping Vulcano”.

Curiosidades a parte, vamos ao que de fato interessa, o álbum “Volcanic” (2010). O repertório é composto de 12 canções, todas instrumentais. O álbum abre com “It´s a Funk Thing”, que serve de parâmetro para as demais, destaque para a levada funkeada e os grooves, principalmente do baixista Jóhann Asmundsson, mas não posso deixar de falar da ótima presença do guitarrista Friòrik Karlsson. Em “Berlin Boogie” a banda mantém o clima contagiante, com destaque para o trompetista Sebastian Studnitzky e o saxofonista Óskar Gudjonsson. Na sequencia “High Life”, que a meu ver é uma musica diferenciada do repertório, principalmente pelo arranjo baseado na música latina, e isso prova a competência e experiência do grupo, que mesmo explorando outros ritmos, conseguem manter a qualidade. “Bright and Early” é uma música com uma sonoridade no mínimo agradável, novamente a banda se destaca pelo instrumental refinado, onde o teclado e o sax aparecem muito bem. O funk volta com tudo na música “So What's Up?”, o groove dessa música é incrível, o guitarrista Friòrik Karlsson mostra todo seu talento ao criar uma linha melódica, o mesmo acontece com o saxofonista Óskar Gudjonsson, que sola maravilhosamente bem. Por fim “Wandering Soul”, encerra o álbum de maneira sublime com uma balada funk, sem dúvida uma das melhores canções do álbum.

Sinceramente não sei se o Mezzoforte é conhecido em terras brasileiras, o fato é que não se trata de uma banda iniciante, pelo contrário, são 30 anos de estrada e uma experiência que reflete na qualidade das composições do grupo e da produção do álbum. “Volcanic” é o primeiro álbum que eu ouvi do Mezzoforte, e como eu curto essa mistura do jazz fusion/funk, foi uma grande descoberta e posso dizer sem medo de errar que o Mezzoforte vai agradar muita gente, mesmo que a pessoa não seja fã do gênero, mas vale dar uma chance ao grupo e assim conhecer o trabalho deles. Boa Audição.

Track List

01. It's a Funk Thing
02. Berlin Boogie
03. High Life
04. Sleeping Volcano
05. Stepping Out
06. Jump Town
07. Sea Breeze
08. Bright and Early
09. Hatton
10. Down on Sunset
11. So What's Up?
12. Wandering Soul

Mezzoforte "Garden Party" (O primeiro hit da banda)


Mezzoforte "Four Corner" (Live 2007)


Site Oficial: Mezzoforte

terça-feira, 22 de março de 2011

Poogie Bell Band

2009 - Get on The Kit
Gênero: Jazz Fusion / Funk



Se você curte boa música, certamente já ouviu o som do Poogie Bell e arrisco dizer que na maioria das vezes foi sem saber. Poogie Bell é um baterista renomado no cenário jazzístico, ao longo da sua carreira já tocou com uma infinidade de músicos, como David Bowie, Victor Wooten, Al Jarreau, Stanley Clark, Joe Sample, Roberta Flack, Bugnon Alex, Victor Bailey , Marcos Miller, entre outros. No meu caso, conheci o trabalho do Poogie através do Marcus Miller.

Poogie Bell nasceu em Nova Iorque, seu pai era músico de jazz e professor de música, assim a música sempre esteve presente em sua vida. Na sua biografia, diz que ele começou a tocar com dez meses de idade – difícil de acreditar - e fez a sua primeira apresentação quando tinha dois anos e meio, no Carnegie Hall de Pittsburgh, junto com seu pai e aos cinco anos fez a sua primeira aparição em um programa de televisão, no The Mike Douglas Show, tocando com a cantora de jazz Pearl Bailey. Poogie possui uma formação musical privilegiada, como disse anteriormente, seu pai era músico de jazz, então o som que rolava na sua casa não poderia ser outro, por isso Poogie passou boa parte da sua infância e juventude ouvindo o som do baterista Max Roach, do saxofonista Ornette Coleman, da pianista Mary Lou Williams, dos baixistas Paul Chambers, Ron Carter, entre outros músicos. Claro que esse ambiente musical fez toda diferença na sua vida.

Em sua carreira musical, Poogie excursionou com o DJ Kevin Donavan, conhecido como Afrika Bambaataa , tocou com o grupo Forces MD’s e passou quinze anos tocando com músicos da cena R&B e colaborando com artistas do hip-hop.

Em “Get on The Kit” (2009) Poogie não aparece como coadjuvante – vamos dizer assim – mas como líder da sua própria banda, a The Poogie Bell Band. Para quem já teve a oportunidade de ouvi-lo em outras ocasiões vai perceber que a essência da sua música continua a mesma, Poogie domina com maestria a mistura do jazz e o funk. O fato é que, quando ele assume o controle da batera, é sinal de que vem boa música a caminho, em um repertório formado por 14 canções, Poogie mostra por que é dono de um currículo invejável. É difícil descrever em palavras, mas sua música tem sentimento, é impossível ouvir e não se deixar levar pelo som do jazz fusion embalado por um toque funkeado. Infelizmente não posso precisar com exatidão quais são os músicos que participaram da gravação do álbum, mas em minhas pesquisas encontrei uma lista com vários nomes (e mesmo assim creio que está incompleta), como do baixista Marcus Miller – que também foi co-produtor do álbum –, os guitarristas Wah Wah Watson, Dean Brown e Juan Vasquez, Bobby Sparks, Keith Anderson, no trompete Howie Alexander, no baixo Kevin Barefoot, no sax Tony Camargo, Ian Gordon, Toffee Jacob, entre outros.

Em relação às músicas eu destacaria todas, sem medo de errar, claro que algumas chamaram mais a minha atenção, como “Dark & Happy”, “Breezeword”, “Adolescence”, “Creepin” e “Funky Helmet”. O instrumental é um capitulo a parte, ao ouvir você irá perceber e ter a noção do que estou falando. Enfim, para quem curte um som funkeado e com muito groove, “Get on The Kit” é um álbum ideal. Boa Audição.

