terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ana Cañas - "Rock And Roll" (Led Zeppelin)


Por Daniel Faria 

Quem é leitor assíduo do Jazz & Rock, certamente já ouviu falar da cantora Ana Cañas. Pois é pessoal, depois de três anos, desde do álbum Hein? (2009), a jovem cantora e compositora está de volta com algumas novidades.

Uma das novidades é o lançamento do seu novo álbum, Volta (2012), que eu acabei descobrindo por acaso enquanto garimpava os sites de música, ainda não ouvi, mas já está na lista para ser apreciado e que certamente renderá algum comentário futuro aqui no Jazz & Rock. E a outra novidade é o lançamento de um clipe oficial com uma versão da clássica "Rock And Roll" do Led Zeppelin. Quanta responsabilidade. Bom na versão da Ana, o clássico ganhou um toque acústico e claro a voz suave e afinadíssima da cantora. Eu gostei do resultado.

E você, o que achou da versão da Ana Cañas ??


Direção: Conrado Galves / Flávio Rossi (FGreat - Londres)
Imagens: Cauê Angeli / Conrado Galves / Flávio Rossi
Edição: Daniel Lima (Fubá Fimes - SP / Brasil)

Site Oficial: Ana Cañas 

Motörhead - The World Is Ours - Vol 2 - Anyplace Crazy As Anywhere Else (2012)

Phil Campbell (guitarra), Lemmy Kilmister (baixo/vocal) e Mikey Dee (bateria)
Por Daniel Faria

O power trio liderado por Lemmy Kilmister, lançou em setembro deste ano, o CD/DVD The World Is Ours - Vol 2 - Anyplace Crazy As Anywhere Else (2012). É uma compilação com apresentações ao vivo gravadas em alguns festivais em que o Motörhead tocou em 2011, como Wacken Open Air, o Sonisphere Festival e o Rock in Rio. O dvd traz o show completo do Wacken Open Air, na Alemanha, e trechos do Sonisphere Festival e do Rock in Rio.

Então sem mais delongas, trago até vocês o vídeo do show completo no festival Wacken Open, um show imperdível. Não tem muito o que falar, só assistindo mesmo e curtindo o som do Motörhead.


Set list: Wacken Open Air – August 8, 2011 in Wacken, Alemanha

01. Iron Fist
02. Stay Clean
03. Get Back In Line
04. Metropolis
05. Over the Top
06. Rock Out
07. One Night Stand
08. The Thousand Names of God
09. I Know How to Die
10. The Chase Is Better Than the Catch
11. In the Name of Tragedy
12. Just ‘Cos You Got the Power
13. Going to Brazil
14. Killed by Death
15. Bomber
16. Ace of Spades
17. Overkill

Meses atrás postei aqui no Jazz & Rock o  The World Is Ours Vol.1 - Everything Further Than Everyplace (2011), se você não assistiu, clique aqui

Site Oficial: Motörhead 

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ingressos: Preços Abusivos x Fiascos nas vendas


Por Daniel Faria

Um dos assuntos mais comentados recentemente na internet é em relação a The Born This Way Tour da cantora pop Lady Gaga. A extravagante cantora, chega para sua primeira visita ao Brasil, com shows que começam no Rio de Janeiro (9), em São Paulo (11) e encerra em Porto Alegre (13). Apesar de ser a primeira turnê em terras tupiniquins e levando em conta a quantidade imensa de fãs espalhados pelo país, a expectativa em torno das vendas dos ingressos era a melhor possível, mas não foi isso que aconteceu.

Em seu blog Popload, o jornalista Lucio Ribeiro comenta o que ele chama de "Lady Gaga fiasco", e expõe números alarmantes sobre a venda de ingressos no Brasil e na América Latina. E pasmem, em alguns casos existe até uma espécie de liquidação, na melhor maneira "compre um e leve outro". Segundo o jornalista a produtora de shows Time4Fun estava vendendo ingressos em até 10 vezes sem juros no cartão de crédito. O parcelamento era estendido a outros concertos trazidos pela empresa, como Linkin Park (outubro) e Joss Stone (novembro). No site Peixe Urbano, estão vendendo ingressos de inteira (R$ 350) pelo preço de meia (R$ 175).

