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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

O jazz na ilha deserta

Por Edison Junior

Na linha da velha proposição “quais os 10 álbuns de jazz que você levaria para uma ilha deserta?”, minha escolha seria (em ordem alfabética):

BENNY GOODMAN – Carnegie Hall The Complete Concert - O concerto dado em 1938, no Carnegie Hall, em Nova York, com clássicos da Era do Swing mais um apanhado da época anterior. Pela primeira vez o jazz se apresentou em uma casa de concertos.

J - Benny Goodman

BUDDY RICH – Big Swing Face – Gravado ao vivo, mostra toda a energia e técnica do baterista, acompanhado por uma excelente banda e um repertório fantástico.

J  -Buddy Rich

DAVE BRUBECK – Take Five - O famoso quarteto de Dave Brubeck no seu álbum mais notável.

J - Dave Brubeck

ELLA FITZGERALD – The Cole Porter Song Book vols. 1 e 2 – Uma das maiores vozes do jazz interpretando um dos maiores compositores americanos, Cole Porter.

J - Ella Fitzgerald

JIM HALL - Live! – Um trio de guitarra (Jim Hall), baixo e bateria, arrasando alguns temas clássicos do jazz em um ambiente intimista de casa noturna.

J - 014

MICHEL PETRUCCIANI – Trio in Tokio – Esse álbum é uma paixão recente minha. Músicos fantásticos, repertório idem. Vale conferir. Você pode ouvi-lo inteiro no podcast CJUB (clique no link embaixo da capa do CD)

J - Michel Petrucciani



NAT ‘KING’ COLE – After Midnight – Esse é outro álbum clássico. Meu pai o tinha em LP e foi uma das minhas primeiras audições de jazz. Ouvi quase até furar.

J - Nat King Cole

OSCAR PETERSON – The Oscar Peterson Big 6 – Gravado ao vivo no Festival de Montreux, em 1975, o sexteto é composto por Joe Pass (guitarra), Toots Thielmans (harmônica), Milt Jackson (vibrafone), Niels Henning Oersted Pedersen (baixo), Louis Bellson (bat) e, naturalmente, Oscar Petrson (piano).

J - Oscar Peterson Big 6

OSCAR PETERSON – Exclusively for my Friends – um box com 4 CDs, cujas músicas foram compliadas de uma série de LPs gravados na Alemanha. Uma aula de piano, tanto solo quanto em trio.

J - Oscar Peterson Excl

LESTER YOUNG & TEDDY WILSON – Pres and Teddy – O saxofonista Lester Young encontra o quarteto de Teddy Wilson e tocam um repertório delicioso. A versão de All of Me, na minha opinião, é definitiva, irretocável.

J - Pres and Teddy

Esses são os meus, e você, quais levaria?

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Drum Battles

1988 - Gene Krupa & Buddy Rich
(gravações originais entre 1955 e 1962)
Gênero: Jazz


















1959 - Rich Versus Roach
Gênero: Jazz


















Se você não gosta de solos de bateria recomendo não prosseguir a leitura deste post.

Nos anos 1930 e 40 eram comuns as orquestras de swing participarem de desafios entre si. Juntavam-se uma noite num mesmo palco e punham-se a executar seus melhores números para delírio dos respectivos fãs. Quase nunca se chegava à conclusão unânime sobre a vencedora, mas com certeza os maiores ganhadores estavam na plateia. Consta que Benny Goodman, o Rei do Swing, foi desafiado pelo baterista baixinho Chick Webb, que nunca se conformou de não ocupar esse posto. O desafio foi no Savoy, onde Webb normalmente trabalhava, e nesse dia sua banda tocou como nunca. O próprio Gene Krupa, baterista de Goodman, admitiu fragorosa derrota.  As batalhas entre bandas de swing duraram enquanto durou o próprio Swing. Porém, depois disso, alguns bateristas continuaram com a tradição de se “enfrentar”, cada um com seu grupo, nas chamadas “Drum Battles”. É o caso dos dois álbuns que aqui trazemos. No primeiro, Gene Krupa encara Buddy Rich, que no segundo álbum desafia Max Roach. É interessante notar a diferença na batida de cada baterista, cujos estilos começam a ficar facilmente reconhecíveis depois de pouco tempo de audição.