Track List

01. Hi There
02. Dark & Happy
03. Breezeword
04. Jamestown
05. Oh No!
06. Adolescence
07. Pay Attention
08. Creepin
09. Kinckerbocker Bling
10. Funky Helmet
11. D's Crib
12. The Natural
13. Our Bedtime Story
14. Twilight

Marcus Miller & Poogie Bell - "Panther" (Jazz a Juan)


Site Oficial: Poogie Bell

domingo, 20 de março de 2011

Herb Ellis

1957 - Nothing But The Blues
Gênero: Jazz Blues



Por Thiago Teberga

O álbum "Nothing But The Blues" do genial guitarrista Herb Ellis é um daqueles discos que você pode escutar muitas vezes, e mesmo assim vai querer ouvir de novo. É um álbum técnico e musicalmente perfeito, isso pode até soar exagerado mas assim que começa a audição percebe-se que não se trata de um exagero!. Haja visto o time de músicos que participaram desse grande álbum. Além do mágico da guitarra jazz Herb Ellis o disco conta com a participação de:

Roy Eldridge (Trompete), Ray Brown (Baixo), Stan Getz (Sax Tenor), Stan Levey (Bateria), Dizzy Gillespie (Trompete), Coleman Hawkins (Sax Tenor), Oscar Peterson (Piano) e Gus Johnson (Bateria). O album é uma verdadeira aula de Jazz Blues, altamente recomendado a qualquer apreciador de boa musica, independente de estilos. Destaque para todas as músicas.

Track List

01. Pap’s Blues - (Ray Brown)
02. Big Red’s Boogie Woogie - (Herb Ellis)
03. Tin Roof Blues - (Georg Brunis/Paul Mares/Ben Pollack/Leon Roppolo/Mel Stitzel)
04. Soft Winds - (Benny Goodman)
05. Royal Garden Blues - (Clarence Williams/Spencer Williams)
06. Patti Cake - (Herb Ellis)
07. Blues for Janet - (Ray Brown/Herb Ellis/Stuff Smith)
08. Blues for Junior - (Ray Brown)
09. Les Tricheurs - (Roy Eldridge/Stan Getz)
10. Clo’s Blues - (Coleman Hawkins)
11. Phil’s Tune - (Roy Eldridge)
12. Mic’s Jump - (Dizzy Gillespie)

Herb Ellis "Big Red’s Boogie Woogie" (Audio)


Site Oficial: Não Encontrado

sábado, 19 de março de 2011

Pops – A Vida de Louis Armstrong


Ficha Técnica

Título Origial: Pops – A Vida de Louis Armstrong
Escritor: Terry Techout
Gênero: Literatura Estrangeira / Biografia
Lançamento: 2010
Páginas: 510 páginas
Acabamento: Brochura
Editora: Larousse do Brasil


Um grande artista e um grande homem. Um gênio nascido na sarjeta que se tornou uma celebridade nos quatro cantos do mundo. Um astro tão irresistível que desbancou os Beatles nas paradas de sucesso quatro décadas depois de sua primeira gravação. Louis Armstrong – “Pops” para os amigos – escreveu a melhor de todas as histórias pessoais do jazz. Fora do palco era sagaz, introspectivo e surpreendentemente complexo, um colega muito amado, de temperamento explosivo, cuja personalidade era mais forte e cortante do que seus fãs mais aficionados jamais seriam capazes de imaginar.

Terry Teachout recorreu a importantes fontes que até há pouco tempo não estavam disponíveis para os biógrafos, entre as quais centenas de honestas gravações feitas madrugada adentro pelo próprio Louis Armstrong, a fim de produzir uma narrativa arrebatadora do músico de jazz mais influente do século XX. Aqui se encontram, pela primeira vez, as histórias completas por trás de sua prisão por porte de maconha em 1930, do arriscado conflito com gângsteres de Chicago, das estréias da Broadway e em Hollywood, da complicada vida amorosa, da polêmica com o presidente Eisenhower e muito mais.

Certamente a biografia definitiva de Armstrong, Pops revela um retrato emocionante do homem, de seu mundo e de sua música.

(O texto acima foi copiado da orelha do livro)

Louis Armstrong teve uma vida controversa da metade da sua longa careira para frente. Após sua morte virou quase uma unanimidade, inclusive por aqueles que o atacavam. Figuraça desde os primórdios do jazz, ele não foi o seu inventor, mas foi sem dúvida um de seus primeiros heróis, valorizando a posição do solista no grupo. Tido por alguns como submisso aos brancos e por outros como puramente comercial, a leitura desse livro ajudará a conhecê-lo melhor e a entender por que e como ele fez o que fez.

Repetindo algumas palavras de Terry Teachout:

“O sorriso incansável, o lenço para enxugar o suor, a reverência automática, a humildade e a graça exageradas – tudo isso significava que ele não seria capaz de superar os modos da segregação, qualidade que exigia que fosse tanto alegre quanto menos que inteiramente humano” (...) Mas aquele sorriso alegre não era uma mera máscara usada para agradar a plateia, mas dizia quem era o homem por trás dele.”

Para não ficar só na resenha, segue uma lista de trinta músicas essenciais de Armstrong, segundo recomendação do autor do livro.

Track list:

01. Chimes Blues (1923, com a Creole Jazz Band de King Oliver)
02. Texas Moaner Blues (1924, com Sidney Bechet e Clarence William’s Blue Five)
03. St. Louis Blues (1925, com Bessie Smith)
04. Heebie Jeebies (1926, com os Hot Five)
05. Cornet Chop Suey (1926, com os Hot Five)
06. Potato Head Blues (1927, com os Hot Seven)
07. Hotter than That (1927, com Lonnie Johnson e os Hot Five)
08. West End Blues (1928, com Earl Hines e os Hot Five)
09. Weather Bird (1928, com Earl Hines)
10. I Can’t Give You Anything But Love (1929)
11. Ain’t Misbehavin’ (1929)
12. Sweethearts on Parade (1930)
13. Star Dust (1931)
14. I Gotta Right to Sing the Blues (1933)
15. Darling Nelly Gray (1937, com os Mill Brothers)
16. Jubilee (1938)
17. Struttin’ with Some Barbecue (1938)
18. Jeepers Creepers (1939, com Sid Catlett)
19. Sleepy Time Down South (1941)
20. Snafu (1946, com os ganhadores da Esquire All-American de 1946)
21. Back o’ Town Blues (1947, com Jack Teagarden, Bobby Hacket e Sid Catlett)
22. Blueberry Hill (1949)
23. New Orleans Function (1950, com Earl Hines, Jack Teagarden e os All Stars)
24. You Rascal You (1950, com o Luis Jordan and His Tympany Five)
25. Mack the Knife (1955, com os All Stars)
26. King of the Zulus (1957, com os All Stars)
27. How Long Has This Been Going On? (1957, com o Oscar Peterson Trio)
28. Black and Tan Fantasy (1961, com Duke Ellington o os All Stars)
29. Summer Song (1961, com Dave Brubeck)
30. Hello, Dolly! (1963)