Segue abaixo alguns dados que comprovam o fiasco.
• Até sexta-feira passada, para o show de São Paulo, a maior cidade do país e a que mais compra ingressos, tinham sido vendidos apenas pouco mais de 33.000 ingressos dos 65.552 disponíveis. Praticamente a metade da carga apenas. E dizem que em Porto Alegre a porcentagem é menor.
 •  Em Lima, Peru, a performance de vendas é ainda pior. Tudo bem que o show é “só” no dia 23, mas até neste sábado, para um local onde cabem 52 mil pessoas (Estádio San Marcos), apenas 13 mil entradas foram adquiridas. 
 •  Para o show de São Paulo, compre um e leve outro grátis. A campanha está nos jornais. Leve um ingresso e as lojas Riachuelo, patrocinadora do show, te dá outro.
Em tempo caro leitor, não é novidade do público brasileiro que os preços dos ingressos são abusivos. Mas de quem é a culpa ? É da pirataria (usada muitas vezes como bode expiatório) ? É da cota de meia entrada ? Ou dos produtores que buscam atingir lucros altíssimos ?

Também não é novidade que o Brasil virou definitivamente rota obrigatória para os grandes cantores e bandas internacionais, isso sem falar dos festivais. O Rock in Rio 2013 já foi confirmado e a venda do RiR Card esgotou em tempo recorde, também estamos a duas semanas do show do KISS em São Paulo, eu mesmo paguei 300 reais para ir ao show, isso sem contar os outros que já passaram e que vão passar até o fim do ano.

Então diante desse cenário que está sendo o fiasco da venda de ingressos da Lady Gaga o jornalista Lucio Ribeiro fez algumas perguntas pertinentes, mas que a meu ver servem também como questionamento para todos os shows que estão passando pelo país atualmente. 

- É uma reação do público ao valor do ingresso?

- Há uma excessiva demanda de shows por aqui, grandes concertos já não são tão novidades na área e de alguma forma estamos cansados (e sem dinheiro) para acompanhar tudo o que aparece?

- É um problema econômico geral (dizem que a Madonna também está vendendo bem abaixo do esperado)?

- Tudo isso junto e misturado?

Apesar do texto original do jornalista ter sido feito em torno da turnê da Lady Gaga, vi nesse excelente texto uma abertura para debater esse preço excessivo dos ingressos. É claro que como fanático por música, a vontade é ir no maior numero de shows possíveis  mais diante dos altos preços, somos obrigados a selecionar nossas escolhas e muitas vezes fazer dividas para conseguir realizar tal desejo. 

E aí caro leitor, qual a sua opinião sobre esse assunto ?? Você acha que os preços abusivos e grande demanda de shows, pode aumentar o fiasco nas vendas dos ingressos ?  

Particie, deixe seu comentário. 

Fonte Original: Popload (Lucio Ribeiro)

sábado, 3 de novembro de 2012

Garimpo musical: Lançamentos de 2012 - Parte I


Por Daniel Faria 

O ano ainda não acabou, mas 2012 tem tudo para estar entre os melhores anos no respeito a lançamentos musicais. Garimpando a internet - como de costume - atrás de novidades, encontrei uma infinidade de bons álbuns lançados este ano, álbuns que eu sequer sabia que tinham sido lançados. Então pensando nisso e no pouco tempo que eu tenho para resenha-los, resolvi fazer um resumo breve e assim trazer esses álbuns para vocês. É claro que muitos álbuns ficaram de fora da lista, afinal é uma lista bem resumida e que abrange o cenário jazzístico e um pouco do rock, blues e southern rock.

A intenção desse resumão é abrir um leque de opções, para que você corra atrás desses álbuns e escute sem moderação.Então sem mais delongas, vamos a lista. Espero que gostem. 

A lista será dividida, já que mesmo sendo poucos álbuns, ficaria uma postagem muito extensa. Enquanto a segunda parte não sai, use o espaço de comentários para dizer a sua opinião sobre os lançamentos de 2012.


Diana Krall - Glad Rag Doll (2012)

Um dos destaques do ano é o décimo primeiro álbum da cantora e pianista de jazz, Diana Krall. Em Glad Rag Doll, a pianista teve muita ousadia em deixar o jazz clássico de lado, estilo que a consagrou, para fazer um repertório com canções da década de 20 e 30. A mudança não foi apenas na sonoridade, mais no conceito que envolveu o álbum, a começar pelo ensaio fotográfico para o álbum. Em relação à sonoridade, o jazz clássico deu espaço ao jazz que nos remete aos tocados nos cabarés dos anos 20. Diana Krall provou não só ser ousada, mais também diversificada, apesar da mudança, ela conseguiu manter a mesma qualidade vocal e de interprete, acompanhada por um instrumental que surpreendeu nos arranjos.  