Track List

CD1: Gene Krupa & Buddy Rich

01 King Porter Stomp
02 Bernie’s Tune
03 It Don’t Mean a Thing
04 Evolution
05 Sweethearts on Parade
06 Jumpin’ at the Woodside
07 Buddy’s Blues
08 Duet

CD2: Rich Versus Roach

01 Sing, Sing, Sing (tomada alternativa)
02 Sing, Sing, Sing
03 The Casbah
04 The Casbah (tomada alternativa)
05 Sleep
06 Figure Eights
07 Yesterdays
08 Big Foot
09 Big Foot (tomada alternativa)
10 Limehouse Blues
11 Limehouse Blues (tomada alternativa)
12 Toot, Toot, Tootsie Goodbye






Mas nem todas as Drum Battles acabavam em paz...




Nota: essas Drum Battles existem até hoje - não conheço outros músicos que façam isso, pelo menos com tanta regularidade – deve ser pelo caráter mais agressivo do instrumento...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Buddy Rich

1968 - Mercy, Mercy
Gênero: Jazz / Swing



Em 1968, a banda de Buddy Rich estava fazendo uma turnê acompanhando Tony Bennet no Caesar’s Palace, em Las Vegas. Eram duas apresentações por dia e, numa dessas noites, após o término da segunda apresentação lá pelas 3 da manhã, os músicos já guardavam seus instrumentos quando Buddy Rich anunciou que iriam gravar um álbum. E assim foi, em dois ou três takes de cada música estava completada a gravação de Mercy, Mercy. A banda estava afiadíssima, num de seus melhores momentos. Sorte para o público que ganhou um bônus inesperado.

Achar uma fórmula de sucesso para uma banda é um problema e tanto. Buddy Rich achou a sua em meados dos anos 60. Os ingredientes devem ser tais que o líder não comprometa sua integridade musical, mas, ao mesmo tempo, consiga atingir uma audiência considerável. Essas duas condições são às vezes difíceis ou mesmo impossíveis de conciliar. No caso de Buddy Rich, muito da responsabilidade de ter conseguido isso é de seus arranjadores.

O repertório tem temas clássicos e modernos do jazz, misturado com músicas populares. A banda soa sempre vigorosa, com uma pegada forte, muito suingue e ótimos solistas, como é o caso desse álbum, em que temos o sax tenor Don Menza (ouça o solo dele em Channel 1 Suite e em outras), e o próprio Buddy Rich, considerado um dos bateristas mais técnicos do jazz.

Track List

01. Mercy, Mercy, Mercy
02. Preach and Teach
03. Channel 1 Suite
04. Big Mama Cass
05. Goodbye Yesterday
06. Acid Truth
07. Alfie
08. Ode To Billie Joe
09. Chavala (*)
10. Mr. Lucky (*)
11. Chelsea Bridge (*)

(*)faixas não presentes no álbum original.







Site oficial: Buddy Rich

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Buddy Rich

1967 - Big Swing Face
Gênero: Jazz / Swing



Gravado na casa noturna The Chez, em Hollywood, entre fevereiro e março de 1967. Particularmente, é meu trabalho favorito de Buddy Rich, considerado por muitos especialistas um dos bateristas mais técnicos que já existiu. O repertório mistura temas clássicos do jazz (Love for Sale, de Cole Porter) a músicas que estavam nas paradas de sucesso de então (Norwegian Wood, de Lennon e McCartney). Todas interpretadas com muito suingue pela fantástica Buddy Rich Big Band.

Buddy Rich nasceu em 1917 e fez seu primeiro solo em público em 1921 (com quatro anos!?). Sua carreira no jazz começou em 1937, mas foi em 1939 que encontrou Tommy Dorsey e começou a despontar para o público como um dos grandes bateristas da época ao lado de Gene Krupa. Tocou mais tarde com Armstrong, Gillespie e outros. Fez parte do grupo JATP – Jazz At The Philharmonic – no final dos anos 40. Nos anos 60 e 70, passou a tocar com a sua própria banda. Músico de reconhecimento internacional faleceu em 1987 por problemas cardíacos.

Track List

01. Norwegian Wood
02. Big swing face
03. Monitor Theme
04. Wack wack
05. Love for sale
06. Mexicali nose
07. Willowcrest
08. The beat goes on
09. Bugle call rag
10. Standing up in a hammock
11. Chicago
12. Lament for Lester
13. Machine
14. Silver threads among the blues
15. New blues
16. Old timey
17. Loose
18. Apples (aka “Gino”)


Norwegian Wood
– Vejam que suingue tem essa música dos Beatles!


Machine
– Apesar da qualidade desse vídeo não ser lá essas coisas, coloquei aqui porque gosto muito do trabalho do baixista puxando a banda.


E, para encerrar, uma pequena amostra do trabalho solo do baterista. Reparem no trecho do solo que ele faz apenas com as baquetas.


Site oficial: Buddy Rich