Link nos Comentários

Site "Oficial": Louis Armstrong

Back Door Slam

2007 - Roll Away
Gênero: Blues Rock



Encontrar uma boa banda de rock está cada vez mais difícil, as opções não são das melhores e como eu disse em outras postagens, acabamos de alguma maneira presos as bandas clássicas, não que seja ruim, pelo contrário, não podemos nunca ignora-las, seria um grande erro, mas todo mundo tem a necessidade de ouvir novidades, e é neste momento que surgem os problemas. De uns tempos para cá, apresentei algumas bandas de rock que não se deixaram levar pelas mesmices de hoje, são bandas diferenciadas, como o The Answer e o Wolfmother. E hoje apresento uma banda que eu já inclui nesse grupo seleto: Back Door Slam.

O Back Door Slam é uma banda de blues rock formada em meados de 2004 por Davy Knowles (guitarra), Ross Doyle (bateria) e Adam Jones (baixo), vindos da Ilha Man, uma ilhota próximo ao Reino Unido. O nome da banda vem de uma canção do bluseiro Robert Cray, que é uma das maiores fontes de influencia para a banda, assim como Eric Clapton, Cream, Rory Gallagher, Stevie Ray Vaughan, John Mayall, Fleetwood Mac, Jimi Hendrix, BB King, entre outros.

O álbum “Roll Away” (2007) foi o primeiro lançado pela banda. A qualidade do trio é inquestionável, assim como o som, que alia as características do blues ao rock moderno. A criatividade da banda é notavel, impossível não se empolgar com os riffs e solos bem elaborados, e com melodias empolgantes e cativantes. O álbum conta com um repertório formado por 10 canções e um bônus track, todas escritas pelo guitarrista/vocalista Davy Knowles, considerado por muitos como um prodígio. A música “Come Home” abre o álbum em grande estilo, com o baixista Adam Jones fazendo um excelente groove e Davy dando as boas-vindas com solos virtuosos, “Heavy on My Mind” é uma forte candidata a melhor do álbum, com uma levada cadenciada e precisa, a música possuiu um refrão grudento, assim como solos muito bem executados. “Outside Woman Blues” é um blues clássico, com uma leve pegada funkeada, Davy Knowles se destaca ao fazer uma série de solos impecáveis e mandar muito bem no vocal. Na sequencia “Gotta Leave”, uma balada blues de tirar o fôlego. “Stay” é uma música carregada de história, na verdade uma homenagem ao guitarrista Brian Garvey, que faleceu em um grave acidente de carro, ele era guitarrista da banda nos tempos de escola, após sua morte, seus amigos decidiram continuar e eis que surgiu a Back Door Slam, então essa música é uma forma de homenageá-lo, ela descreve como é ruim viver sem o amigo. O blues volta a flertar com o funk na música “Takes a Real Man”. A faixa-titulo “Roll Away” mostra muito bem a criatividade da banda, é diferente de todas as outras, tem uma pegada folk e com um toque acústico, uma música que é impossível descrever em palavras.

Apesar do excelente álbum de estreia, o Back Door Slam chegou ao fim em 2009, quando os integrantes decidiram que não era possível tocar o barco adiante, assim cada um tomou o seu rumo e partiu para outros projetos. O guitarrista Davy Knowles formou outra banda, mas manteve o mesmo nome e gravou o álbum “Comming Up For Air”, está em turnê e se apresenta como Davy Knowles & Back Door Slam. Tristezas a parte, digo que vale e muito ouvir sem moderação o álbum “Roll Away”, novamente digo que a criatividade do trio é algo que realmente chamou a minha atenção, o fato de buscar influências na velha escola do blues e mesclar com a pegada do classic rock ou até mesmo o rock moderno, foi um feito ousado e o resultado não poderia ser melhor. Boa Audição.

Track List

01. Come Home
02. Heavy on My Mind
03. Outside Woman Blues
04. Gotta Leave
05. Stay
06. Too Late
07. Takes a Real Man
08. It’ll All Come Around
09. Too Good For Me
10. Roll Away
11. Real Man (Bonus Track)

Back Door Slam - "Come Home"


Site Oficial: Back Door Slam

quinta-feira, 17 de março de 2011

The Arcade Fire

2010 - The Suburbs
Gênero: Rock Alternativo / Indie Rock



Nessas garimpagens musicais a gente sempre quer encontrar sons novos e atuais, principalmente no campo do rock, que nos últimos anos está sendo muito pasteurizado, e está virando sinônimo de "emos" e "coloridos". No entanto, existem muitas alternativas a esse som que toca no que se chama mainstream. Algumas são oferecidas pelo blog como, por exemplo, as bandas Wolfmother, The Answer, Airbourne, dentre outras, que não são tão divulgadas, mas o som é bastante original e "não-pasteurizado". E o som dessa postagem é um deles...

The Arcade Fire é uma banda de rock alternativo formada no Canadá em 2003. A banda é formada por Win Butler, Régine Chassagne, Richard Reed Parry, William Butler, Jeremy Gara, Sarah Neufeld, Tim Kingsbury e Marika Anthony-Shaw. É meio difícil definir quem toca qual instrumento, pois TODOS os integrantes são multi-instrumentistas, como, por exemplo, o vocalista Win Butler, que também é guitarrista, violinista, tecladista e gaitista, além de tocador de mandolim. O som da banda agrega desde guitarras até acordeón, harpa, e xilófone, entre outros, evidenciando a diversificação de som do grupo. Além disso, quando a banda está em tour, os integrantes da banda se revezam nos intrumentos, mostrando que os mesmos tem qualidade em manter o som da banda coesa.