Rival Sons - Head Down (2012)

O quarteto do Rival Sons chega ao terceiro álbum da carreira mantendo a mesma qualidade que mostrou nos anteriores. Head Down (2012) mostra o amadurecimento de uma banda, com composições impactantes e uma sutil mudança na sonoridade, mas que fez toda diferença. Se antes a banda soava e bebia de uma única fonte chamada Led Zeppelin, no novo álbum os caras deixaram isso de lado, e trouxeram elementos de bandas como The Doors, The Who e até Lynyrd Skynyrd, resultando em um hard rock contagiante, com uma pegada renovada e com músicas carregadas de muito groove. E os responsáveis por isso são, o vocalista Jay Buchanan, que mais uma vez se mostrou impecável e com um vocal calibrado, o guitarrista Scott Holiday, responsável pelos riffs e os solos, e claro para a cozinha feita com competência pelo baterista Michael Miley e o baixista Robin Everhart. Head Down (2012) é um dos melhores álbuns de rock do ano, recomendadíssimo. 




Lynyrd Skynyrd -  Last Of A Dyin' Breed (2012)

O Lynyrd Skynyrd também deu as caras em 2012, depois de três anos sem lançar um material inédito, o maior nome do Southern rock está de volta. Sob o comando Johnny Van Zant, a banda ressurge com Last Of A Dyin’Breed (2012). Produzido por Bob Marlett, o décimo terceiro álbum de estúdio da banda segue os passos do antecessor e excelente God & Guns (2009), porém com uma sutil e notável diferença, que é a tentativa de soar um pouco mais moderno, parece que a banda tirou um pouco o pé e deixou a sonoridade menos pesada, sem abusar de riffs vigorosos, como no antecessor. Apesar disso, o Lynyrd Skynyrd se saiu bem e o resultado é satisfatório. No repertório onze canções, onde a banda explora várias sonoridades, como por exemplo o blues do delta em “Mississippi Blood”, o hardão pesado e arrastado em “Nothing Comes Easy”, a pegada empolgante de “Good Teacher” e a balada “Something To Live For”, algo que o Lynyrd Skynyrd faz muito bem. É claro que em se tratando de uma banda consagrada, não tem como agradar a todos a cada álbum lançado, o fato é que Johnny Van Zant (vocal), Gary Rossington (guitarra), Ricky Medlocke (guitarra), Mark Matejka (guitarra), Peter Keys (teclado) e Michael Cartellone (bateria), mantiveram as expectativas, porém sabemos que o Lynyrd Skynyrd tem capacidade e estrada suficiente para lançar um álbum muito melhor.


Brian Setzer - Rockabilly Riot! Live from the Planet (2012)

Brian Setzer está de volta, mas não com a sua Orchestra, e sim com seu grupo de rockabilly, Stray Cats. Rockabilly Riot ! Live From The Planet (2012) é o resultado de uma compilação de show durante a turnê do Brian Setzer pelo Japão, Suécia, Australia e EUA, durante o ano de 2011 e 2012. No repertório quinze canções, algumas bem conhecidas, como “This Cat's On a Hot Tin Roof”, “'49 Mercury Blues”, “Rumble In Brighton” e “Drive Like Lightning”. O interessante fica por conta dos músicos envolvidos ao longo da turnê, o baterista Noah Levy, os baixistas Jonny Hatton e Chris D’Rozario, o multi-instrumentista Kevin McKendree e o baterista de longa data do Stry Cats, Slim Jim Phanton. Se você curte curte rock’n’roll, esse álbum é indispensável. Recomendo. 


Gary Clark Jr. - Blak and Blu (2012)

Quem é leitor de longa data do Jazz & Rock, certamente já ouviu falar do jovem guitarrista Gary Clark Jr. Eu conheci ele na época da turnê do Eric Clapton no Brasil, em meio as noticias surgiu o nome desse jovem, que estava abrindo os shows do Clapton. Partindo desse principio, cheguei ao seu EP Brigth Lights (2011), que diga-se de passagem é excelente. Na época me lembro de ter ouvido do EP e que deixou aquele gosto de quero mais. Porém eis que o jovem bluesman volta a cena com Blak and Blu (2012), um álbum que impressiona e envolve, por trazer não apenas a sonoridade do blues tradicional, mas por mesclar com elementos do rock, do pop, do soul e até do rap.  Apesar de parecer confuso, é ouvindo que temos a dimensão da capacidade do Gary como guitarrista e cantor, em meio a um turbilhão sonoro, somos levados música após música, com uma boa dose de riffs, solos e uma fusão que deu certo. Para muitos Gary Clark é a salvador do blues, para outros está longe disso. Porém independente disso, o que podemos afirmar, é que Gary tem muito a oferecer para o blues, é um músico que não se importa em misturar ritmos e sonoridades, e mostrar ao mundo a suas influencias, e o resultado dessa obra prima é Blak and Blu (2012). Recomendo.







Marcus Miller - Renaissance (2012)

Se você está a procura de um jazz fusion, com uma pegada funkeada e muito groove, Renaissance (2012), novo álbum do baixista Marcus Miller, é a pedida certa. Em seu oitavo álbum da carreira solo, Marcus Miller da mais uma aula de como se faz jazz fusion. Se a ideia do álbum é de mostrar o novo renascimento da sua carreira, Miller conseguiu passar isso, Renaissance transmite inovação, um vigor novo, é um álbum que traz influencias do funk, do soul, do jazz e até mesmo da música brasileira. Marcus Miller usa e abusa de técnicas que ele domina, como a do slap, brindando o ouvinte com um som envolvente e carregado de muito groove. Cercado de músicos competentes e jovens, como o jovem saxofonista Alex Han, os trompetistas Sean Jones e o jovem Maurice Brown, os guitarristas Adam Rogers e Agati, o tecladista Kris Bowers e o baterista Louis Cato. Essa é a renascimento que Miller quer passar adiante. Há ainda espaço para os experientes tecladistas Federico Gonzalez Peña e Bobby Sparks e os vocais Dr. John, Rúben Blades e Gretchen Parlato. Entre as músicas destaque para “Detroit”, que abre com um groove funkeado, “Redemption”, que tem uma melodia linda e cadenciada, acompanhada de perto por uma linha de baixo impecável. “February” é outra que merece destaque, conta com a introdução de Gonzalez Peña no piano. Entre as composições próprias de Marcus Miller, há espaço para releituras, como é o caso das músicas “Slippin' into darkness”, e “Setembro” de Ivan Lins, “I'LL be there”, música do Jackson Five, aqui tocada em solo de baixo primoroso em tributo ao Michael Jackson. E não poderia deixar de citar duas músicas que eu curto demais, “Jekell & Hyde”, que tem um groove matador e uma pegada funk mesclada ao arranjo de metais. A outra é “Mr.Clean”, dona de um refrão grudento, destaque para os solos dos trompetistas, do saxofonista, sempre com Miller marcando parecença com o baixo ao fundo, até o momento em que ela muda totalmente e começa uma aula de slap. Enfim, Renaissance (2012) tem tudo para estar entre os melhores do ano. E claro, prometo uma resenha para ele, por que merece. Recomendo. 



Espero que tenham gostado da primeira parte da lista, aproveitem esse intervalo para procurar e ouvir os álbuns citados. Na próxima semana volto com a continuação. Boa audição a todos. 

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Review: KISS - "Monster" (2012)


Por Daniel Faria 

Quando você ouve os primeiros riffs do álbum Monster (2012), a sensação é de ter voltado para a década de 70, época em que o hard rock manava de fontes puras, era cru e sem frescuras. E foi com esse objetivo que o Kiss precisou fazer uma espécie de viagem sem escalas no tempo, com um único destino, os anos 70.

O resultado é um álbum feito sob medida, coeso, com um hard rock visceral, que não visa o lado comercial que o mercado atual exige. Produzido por Greg Collins e Paul Stanley, que já trabalharam no anterior Sonic Boom (2009), trouxeram para o novo álbum um som que prima por um hard rock agressivo e cru, que nos remete aos bons tempos do Destroyer (1976), e que soa diferente de tudo que a banda fez nos últimos álbuns. Um detalhe importante é o uso dos equipamentos analógicos durante a gravação, que deu ao álbum essa sonoridade setentista. Em Monster, a banda apostou em um rock simples e direto, deixando de lado as produções grandiosas, caminho que já foi trilhado no álbum anterior. Sendo assim, não há muito espaço para uso de efeitos sonoros, o que se ouve é aquilo que se espera de um bom álbum de rock, doses cavalares de riffs, refrões grudentos, letras empolgantes ,uma boa dose de energia misturada com a experiencia dos músicos. Essa foi a fórmula usada pelo Kiss.