A banda contém 3 álbuns em sua discografia, sendo este álbum que estou postando o último lançado pela banda, e o que teve mais notoriedade. Ele ganhou o Grammy de melhor álbum do ano 2010, vencendo de grandes concorrentes pop, como Lady Gaga e Eminem, e isso me chamou bastante a atenção, pois eu ainda não tinha o escutado. Depois de conseguí-lo e escutá-lo, me encantei com todas as músicas do álbum.

As letras do álbum são baseadas na infância que os irmãos Win e William Butler tiveram nos subúrbios de Houston. Mas o que mais me impressionou foi a parte harmônica do disco, que, como integra vários instrumentos clássicos, criam uma sintonia perfeita entre rock e arranjos clássicos, principalmente nas faixas "Empty Room", "Rococo", "Half Light I e II" e a faixa homônima ao álbum. Não posso mentir que é um som alternativo, diferente do rock tradicional, mas eu recomendo que se permitam escutar algo diferente e BOA AUDIÇÃO!

Track List

01. The Suburbs
02. Ready to Start
03. Modern Man
04. Rococo
05. Empty Room
06. City with No Children
07. Half Light I
08. Half Light II (No Celebration)
09. Suburban War
10. Month of May
11. Wasted Hours
12. Deep Blue
13. We Used to Wait
14. Sprawl I (Flatland)
15. Sprawl II (Mountains Beyond Mountains)
16. The Suburbs (continued)

The Arcade Fire - The Suburbs


The Arcade Fire - Empty Room


Site Oficial: The Arcade Fire

Melissa Morgan

2009 - Until I Met You
Gênero: Jazz


Não é de hoje que costumo ouvir novos talentos do cenário jazzístico, principalmente quando o assunto são as cantoras. O jazz é muito dinâmico, por isso a quantidade de novos talentos é impressionante, claro sem nunca deixar de lado as grandes divas. O pouco tempo de pesquisa, já foi suficiente para eu colecionar uma lista de jovens e talentosas cantoras, como Esperanza Spalding, Fredrika Stahl, Sara Gazarek, Erin Bohem, Chiara Civello, Renée Olstead, Stancey Kent, Melody Gardot, Hercsa Veronika, entre outras.

Recentemente tive o prazer de conhecer o trabalho de outra jovem cantora. Melissa Morgan nasceu em Teaneck, Nova Jersey. O seu primeiro contato com o jazz aconteceu devido a sua avó, que tinha uma coleção de discos de várias cantoras, entre elas Billie Holidy, Dinah Washington, Sara Vaughan, Ella Fitzgerald, com um acervo a sua disposição, não demorou para que a jovem Melissa começasse a ouvir, com o tempo isso acabou virando uma inspiração. Apesar da carreira precoce, a jovem já coleciona alguns momentos marcantes, como em 2004 quando ela foi semi-finalista no Concurso de Jazz Thelonious Monk, na ocasião ela cantou diante de um corpo de jurados, que contava com a participação ilustre de Quincy Jones, entre outros. Em 2009, Melissa lança o seu primeiro álbum “Until I Met You”.

Apesar de jovem, Melissa é uma cantora de personalidade e chega ao cenário jazzístico para somar ainda mais. Sua música traz de volta a velha escola do jazz, mas com um toque atual. Em um repertório formado por onze canções, Melissa se destaca por sua performance irrepreensível, sua voz é suave, afinada e forte, características que certamente irão agradar os jazzistas. A jovem é acompanhada por um quarteto formado por Gerald Clayton (piano), Randy Napoleon (guitarra), Joe Sanders (baixo) e Kevin Kannar (bateria), além das participações dos músicos Bem Wendel (saxofone tenor), Francisco Torres (trambone) e Christian Scott (trompete).

Em relação as músicas, meu destaque vai para a faixa de abertura “Save Your Love For Me”, e que serve como parâmetro para as demais, sua qualidade é incontestável, nessa mesma música o trompetista Christian Scott se destaca ao fazer um solo primoroso. Em “Is You Is or Is You Ain't My Baby”, Melissa começa estalando os dedos e assim da inicio a uma contagem, na seqüência a música surge de maneira empolgante, a jovem se solta e canta com desenvoltura, sempre com o acompanhamento perfeito do grupo. Já na faixa “Until I Met You”, o destaque vai para o instrumental orquestrado. Em “Cool Cool Daddy”, Melissa volta a surpreender, com um vocal de qualidade e que lembra as cantoras de blues, destaque para os músicos Wendel e Scoot, que novamente apresentam um solo refinado e primoroso. “Yes, I Know When I've Had It” é uma das musicas mais diferenciadas do álbum, mas nem por isso deixa a desejar na qualidade, a música é embalada por um toque latino e por um excelente arranjo de metais. Como não poderia faltar, há espaço para as baladas românticas, nas músicas “I Wonder”, “He Loves Me I Think” e “I Just Dropped By To Say Hello”.

Em seu primeiro e excelente álbum de estréia, Melissa já provou que tem qualidade e muita personalidade, a sensação ao ouvir o álbum é que se trata de uma cantora com muito mais experiência musical, porém se a jovem vai despontar e conseguir se firmar, só o tempo irá dizer. Boa Audição.

Track List

01. Save Your Love For Me
02. Is You Is or Is You Ain't My Baby
03. Until I Met You
04. He Loves Me I Think
05. The Lamp Is Low
06. Cool Cool Daddy
07. A Sleepin' Bee
08. Yes, I Know When I've Had It
09. I Wonder
10. I Just Dropped By To Say Hello
11. The More I See You



Site Oficial: Melissa Morgan

terça-feira, 15 de março de 2011

Dave Matthews Band

2003 - The Central Park Concert
Gênero: Rock / Jazz / Pop



Por minhas experiências de garimpagem musical, nunca encontrei, ainda, um álbum ao vivo que supere esse que estou postando. Primeiro eu acredito que a banda em shows mostra que é formada por talentosissimos e hábeis músicos, além de músicas ótimas.