 O álbum abre com “Hell or Hallelujah”, o primeiro single lançado pela banda, uma canção que trás a marca do Kiss, um hard rock explosivo e contagiante, com uma letra grudenta, enquanto no vocal Paul Stanley mostra que ainda está em grande forma. A música ganha ainda mais forma quando o solo de Tommy Thayer contrasta com a base feita por Stanley, uma harmonia que parece ter sido feita com uma precisão cirurgica. Como não poderia ser diferente, Gene Simmons assume o vocal logo na sequencia, em “Wall of Sound”, um hard rock com pegada, porém mais cadenciado, destaque para o solo e para o baterista Eric Singer. Na sequencia surge “Freak”, segue a linha do hard cadenciado e com passagens pesadas. “Back to the Stone Age” surge na sequencia, cantada por Gene “Demon” Simmons, uma música carregada de energia, empolgante e com um refrão grudento que explode em um mini coro, destaque para o solo do Tommy Thayer. Um detalhe é que esta é a única música do álbum que foi escrita por todos os músicos. Stanley volta para o vocal em “Shout Mercy”, uma música que mescla o hard rock com pitadas de heavy metal. “Long Way Down”, foi divulgada na internet antes do lançamento oficial, e tem tudo para ser o hit do álbum, com Stanley no comando dos vocais, acompanhado de um instrumental feito sob medida, uma música que poderia ter sido facilmente gravada em algum álbum dos anos 80. “Eat Your Heart Out”, fica por conta do Gene Simmons, um hard rock bem festivo e sacana, o assunto é um dos preferidos do Gene: mulheres. O refrão conta com Stanley no backing vocal, o instrumental se mantem na mesma qualidade, com Tommy mandando bem no solo mais uma vez. “The Devil is Me”, tem que ser cantada pelo The Demon, e por isso mesmo ele assume os vocais, uma letra carregada de maldade, ao melhor estilo Gene Simmons. A música em si é um hardão pesado, com uma boa dose de solos. “Outta This World”, traz Tommy Thayer nos vocais, mandando muito bem diga-se de passagem, com um timbre que se encaixou muito bem à melodia da música, um hard rock com um toque mais leve. O batera Eric Singer assume o vocal em “All for the Love of Rock & Roll”, que em meio a tanto hard pesado, é que podemos considerar a balada do álbum, a letra em si é perfeita, uma verdadeira confissão de amor ao rock’n’roll. A melodia é animada, leve e soa descontraída, diria que tem uma leve pincelada setentista. O hard volta a ganhar peso na música “Take Me Down Below”, que apesar da melodia simples, tem uma melodia viciante, destaque para os vocais dividos entre Paul Stanley e Gene Simmons, os dois cantando em perfeita sintonia. E como tudo que é bom dura pouco, o álbum chega ao fim com “Last Chance”, que como não poderia ser, tem um hardão que faz o ouvinte implorar por mais, cantada por Paul Stanley, a música é carregada de uma energia que só o KISS tem, o interessante dessa música é o fato da melodia oscilar varias vezes, porém sem deixar o peso de lado.

Com 40 anos na estrada, o Kiss surpreendeu todas as expectativas em Monster (2012), a banda abriu mão dos excessos que eram comuns em seus álbuns, e optou por um rock’n’roll simples e direto, do jeito que deve ser. O interessante é que a banda soa como se estivesse gravando o seu debut, tamanha a energia que as músicas transmitem. E o melhor disso é que não esperaram muitos anos desde o ultimo álbum, Sonic Boom (2009), que na minha opinião foi onde começou essa mudança de postura da banda.

Com o lançamento do Mosnter, tivemos uma noticia ainda melhor, quando o Kiss anunciou uma turnê na América do sul, com shows marcados para este mês (Novembro) no Brasil. Eu já garanti o meu ingresso e você?

Por fim, deixo para você a missão (prazerosa) de ouvir o álbum na integra e deixar ser levado pelo rock’n’roll do KISS. Boa audição.

01. Hell Or Hallelujah
02. Wall Of Sound
03. Freak
04. Back To The Stone Age
05. Shout Mercy
06. Long Way Down
07. Eat Your Heart Out
08. The Devil Is Me
09. Outta This World
10. All For The Love Of Rock & Roll
11. Take Me Down Below
12. Last Chance

  KISS - Hell Or Hallelujah

KISS - Back To The Stone Age

Site Oficial: KISS

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

A Donzela de Ferro e a História: Iron Maiden (1980)

Caros leitores e leitoras.

Começa hoje aqui no Jazz & Rock, uma série de postagens sobre o Iron Maiden e os fatos históricos por trás de cada álbum da banda. A série foi criada pelo Ricardo Heavynick do blog História e Caos .Agradeço o Ricardo Heavynick por aceitar o meu pedido e permitir que eu postasse a série para os leitores do Jazz & Rock. Espero que vocês gostem e apreciem as postagens, pois é o resultado de um trabalho que envolveu muita pesquisa e que merece nosso reconhecimento. 

Então se você curte heavy metal e uma boa dose de história, seja bem vindo. 

Por Ricardo Heavynick ( História e Caos )

Quem é fã da Donzela de Ferro sabe o quanto estes caras tem carregado em suas letras passagens históricas, além de citações de autores como Shakespeare, mitologias e muito mais.

Claro, devemos muito destas letras a Steve Harris e Bruce Dickinson _ que além de piloto de avião, esgrimista, roteirista, vocalista do Maiden, é historiador. E de certa forma entrar no mundo do que estas letras dizem sobre a história, é entrar um pouco na mente destes caras.

Mas não nos percamos assim em sua genialidade somente, tudo aquilo que os boys Nicko, Dave, Adrian e Jenick fazem juntos, é motivo de admiração.

Mas que passagens são estas? O que há por trás disso tudo?


Não vou conseguir todas as respostas, mas analisando letra por letra e pesquisa aqui e acolá eu consigo algo de interessante. Embarquem nesta viagem comigo! Let's run free!!


Iron Maiden - Iron Maiden (1980)

O álbum começa com Prowler, e quer dizer algo como "perambulador" ou alguém que se esgueira atrás de algo (verbo prowl). Na música temos um cara observando e desejando mulheres.

Remember Tomorrow, Di'Anno escreveu em homenagem ao avô. É tudo que se sabe, analisando a letra pode-se imaginar que o avô dele foi piloto, inclusive algumas fontes sugerem que ele foi piloto da Força Aérea Real (Royal Air Force) na Segunda Guerra Mundial.

A RAF surgiu em 1918 e foi muito proeminente na II Guerra Mundial. É a segunda maior atualmente na OTAN, ficando atrás apenas da USAF (Força Aérea dos EUA). A RAF responde às ordens do ministro britânico da defesa.  

 Supermarine Spitfire Mk VA  
Durante a guerra, a RAF enfrentou a força aérea alemã, Luftwaffe na Batalha da Grã-Bretanha. Foi a primeira batalha da história apenas com aeronaves.

O fim desta batalha, vencida pelos ingleses, levou Winston Churchill a dizer: "Never, in the field of human conflict, was so much owed by so many to so few" _ em português: "Nunca, no campo dos conflitos humanos, tantos deveram tanto a tão poucos"   

O som Running Free segundo Paul Di'Anno é uma espécie de autobiografia de quando ele era jovem.
  

O álbum segue com Phantom of the Opera que é romance do francês Gaston Leroux de 1910, nome original Le Fantôme de l'Opéra. Esta obra foi adaptada para o cinema e teatro várias vezes e atualmente é o musical mais visto no mundo, com adaptação de Sir Andrew Lloyd Weber, superando Cats, dele mesmo.

Sobre o romance, recomendo que assistam o filme, veja o trailler de The Phantom of the Opera (2007).  

A instrumental Transylvania é o som seguinte. Esta região romena é muito conhecida graças a Vlad III, Príncipe (Voivoda) da Valáquia, ou mais popularmente como Vlad o Empalador ou Drácula. Ele foi príncipe de 1456 até 1462 (época do apogeu do império Otomano) 1448 e 1476.

Bran Castle na Transilvânia - Conhecido habitualmente como o "Castelo do Drácula"  
Vlad era um cavaleiro cristão e enfrentou os turcos e seu próprio irmão Radu. Ele utilizava de métodos cruéis contra inimigos, principalmente o empalamento - para quem não sabe, empalar é um método de tortura onde se enfia uma estaca no ânus, vagina ou umbigo e ela atravessa todo o corpo. Haviam métodos que impediam que a pessoa morresse imediatamente após a inserção da estaca, para que ela sofresse mais algumas horas de dor.