Dave Matthews Band se formou em Charlestone, Virgínia, em 1991, pelo sulafricano, líder, cantor e compositor Dave Matthews, o baixista Stefan Lessard, bateirista e backing vocal Carter Beauford e o saxofonista LeRoi Moore e o violonista Boyd Tinsley. Mais tarde o trompetista Rashawn Ross e o guitarrista Tim Reynolds se juntaram a banda. Em 2008 o saxofonista LeRoi Moore veio a falecer vítima de um acidente de quadriciclo (?) e foi substituído por Jeff Coffin, saxofonista do Bela Fléck and the Flecktones. Por ter muitos músicos com variadas raízes, o som da banda se tornou bem eclético, de difícil definição, por isso pus três gêneros pra definir o álbum.

A banda conta com 7 álbuns de estúdio, alguns pretendo postar mais tarde, e um Grammy de melhor performance vocal de rock por grupo, mas a maior qualidade da banda são seus shows, e esse aspecto foi o que mais me chamou a atenção. As primeiras músicas que escutei foram de álbuns de estúdio e depois que as escutei ao vivo e pensei: "Caramba!!!". A capacidade de improvisação dos músicos nos solos é incrível e é no palco onde eles liberam todas essas habilidades para o público, que, se quiser, pode gravar sem problemas o aúdio do show todo, a banda libera a gravação. E com essa atitude desde os primeiros shows a divulgação e a popularidade da banda aumentaram bastante.

O show que estou postando, o nome já é bem intuitivo, foi realizado no Central Park em Nova York e apresenta um aspecto interessante da banda: a caridade. Este show foi realizado em benefício das escola públicas de Nova York e com um público de mais de 120 mil pessoas que não pagaram absolutamente nada para assistí-lo. Além desse, houveram muitos outros shows beneficentes que a banda realizou e, ao longo da carreira, a banda já doou, a partir de sua instituição (BAMA Works Fund), cerca de US$ 8,5 milhões para instituições de caridade diversas.

Agora vamos falar do que importa: as músicas. Eu destaco o cover de "Cortez, The Killer" do Neil Young com a participação especial de Warren Hayes, do The Allman Brothers Band, que ficou fantástica. Além dessa, temos "What Would You Say?", que tem um solo incrível de LeRoi Moore, "Don't Drink the Water", "Too Much", "So Much to Say" e o cover de "All Along the Watchtower". Enfim, o show em si é magnífico, aproveitem e BOA AUDIÇÃO!!!



Track List

Disco Um

01. Don't Drink the Water
02. So Much to Say
03. Anyone Seen the Bridge? / Too Much
04. Granny
05. Crush
06. When the World Ends

Disco Dois

01. Dancing Nannies
02. Warehouse
03. Ants Marching
04. Rhyme and Reason
05. Two Step
06. Help Myself

Disco Três

01. Cortez, the Killer (part. Warren Hayes em guitarra e voz)
02. Jimi Thing (part. Warren Hayes na guitarra somente)
03. What Would You Say
04. Where Are You Going
05. All Along the Watchtower
06. Grey Street
07. What You Are
08. Stay (Wasting Time)

Dave Matthews Band com Warren Hayes - Cortez, the Killer


Dave Matthews Band - Too Much


Site Oficial: Dave Matthews Band

segunda-feira, 14 de março de 2011

Jamie Cullum

2010 - The Pursuit
Gênero: Jazz / Pop


Uma das minha grandes surpresas, que deve ter até riscado meu HD de tanto ouví-lo repetidas vezes, do ano passado foi esse disco. Já faziam uns quatro ou cinco anos desde seu último álbum, "Catching Tales". Sou um grande fã desse inglês que desde "Mind Trick" e "Our Day Will Come" ganhou minha admiração.

Em seus álbuns, Jamie sempre mistura jazz com bastantes ritmos, e neste disco não é diferente. Como todo jazzista dos "novos tempos", Jamie pega grande influência do pop, o que não quer dizer que seja ruim ou soe pasteurizado, muito pelo contrário. Pode-se dizer que esse é um álbum pop com levadas jazz, ou jazz com levadas de pop?

Enfim, qualquer que seja a definição, nesse disco Jamie Cullum simplesmente arrasa. Iniciando com uma versão belíssima só com piano, baixo e bateria da música "Don't Stop the Music", da cantora Rihanna, a ótima "Mixtape", que detalha todos os gostos do britânico, que como ele mesmo diz na canção, vão desde Nine Inch Nails até Louis Armstrong, as baladas pop "I'm All Over It", "Love Ain't Gonna Let You Down" e "We Run Things", enfim, todo o disco traz uma boa apreciação desse nova geração do jazz, que conta com grandes nomes como Esperanza Spalding, Diana Krall, dentre outros. Boa Audição!

Track List

01. Just One of Those Things
02. I'm All Over It
03. Wheels
04. If I Ruled the World
05. You an Me Are Gone
06. Don't Stop the Music
07. Love Ain't Gonna Let You Down
08. Mixtape
09. I Think, I Love
10. We Run Things
11. Not While I'm Around
12. Music is Through

Jamie Cullum - Don't Stop the Music


Jamie Cullum - Mixtape (Live)


Site Oficial: Jamie Cullum

Art Tatum

Sem data – Swings
Gênero: Jazz


Um pouco mais de Art Tatum para a gente curtir o som desse genial pianista (para ver o post anterior procure no menu à direita pelo nome do artista). Tatum nasceu em Toledo, Ohio, em 1910 e morreu em 1956. Tatum, que era quase que totalmente cego, é reconhecido como um dos maiores pianistas de jazz de todos os tempos. Dono de reflexos rápidos e fértil imaginação, suas improvisações são sempre criativas. Na coletânea aqui indicada, ele se apresenta com um trio apenas nas faixas 1, 7, 11, 14 e 15, solando nas demais. Espero que gostem.

Track List

01. I know that you know
02. Fifty second street blues
03. St. Louis blues
04. Gang O’Notes
05. Between midnight and down
06. Apollo Boogie
07. Dark eyes
08. Hallelujah
09. Memories of you
10. Midnight melody
11. Body and soul
12. Song of the vagabonds
13. Honeysuckle rose
14. Come rain or come shine
15. On the sunny side of the street
16. Kerry dance
17. Runnin’ wild
18. Poor butterfly – From the big show

O primeiro vídeo é meio tosco, mas é para matar saudades do toca discos.




Site Oficial: não encontrado

sexta-feira, 11 de março de 2011

Béla Fleck and the Flecktones

1990 - Béla Fleck and the Flecktones
Gênero: Jazz


Olá a todos, meu nome é Hewerton Sousa e sou o novo colaborador do blog. Vivo em Aragarças, uma cidade do interior de Goiás, divisa com Mato Grosso, mas mesmo com todas essas transposições geográficas que me impediam de escutar uma boa música, como a conheço agora, mas a Internet e em específico este blog, que foi a primeira fonte de pesquisa de jazz que tive, trouxeram novos (e ótimos) sons aos meus ouvidos e sempre pensei em uma forma de retribuir por todo esse apoio a esse musicólatra.

E inicio essa retribuição com uma das bandas mais inusitadas que encontrei no jazz atual. Bela Fléck and the Flecktones é uma banda de jazz formada em 1988 que mistura bluegrass (para quem não conhece o que é o bluegrass, sabe aquelas músicas com banjo que te lembram "A Família Buscapé" e parecem ser feitas naquelas plantações de milho dos EUA, pois é...), folk e fusion com os integrantes mais randômicos que se pode encontrar.

E porque randômicos? Bom, temos o famoso tocador de banjo, instrumento pouco encontrado em bandas de jazz, Béla Fleck, o baterista Roy "Future Man" Wooten, que simplesmente sintetizou vários sons de bateria em um espécie de guitarra que ele mesmo intitula drumitar, o gaitista e tecladista Howard Levy, que mais tarde foi substiuído em 1992 pelo saxofonista e flautista Jeff Corwin, este que também participa da Dave Matthews Band, e um dos melhores, senão o melhor, baixista de todos os tempos do jazz: Victor Wooten. O virtuosismo e a capacidade de improvisação que ele apresenta não só nos discos, quanto nos shows, impressiona bastante. Tanto é que a música deste álbum que tem um parte solo dele, "The Sinister Minister", ganhou o Grammy de melhor apresentação pop(?) instrumental em 1997.

O álbum que apresento é o primeiro do grupo, ainda com a presença de Howard Levy, e mostra exatamente o que a banda veio propor, uma mistura ótima de bluegrass, folk e fusion, além de demonstrar o poder dessa fusão de banjo, guitarra, baixo, drumitar e outros.

Track List:

01. Sea Brazil
02. Frontiers
03. Hurricane Camille
04. Half Moon Bay
05. The Sinister Minister
06. Sunset Road
07. Flipper
08. Mars Needs Women: Space is a Lonely Place
09. Mars Needs Women: They're Here
10. Reflections of Lucy
11. Tell It to the Gov'nor

Béla Fleck and The Flecktones - The Sinister Minister (reparem na segunda parte quando uma corda do baixo do Victor rebenta e ele continua seu espetacular solo)

Parte I:


Parte II:


Site Oficial: Béla Fleck and the Flecktones

Andrea Pozza Trio

2010 - New Quiet
Gênero: Jazz



Descobri o trabalho do pianista Andrea Pozza em mais uma dessas situações “por acaso”, em que você está procurando por algo e durante a pesquisa tem o prazer de encontrar boas novidades pelo caminho.

Andrea Pozza nasceu em Gênova, na Itália. Começou a tocar muito cedo e dedicou-se a aprender jazz e música clássica, aos 13 anos fez sua estréia no Louisiana Jazz Club, em Gênova. Nessa época, o pianista ganhou ainda mais experiência, ao tocar ao lado de outros músicos renomados, passando também por clubes jazz e festivais de jazz internacionais. Aos 16 anos, fez parte do CEE “Eurojazz” (The Europen Community Youth Jazz Orchestra), onde teve a oportunidade de apresentar-se em vários países da Europa. Em 1985, Andrea participou na Italía do Jazz Cup e venceu o concurso como melhor pianista, anos mais tarde também ganhou o prêmio de melhor composição de jazz pelo SIAE. Ultimamente Andrea tem dedicado seu tempo as turnês, seja acompanhando outros músicos ou com o seu próprio trio. Em 2003, Andrea gravou o álbum “Introducing”, o primeiro com o seu trio, formado por Luciano Milanese (baixo) e Stefano Bagnoli (bateria). De 2004 a 2008, ele foi o pianista do Enrico Rava Quintet, fez apresentações em vários festivais pela Europa e também gravou o álbum “The Words and the Days”. Em 2005, o Andrea Pozzo Trio lança o segundo álbum, “Plays Ellington Monk and Himself”, gravado ao vivo em Ancona. Segundo o site oficial do pianista, há registro de outras gravações com o trio, são eles o álbum “Love Walked In” (2007), o “Sweet Lorraine” (2005) e o mais recente “Drop This Thing” (2008) com participação do cantor Alan Farrington. Também fez parte do Steve Grossman Quartet, com quem tocou em Londres e Paris, e em festivais internacionais nos anos 90. Trabalha regularmente com Gianni Basso, uma parceria que dura mais de 20 anos e que rendeu vários álbuns, o principal deles é um dedicado a música do pianista Billy Strayhorn. Andrea fez parte do Rosario Bonaccorso Quartet. Recentemente gravou o álbum “Enter Eyes”, um duo de piano de voz com a cantora Andrea Celeste. Senão bastasse tudo isso, o pianista já trabalha em um novo projeto musical e atualmente leciona piano jazz no conservatório Giuseppe Verdi, em Milão. Suas principais influências são os pianistas Teddy Wilson, Bill Evans, Wynton Kelly, McCoy Tyner e Bud Powell.