O irlandês Bram Stoker (1847 -1912) após estudar folclore europeu e histórias de vampiros lançou em maio de 1896 sua magnum opus, Drácula.   

Strange World parece falar de drogas, sério mesmo. Fala do seu mundo perfeito e diferente, que está aqui mas não está, enfim. Porém quando eu vejo que a letra foi escrita por Harris minha tese cai por terra, ele é muito certinho.  

Sanctuary parece alguém que cometeu um crime e precisa de um refúgio em santuário. Entre os séculos XIV e XVII um criminoso que se refugiasse em um santuário não podia ser preso, segundo a lei inglesa.

Capa do single "Sanctuary", lançado em 23 de maio de 1980.
A música Charlotte the Harlot é a primeira parte da "The Charlotte Saga", que eu carinhosamente chamo de a Saga da Puta _ com todo o respeito para as profissionais e amadoras da área. As outras músicas dessa saga são 22 Acacia Avenue (The Number of the Beast), Hooks on You (No Prayer for the Dying) e From Here to Eternity (Fear of the Dark). Se bem que muita gente discute se as duas últimas de fato fazem parte desta saga, o fato é que pelo menos uma delas toma parte.

Charlotte é uma prostituta de East End, Londres

East End fica à leste do Muro (Medieval) de Londres e ao Norte do rio Tâmisa. Foi uma das áreas que mais sofreram com os bombardeios na segunda Guerra Mundial. Antes disso a área já era uma das mais pobres do Reino Unido (e ainda é), onde se concentravam os imigrantes e as pessoas que viviam nas favelas do centro, que tiveram que sair devido as construções das docas e de um terminal ferroviário.  

Iron Maiden é aquela musica que os caras vão tocar para sempre, por que representa aquilo que é o Maiden. Eles fazem o público sangrar de alegria!!

Iron Maiden: Instrumento de tortura usado na idade média.
Mas também, Iron Maiden é um instrumento medieval de tortura com lanças dentro e na porta, conforme a porta vai fechando... bem, dá para imaginar o que acontece. Não, não dá, as lanças não atingem órgãos vitais, a pessoa morre de asfixia ou hemorragia um tempo depois.

Iron Maiden também é como a ministra britânica Margaret Thatcher era chamada.

A capa do single representa Margaret Thatcher portando uma submetralhadora Sterling preparando-se para atacar Eddie. A capa na verdade é uma brincadeira com a capa do single anterior, Sanctuary, em que Eddie aparece assassinando Thatcher.  
Depois deste álbum o guitarrista Dennis Stratton deixa a banda e é substituído por Adrian Smith. 

No álbum, a ordem das músicas pode mudar dependendo de onde ele foi lançado, o lançamento abaixo é o dos EUA. Na primeira versão não está incluída a faixa Sanctuary.



1. Prowler
2. Remember Tomorrow
3. Running Free
4. Phantom of the Opera
5. Transylvania
6. Strange World
7. Sanctuary
8. Charlotte the Harlot
9. Iron Maiden

Formação:
Steve Harris - Baixo e Backing Vocals
Dave Murray - Guitarra
Paul Di'Anno - Vocalista Principal
Clive Burr - Bateria
Dennis Stratton - Guitarra e Backing Vocals   


Fonte: História e Caos

Halloween !


Ilustração: Derek Riggs

terça-feira, 30 de outubro de 2012

KISS: Live on Letterman ( Ed Sullivan Theatre )


Por Daniel Faria 

No dia 10 de Outubro, o KISS se apresentou no Ed Sullivan Theatre, local onde é gravado o programa do David Letterman, em uma espécie de projeto chamado Live on Letterman. Inúmeras bandas já tocaram nesse projeto.  Apesar do vídeo ter sido disponibilizado no site oficial, não sei por qual motivo ele se encontra indisponível. 

A única solução encontrada pelo blogueiro que vos escreve, foi percorrer o Youtube atrás do vídeo, que apesar de ter encontrado, está com uma qualidade muito baixa. 

O KISS fez um show de aproximadamente 50 minutos e tocou um set list com dez músicas, sendo que apenas uma faz parte do álbum Monster, as demais são todos clássicos das antigas. 

Confira abaixo, o show na integra.