O meu primeiro contato com o Andrea Pozza Trio,foi através do álbum “New Quiet” (2010). Não é preciso muito para notar o talento do pianista, que ao longo de nove canções apresenta um jazz do mais alto nível, junto com o seu trio formado por Aldo Zunino (baixo) e Shane Forbes (bateria). O som do trio é intimista e refinado, Andrea Pozza impressiona pela sua maneira sutil e suave de tocar. O álbum abre com “Blue Spirits”, seguido pela faixa-titulo “New Quiet”, de autoria do pianista. Que todo gringo tem uma queda pela bossa nova, isso não é novidade, e também não seria diferente o pianista italiano, a bossa nova surge nas canções “Noa Noa” de Sergio Mendes e “Consolação” de Baden Powell. “Que Pasa” é uma versão da música do pianista Horace Silver, destaque para o baixista Aldo Zunino, que faz uma introdução magistral, seguida pelo pianista Andrea Pozza, essa é uma das melhores canções do álbum, uma música repleta de variações rítmicas e porque não dizer sentimentais, já que ela tem um toque melancólico. As canções “Lion's Den” do pianista Kenny Drew e “New Fast” composição própria do pianista Andrea Pozza, se destacam por mostrar uma outra faceta do trio, a sensação é de estar em uma Jam session, o jazz é intenso, Andrea demonstra agilidade e precisão, o mesmo pode-se dizer do baixista e do baterista, que fazem um acompanhamento perfeito. “Recorda Me” música do saxofonista de jazz Joe Henderson, destaque para o baterista Shane Forbes, que além de fazer uma introdução muito interessante, faz uma apresentação impecável no decorrer da música, com direito a um solo digno de aplauso.

Recomendo o álbum “New Quiet” a todos jazzistas que estão à procura de novidades, mesmo não sendo nome novo entre os pianistas, creio que Andrea Pozza Trio é uma grata surpresa, já que seu nome não é tão conhecido em terras tupiniquins. “New Quiet” é um álbum para ser apreciado da melhor maneira possível. Boa Audição.

Track List

01. Blue Spirits (Freddie Hubbard)
02. New Quiet (Anrea Pozza)
03. Noa Noa
04. Nightingale (Fred Wise,George Rosner,Xavier Cugat)
05. Que Pasa (Horace Silver)
06. Lion's Den (Kenny Drew)
07. New Fast (Anrea Pozza)
08. Recorda Me (Joe Henderson)
09. Consolação (Baden Powell)

Site Oficial: Andrea Pozza

quinta-feira, 10 de março de 2011

Emilio Garcia

2005 - Ultrablues
Gênero: Blues / Jazz Fusion / Rock



O chileno Emilio Garcia é guitarrista, compositor, arranjador e produtor musical, e está entre os melhores e mais reconhecidos músicos do Chile. O guitarrista viajou até os EUA para aprimorar sua técnica e contou com a ajuda de um músico americano, que lhe ensinou sobre blues, jazz, rock e funk. Emilio nunca deixou suas heranças latinas de lado, motivo esse que faz com que o flamenco esteja sempre presente em suas composições. Como todo músico que se preze, Emilio também tem suas influencias musicais, que nesse caso é formado por três grandes guitarristas, Eric Johnson, Joe Satriani e Jeff Beck. Já no estilo flamenco, ele tem como principal influência o guitarrista espanhol Paco de Lucia. Emilio coleciona em seu currículo apresentações ao lado de inúmeros músicos, como o baixista Stanley Clarke, entre outros. Sua discografia conta com três álbuns, são eles “Emilio Garcia Trio En Vivo” (1996), “Lado B” (2004) e “Ultrablues” (2005). Ele também trabalha na produção de musical para rádio e televisão.

O álbum “Ultrablues” (2005) tem uma sonoridade intensa, Emilio faz uma fusão entre o jazz, o blues, o rock, o funk e um toque de flamenco. O álbum foi gravado no Chile e lançado nos EUA através do selo independente Petroglyph Records. Para quem curte um som instrumental de qualidade, “Ultrablues” é a pedida certa, Emilio é um guitarrista versátil e apresenta um repertório interessante formado por 11 composições. O guitarrista é acompanhado por músicos excelentes, destaque para os baixistas Igor Saavedra, Marcelo Cordova, o baterista Felipe Candia, que também toca os instrumentos de percussão cajón e udu, e o tecladista Lautaro Quevedo. No repertório destaco as faixas “Ultrablues”, “El Twist de La Marmota”, “Ablusiones”, “Suenos”, “Vals para Chile” e “De Los Angeles”. Boa Audição.

Track List

01. Ultrablues
02. El Twist de La Marmota
03. Lila
04. Fanqui
05. Ablusiones
06. Reblues
07. Sengo
08. Suenos
09. Vals para Chile
10. De Los Angeles
11. Playa del Carmen

Emilio Garcia: Guitarra e Teclados (Faixa 9)
Igor Saavedra: Baixo (Faixas 2,5,7,9)
Miguel Perez: Baixo (Faixa 10)
Marcelo Cordova: Baixo (Faixas 1,3,4,8,11)
Felipe Candia: Bateria, Cajón e Udu
Lautaro Quevedo: Teclados

MySpace Oficial: Emilio Garcia

quinta-feira, 3 de março de 2011

Iron Maiden

1986 - Somewhere in Time
Gênero: Heavy Metal



A década de 80 foi uma das melhores para o Iron Maiden e consequentemente para os fãs do heavy metal. Em pouco tempo a banda havia lançado álbuns excelentes, mais precisamente cinco álbuns de inéditas em quatro anos, e um ao vivo, com isso alcançou grande sucesso e respeito. Foi nesse período que a Donzela passou por seu “Anos Dourados”, ao lançar os álbuns “The Number of The Beast” (1982), “Piece Of Mind” (1983) e “Powerslave” (1984). Nos palcos o Iron não decepcionou e lançou o álbum “Live After Death” (1985) durante a World Slavery Tour. Junto com o sucesso, veio à pressão, o que seria do Iron Maiden dali em diante? A expectativa em torno de um novo álbum a altura dos anteriores era muito grande. Eis que surge o álbum “Somewhere In Time” (1986) e que abre a época das experiências no Iron. Como disse em outra postagem, foi neste álbum que a banda fez pela primeira vez o uso de sintetizadores. Claro que isso agradou e desagradou a muitos, mas isso fica a critério do gosto de cada um, o fato é que o álbum foi lançado à sombra dos “anos dourados” e teria que corresponder às expectativas.

Somewhere in Time é o tipo de álbum que quanto mais se escuta, melhor ele fica. O repertório conta com oito músicas, sendo sete composições de Steve Harris e Adrian Smith e uma com a participação do guitarrista Dave Murray. Um dos pontos fortes do Iron é sempre em relação a temática dos seus álbuns e em Somewhere In Time não é diferente, dessa vez a banda tem como base o filme Blade Runner (1982) do diretor Ridley Scott e estrelado pelo ator Harrison Ford. As músicas em si, falam sobre as relações do ser humano com o tempo. A arte gráfica da capa dispensa comentários, é simplesmente uma das melhores e mais detalhadas já feitas pelo desenhista Derek Riggs. É um desenho que mexe com a imaginação e deixa qualquer um paralisado, os níveis dos detalhes impressiona, assim como as referências ao passado do Iron Maiden, como o Aces High Bar ou o Ruskin Arms, que era o local onde a banda fazia suas apresentações no início de carreira, há também a pirâmide do Powerslave, o relógio marcando 23:58 (em referência a música 2 Minutes to Midnight), a Long Beach Arena (onde foi gravado o Live After Death), o Ancient Mariner Seafood Restaurant, o Bruce com um cérebro nas mãos, o cartaz do filme Blade Runner, o Phantom Opera House, entre outras coisas inusitadas, como o placar mostrando a fictícia goleada do West Ham 7 x 3 Arsenal, não é difícil imaginar que essa ideia deve ter sido do Steve Harris, torcedor apaixonado do West Ham e por fim o mascote cibernético Eddie. Realmente é uma capa que não se vê todos os dias.

Musicalmente o álbum não deve em nada aos seus antecessores. Uma banda experiente e que sabia explorar muito bem seus pontos fortes, e o resultado é um álbum com boas músicas, algumas se tornaram clássicas, dois guitarristas no auge, criando solos e riffs perfeitos, Steve Harris impecável como sempre, Bruce Dickinson surpreendendo mais uma vez e o incansável Nicko McBrain comandando sua batera gigante. O álbum abre com “Caught Somewhere In Time”, composição do Steve Harris, uma das melhores do álbum, um heavy metal frenético e intenso, o solo é um capito a parte, Adrian e Dave soam perfeitos e com um entrosamento inquestionável. Na sequencia a clássica “Wasted Years” que começa com uma intro maravilhosa, com as guitarristas e som incomparável do baixo de Steve Harris, até que Bruce assume o vocal, o refrão dessa música é grudento. Apesar de não ser tão lembrada, “Sea Of Madness” é uma boa música, desde o começo matador com as guitarras e batera, o desempenho do Bruce nos vocais e o solo muito bem executado, Steve Harris novamente aparece muito bem, uma boa música e que não teve seu devido valor reconhecido.Pode-se dizer que “Heaven Can Wait” é o grande clássico do álbum e única presente na maioria dos shows do Iron Maiden, o baixo surge logo na introdução, acompanhado pelas guitarras e batera, a música se desenvolve em um ritmo frenético, com dois solos inspiradores de Adrian e Dave, e claro as cavalgadas de Harris. Em The Loneliness Of The Long Distance Runner” a banda mantem o heavy metal em alto nível, a música tem uma andamento rápido, algo que o Iron domina muito bem, essa música na minha opinião tem um dos melhores e mais elaborados solos do álbum, Nicko McBrain está simplesmente arrasador e preciso, assim como Bruce Dickinson, seu vocal surpreende a cada música, ele sabe usar sua voz em momentos agressivos e melódicos, parece até fácil. “Stranger In A Strange Land” começa com o baixo de Steve Harris, é outro caso de uma boa música e que não teve muito destaque, a levada dessa música é diferente das outras, Adrian e Dave mostra mais uma vez um entrosamento perfeito, as guitarras mesclam peso e melodia, o solo em si é perfeito, começa com Harris no baixo esbanjado toda sua técnica e as guitarras a principio fazem um som de fundo, mas não demora muito até assumirem o controle. “Deja-vu” é a única musica que não foi escrita por Adrian/Steve, ela foi composta por Dave Murray e Harris. Uma música que faz jus a qualidade do álbum Somewhere in Time, começa com uma intro melódica, baixo e guitarra apenas, na sequecia se transforma radicalmente e da inicio a um heavy metal ao melhor estilo Iron Maiden. A letra em si é muito boa, não há como não citar Adrian e Dave, os dois estão inspirados, o som das guitarras fluem, o som melódico e preciso, assim como solo. Steve Harris mantem uma base solida, com seu baixo cavalgando em um ritmo frenético, Nicko McBrain aparece muito bem, com uma precisão impecável. A épica “Alexander The Great” encerra o álbum, hoje pode-se dizer que musicas assim são uma especialidade do Iron, mas naquela apostava nessa formula pela segunda vez, a primeira foi com a clássica “Rime of the Ancient Mariner” no álbum Powerslave. Enfim, a música em si é arrebatadora, Bruce explora seu vocal da melhor maneira, o instrumental dispensa comentários e reflete o que foi durante todo álbum, as guitarras impecáveis, o baixo como sempre arrasador e a batera precisa e presente. O álbum encerra da mesma maneira que começou, com a mesma qualidade musical e com duas músicas de peso.

Apesar de não fazer parte dos anos dourados, “Somewhere in Time” é um álbum que não deve em nada ao seu antecessor e ao sucessor, apesar da banda ter apostado na experiência com sintetizadores, o resultado não poderia ser outro, um álbum com boas músicas, um instrumental perfeito e músicos experientes, mas o destaque na minha opinião são os guitarristas Adrian Smith e Dave Murray, que fizeram de tudo, só não fizeram chover dento do estúdio. A produção também merece ser citada, já que esteve a cargo do lendário e competente Martin Birch.

Para terminar, gostaria de dizer que o mês de Março tem tudo para ser especial, pois dia 26 vou ter a oportunidade de ver o Iron Maiden ao vivo e a cores, depois de longos anos de espera. Talvez isso explique minha empolgação na hora de resenhar esse álbum. Enfim. Boa Audição !!

Track List

01. Caught Somewhere in Time
02. Wasted Years
03. Sea of Madness
04. Heaven Can Wait
05. The Loneliness of the Long Distance Runner
06. Stranger in a Strange Land
07. Deja-Vu
08. Alexander the Great

Iron Maiden - Wasted Years"


Site Oficial: Iron Maiden